O
Médio Oriente está em chamas, da Líbia ao Iraque. Há novos grupos
jihadistas. As atenções focam-se no Estado Islâmico. Que pensa deste
grupo e das suas origens?
Há uma entrevista interessante a Graham Fuller, publicada há dias.
Trata-se de um ex-agente da CIA, um dos principais analistas do Médio
Oriente. O título é “Os Estados Unidos criaram o Estado Islâmico”. Esta é
uma das teorias da conspiração, das milhares que há no Médio Oriente.
Mas esta vem de outra fonte: do coração do establishment dos
EUA. Fuller apressa-se a esclarecer que não quer dizer que os EUA
decidiram dar existência ao EI e depois financiá-lo. O que ele sustenta –
e eu acho uma opinião correta – é que os EUA criaram o ambiente do qual
nasceu e se desenvolveu o EI. Em parte, a abordagem foi o padrão
martelada: esmaga-se aquilo de que não se gosta.
Em 2003, o Reino Unido e os EUA invadiram o Iraque, um grande crime.
Ainda esta noite, o Parlamento britânico concedeu ao governo a
autoridade para bombardear o Iraque de novo. A invasão foi devastadora. O
Iraque já tinha sido virtualmente destruído, em primeiro lugar pela
guerra de dez anos contra o Irã, na qual, diga-se de passagem, o Iraque
foi apoiado pelos EUA; e logo em seguida, pela década de sanções
econômicas.
Estas foram descritas como “genocidas” pelos respeitados diplomatas
internacionais que as administraram, e ambos se demitiram em protesto.
As sanções devastaram a sociedade civil, reforçaram o ditador, forçando a
população a depender dele para sobreviver. Esse é provavelmente o
motivo de não ter seguido o mesmo caminho de todo um grupo de ditadores
que foram derrubados.
A invasão do Iraque é comparada por muitos iraquianos à invasão mongol ocorrida mil anos antes.