Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 30 de março de 2016

Noam Chomsky: “Guerra contra o terrorismo dos EUA só expande o terror”

Quarta, 30 de março de 2016
Do Esquerda.Net
O filósofo e linguista norte americano defendeu que o “Governo dos EUA considera que a população do país é o seu principal inimigo”. Segundo Chomsky, a única coisa que as operações militares e políticas norte americanas conseguiram foi propagar os movimentos terroristas por todo mundo.
30 de Março, 2016
Durante uma conferência sobre privacidade na era da vigilância, organizada pelo Center for Democracy and Technology (CDT) na Universidade de Arizona, o politólogo Noam Chomsky afirmou que “a população do país é o principal inimigo, o Governo guarda segredos ao seu próprio povo e não quer que as pessoas saibam o que está a fazer”.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Corbyn diz que resposta militar na Síria pode agravar conflito e provocar mais dor

Segunda, 16 de novembro de 2015
Em entrevista à ITV, Corbyn salienta que é preciso questionar o papel da Arábia Saudita e a venda de armas no Médio Oriente


O líder do Partido Trabalhista britânico considera que o atentado de Paris foi “terrível” e pensa que derrotar o Estado Islâmico (EI) passa por encontrar uma resposta política para o conflito sírio. Corbyn salienta também que é preciso questionar o papel da Arábia Saudita e a venda de armas na região.
16 de Novembro, 2015
O recentemente eleito líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, foi entrevistado pela ITV sobre os atentados de Paris, que causaram, pelo menos, 129 mortes e centenas de feridos.
Corbyn começou por considerar “terrível” o atentado de Paris e alertou que uma resposta militar pode provocar ainda mais dor. “Uma guerra não traz necessariamente mais paz: muitas vezes pode provocar mais conflitos, mais caos e mais perdas”, afirmou.
O líder trabalhista considera que para derrotar o EI é preciso encontrar uma saída política para o conflito na Síria. “Não estou a dizer sentarmo-nos à mesa com o EI, estou a falar de uma resposta política que ajude a encontrar uma espécie de governo de unidade, um governo técnico na Síria”, disse.
Corbyn diz que as conversações sobre o conflito na Síria realizadas neste fim de semana mostraram sinais positivos e aponta que "é chave” que Irão, Rússia, EUA, União Europeia se juntem à mesa com todos os governos regionais, “em particular, a Turquia”.
Quem está a armar o EI?”
James Corbyn assinala também que há um conjunto de questões que precisam de ser levantadas. “Quem está a armar o EI? Quem lhes está a fornecer abrigos seguros? Para responder a isto, é preciso fazer perguntas sobre as armas que são vendidas na região, o papel da Arábia Saudita nisso. Acho que há algumas questões muito importantes e devemos ser cuidadosos”, afirmou o líder trabalhista e conhecido ativista da luta pela Paz.
Na sua eleição, como líder do partido trabalhista, Corbyn criticou a venda de armas pelo Reino Unido no Médio Oriente, considerando que contribuem significativamente para agudizar os conflitos na região.
Em 2013, segundo o The Independent, o Reino Unido teve receitas de 12 mil milhões de libras com a venda de armas a regimes repressivos do mundo, muitos dos quais do Médio Oriente e de África.

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O Estado Islâmico publica vídeos contra os refugiados, hámeses

domingo, 15 de novembro de 2015

Perguntas e respostas sobre o Estado Islâmico

Domingo, 15 de novembro de 2015
Sabia que o atual líder do EI já esteve detido num campo de prisioneiros dos Estados Unidos? E que o território do EI equivale ao do Reino Unido? E que quem salvou milhares de yazidis de serem massacrados pelo EI foi uma organização considerada terrorista por Washington? Veja mais nas perguntas e respostas que se seguem. Artigo publicado no dossier do Esquerda.net Estado Islâmico: o que é, quem o financia, o que pretende?, de setembro de 2014.
Abu Bakr Al-Baghdadi, ou o califa Ibrahim
O que é o Estado Islâmico?
É uma organização política que professa o islamismo sunita e foi fundada na Jordânia, em1999, com o nome de Jama'at al-Tawhid wal-Jihad (Grupo de Monoteísmo e Jihad) por Abu Musab al-Zarqawi. Apesar de fundado na Jordânia, o grupo desenvolveu-se no Iraque, na resistência à invasão dos Estados Unidos e aliados. Em 2004, o grupo ligou-se a Osama bin Laden e mudou de nome para Al-Qaeda no Iraque, tornando-se uma das principais forças da resistência. Os seus objetivos eram forçar a retirada das tropas ocupantes, derrubar o governo títere iraquiano, assassinar os colaboracionistas, derrotar as milícias xiitas e estabelecer um Estado puramente islâmico. Com a morte de al-Zarqawi em 2006, o grupo juntou-se a outras organizações sunitas e formou o Estado Islâmico do Iraque. Mas a sua influência diminuiu diante da criação dos conselhos de líderes tribais sunitas Sahwa (Despertar), que rejeitavam as suas táticas ultraviolentas.
Em 2010, assumiu o comando Abu Bakr Al-Baghdadi que reorganizou o grupo, e voltou a crescer à medida em que o próprio governo iraquiano, dominado pelos xiitas, marginalizava os sunitas e incentivava os conflitos sectários. A nova liderança levou a organização a envolver-se também na guerra da Síria, onde combateu o governo de Bashar al-Assad. Em 2013, Abu Bakr Al-Baghdadi anunciou a unificação das forças do Iraque e da Síria numa só organização, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL, ou ISIS, sigla em inglês).

domingo, 25 de outubro de 2015

Tony Blair pede desculpas por “erros” no Iraque

Domingo, 25 de outubro de 2015
Ex-primeiro ministro britânico lamenta o facto de as informações dos serviços secretos que sustentaram a decisão de invadir o Iraque em 2003 serem falsas, e admitiu que existiram erros no planeamento da operação. Blair reconhece ainda que invasão do Iraque em 2003 poderá ser a principal causa do surgimento do Estado Islâmico.
25 de Outubro, 2015 - 13:37h
"Posso pedir desculpas pelo facto de as informações fornecidas pelos serviços secretos serem falsas", afirmou Tony Blair ao canal de televisão CNN.
Ainda assim, referiu ser difícil sentir necessidade de se desculpar pela queda de Saddam Hussein. "Mesmo hoje em 2015, julgo que é melhor ele não estar lá", frisou.
"Peço desculpa por alguns erros na planificação e na compreensão do que se passou depois do regime ter caído", avançou ainda, reconhecendo "elementos de verdade" na ideia de que a invasão do Iraque em 2003 é a principal causa do surgimento do Estado Islâmico.
A confissão de Tony Blair surge após 12 anos durante os quais se recusou a pedir desculpas pelo conflito. “Não vou pedir desculpa pelo conflito. Acredito que estava certo”, afirmou Tony Blair em 2004.
A confissão surge ainda uma semana depois de o The Mail on Sunday ter publicado um memorando da Casa Branca que revela pela primeira vez como Blair e Bush acordaram um “pacto de sangue” um ano antes da invasão.
Uma nota datada de 202 do secretário de Estado dos EUA Colin Powell para o presidente assinala que Blair se comprometeu secretamente a apoiar o conflito, enquanto garantia aos deputados e aos eleitores britânicos que estava a tentar encontrar uma solução diplomática.

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domingo, 15 de março de 2015

Chomsky: A invasão do Iraque está na origem de grupos como o Estado Islâmico

Sábado, 14 de março de 2015
Deu em ESQUERDA.NET

Nesta entrevista ao Jacobin, Noam Chomsky explica as raízes do EI e por que os Estados Unidos e os seus aliados são responsáveis pelo surgimento do grupo. Em particular, argumenta que a invasão do Iraque de 2003 provocou as divisões sectárias que provocaram a desestabilização da sociedade iraquiana. O resultado foi um clima onde os radicais apoiados pelos sauditas prosperaram. Entrevista de David Barsamian.
Pode-se ter a certeza de que à medida que o conflito se desenvolva, eles vão ficar mais extremistas. Os mais brutais, mais duros grupos vão ganhar predominância. É o que acontece quando a violência se torna no meio de interação. É quase automático. Foto de Jacobin
Pode-se ter a certeza de que à medida que o conflito se desenvolva, eles vão ficar mais extremistas. Os mais brutais, mais duros grupos vão ganhar predominância. É o que acontece quando a violência se torna no meio de interação. É quase automático. Foto de Jacobin

O Médio Oriente está em chamas, da Líbia ao Iraque. Há novos grupos jihadistas. As atenções focam-se no Estado Islâmico. Que pensa deste grupo e das suas origens?

Há uma entrevista interessante a Graham Fuller, publicada há dias. Trata-se de um ex-agente da CIA, um dos principais analistas do Médio Oriente. O título é “Os Estados Unidos criaram o Estado Islâmico”. Esta é uma das teorias da conspiração, das milhares que há no Médio Oriente.

Mas esta vem de outra fonte: do coração do establishment dos EUA. Fuller apressa-se a esclarecer que não quer dizer que os EUA decidiram dar existência ao EI e depois financiá-lo. O que ele sustenta – e eu acho uma opinião correta – é que os EUA criaram o ambiente do qual nasceu e se desenvolveu o EI. Em parte, a abordagem foi o padrão martelada: esmaga-se aquilo de que não se gosta.

Em 2003, o Reino Unido e os EUA invadiram o Iraque, um grande crime. Ainda esta noite, o Parlamento britânico concedeu ao governo a autoridade para bombardear o Iraque de novo. A invasão foi devastadora. O Iraque já tinha sido virtualmente destruído, em primeiro lugar pela guerra de dez anos contra o Irã, na qual, diga-se de passagem, o Iraque foi apoiado pelos EUA; e logo em seguida, pela década de sanções econômicas.

Estas foram descritas como “genocidas” pelos respeitados diplomatas internacionais que as administraram, e ambos se demitiram em protesto. As sanções devastaram a sociedade civil, reforçaram o ditador, forçando a população a depender dele para sobreviver. Esse é provavelmente o motivo de não ter seguido o mesmo caminho de todo um grupo de ditadores que foram derrubados.
A invasão  do Iraque é comparada por muitos iraquianos à invasão mongol ocorrida mil anos antes.