Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 24 de junho de 2017

Para onde vamos: socialismo ou barbárie?

Sábado, 24 de junho de 2017
Do Blog da Boitempo

Por Anita Leocadia Prestes

Transcorrido um ano de governo de Michel Temer, não há mais dúvida de que sua posse resultou de um golpe parlamentar-jurídico, cujo objetivo central foi liquidar as conquistas dos trabalhadores brasileiros consagradas na legislação do país. Nesse sentido, são emblemáticas as propostas encaminhadas ao Congresso Nacional das reformas trabalhista e da previdência, assim como os esforços voltados para invalidar os direitos democráticos consagrados na Constituição de 1988, não obstante suas limitações, apontadas por Luiz Carlos Prestes, no que diz respeito ao artigo 142 dessa Carta, ou seja, à manutenção da tutela militar acima dos três poderes da República1. Artigo este usado pela primeira vez pelo atual governo para reprimir manifestação popular realizada recentemente em Brasília.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Crise de 2015 inaugura impasse histórico no Brasil

Terça, 29 de dezembro de 2015
O lulismo foi um projeto de rentabilização do grande capital e de manipulação e desorganização do movimento social, para sua melhor e mais ampla e fácil exploração. Procedeu-se assalto ao fundo de garantia dos trabalhadores, em prol do grande capital. Entregaram os pensionistas ao cutelo do capital, com os créditos consignados. Permitiu-se assalto jamais visto da população pelos bancos e financeiras. Degradou-se a educação, a saúde, a segurança. A lista é praticamente sem fim”.

“O grande capital pagou, e pagou bem, pelos serviços do senhor Lula da Silva.”
Do Correio da Cidadania
Escrito por Valéria Nader e Gabriel Brito, da Redação
2015 entrará na história como algo próximo de um ano que não existiu, nos mais diversos âmbitos, marcado por variados e regulares momentos de estupefação nacional. “Fim de ciclo” e “vazio político” foram algumas das tentativas de definir todo o corolário de crises que se acumularam e agora estouram, a ponto de tornar quase invisível qualquer horizonte próximo de sua superação. Sobre esse complexo e desafiador momento histórico, o Correio da Cidadania entrevistou o historiador Mario Maestri, que não poupou palavras para descrever o momento e seus tristes protagonistas.
 “A direita tradicional entendeu que era o momento ideal de virar a página e se desfazer dos administradores-delegados petistas, em prol de administração direta conservadora. Não quer mais o muito que recebia - quer, agora, tudo, ainda mais com a diminuição do bolo com a crise”, afirmou, a respeito da tensão em torno do impeachment, que praticamente monopolizou as atenções políticas do ano.
 “Rentabiliza igualmente essa operação conservadora o fato de que o desgoverno, a corrupção, a imoralidade pública etc., que petistas e associados praticaram, são colocados, por grande parte da população, na conta da esquerda e de seu projeto de reorganização do Brasil pelo mundo do trabalho. O PT prestou um imenso serviço ao grande capital no governo, e presta um outro, também enorme, agora que é empurrado para a sarjeta”, completou, a fim de ilustrar o tamanho da derrota que o mundo do trabalho e das organizações populares vivenciam.
 “Se o governo estivesse sendo defenestrado pelos trabalhadores, assalariados e população de bem, seria ato legal, a ser apoiado. Porém, a deposição é empreendida pela direita tradicional, para radicalizar a exploração. É deposição política, golpista, antipopular e antinacional. Ela também tem como objetivo aprofundar a maré conservadora na América do Sul”, observou Maestri.
Além de lamentar a incapacidade organizativa e aglutinadora que até agora paralisa qualquer resposta aos descalabros do capitalismo, Maestri conecta a derrocada brasileira a todo o processo de reorganização mundial a partir de 1989. Projetos e governos por todo o mundo foram condicionados por esse processo, e agora se veem sem capacidade de renovação, a não ser pelo lado de um rigoroso acirramento conservador.
 “O lulismo foi um projeto de rentabilização do grande capital e de manipulação e desorganização do movimento social, para sua melhor e mais ampla e fácil exploração. Procedeu-se assalto ao fundo de garantia dos trabalhadores, em prol do grande capital. Entregaram os pensionistas ao cutelo do capital, com os créditos consignados. Permitiu-se assalto jamais visto da população pelos bancos e financeiras. Degradou-se a educação, a saúde, a segurança. A lista é praticamente sem fim”.
Leia abaixo entrevista exclusiva.
Correio da Cidadania: Passamos o ano debatendo e criticando governo “natimorto” nas palavras do sociólogo Ricardo Antunes. Como você vê o primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff, que termina sob o signo de instabilidade e chantagem que começou, agora sob ameaça de impeachment?
Mario Maestri: Não tivemos governo “natimorto”. Essa visão naturaliza a deriva direitista quase incondicional da segunda administração Dilma Rousseff, sugerindo que estava comprometida desde o início. O governo se liquidou por decisão própria. Ele optou por abraçar o programa neoliberal e executar todas e mais algumas maldades propostas pela direita tradicional que derrotou nas eleições. Tudo na procura de estabilização conservadora da nova administração, corroída pelos escândalos da Petrobrás e pelos desmandos econômicos anteriores.
Correio da Cidadania: Mas qual sentido teria essa virada?

sábado, 19 de setembro de 2015

Os governos sob o capitalismo não passam de meios para atingirmos nosso fim: a Revolução!!!

Sábado, 19 de setembro de 2015
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

Este morreu por não se prostrar aos inimigos de classe...
Em 1967, aos 16 anos, fiz minha opção definitiva pelos ideais de esquerda, que eu então identificava somente com o marxismo.
Ideologicamente, desde então a única mudança importante nas minhas convicções foi ter saído dos cárceres da ditadura convencido de que nada, absolutamente nada, justificava o esmagamento do indivíduo pelo Estado, que eu e meus companheiros sofrêramos na pele.
Passei a colocar em plano de absoluta igualdade os objetivos revolucionários e o respeito aos direitos humanos. Ou seja, encaro ditaduras, permanentes ou transitórias, como incompatíveis com a dignidade do ser humano e também com a própria integridade da revolução, pois a desvirtuam irremediavelmente, favorecendo a imposição da vontade de nomenklaturas sobre os trabalhadores.
A revolução deve transferir o poder ao povo, não entronizar novos privilegiados.
Coerentemente, deixei de me considerar apenas marxista. No que tange à ditadura do proletariado, os anarquistas é que sempre estiveram certos. Se fossem ouvidos, a revolução soviética não frustraria as enormes esperanças que despertou, a ponto de tornar-se exemplo negativo que o capitalismo utilizou para dissuadir os trabalhadores de outros países de também lutarem por sua emancipação.
...ao contrário da dona Dilma e seus dois banqueiros.
Hoje enxergo pontos válidos no marxismo, no anarquismo, no trotskismo e em muitas bandeiras específicas da geração 68. Se a humanidade vier a ser libertada (há, infelizmente, a possibilidade de o capitalismo a conduzir ao extermínio antes disto), será pelo que de melhor tais vertentes produziram. É essencial que estejam unidas nos momentos decisivos.
A revolução também não se confunde com capitalismo de estado, nem é necessariamente alavancada pela estatização da economia. Por tal caminho se chega mais facilmente ao fascismo do que ao reino da liberdade, para além da necessidade.
Fui dos primeiros a entrevistar o Lula na campanha eleitoral de 1989. Perguntei-lhe como faria para evitar que as estatais continuassem a serviço da politicalha. Ele respondeu que as colocaria sob a tutela de conselhos de trabalhadores.
Quando finalmente chegou à Presidência da República, não moveu uma palha neste sentido. Nem lhe foi cobrado, infelizmente. De 1989 a 2002, a esquerda não avançou, retrocedeu. E continua até hoje andando para trás, como os caranguejos.
Antes o impeachment do que esta abominação!

Eu não mudei um milímetro: ainda exijo a entrega das estatais aos trabalhadores organizados, na esperança de que estes as mantenham nos trilhos, evitando que sejam saqueadas e destruídas pelos políticos profissionais ou em seu benefício, como ocorreu com a Petrobrás.
É patética a obsessão pelo poder sob o capitalismo que contagiou a maior parte da esquerda brasileira. Da Presidência da República à vereança, os cargos eletivos na democracia burguesa sempre foram encarados pelos revolucionários como MEIOS para impulsionar a revolução, meras FERRAMENTAS da ação revolucionária, e não como fins em si.
Hoje o PT incute em legiões de primários e fanáticos a noção maniqueísta de que vale tudo para preservar o mandato de uma presidenta desmoralizada e fracassada, inclusive apoiar-se em banqueiros e entregar a condução da política econômica a um neoliberal, ou seja, um INIMIGO DE CLASSE.
Dizem que salvar Dilma Rousseff é ser de esquerda, independentemente de ela pisar o tempo todo nos ideais e bandeiras da esquerda; independentemente de sua práxis há muito ser a de uma gerentona atrabiliária e obtusa, não de uma companheira presidente; independentemente de em momento algum ela haver admitido que a guinada à direita foi um erro terrível e se disposto a corrigir o rumo, passando a honrar suas promessas de campanha. 
Repita comigo: L-U-C-R-O.
A revolução é infinitamente mais importante do que o governo de Dilma. Desmoralizar a revolução aos olhos dos trabalhadores, fazendo-os identificarem-na com tudo que há de ANTIPOPULAR e ANTIÉTICO, é destruir a esperança num futuro igualitário e livre, em troca da renovação da licença para o PT continuar gerenciando o capitalismo para os capitalistas, como vem fazendo há quase 13 anos.
Mais do que um governo nos estertores, cabe-nos salvar a semente de uma nova esquerda, para irrigá-la e fazer com que frutifique amanhã. Os erros cometidos nos últimos governos nos servirão como bússola: teremos de fazer tudo bem diferente, para que os frutos dos nossos árduos e abnegados esforços não nos escapem novamente dentre os dedos.
De resto, como dizia o Cristo, deixai os mortos enterrarem seus mortos.