“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Justiça do Rio proíbe novas demolições na Favela do Metrô

Sexta, 29 de maio de 2015
Da Agência Brasil Edição: Aécio Amado
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), por meio de uma liminar concedida hoje (29), proibiu que a prefeitura da capital fluminense faça novas demolições na Favela do Metrô, na Mangueira, zona norte do Rio. De acordo com o tribunal, caso decisão judicial não seja cumprida, o município pagará multa de R$ 20 mil por imóvel derrubado.  
Favela do Metrô-Mangueira, na zona norte da cidade, tem imóveis demolidos pela prefeitura do Rio (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Favela do Metrô, na zona norte da cidade, vários imóveis demolidos pela prefeitura do Rio — Tânia Rêgo/Agência Brasil
Moradores da comunidade protestaram na noite de ontem (28) na Avenida Radial Oeste, uma das principais vias de ligação do centro do Rio com a zona norte da cidade. Durante a manifestação, um grupo de pessoas bloqueou a avenida ateando fogo em pneus e pedaços de madeira, causando a reação de policiais militares para desobstruir a pista e restabelecer o tráfego de veículos.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Copa sem casa

Segunda, 23 de junho de 2014
Moradores da comunidade vizinha à Arena de Pernambuco, na área rural de Recife, perderam suas casas ou parte de seus lotes e ainda lutam para receber indenização
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
por Coletivo Nigéria | 23 junho, 2014
Todas as quartas-feiras a defensora pública Daniele Monteiro atende famílias impactadas por obras da Copa do Mundo no Recife. No Fórum de Camaragibe, cidade da Região Metropolitana da capital pernambucana, as famílias buscam resolver pendências de seus processos de desapropriação. Eles moravam na comunidade Loteamento de São Francisco até o final de 2013, quando suas casas foram demolidas pelo governo. No entanto, muitos ainda não receberam nenhum centavo das indenizações devido a entraves burocráticos. Hoje, a maioria vive de aluguel e teve sua vida desestruturada.
A defensora pública estima ser responsável por pelo menos 20 casos desse tipo em Loteamento de São Francisco. A comunidade teve 200 de suas famílias removidas para obras de mobilidade: a ampliação do Terminal Integrado de Camaragibe e a construção do Ramal da Copa, via rodoviária de acesso à Arena Pernambuco. A ampliação do terminal não foi iniciada e o ramal está funcionando de forma improvisada durante o torneio.
As 200 famílias removidas em Loteamento de São Francisco integram as cerca de 2 mil desapropriadas pela Copa em Recife, segundo levantamento do Comitê Popular da Copa local.

sábado, 3 de maio de 2014

Atingidos por grandes eventos encerram encontro com ato e reivindicações

Sábado, 3 de maio de 2014
Helena Martins - Enviada Especial da Agência Brasil


Atingidos por grandes eventos encerram com manifestação, encontro em Belo Horizonte (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Atingidos por grandes eventos encerram com manifestação encontro em Belo Horizonte (Antonio Cruz/Agência Brasil)Antonio Cruz/Agência Brasil

Participantes do Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, promovido pela Associação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) em Belo Horizonte, fizeram hoje (3) ato no centro da capital mineira. Ao longo do percurso, eles denunciaram uma série de violações de direitos, sobretudo os despejos forçados que ocorreram, nos últimos anos, na preparação das 12 cidades-sede da Copa do Mundo.
A casa de Ivanildo Teixeira em Fortaleza, na qual morava há 47 anos, foi uma das 66 abaladas na comunidade Lauro Vieira Chaves. Hoje, ele recebe aluguel social no valor de R$ 400. Apesar da mudança brusca, Ivanildo comemora a união dos movimentos e dos atingidos pela Copa. “A gente veio para lutar e fazer valer nossos direitos, porque espera que essa mobilização faça diferença com o governo e com a Fifa”. A Ancop estima que 250 mil pessoas tiveram a moradia ameaçada devido às obras de mobilidade urbana e infraestrutura nas cidades-sede. Como alguns projetos seguem em curso, ainda não é possível precisar quantas famílias perderam a moradia ou foram reassentadas.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Comunidades relatam em Belo Horizonte violação do direito à moradia

Sexta, 2 de maio de 2014
Helena Martins - Enviada Especial da Agência Brasil
    Rosane Cristina Duarte, 42, tinha 2 anos quando foi morar com a família no bairro Betânia, região oeste de Belo Horizonte, cidade que recebe, nesta semana, o Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos. Com o tempo, o terreno dos pais ganhou instalações e até outras casas, que abrigaram as famílias que ela e o irmão formaram. Hoje, não há mais registro do que eles construíram ali. O local foi ocupado pelo gramado e pelo asfalto da longa pista construída recentemente. A família de Rosane foi uma das 240 desapropriadas da Rua Lótus para a construção da Via 2010, um dos projetos de mobilidade urbana criados em Minas Gerais para a Copa do Mundo de 2014.
    Para a remoção das famílias, a prefeitura da cidade, por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), enviou peritos que avaliaram os valores dos imóveis. A quantia baixa não agradou, e os moradores conseguiram que nova avaliação fosse feita. Mesmo assim, a questão não foi resolvida: “Fizemos várias reuniões com a Defensoria Pública, que informou que a lei diz que você tem que sair com o dinheiro em mãos. A indenização tem que ser justa, breve e em dinheiro, mas não foi o que ocorreu lá”, relata. De acordo com Rosane, nenhuma das famílias saiu com a chave da nova moradia garantida: “Se a gente pudesse escolher, não queria sair. Mas, já que não tinha jeito, nós queríamos sair com o dinheiro para a gente comprar outro lugar”.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A Copa já era!

Quarta, 23 de abril de 2014
A Copa já era!
"A Copa já trouxe grandes prejuízos à classe trabalhadora e é preciso impedir que se consagrem e se prolonguem, mansa e silenciosamente, para o período pós-Copa. Não tendo sido possível obstar que o Estado de exceção se instaurasse na Copa é essencial, ao menos, não permitir que ele continue produzindo efeitos". O comentário é de Jorge Luiz Souto Maior, professor livre docente de direito do trabalho brasileiro na USP e  juiz titular na 3ª Vara do Trabalho de Jundiaí em artigo reproduzido pelo blog de Juca Kfouri, 21-04-2014.

Eis o artigo.

O presente texto tem o propósito de apresentar onze argumentos, do goleiro ao ponta-esquerda, para demonstrar que a Copa já era! Ou seja, que já não terá nenhum valor para a sociedade brasileira e, em especial para a classe trabalhadora, restando-nos ser diligentes para que os danos gerados não se arrastem para o período posterior à Copa.

1. A perda do sentido humano

O debate entre os que defendem a causa “não vai ter copa” e os que afirmam “vai ter copa” está superado. Afinal, haja o que houver, o evento não vai acontecer, ao menos no sentido originariamente imaginado, como instrumento apto a gerar lucros e dividendos políticos “limpinhos”, como se costuma dizer, pois não é mais possível apagar os efeitos deletérios que a Copa já produziu para a classe trabalhadora brasileira. É certo, por exemplo, que para José Afonso de Oliveira Rodrigues, Raimundo Nonato Lima Costa, Fábio Luiz Pereira, Ronaldo Oliveira dos Santos, Marcleudo de Melo Ferreira, José Antônio do Nascimento, Antônio José Pitta Martins e Fabio Hamilton da Cruz, mortos nas obras dos estádios, já não vai ter Copa!
Leia a íntegra em
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/530484-a-copa-ja-era


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Justiça Global denuncia à ONU despejo de moradores da Favela da Telerj

Segunda, 21 de abril de 2014
Nielmar de Oliveira - Repórter da Agência Brasil 
Edição: Fábio Massalli
Terreno da operadora de telefonia Oi, na zona norte da cidade, invadido há mais de uma semana por moradores de comunidades localizadas no entorno (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Terreno da operadora de telefonia Oi, na zona norte da cidade, foi desocupado em uma operação policial no dia 11 de abril  Tânia Rêgo/Agência Brasil
A organização não governamental (ONG) Justiça Global formalizou denuncia à Relatoria Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia Adequada sobre a violência policial no despejo dos moradores da Favela da Telerj, que foi construída no terreno da Oi. Para a ONG, houve negligência da prefeitura Rio de Janeiro no reassentamento das famílias.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Oi, você não presta! A foto das crianças na propaganda é sempre mais bonita. Rolando na internet

Quarta, 16 de abril de 2014
Está bombando na internet a imagem sobre o dia das crianças. O das crianças da Oi, a telefônica, e o das crianças despejadas embaixo de bombas de gás, balas de borracha e porrada da PM.

Dê um clique sobre a imagem para ampliá-la.

sábado, 12 de abril de 2014

O pão que o diabo amassou

Sábado, 12 de abril de 2014
Desempregados e subempregados, maioria jovens, saem em busca de qualquer teto para ter onde morar
Entre centenas de imagens difundidas na coletânea de um chocante REALITY SHOW -  a desocupação dos terrenos da OI no Engenho Novo, Zona Norte do Rio de Janeiro -  uma me tocou mais profundamente: um negro de aproximadamente 26 anos com dois filhos agarrados ao seu corpo. As crianças choravam e ele olhava na direção do nada, como se sem saber o que seria de sua vida e de seus filhos dali por diante.


Aquela foto me remetia para o âmago de uma crise social de grande potencial explosivo.  Não me refiro especificamente ao chamado déficit habitacional: por trás dessas invasões de fugitivos de aluguéis impagáveis com salários mínimos há uma realidade muito mais grave, que a cabeça vazia dos governantes não consegue alcançar. A crise estrutural, mãe de todas as tragédias sociais, é a escassez de emprego, curtida pela falta de instrução profissional e agravada pela otimização tecnológica que elimina milhões de postos de trabalho sem alternativas para os que são dispensados.