“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 18 de dezembro de 2022

PALAVRAS NÃO BASTAM —Antropólogo Kabengele Munanga reconhece avanços mas alerta: "Racismo é um monstro complexo"

Domingo, 18 de dezembro de 2022

Kabengele Munanga é um dos maiores intelectuais das relações raciais do Brasil - Marcos Santos /USP Imagens

Para o congolês, o fundamental hoje são políticas para "a inclusão dos negros em todos setores da vida nacional"

Gabriela Moncau
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 18 de Dezembro de 2022

“Todo mundo hoje está convencido — brancos e negros — que a democracia racial não existe no Brasil”. O mito de que o país do carnaval e do futebol vive em harmonia entre as diferentes cores de pele e as classes sociais — fantasia essa que por décadas o movimento negro e intelectuais demonstraram ser uma falácia —, já está superado. Essa é a avaliação do antropólogo e professor aposentado da USP, Kabengele Munanga. Para ele, o desafio hoje é outro.

“A questão fundamental que se coloca agora são as políticas de inclusão: a luta para incluir os negros em todos os setores da vida nacional”, defende Munanga, um dos maiores pensadores das relações raciais do país, autor de obras como Rediscutindo a mestiçagem no Brasil e Origens africanas do Brasil contemporâneo.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

MPF pede que Justiça Federal condene apresentador de TV 'Sikêra Jr' a reparar dano moral por ofensa às mulheres

Segunda, 7 de junho de 2021

Imagem: Findac, Movimento Mulheres da Paraíba e Iesp

Do MPF

Discriminação ocorreu em 2018, na Paraíba, com agressões verbais generalizadas, além de expressão racista contra mulher negra

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, na sexta-feira (4/6), ação civil pública em que pede a condenação do apresentador de televisão José Siqueira Barros Júnior, conhecido como ‘Sikêra Jr”, a reparar dano moral coletivo decorrente de discurso de ódio às mulheres. Ele é acusado de proferir falas discriminatórias, machistas e misóginas, além de humilhar com expressão racista, em transmissão ao vivo, uma mulher negra, que estava sob custódia do estado da Paraíba, em cadeia pública da capital. O fato ilícito ocorreu em 5 de junho de 2018 e repercutiu em todo o estado, causando grande comoção entre as telespectadoras paraibanas, que se sentiram ofendidas com as agressões verbais do apresentador.

À Justiça, o MPF pede que o apresentador indenize em R$ 200 mil a mulher negra que teve a dignidade ofendida por ele, além do pagamento de R$ 2 milhões a entidades representativas feministas ou de promoção de direitos humanos ou, alternativamente, ao Fundo Nacional de Direitos Difusos. O valor deve ter atualização monetária e juros.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Atletos e atletas

Agosto
12

Atletos e Atletas

      Em 1928, terminaram as olimpíadas de Amsterdã.
      Tarzan, vulgo Johnny Weissmuller, foi o campeão de natação, e o Uruguai, campeão de futebol. E pela primeira vez a tocha olímpica, acessa numa torre, acompanhou as jornadas do princípio ao fim.
      Mas essas olimpíadas acabaram sendo memoráveis por causa de outra novidade: pela primeira vez, as mulheres participaram.
      Nunca antes, na história das olimpíadas, da Grécia em diante, se havia visto nada igual.
      Nas olimpíadas gregas, as mulheres eram proibidas de competir, e não podiam nem mesmo assistir aos espetáculos.
      E o fundador das olimpíadas modernas, o Barão de Coubertin, se opôs à presença feminina enquanto seu reinado durou:
      —Para ela, a graça, o lar e os filhos. Para eles, a competição esportiva.

              Eduardo Galeano, no livro 'Os filhos dos dias',  2ª edição, pág. 258, L&PM Editores.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Juiz que comparou mulheres a aleijados recebe representação no CNJ

Sexta, 7 de junho de 2019
Do
http://www.mcce.org.br


São Paulo – Foi protocolada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 31 de maio, uma Representação por Conduta e Manifestação Inapropriada contra o juiz Amilcar Bezerra Guimarães por seu pronunciamento em sessão plenária do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará onde a participação das mulheres na política foi desvalorizada gravemente.
O magistrado, contrariamente ao zelo pela lei e por seu cumprimento quanto à obrigatoriedade dos partidos políticos indicarem entre seus candidatos 30% de mulheres em suas chapas, incentivou o aumento das desigualdades entre homens e mulheres na política utilizando-se de um discurso repleto de preconceitos.
Em uma de suas colocações, chamando de “metáfora”, se referiu à proporcionalidade de gênero nas eleições desta forma: “Eu tenho 11 jogadores. Se eu puder escalar 11 craques, eu escalo 11 craques. Aí, se não tiver 11 craques, eu coloco um pé de pau? Boto um rapado? Mas não tem. Eu ponho um aleijado para jogar, mas eu não deixo em branco. Eu tenho que completar”
O Documento  que chama as falas de “barbaridades” não por acaso foi impetrado por mulheres ligadas ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), entidade que sempre defendeu a igualdade de gênero na política e a valorização da mulher na sociedade. Com quatro páginas com as falas e links com os vídeos do magistrado, a Representação solicita ao CNJ a apuração dos fatos e aplicação de punição correspondente.

Ascom-MCCE
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Juiz Amilcar Bezerra Guimarães. Foto: TRE/Pará

Leia também:

Advogadas do AM representam no CNJ contra juiz que comparou mulheres a aleijados

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Mulheres na mira das armas. Brasil é o 5º país que mais mata mulheres no mundo

Terça, 5 de fevereiro de 2019
Brasil é o 5º país que mais mata mulheres no mundo. Maioria das mortes é no ambiente doméstico e pelo companheiro

Por Katia Marko - Brasil De Fato
e Portal ContextoExato

Antropóloga, cientista política e especialista em segurança pública, Jacqueline Muniz é hoje uma das vozes mais sóbrias no debate sobre a segurança pública no Brasil. Ela é professora do Departamento de Segurança Pública da UFF, fundadora da Rede de Policiais e Sociedade Civil da América Latina e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Para ela, a flexibilização da posse de armas é um problema de insegurança pública. “Já sabemos que o acesso facilitado às armas favorece a prática de suicídio, acidentes fatais envolvendo crianças e jovens e estimula o feminicídio”, salienta.   

Na sua avaliação, o que está por trás disso se chama propriedade, poder de mando, poder de posse. “E no Brasil, quem é o dono da mulher? O homem. Quem é o dono do trabalhador? O patrão. Lugar tem dono, coisas tem dono”. Jacqueline acredita que estamos estimulando a conflitualidade social que se dá em um cenário extremamente desigual, de cidadania desigual.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

MACHISMO: “Não a estupraram? Que pena”, diz vereador Clóvis Bavaresco após assalto de Maria do Rosário

Sexta, 29 de dezembro de 2017
Do Esquerda Diário
A deputada federal Maria do Rosário teve o carro roubado durante um assalto na noite desta quarta-feira (27), em frente à sua casa, mas não foi ferida e passa bem. Sobre isso, o vereador de Taquari, no Rio Grande do Sul, Clóvis Bavaresco, em suas redes sociais, declarou, fazendo apologia ao estupro e destilando todo seu machismo: “Não a estupraram com violência? Não mataram nenhum parente dela?”, escreveu nas redes sociais. “Que pena! Ela deveria sofrer na carne!”.
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, teve o carro roubado durante um assalto na noite desta quarta-feira (27), em frente à sua casa, localizada na Zona Norte de Porto Alegre, segundo informações da Brigada Militar.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Entidades repudiam assédios sexual e moral praticado pelo deputado Wladimir Costa contra jornalista

Sexta, 4 de agosto de 2017
“Pra você, só se for o corpo inteiro”
 
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Do
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF

Coletivo das Mulheres Jornalistas do SJPDF

Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do DF (Cojira-DF)

Nós, jornalistas do Distrito Federal, viemos a público rechaçar a conduta antiética, misógina, machista e racista do deputado Wladimir Costa (SD-PA) contra a jornalista Basília Rodrigues, da CBN. Na noite do dia 1º de agosto, durante o exercício da profissão, Basília foi assediada sexual e moralmente pelo parlamentar.


A jornalista expôs o fato em sua página no facebook. O relato foi intitulando como “Um ensaio sobre a idiotice”. A repórter afirma que questionou se a tatuagem em homenagem ao presidente Michel Temer era de verdade e se o deputado poderia mostrar a imagem. Em resposta, Wladimir disse: “Pra você, só se for o corpo inteiro”.

quarta-feira, 8 de março de 2017

8 de março: Homenagens Dias das Mulheres

Março
8

Homenagens

Hoje é o Dia da Mulher.
Ao longo da história, vários pensadores, humanos e divinos, todos machos, cuidaram da mulher, por várias razões:

Pela sua anatomia
Aristóteles: A mulher é um homem incompleto.
São Tomás de Aquino: A mulher é um erro da natureza, nasce de um esperma em mau estado.
Martinho Lutero: Os homens têm ombros largos e cadeiras estreitas. São dotados de inteligência. As mulheres têm ombros estreitos e cadeiras largas, para ter filhos e ficar em casa.

Pela sua natureza
Francisco Quevedo: As galinhas botam ovos e as mulheres, chifres.
São João Damasceno: A mulher é uma jumenta teimosa.
Arthur Schopenhauer: A mulher é um animal de cabelos longos e pensamentos curtos.

Pelo seu destino
Disse Yahvé à mulher, segundo a Bíblia: Teu marido de dominará.


Disse Alá a Maomé, segundo o Corão: As boas mulheres são obedientes.

          Eduardo Galeano, "Os filhos dos dias", 2ª edição, 2012,                            página 88, L&PM Editores

sábado, 28 de janeiro de 2017

Proteja as meninas contra o casamento infantil!

Sábado, 28 de janeiro de 2017
Da Avaaz.org

Queridos amigos,

Com uma assinatura, a primeira-ministra de Bangladesh pode salvar milhares de meninas ou abrir uma brecha que pode forçá-las a se casar com seus estupradores. 

Bangladesh tem aprovado muitas leis progressistas para mulheres e meninas. No entanto, uma nova lei destinada a acabar com o casamento infantil contêm uma cláusula de ‘circunstâncias especiais’, pela qual meninas podem ser forçadas a casar com seus estupradores. 

Os cidadãos já foram às ruas protestar, mas o Parlamento pode aprovar a lei a qualquer momento. Vamos apelar à primeira-ministra para retirar a brecha na lei que permitiria o estupro infantil e acelerar um processo de ação nacional para manter essas meninas seguras: 



Dias depois das extraordinárias marchas das mulheres, isso é algo que podemos fazer juntos pelos mais vulneráveis em nosso planeta. 


Até o momento, a primeira-ministra favoreceu a cláusula de 'circunstâncias especiais', argumentando que para meninas da zona rural que são vítimas de estupro ou ficam grávidas, casamento é dos males, o menos pior. Porém existem alternativas para melhorar sua proteção: Ela pode aprovar a lei para que meninas de zona rural e seus filhos possam ir à escola sem o sobrenome paterno — atualmente a criança pode ter dificuldade de entrar na escola sem o nome do pai em seu registro —, e lançar um novo plano de ação nacional para prestar serviço para essas meninas em circunstâncias especiais. 

Vamos convencer a primeira-ministra Hasina a retirar a cláusula e tornar Bangladesh um dos pioneiros do mundo no combate ao casamento infantil. Junte-se agora: 


Bangladesh já tem tanto prometido para as mulheres. As políticas progressistas transformaram famílias desde 1970 quando as mulheres tinham sete filhos cada, e agora pouco acima de dois. E os subsídios para meninas significam que é mais provável que elas cheguem ao ensino médio do que suas vizinhas na Índia, um país muito mais rico. 

Do Afeganistão e Índia, até a Somália e Kenya, a Avaaz tem usado nosso poder coletivo para lutar contra o abuso de jovens meninas e pressionar pelos direitos das mulheres. Vamos agora apoiar Bangladesh a se tornar uma luz para o mundo finalmente acabar com o casamento infantil! 

Com esperança, 

Risalat, Antonia, Lisa, Emma, Alice, Ricken e toda a equipe da Avaaz 


MAIS INFORMAÇÕES:

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Direitos humanos: Machismo leva à culpabilização da vítima de violência sexual, diz especialista

Quarta, 21 de setembro de 2016
Andreia Verdélio - da Agência Brasil
Após pesquisa Datafolha mostrar que mais de 33% da população brasileira considera a mulher culpada pelo estupro, o integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) Rafael Alcadipani destacou a culpabilização da vítima e o grau de proximidade dos agressores entre os dados mais alarmantes.

“A culpabilização da vítima é muito séria. Esse estudo mostra a prevalência da cultura machista na sociedade, de que a mulher tem que andar sempre de determinada forma, quando sabemos que a maior parte da violência acontece por pessoas próximas à vítima, o pai, o marido, o tio, o primo”, disse.

Violência contra a mulher: Um terço da população brasileira responsabiliza a mulher pelo estupro

Quarta, 21 de setembro de 2016
Da Agência Brasil
Mais de 33% da população brasileira consideram a vítima culpada pelo estupro. O dado consta de pesquisa feita pela Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Divulgado hoje (21), o levantamento mostra ainda que 42% dos homens e 32% das mulheres entrevistados concordam com a afirmação: “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”, enquanto 63% das mulheres discordam.