Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 26 de maio de 2018

Mesmo errando no diagnóstico, o Dr. quer dar o remédio

Sábado, 26 de maio de 2018

Por Luiz Vianna Sobrinho no Outra Saúde
Autor de ‘Medicina financeira: a ética estilhaçada’ analisa declaração do presidente da Unimed Brasil de que “saúde para todos não é mais possível”

Mesmo errando no diagnóstico, o Dr. Quer dar o remédio

No dia 11/5, em série intitulada UOL Líderes, este site publicou entrevista com o Dr. Orestes Pullin, cirurgião graduado em Londrina e com MBA em gestão pela São Camilo, atual presidente da Unimed Brasil. Sua questão: o problema do sistema de saúde do país. Então, ao longo da entrevista ele traça seus diagnósticos e propõe o tratamento.

Embora dirija um aglomerado de 346 cooperativas médicas que tem se equiparado em suas práticas às demais operadoras de planos de saúde, logo no começo de sua entrevista, o colega já deixa escapar sua intenção em se apropriar do objeto maior, que é o sistema de saúde brasileiro: “Está chegando o momento de se discutir a saúde de forma bastante séria dentro do país”.

Assim, sua questão não é mais a sobrevivência das várias unidades em insolvência pelo país, nem a própria manutenção de sua carteira de mais de 18 milhões de usuários frente à sanha das grandes corporações multinacionais que avançam sob o sistema. Não há alusão aos projetos frustrados de verticalização que deixaram esqueletos de grandes hospitais, como os de Macaé e Niterói, no Estado do Rio. Nem aos luxuosos hospitais que colocaram as cooperativas em ruína financeira, como os de Florianópolis e o do Rio de Janeiro. A sede da Barra da Tijuca foi vendida e o portentoso Hospital Unimed encontra-se à venda, por R$ 690 milhões; ainda assim, a cooperativa regional foi salva pela ANS em uma operação de ultima hora, que deixou muita desconfiança no próprio corpo técnico da agência. É desse grupo de gestores que vem ‘agora’ o momento de pensar sério sobre o sistema de saúde de todo o país.

domingo, 15 de abril de 2018

Em meio a investidas privadas, defesa do direito à saúde pública deve ser fortalecida

Domingo, 15 de abril de 2018
Por Redação

Única alternativa dos mais pobres para cuidar da saúde, estrutura do sistema público sofre assédio do capital
Imagem: Andre Sousa Borges/ Agencia Brasilia

30 anos após sua criação, Sistema Único de Saúde enfrenta embate financeiro desigual com o setor privado

Por
Luciana Console para o Saúde Popular

O direito à saúde pública e universal é uma das previsões mais importantes da Constituição de 1988, texto cujos valores aproximaram o Brasil de uma social-democracia garantidora de condições básicas à dignidade humana. Nos últimos 30 anos, porém, o acesso aos serviços vem sofrendo graves consequências por conta da pressão do capital pela privatização do setor aliada à falta de financiamento público para os equipamentos de saúde pública.

“O fenômeno que a gente tem no Brasil é muito complexo, porque o SUS está de pé, só que como um saco vazio. E isso não é de agora. A gente tem esse processo de competição com o SUS desse setor privado sempre em expansão, que é muito preocupante”, aponta Ligia Bahia, professora do Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ.

sábado, 31 de março de 2018

‘Já tivemos parlamentares que compreendiam e defendiam o SUS, não temos mais’ diz Ligia Bahia

Sábado, 31 de março de 2018
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Inês Costal e Patrícia Conceição / do Observatório de Análise Política em Saúde

A entrevistada do mês de março do Observatório de Análise Política em Saúde – OAPS acompanha de perto a presença, cada vez maior, do setor privado na saúde. Ligia Bahia, doutora em Saúde Pública, médica e docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro da Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Abrasco, fala sobre as mudanças na privatização da saúde – “tem uma dominância financeira que está em todos os pontos do sistema” – e os desafios de investigar e analisar a movimentação financeira do setor privado, além de contrapor o discurso que opõe os setores privado e público, creditando ao primeiro qualidade e excelência.
Na entrevista a pesquisadora também comenta a relação de empresas com os poderes Executivo e Legislativo e critica a falta de uma bancada da saúde com melhor atuação: “Nós já tivemos parlamentares que compreendiam o SUS, defendiam, que estavam à frente desse processo, não temos mais. Nossos parlamentares não se comportam como sanitaristas, se comportam na defesa de interesses diversificados. E esse não é um problema do Legislativo, também é o nosso problema”.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O futuro do SUS depende da luta política

Quarta, 28 de fevereiro de 2018
Publicado em 27/2/2018 no Youtube por Brasil Saúde Amanhã / Fiocruz

Jessé Souza: o futuro do SUS depende da luta política

Em aula inaugural na Ensp/Fiocruz, sociólogo e professor da Universidade Federal do ABC comenta o avanço do capital financeiro sobre a Saúde e destaca o papel do setor na defesa da democracia.

Fonte: 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Pela defesa do SUS e por uma formação e pesquisa em saúde aliadas às necessidades sociais —— Carta Final do ABRASquim

Terça, 28 de novembro de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Nós, estudantes de graduação, de pós-graduação, professores e profissionais de saúde reunidos nos dias 20 e 21 de novembro de 2017 na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais por evento do ABRASquim 2017 – 1º Encontro Estudantil de Saúde Coletiva, manifestamos preocupação com o grave momento histórico e político vivido atualmente pelo povo brasileiro, marcado por uma retirada brutal de direitos sociais duramente conquistados e assegurados pela Constituição Cidadã.
A Saúde e a Educação, elementos-chave para a construção e consolidação de uma sociedade democrática e de uma nação soberana, são as áreas que mais têm sofrido com as medidas propostas para solucionar a crise no país. Exemplo disso é a promulgação da EC 95/2016 que congela em 20 anos os gastos públicos – que potencialmente inviabiliza o SUS – e ainda os cortes orçamentários sofridos pelas universidades públicas e pela Ciência, Tecnologia e Inovação. Em um momento de crises e incertezas, a falta de solidariedade emerge como uma ameaça à coletividade, ficando latente a fragmentação social e a individualização que ameaçam o ideário do SUS.
O ensino superior público também tem sido alvo de desmonte. Propostas de viés privatizante questionam a gratuidade e a gestão pública das universidades e até o seu papel na construção do conhecimento. Cortes orçamentários inviabilizam pesquisas e a própria autonomia das universidades, levando-as a buscar meios alternativos de financiamento nem sempre comprometidos socialmente. Consequentemente, a própria discussão e formação no âmbito da Saúde Coletiva sofre o efeito desses retrocessos, acirrando ainda mais as dificuldades ainda enfrentadas por esse campo.
Esses desafios nos levam a conclamar todos os estudantes, pesquisadores, trabalhadores, gestores, usuários do SUS e movimentos sociais da saúde, bem como toda a sociedade, para:
1) Defender o Sistema Único de Saúde e o direito universal assegurados pela Constituição Federal Brasileira de 1988;
2) Reivindicar um financiamento público adequado às políticas públicas democraticamente consensuadas na Constituinte, sendo necessária a revogação da EC 95/2016 de congelamento dos gastos públicos;
3) Defender as conquistas já alcançadas no âmbito da Atenção Básica no Brasil, não aceitando os retrocessos impostos pela nova proposta da Política Nacional de Atenção Básica;
4) Repudiar toda e qualquer forma de limitação da universalidade do SUS, como colocado pela proposta de planos populares de saúde;
5) Reivindicar a criação de um plano de carreira para os trabalhadores do SUS com salários e condições de trabalho adequadas;
6) Defender uma formação e pesquisa em saúde comprometidas ética e politicamente com o SUS e com as necessidades sociais e de saúde da comunidade, pautada pelo protagonismo dos estudantes, usuários, trabalhadores do SUS e dos movimentos sociais na construção do conhecimento;
7) Defender uma universidade pública democrática: aberta, diversificada e participativa aos estudantes, movimentos sociais e aos vários atrizes e atores da comunidade, sendo produtora não só de conhecimento técnico, mas também de sujeitos e cidadania;
8) Respeitar a transversalidade e a intersetorialidade na produção do conhecimento e do cuidado em saúde;
9) Combater o produtivismo desenfreado da pesquisa em saúde, reivindicando formas mais equitativas e criativas de avaliação da produção acadêmica;
10) Dedicar esforços, pesquisas e ações ao combate às iniquidades sociais;
11) Ocupar os vários espaços – instituídos ou não – de discussão e construção de políticas públicas, como as universidades, os conselhos de saúde e os espaços formais da Democracia Representativa; e
12) Unir-se à luta pela Saúde Coletiva.
Acreditamos que momentos de crise também podem ser momentos de reinvenção. Assim, o imperativo que se coloca é o enfrentamento coletivo à desesperança e a necessidade de resistir.
Belo Horizonte, 21 de novembro de 2017

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Estratégias para consolidação do SUS e do direito à saúde – artigo de Gastão Wagner

Terça, 19 de setembro de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Por Gastão Wagner de Sousa Campos*


I – Projeto e frente política em defesa do SUS:
A consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) depende da constituição de um Bloco Político capaz de renovar e de dar continuidade aos movimentos sociais em defesa da vida.

A incorporação das diretrizes do SUS à Constituição de 1988 possibilitou o desenvolvimento de uma nova política de saúde no Brasil. Esta mudança foi inspirada nas experiências dos sistemas universais e públicos de saúde. Estes sistemas foram parte fundamental de reformas sociais  implementadas, ao longo do século XX, em vários países, objetivando o estado de bem-estar. Tanto a inscrição na Constituição do direito universal à saúde, quanto o início da implementação do SUS deveram-se a uma conjugação favorável de fatores de ordem política. Dentro da luta pela democratização e contra a ditadura militar ao longo dos anos setenta e oitenta, organizou-se também um influente movimento sanitário que adotou o SUS como sua estratégia mais geral. Entretanto, ao longo dos anos noventa e da primeira década do terceiro milênio, a progressiva implementação do SUS dependeu basicamente de ações internas às instituições. Mudanças por dentro do aparelho de Estado, um Estado ampliado é importante reconhecer, já que a criação de arranjos de controle social e de gestão participativa trouxeram para o interior das organizações públicas a disputa entre diversos projetos, entre diferentes interesses e múltiplos atores sociais. É importante reconhecer que nesta dinâmica participativa os partidos políticos, governantes, setores da burocracia e intelectuais tiveram maior influência do que a representação da sociedade civil ou dos usuários, em particular.

Entretanto, não se deve subestimar a importância de movimentos sociais específicos da área da saúde na implementação do SUS, pois graças a eles foram sendo possível implementar novas políticas e novos programas. Este foi o caso da reforma psiquiátrica, do movimento pró humanização, de luta contra a AIDS, a favor da Estratégia de Saúde da Família e pela Educação em Saúde, entre outros. Este ciclo de lutas produziu mudanças na cultura e na prática do SUS, gestando-se novos valores e conceitos sobre maneiras para se assegurar o direito à saúde. Em geral, estes movimentos aglutinaram profissionais com visão crítica e camadas populares diretamente interessadas no enfrentamento de alguns problemas de saúde. Estes movimentos encontraram apoio em distintas entidades, associações acadêmicas e políticas, como Centro Brasileiro de Estudos da Saúde – CEBES, Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, entre outras, e lograram influenciar políticas e modos de atuação em municípios, reformas locais que produziram “efeito demonstração” e pressão para que Secretarias de Estados e o Ministério da Saúde as adotassem como estratégias para todo o SUS.