Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 25 de setembro de 2016

ONU Mulheres Brasil diz que pesquisa sobre estupro reflete a sociedade

Domingo, 25 de setembro de 2016
Heloisa Cristaldo - da Agência Brasil
A responsabilização da mulher por atos de violência sexual - medida pela pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) - acendeu o debate em torno do assunto no país. Mais de um terço da população brasileira (33%) consideram que a vítima é culpada pelo estupro, informou o levantamento. A pesquisa mostrou ainda que 65% da população têm medo de sofrer violência sexual.

Para a representante da Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres Brasil, Nadine Gasman, o levantamento traz “dados muito fortes” e reflete a estagnação da sociedade brasileira em questões de gênero.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Direitos humanos: Machismo leva à culpabilização da vítima de violência sexual, diz especialista

Quarta, 21 de setembro de 2016
Andreia Verdélio - da Agência Brasil
Após pesquisa Datafolha mostrar que mais de 33% da população brasileira considera a mulher culpada pelo estupro, o integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) Rafael Alcadipani destacou a culpabilização da vítima e o grau de proximidade dos agressores entre os dados mais alarmantes.

“A culpabilização da vítima é muito séria. Esse estudo mostra a prevalência da cultura machista na sociedade, de que a mulher tem que andar sempre de determinada forma, quando sabemos que a maior parte da violência acontece por pessoas próximas à vítima, o pai, o marido, o tio, o primo”, disse.

Violência contra a mulher: Um terço da população brasileira responsabiliza a mulher pelo estupro

Quarta, 21 de setembro de 2016
Da Agência Brasil
Mais de 33% da população brasileira consideram a vítima culpada pelo estupro. O dado consta de pesquisa feita pela Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Divulgado hoje (21), o levantamento mostra ainda que 42% dos homens e 32% das mulheres entrevistados concordam com a afirmação: “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”, enquanto 63% das mulheres discordam.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

PGR pede abertura de inquérito contra deputado Marco Feliciano

Quinta, 25 de agosto de 2016

André Richter - da Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito para apurar a queixa apresentada pela estudante de jornalismo Patrícia Lélis contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP).

Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal no início do mês, Patrícia acusou o parlamentar de tentativa de estupro. O caso foi remetido ao Supremo pelo fato de o deputado ter foro privilegiado.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Estudante reafirma denúncia de tentativa de estupro contra o deputado federal Pastor Marco Feliciano

Segunda, 8 de agosto de 2016
Mariana Jungmann - da Agência Brasil


Brasília - A estudante de jornalismo Patrícia Lélis, que denunciou o deputado Marco Feliciano por tentativa de estupro e agressão, fala à imprensa (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
A estudante de jornalismo Patrícia Lélis, que denunciou o deputado Marco Feliciano por tentativa de estupro e agressão, fala à imprensa —Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A estudante de jornalismo Patrícia Lélis reafirmou hoje (8), em entrevista coletiva, a acusação de tentativa de estupro contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) e de ameaça e cárcere privado contra o assessor dele, Talma Bauer. O assessor chegou a ser detido em São Paulo na última sexta-feira (5) por causa da denúncia, mais foi liberado na madrugada de sábado (6).

Patrícia é da juventude do PSC, partido de Feliciano. A estudante contou que foi chamada por Feliciano para ir ao apartamento funcional dele, em Brasília, no dia 15 de junho, para participar de uma reunião sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria a União Nacional dos Estudantes (UNE).

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Jovem foi violentada por estupradores e pela sociedade, diz delegada do caso

Segunda, 6 de junho de 2016
Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil
A titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima do Rio de Janeiro, Cristiana Bento, que assumiu a investigação do caso de estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos na zona oeste da capital fluminense, disse hoje (6) que a vítima foi violentada duas vezes: pelo estupro e pela sociedade.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Estupro: crime e consentimento

Quarta, 1º de junho de 2016
Do MPD
Movimento do Ministério Público Democrático 
Opinião - Estupro: crime e consentimento

Estupro: crime e consentimento

01/06/2016
Por Fabiana Dal’Mas Rocha Paes
*
Na Índia, estupro coletivo de uma jovem que ia ao cinema com amigo acabou com a morte da jovem e a prisão dos culpados. Este crime motivou a produção do filme “A Filha da Índia”, de Lesllee Uwdowin, que mescla cenas do horror sofrido pela jovem, que lembram os fatos reais, com depoimentos de familiares da vítima, dos advogados e dos estupradores.


No Brasil, após a barbárie do caso da jovem do Rio de Janeiro que foi estuprada por cerca de trinta homens, tendo sua imagem exposta nas redes sociais, traz ao debate a penalização do estupro, o aborto legal para o caso de estupros e a necessidade de uso do contraceptivo de emergência. O Congresso Nacional debate o aumento de penas para o estupro coletivo e mudanças legislativas. Contudo, o Presidente Michel Temer, após críticas pela falta de nomeação de mulheres para os Ministérios, escolheu a Deputada Federal Fátima Pelaes para o cargo de segundo escalão de Secretária de Políticas para as Mulheres, que já havia se manifestado de forma contrária ao aborto legal em casos de estupro.

domingo, 29 de maio de 2016

Estupro no Rio de Janeiro: O vídeo de denúncia da violação que quebrou o bloqueio mediático brasileiro

Domingo, 29 de maio de 2016
Do Esquerda.Net
Ativistas feministas fizeram vídeo para criticar os principais meios de comunicação social brasileiros por não darem destaque à notícia da jovem adolescente que foi violada por 33 homens. Vídeo tornou-se viral e chegou a telejornais de todo o mundo.

A página feminista do facebook “Empodere Duas Mulheres” publicou, na passada quinta-feira, um vídeo que critica os principais meios de comunicação social brasileiros por não darem destaque à história de uma jovem adolescente que foi violada sexualmente por um grupo de 33 homens.

Maynara Fanucci, autora do vídeo, denuncia ainda o projeto de lei que proíbe o aborto sob qualquer circunstância, inclusive violação.

O vídeo conta com mais de 7 milhões de visualizações e 300 mil partilhas, tendo chegado aos telejornais de vários países.

Veja o vídeo:

MP-RJ vai analisar questionamentos de advogada sobre investigação de estupro

Domingo, 29 de maio de 2916
Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) se reuniu na noite de hoje (28) com a advogada da adolescente que denunciou ter sido vítima de estupro coletivo para ouvir questionamentos em relação à investigação da Polícia Civil. O órgão vai avaliar os pedidos para, então, dar uma resposta às ponderações apresentadas.
As advogadas Eloisa Samy e Caroline Bispo não detalharam quais pedidos foram feitos ao MP-RJ. Eloisa afirmou, porém, que o caso foi tratado de forma "machista e misógina" em depoimento prestado ontem (27) pela vítima à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).
"O que me incomodou foi o machismo e a misoginia (repulsa, desprezo e ódio à mulher) com que o delegado está tratando desse caso específicamente, desconsiderando o estupro, colocando o estupro como um crime menor", afirmou Eloisa. "Quero, primeiro, que se encontre os responsáveis por esse crime, e que a vítima seja tratada com o respeito que ela merece", acrescentou.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Pelo Fim do Estupro: Marcha das Flores neste próximo domingo na Esplanada dos Ministérios

Sexta, 27 de maio de 2016
Convocação para participar da Marcha das Flores

Desceremos a esplanada e depositaremos flores aos pés da estátua da justiça pelo FIM DO ESTUPRO!!

Leve sua flor!

Domingo 29/05

Concentração: 10h00

Saida: 11h00

Início: Museu Nacional

Final: Estátua da Justiça

CONVIDEM TOD@S QUE APOIAM!!!

#30contraTODAS

#MarchaDasFlores

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Trinta homens, por Luara Colpa

Quinta, 26 de maio de 2016
Trinta homens, por Luara Colpa

Trinta.

Vinte e nove

Vinte e oito

Vinte e sete

Vinte e seis

Vinte e cinco

Vinte e quatro

Vinte e três

Vinte e dois

Vinte e um

Vinte

Dezenove

Dezoito

Dezessete

Dezesseis

Quinze

Quatorze

Treze

Doze


Onze

Dez

Nove

Oito

Sete

Seis

Cinco

Quatro

Três


Dois

Um

Nenhum.

Eu tiraria todos – um por um – de cima de você neste momento, irmã.

Eu limparia seu corpo, tiraria o som dos seus ouvidos, o cheiro deste lugar, as lembranças. Se o tempo voltasse, eu os impediria de terem saído de casa. Todos eles.

Eu desligaria os celulares, os computadores, tiraria baterias dos carros, dos ônibus. Eu faria feitiço, veneno, poção, dor de barriga para todos. Trinta.

Eu te levantaria daí e te levaria pra ver o pôr do Sol no Arpoador, se o mundo girasse ao contrário… Mas o mundo não gira.

Foram Trinta.

Um ex-companheiro e vinte e nove “amigos”.

Nenhum deles se compadeceu. 

Vinte e nove seres humanos toparam se unir a um criminoso.

Trinta.

Trinta e um agora compartilharam. Trinta e dois riram. Trinta e três justificaram. Trinta e quatro se excitaram, trinta e cinco procuram o vídeo neste momento.

Agora o número se torna uma projeção geométrica. A misoginia aparenta infinita, o ódio e o machismo aparentam grandiosos demais. A primeira reação do público masculino em geral é ver o vídeo.

No entanto, quando pensei que fôssemos só nós duas, olhei para o lado e vi três, quatro, cinco. Chegaram seis, sete, oito, trinta.

Em segundos fomos noventa, cem, mil, somos milhares por você. Aquele som, aquele cheiro… Queremos que sua memória apague, mana!

E que o mundo nos ouça: “A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA”. Que ecoe.

Que ecoe: Daqui vocês não passam.  Não passarão.

Que cada uma de nós seja porta voz do ocorrido¹. Se a grande mídia não denuncia a violência contra a mulher periférica, que nossas mãos sejam denúncia.

Na violência contra a mulher todas metemos a colher.

DENUNCIE.
No site do Ministério Público, Polícia Federal e disque 180. Mexeu com uma, mexeu com todas.

Disque 180.

¹- Em tempo: Acaba de ser noticiado via redes sociais, que uma garota “Bia” fora estuprada por 30 homens no RJ. O motivo é vingança do ex-namorado, que convidou mais 29 “amigos” para estuprar a vítima. Nenhum se absteve, nenhum deles parou os amigos, nenhum saiu do local, Vi no twitter e muitos outros homens compartilharam em suas redes sociais, fizeram piada e justificaram o crime.

Em segundos, milhares de mulheres se uniram na tarefa da conscientização de umas às outras, da denúncia formal, via PF, MP e Disque 180.

 “O correto, nesses casos, não é denunciar o perfil do divulgador do material pela “timeline” da rede social.

Ajudem a denunciar, copiando a URL dos twittes e colando nos locais de denúncia dos sites :
– http://denuncia.pf.gov.br/
– http://www.safernet.org.br/site/
– http://www.humanizaredes.gov.br/disque100/
Na ouvidoria no site do Ministério Público do RJ
(mprj.mp.br/cidadao/ouvidoria) É importante se identificar.

Ou Ligue 180 também é um caminho para denunciar.”
__________________________________________________________________
Luara Colpa é brasileira, tem 28 anos. É mulher em um país patriarcal e oligárquico. Feminista e militante por conseguinte. Estuda Direito do Trabalhador e o que sente, escreve

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Conselho de Ética instaura processo de cassação contra Jair Bolsonaro

Terça, 16 de dezembro de 2014
Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil
Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaura processo contra o deputado Jair Bolsonaro. Ao lado do deputado, o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (Wilson Dias/Agência Brasil)
Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaura processo contra o deputado Jair Bolsonaro. Ao lado do deputado, o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar Wilson Dias/Agência Brasil

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar instaurou hoje (16) processo de cassação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O presidente do colegiado, Ricardo Izar (PSD-SP), informou que até amanhã (17) definirá o relator do caso. O escolhido será sorteado entre os deputados Ronaldo Benedet (PMDB-SC), Marcos Rogério (PDT-RO) e Rosane Ferreira (PV-PR).

A representação contra o parlamentar foi apresentada na última quarta-feira (10) pelo PT, PCdoB, PSB e Psol, que acusaram Bolsonaro de quebrar o decoro ao ofender a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Durante pronunciamento no plenário da Câmara, o deputado disse que não estupraria Maria do Rosário "porque ela não merece”. A agressão ocorreu após a deputada comentar o relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Bolsonaro: Alto Comissariado da ONU repudia ofensas contra deputada Maria do Rosário

Segunda, 15 de dezembro de 2014 
Incalcaterra pediu que autoridades relevantes adotem todas as medidas necessárias
 
Jornal do Brasil
O representante para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Amerigo Incalcaterra, repudiou nesta segunda-feira (15) as declarações ofensivas pronunciadas na última terça-feira (9), no Congresso Nacional, pelo deputado federal Jair Bolsonaro contra a também deputada Maria do Rosário.

Vice-PGR denuncia Bolsonaro por incitação pública ao crime de estupro

Segunda, 15 de dezembro de 2014
Do MPF
Para Ela Wiecko, conduta do deputado abala a sensação coletiva de segurança, garantida pela ordem jurídica a todas as mulheres

A vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, denunciou o deputado federal Jair Bolsonaro por incitar publicamente a prática de crime de estupro em entrevista ao Jornal Zero Hora, publicada no dia 10 de dezembro. A denúncia (Inq 3932) foi protocolada nesta segunda-feira, 15 de dezembro, no Supremo Tribunal Federal (STF) e será analisada pelo ministro Luiz Fux.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Pesquisa sobre o estupro: e se a pergunta fosse outra?

Quinta, 3 de abril de 2014
Por Bernardo Corrêa*
“Dispensou um último tapa forte na minha coxa – foi embora caminhando. Minhas mãos desceram à virilha; manchei-as com aquela mistura de branco com vermelho: jamais unir-se-ão em rosa. Não sei quanto tempo larguei-me ali. De pernas abertas. De roupa rasgada. De olhar perdido. Quando me encontraram, já era tarde. Tarde na hora do relógio, tarde na hora impossível de se evitar: ninguém mais poderia me salvar, minha vida acabara ali”. (O nojo do gozo que não participei – sobre estupro e outras formas de machismo)
foto19 
São de deixar preocupada qualquer pessoa minimamente sensível à humanidade – no bom sentido da palavra – os resultados apresentados pela pesquisa divulgada nesta quinta-feira (27/03) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que mostra que 58,5% dos entrevistados concordam totalmente (35,3%) ou parcialmente (23,2%) com a frase “Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.

Leia a íntegra clicando no link a seguir

sábado, 29 de março de 2014

Mulheres mobilizam protesto virtual contra o machismo

Sábado, 29 de março de 2014

Ação é uma resposta a pesquisa do Ipea sobre a violência física contra mulheres. 9 mil confirmaram participação pelo Facebook

Da Redação do Jornal de Brasília, com agências
Em resposta a uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), um grupo de mulheres fazem um protesto no Facebook contra o machismo no país. O evento tem nove mil confirmações na página da rede social. Um dos pontos da pesquisa que gerou revolta revela que 65% dos entrevistados associam o estupro as vestimentas das mulheres.

As manifestantes postaram fotos sem roupa, da cintura para cima, com um cartaz cobrindo os seios com os dizeres "Eu também não mereço ser estuprada".

Na pesquisa do Ipea, 3.810 pessoas de ambos os sexos foram entrevistadas entre maio e junho de 2013.

"Quando fiquei sabendo do resultado, fiquei com vontade de sair pelada na rua gritando: "eu não mereço ser estuprada"", conta Nana Queiroz, 28, escritora e organizadora do protesto online.

domingo, 30 de dezembro de 2012

O mundo descobriu que a espiritualizada Índia é um inferno para as mulheres

Domingo, 30 de dezembro de 2012
Paulo Nogueira 30 de dezembro de 2012
A morte de uma estudante depois de um estupro coletivo mostra quanto as indianas penam

Os indianos exigem o fim da impunidade para
estupradores

É curioso como dramas locais se tornam mundiais na era digital.

A informação viaja logo, e o pesar é global. Quem não se comoveu com a tragédia da escola americana em que tantas crianças foram fuziladas por uma quase criança?

O mesmo ocorre agora com a atrocidade cometida em Nova Deli, na Índia. Num ônibus em movimento, um grupo de homens estuprou selvagemente com uma barra de ferro uma estudante de medicina de 23 anos.

Ela acabaria morrendo num hospital em Singapura, para onde fora levada porque os equipamentos eram melhores.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Adolescentes que vivem nas ruas denunciam abusos sexuais cometidos por PMs em área central de Brasília

Segunda, 2 de abril de 2012
Meninos e meninas que vivem nas ruas do Distrito Federal acusam policiais militares de agressão física e sexual. As denúncias mobilizaram a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e são semelhantes às investigadas pelo Ministério Público há pouco mais de três anos. A mais recente delas é de uma jovem moradora de rua, de 16 anos, que registrou um boletim de ocorrência, no início de março, acusando dois policiais militares de abuso sexual.

 Em um vídeo produzido pela vice-presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Érika Kokay (PT-DF), ao qual a Agência Brasil teve acesso, menores não identificados acusam policiais de humilhação, espancamento e apropriação de pequenas quantias de dinheiro. Há relatos de abusos sexuais e a acusação de que policiais militares forçaram alguns jovens a se atirar de uma ponte (Ponte do Bragueto, em uma área nobre da capital) de cerca de 4 metros de altura sobre o Lago Paranoá. Muitas vezes, com pés ou mãos atados. Juntamente com o vídeo, a parlamentar encaminhou um ofício ao secretário de Segurança, Sandro Avelar, no qual os nomes de dois policiais são mencionados.

Até hoje não tivemos nenhum retorno da Corregedoria da PM [sobre as denúncias investigadas em 2008]. O que sabemos é que pelo menos um dos policiais denunciados continua atuando na rodoviária [do Plano Piloto, no centro da cidade]. E novas denúncias continuam chegando ao nosso conhecimento”, disse uma educadora social ligada ao Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra a Criança e o Adolescente, que pediu para não ser identificada.

Ela diz que conhece pelo menos 12 jovens (entre meninos e meninas) que relatam histórias de abuso sexual cometidos por policiais.
“O importante é que tudo seja apurado. Além de muito coerentes, as denúncias guardam, entre si, uma lógica muito intensa e vêm de diferentes pontos da cidade, de adolescentes e crianças que, muitas vezes, não se conhecem”, diz Érika Kokay.

As queixas quanto à violência policial contra moradores de rua também estão registradas em um estudo financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP) do governo do Distrito Federal. Nenhum menor de idade, contudo, declarou ter sido alvo de violência sexual praticada por policiais.

Dos 127 adolescentes ouvidos, 47% contaram ter sofrido algum tipo de violência. “Embora quase 8% desses tenham admitido abuso sexual, não temos relatos de que policiais tenham feito isso contra os adolescentes, mas sim cometido agressões físicas, verbais e psicológicas”, diz a socióloga Bruna Gatti, uma das idealizadoras da pesquisa. Já entre os adultos, houve quem respondesse ter sido vítima de abuso sexual por policiais. A pesquisa não indica, porém, quando isso ocorreu.

O presidente do Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Michel Platini, exige apuração rigorosa das denúncias. “Parece haver um Estado paralelo, cujos agentes atuam na clandestinidade. São denúncias muito graves que, apesar das dificuldades, precisam ser apuradas. Considerando os depoimentos, há muita violência acontecendo nas madrugadas de Brasília. Enquanto a cidade dorme alheia a tudo, as sessões de tortura acontecem.”

O corregedor-geral da Polícia Militar do Distrito Federal, coronel Francisco Carlos da Silva Niño, afirma que a corporação não aceita qualquer tipo de abuso por parte de seus integrantes e que qualquer denúncia é investigada. Em entrevista à Agência Brasil, ele destaca que, muitas vezes, as próprias características da população de rua, como a falta de residência fixa ou de hábitos rotineiros, dificultam a apuração policial. O coronel ressaltou que esse trabalho precisa ser rigoroso para evitar que um agente seja punido equivocadamente.

Procurada pela reportagem da Agência Brasil, a Secretaria de Segurança Pública ainda não se manifestou.