Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 16 de fevereiro de 2019

A Operação Condor

Fevereiro
16

A Operação Condor

Macarena Gelman é uma das muitas vítimas da Operação Condor, que foi o nome dado ao mercado comum do terror articulado pelas ditaduras militares sul-americanas.
A mãe de Macarena estava grávida dela quando os militares argentinos a mandaram para o Uruguai. A ditadura uruguaia se encarregou do parto, matou a mãe e deu a filha recém-nascida de presente a um chefe de polícia.
Durante a infância inteira, Macarena dormia atormentada por um pesadelo inexplicável, que se repetia noite após noite: era perseguida por homens armados até os dentes, e acordava chorando.
O pesadelo deixou de ser inexplicável quando Macarena descobriu a verdadeira história da sua vida. E então ficou sabendo que ela havia sonhado, lá na infância, os pânicos de sua mãe: sua mãe, que a estava modelando no ventre enquanto fugia da caçada militar que acabou alcançando-a e a mandou para a morte.

Eduardo Galeano. Livro ‘Os filhos dos dias’. L&PM Editores. 2ª ed. Página 64

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terça-feira, 15 de maio de 2018

Completando e complementando a denúncia da CIA, sobre os "presidentes" torturadores e assassinos

Terça, 15 de maio de 2018
Por
Helio Fernandes*

Foi estarrecedor (palavra usada por todos), sobre a denúncia da CIA, descoberta por um pesquisador brasileiro. Mas faltou muita coisa. Em primeiro lugar o assassinato cruel, covarde e traiçoeiro dos 60 guerrilheiros do Araguaia.

Médici mandou a ordem para os comandantes locais: atraí-los com proposta de paz e acordo, “não queremos guerra civil".

A ordem chegou, o mandato de Médici acabou o que criou duvida e confusão. Ninguém sabia qual seria a orientação do novo "presidente" Ernesto Geisel.

Só que este, antes de completados 15 dias reafirmou peremptoriamente a instrução de Médici, acrescentando, IMEDIATAMENTE. Usaram de todos os recursos, até helicópteros, para sobrevoar a região, com apelos aos guerrilheiros, "que deixassem as armas, viessem conversar".

18 ouviram o chamado, se apresentaram, foram metralhados assim que se apresentaram. 14 estavam presos e torturados, não sabiam o que fazer. Consultaram o Planalto pedindo orientação, a resposta  chegou do próprio Geisel:" Não pode ficar ninguém vivo".

Foram executados friamente na própria prisão. Os outros 28 souberam do que acontecera, se dispersaram, se salvaram. Mas os assassinatos continuaram, Geisel ultrapassou Castelo e Médici.

O único que não seguiu essa ação criminosa foi Costa e Silva. Conversava e coordenava com o vice Pedro Aleixo, o restabelecimento da democracia, com uma Constituição democrática. (Publiquei isso na Tribuna da Imprensa. Ele tentou resistir até à publicação do famigerado AI-5). O AVC e a sua morte, o “retrocesso" dos "presidentes" assassinos, agora ESTARRECENDO o país.

Não podemos esquecer as obras suntuosas e faraônicas, super-super faturadas, realizadas pelos "presidentes" assassinos, num desperdício inacreditável de dinheiro, para mostrar que "a ditadura realizava".

Tudo com grande publicidade. Médici jogou uma fabula de dinheiro na construção da TRANSAMAZÔNICA.

E como considerava que era um investimento fabuloso, assumiu pessoalmente o comando da obra, não saia de lá e da  televisão. A inauguração foi transformada num grande acontecimento, com cobertura de jornais e televisões do Brasil inteiro.Não demorou, passou a ser conhecida como a estrada que "liga o nada a coisa alguma". E logo desapareceu.

Médici insistiu construindo a Ponte Rio-Niterói, que não era faraônica, estava prevista na Constituição de 189. Admitia até a possibilidade de ser submarina. (O que aconteceria 100 anos depois, com o túnel submerso que liga a França à Inglaterra). 

Só que a roubalheira foi implacável, envolvendo o ministro da Fazenda, Delfin Netto, e o dos Transportes, coronel Andreazza.

PS- Geisel  foi denunciado como assassino, mas devia ser também como protetor da corrupção. No primeiro dia de "presidente", nomeou o "japonezinho" Shigeaki Ueki presidente da Petrobras.

PS2- Em 4 anos enriqueceu adoidadamente, e tudo o que ganhava, investia em petróleo no Texas.

PS3- Foi  denunciado com provas, Geisel demitiu-o. Mas no mesmo dia, nomeou-o ministro de Minas e Energia, que controla a Petrobras. Geisel  adorava essas contradições.

PS4- Ueki continuou roubando  e investindo no Texas. Ficou mais rico que os Bush (pai e filho presidentes dos EUA).

PS5- Há 30 anos Ueki não vem ao Brasil. Quando Geisel morreu, achou que devia vir para o enterro. Ficou com medo, não veio.

*Blog Oficial do Jornal da Tribuna da Imprensa.
Matéria pode ser reproduzida com citação o autor.