“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Jayati Ghosh ousa pensar o pós-capitalismo

Quarta, 30 de setembro de 2026

Jayati Ghosh ousa pensar o pós-capitalismo

Economista indiana provoca: ideias hoje “naturais”, como a ciência limitada por patentes, a hierarquia Norte-Sul e o trabalho não remunerado das mulheres, serão vistas no futuro como ridículas. É hora de encarar a crise da imaginação política

Entrevista a Thiago Gama

Poucos dias antes de os chefes de Estado desembarcarem em Nova Délhi para a cúpula do BRICS, uma das economistas que o Sul global está aprendendo a ouvir falou a Outras Palavras por quase uma hora, sem recusar uma só pergunta. No diálogo, Jayati Ghosh (leia seus textos já publicados pelo site) descreve mercados financeiros oligopolizados, nos quais a expectativa vira profecia e condena o devedor periférico antes de qualquer balanço; uma economia visível que se assemelha a um navio flutuando sobre um mar de trabalho não remunerado; um regime de patentes que precisa ser arrancado do caule aos ramos; e uma rota concreta para escapar do SWIFT, o sistema de pagamentos internacionais sob domínio do dólar e da Casa Branca.

Ao falar sobre a Índia, seu país, Ghosh é impiedosa: o crescimento – incensado pelo jornalismo econômico do Ocidente – é oco, e o governo que o anuncia ao mundo, diz ela, é fascista, opressor e incompetente. Nascida em 1955, formada em Délhi e doutorada em Cambridge, a economista lecionou por quase trinta e cinco anos na Universidade Jawaharlal Nehru e é, desde 2021, professora na Universidade de Massachusetts, em Amherst. Assinou ou organizou mais de vinte livros, entre os quais Never Done and Poorly Paid, sobre o trabalho jamais concluído e mal pago das mulheres na Índia globalizada; Demonetisation Decoded, em que disseca a “desmonetização” tocada por Modi; Women Informal Workers in the Global South; e o Handbook of Alternative Theories of Economic Development, no qual reuniu aquilo que a ortodoxia se recusa a ensinar.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

"No Brasil, a barbárie tem a cara de um processo de reversão neocolonial que está nos levando ao século XIX"

Quarta, 28 de junho de 2017
Entrevista com o economista Plínio de Arruda Sampaio Jr.

Temer já caiu, mas pode demorar para chegar ao chão; O presidente é um morto-vivo; Sabe que se for apeado do poder, será preso.
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Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos

A absolvição da chapa Dilma-Temer das acusações de abuso de poder econômico e político, além de ter sido um “escárnio”, demonstra que o Judiciário foi “irremediavelmente contaminado pela crise política”, afirma o economista Plínio de Arruda Sampaio Jr..


Segundo ele, o que se assistiu no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral – TSE “foi um conluio entre PSDB, PMDB e PT para manter Temer na presidência”. O economista frisa que “as forças políticas que se alinham em torno do objetivo de ‘estancar a sangria’ são poderosas, congregam todos os espectros dos partidos da ordem, possuem amplas ramificações no Judiciário e resistem com desfaçatez e tenacidade à cruzada moralizadora que ameaça suas posições no interior do aparelho de Estado”. E alfineta: “Quando os interesses comuns na preservação do status quo ficam ameaçados, a guerra de foice entre petistas, peemedebistas e tucanos pelo controle do aparelho de Estado é suspensa” e “os partidos da ordem atuam como irmãos siameses”. Por enquanto, adverte, alguns personagens estão sendo “blindados de qualquer investigação”, como os bancos, o sistema financeiro e o capital estrangeiro, e a “ramificação da rede criminosa no sistema judiciário e na grande mídia é negligenciada”.

sábado, 24 de junho de 2017

Para onde vamos: socialismo ou barbárie?

Sábado, 24 de junho de 2017
Do Blog da Boitempo

Por Anita Leocadia Prestes

Transcorrido um ano de governo de Michel Temer, não há mais dúvida de que sua posse resultou de um golpe parlamentar-jurídico, cujo objetivo central foi liquidar as conquistas dos trabalhadores brasileiros consagradas na legislação do país. Nesse sentido, são emblemáticas as propostas encaminhadas ao Congresso Nacional das reformas trabalhista e da previdência, assim como os esforços voltados para invalidar os direitos democráticos consagrados na Constituição de 1988, não obstante suas limitações, apontadas por Luiz Carlos Prestes, no que diz respeito ao artigo 142 dessa Carta, ou seja, à manutenção da tutela militar acima dos três poderes da República1. Artigo este usado pela primeira vez pelo atual governo para reprimir manifestação popular realizada recentemente em Brasília.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

As lições da derrota e o que fazermos doravante

Sexta, 13 de maio de 2016
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

O jornalista Bernardo Mello Franco é um dos muitos críticos do último governo do PT que veem consequências sinistras na queda de Dilma Rousseff: "A posse de Michel Temer deve marcar a mais brusca guinada ideológica na Presidência da República desde que o general Castello Branco vestiu a faixa, em abril de 1964. Após 13 anos de governos reformistas do PT, o país passa ao comando de uma aliança com discurso liberal na economia e conservador em todo o resto".

Por um dever de coerência, todos que pretendemos contribuir para a emergência de uma sociedade que concretize os melhores anseios da humanidade através dos tempos –a justiça social e a liberdade– tivemos de repudiar o que o Governo Dilma se tornou: responsável pela pior recessão brasileira da História e, desde janeiro de 2015, meramente neoliberal (ou seja, empenhado em corrigir suas lambanças anteriores à moda de Milton Friedman, sacrificando os explorados e os coitadezas ao invés de entregar a conta aos que sempre foram privilegiados demais, como os parasitas do sistema financeiro, os predadores ambientais do agronegócio, os detentores de grandes fortunas e os aquinhoados com grandes heranças).

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Porquê o Socialismo?

Sábado, 13 de fevereiro de 2016
“A anarquia econômica da sociedade capitalista como existe atualmente é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal.”
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Do resistir.info
por Albert Einstein
Será aconselhável para quem não é especialista emAlbert Einstein assuntos econômicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões.
Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenômenos de forma a tornar a interligação destes fenômenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia torna-se difícil pela circunstância de que os fenômenos econômicos observados são frequentemente afetados por muitos fatores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido – como é bem conhecido – largamente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente econômicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande medida de forma inconsciente, no seu comportamento social.
Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado nenhum ultrapassámos de fato o que Thorstein Veblen chamou de “fase predatória” do desenvolvimento humano. Os fatos econômicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objetivo do socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência econômica no seu atual estado não consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do futuro.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Crise de 2015 inaugura impasse histórico no Brasil

Terça, 29 de dezembro de 2015
“O lulismo foi um projeto de rentabilização do grande capital e de manipulação e desorganização do movimento social, para sua melhor e mais ampla e fácil exploração. Procedeu-se assalto ao fundo de garantia dos trabalhadores, em prol do grande capital. Entregaram os pensionistas ao cutelo do capital, com os créditos consignados. Permitiu-se assalto jamais visto da população pelos bancos e financeiras. Degradou-se a educação, a saúde, a segurança. A lista é praticamente sem fim”.

“O grande capital pagou, e pagou bem, pelos serviços do senhor Lula da Silva.”
Do Correio da Cidadania
Escrito por Valéria Nader e Gabriel Brito, da Redação
2015 entrará na história como algo próximo de um ano que não existiu, nos mais diversos âmbitos, marcado por variados e regulares momentos de estupefação nacional. “Fim de ciclo” e “vazio político” foram algumas das tentativas de definir todo o corolário de crises que se acumularam e agora estouram, a ponto de tornar quase invisível qualquer horizonte próximo de sua superação. Sobre esse complexo e desafiador momento histórico, o Correio da Cidadania entrevistou o historiador Mario Maestri, que não poupou palavras para descrever o momento e seus tristes protagonistas.
 “A direita tradicional entendeu que era o momento ideal de virar a página e se desfazer dos administradores-delegados petistas, em prol de administração direta conservadora. Não quer mais o muito que recebia - quer, agora, tudo, ainda mais com a diminuição do bolo com a crise”, afirmou, a respeito da tensão em torno do impeachment, que praticamente monopolizou as atenções políticas do ano.
 “Rentabiliza igualmente essa operação conservadora o fato de que o desgoverno, a corrupção, a imoralidade pública etc., que petistas e associados praticaram, são colocados, por grande parte da população, na conta da esquerda e de seu projeto de reorganização do Brasil pelo mundo do trabalho. O PT prestou um imenso serviço ao grande capital no governo, e presta um outro, também enorme, agora que é empurrado para a sarjeta”, completou, a fim de ilustrar o tamanho da derrota que o mundo do trabalho e das organizações populares vivenciam.
 “Se o governo estivesse sendo defenestrado pelos trabalhadores, assalariados e população de bem, seria ato legal, a ser apoiado. Porém, a deposição é empreendida pela direita tradicional, para radicalizar a exploração. É deposição política, golpista, antipopular e antinacional. Ela também tem como objetivo aprofundar a maré conservadora na América do Sul”, observou Maestri.
Além de lamentar a incapacidade organizativa e aglutinadora que até agora paralisa qualquer resposta aos descalabros do capitalismo, Maestri conecta a derrocada brasileira a todo o processo de reorganização mundial a partir de 1989. Projetos e governos por todo o mundo foram condicionados por esse processo, e agora se veem sem capacidade de renovação, a não ser pelo lado de um rigoroso acirramento conservador.
 “O lulismo foi um projeto de rentabilização do grande capital e de manipulação e desorganização do movimento social, para sua melhor e mais ampla e fácil exploração. Procedeu-se assalto ao fundo de garantia dos trabalhadores, em prol do grande capital. Entregaram os pensionistas ao cutelo do capital, com os créditos consignados. Permitiu-se assalto jamais visto da população pelos bancos e financeiras. Degradou-se a educação, a saúde, a segurança. A lista é praticamente sem fim”.
Leia abaixo entrevista exclusiva.
Correio da Cidadania: Passamos o ano debatendo e criticando governo “natimorto” nas palavras do sociólogo Ricardo Antunes. Como você vê o primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff, que termina sob o signo de instabilidade e chantagem que começou, agora sob ameaça de impeachment?
Mario Maestri: Não tivemos governo “natimorto”. Essa visão naturaliza a deriva direitista quase incondicional da segunda administração Dilma Rousseff, sugerindo que estava comprometida desde o início. O governo se liquidou por decisão própria. Ele optou por abraçar o programa neoliberal e executar todas e mais algumas maldades propostas pela direita tradicional que derrotou nas eleições. Tudo na procura de estabilização conservadora da nova administração, corroída pelos escândalos da Petrobrás e pelos desmandos econômicos anteriores.
Correio da Cidadania: Mas qual sentido teria essa virada?

domingo, 27 de dezembro de 2015

A defesa do capitalismo liberal

Sábado, 26 de dezembro de 2015
Do resistir.info

por Prabhat Patnaik [*] 
'Morte do capitalista', Diego Rivera, 1928. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A defesa liberal do capitalismo assume duas formas distintas na teoria econômica. Uma declara que o sistema capitalista opera de maneira a assegurar o pleno emprego de todos os recursos e produz um conjunto de bens com "eficiência", a qual é definida como um estado onde nada mais de qualquer bem dentro deste conjunto pode ser produzido sem produzir menos de algum outro bem. Esta afirmação do pleno emprego é tão palpavelmente falsa – como mostra toda a história do capitalismo, marcada pela sistemática coexistência de trabalho desempregado e equipamento ocioso – que aqueles economistas liberais algo mais honestos recorrem a uma segunda linha de argumentação.


Esta segunda linha, se bem que admitindo que o capitalismo realmente não opera da maneira descrita na primeira e que, ao contrário caracteriza-se sistematicamente pela coexistência de trabalhadores desempregados e equipamento ocioso, afirma, entretanto, que a sua operação pode ser retificada através da intervenção do Estado a fim de fazer desaparecer esta deficiência. Ela encara o Estado como uma entidade externa, a posicionar-se do lado de fora do sistema e a intervir na sua operação "espontânea" a fim de libertá-lo dos seus efeitos danosos.

sábado, 19 de setembro de 2015

Os governos sob o capitalismo não passam de meios para atingirmos nosso fim: a Revolução!!!

Sábado, 19 de setembro de 2015
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

Este morreu por não se prostrar aos inimigos de classe...
Em 1967, aos 16 anos, fiz minha opção definitiva pelos ideais de esquerda, que eu então identificava somente com o marxismo.
Ideologicamente, desde então a única mudança importante nas minhas convicções foi ter saído dos cárceres da ditadura convencido de que nada, absolutamente nada, justificava o esmagamento do indivíduo pelo Estado, que eu e meus companheiros sofrêramos na pele.
Passei a colocar em plano de absoluta igualdade os objetivos revolucionários e o respeito aos direitos humanos. Ou seja, encaro ditaduras, permanentes ou transitórias, como incompatíveis com a dignidade do ser humano e também com a própria integridade da revolução, pois a desvirtuam irremediavelmente, favorecendo a imposição da vontade de nomenklaturas sobre os trabalhadores.
A revolução deve transferir o poder ao povo, não entronizar novos privilegiados.
Coerentemente, deixei de me considerar apenas marxista. No que tange à ditadura do proletariado, os anarquistas é que sempre estiveram certos. Se fossem ouvidos, a revolução soviética não frustraria as enormes esperanças que despertou, a ponto de tornar-se exemplo negativo que o capitalismo utilizou para dissuadir os trabalhadores de outros países de também lutarem por sua emancipação.
...ao contrário da dona Dilma e seus dois banqueiros.
Hoje enxergo pontos válidos no marxismo, no anarquismo, no trotskismo e em muitas bandeiras específicas da geração 68. Se a humanidade vier a ser libertada (há, infelizmente, a possibilidade de o capitalismo a conduzir ao extermínio antes disto), será pelo que de melhor tais vertentes produziram. É essencial que estejam unidas nos momentos decisivos.
A revolução também não se confunde com capitalismo de estado, nem é necessariamente alavancada pela estatização da economia. Por tal caminho se chega mais facilmente ao fascismo do que ao reino da liberdade, para além da necessidade.
Fui dos primeiros a entrevistar o Lula na campanha eleitoral de 1989. Perguntei-lhe como faria para evitar que as estatais continuassem a serviço da politicalha. Ele respondeu que as colocaria sob a tutela de conselhos de trabalhadores.
Quando finalmente chegou à Presidência da República, não moveu uma palha neste sentido. Nem lhe foi cobrado, infelizmente. De 1989 a 2002, a esquerda não avançou, retrocedeu. E continua até hoje andando para trás, como os caranguejos.
Antes o impeachment do que esta abominação!

Eu não mudei um milímetro: ainda exijo a entrega das estatais aos trabalhadores organizados, na esperança de que estes as mantenham nos trilhos, evitando que sejam saqueadas e destruídas pelos políticos profissionais ou em seu benefício, como ocorreu com a Petrobrás.
É patética a obsessão pelo poder sob o capitalismo que contagiou a maior parte da esquerda brasileira. Da Presidência da República à vereança, os cargos eletivos na democracia burguesa sempre foram encarados pelos revolucionários como MEIOS para impulsionar a revolução, meras FERRAMENTAS da ação revolucionária, e não como fins em si.
Hoje o PT incute em legiões de primários e fanáticos a noção maniqueísta de que vale tudo para preservar o mandato de uma presidenta desmoralizada e fracassada, inclusive apoiar-se em banqueiros e entregar a condução da política econômica a um neoliberal, ou seja, um INIMIGO DE CLASSE.
Dizem que salvar Dilma Rousseff é ser de esquerda, independentemente de ela pisar o tempo todo nos ideais e bandeiras da esquerda; independentemente de sua práxis há muito ser a de uma gerentona atrabiliária e obtusa, não de uma companheira presidente; independentemente de em momento algum ela haver admitido que a guinada à direita foi um erro terrível e se disposto a corrigir o rumo, passando a honrar suas promessas de campanha. 
Repita comigo: L-U-C-R-O.
A revolução é infinitamente mais importante do que o governo de Dilma. Desmoralizar a revolução aos olhos dos trabalhadores, fazendo-os identificarem-na com tudo que há de ANTIPOPULAR e ANTIÉTICO, é destruir a esperança num futuro igualitário e livre, em troca da renovação da licença para o PT continuar gerenciando o capitalismo para os capitalistas, como vem fazendo há quase 13 anos.
Mais do que um governo nos estertores, cabe-nos salvar a semente de uma nova esquerda, para irrigá-la e fazer com que frutifique amanhã. Os erros cometidos nos últimos governos nos servirão como bússola: teremos de fazer tudo bem diferente, para que os frutos dos nossos árduos e abnegados esforços não nos escapem novamente dentre os dedos.
De resto, como dizia o Cristo, deixai os mortos enterrarem seus mortos.

sábado, 30 de maio de 2015

David Harvey: “O Syriza e o Podemos abriram um espaço político”

Sábado, 30 de maio de 2015
Transcrito do ESQUERDA.NET
Para o geógrafo, os partidos tradicionais tornaram-se incapazes de enfrentar o capitalismo reconfigurado. Mas grupos como o Syriza e o Podemos multiplicam o alcance das “políticas do quotidiano” praticadas pela juventude anti-sistema. Myke Watson entrevista David Harvey, para a Verso Books .
29 de Maio, 2015
Conhecido pela abordagem não convencional que introduziu no debate sobre o Direito à Cidade e pela sua leitura heterodoxa da obra de Karl Marx, o geógrafo David Havey parece cada vez mais disposto a participar do esforço pela renovação do pensamento e lutas anticapitalistas. A partir de 2011, já examinara atentamente movimentos como a Primavera Árabe, os Indignados e o Occupy. Agora, aos 79 anos, segue com atenção formações políticas que, embora tendo o marxismo como fonte (não única…) de inspiração, diferem em muito dos partidos tradicionais de esquerda — nos programas, práticas e métodos de organização. Volta os olhos, em especial, para o Syriza grego e Podemos espanhol.
Na entrevista a seguir, Harvey fala brevemente — porém de forma incisiva — sobre estes novos movimentos-partidos. Vale a pena reter três pontos suscitados pelo geógrafo: a) Segundo ele, o cenário das lutas políticas e culturais é menos sombrio do que vezes parece. A esquerda histórica perdeu a capacidade de dialogar com os novos movimentos. No entanto, eles multiplicam-se, ao reunir um número crescente de pessoas que, no meio de um mundo desumanizado, “procuram uma forma de existência não-alienada e esperam trazer de volta algum sentido à própria vida”; b) Syriza e Podemos não se definem como anticapitalistas, mas isso é o que menos importa. Eles dão sentido e força à revolta de quem se sente desamparado pela redução dos direitos sociais. Ao fazê-lo desafiam o principal projeto do sistema: uma nova ronda de reconcentração de riquezas, expressa nas políticas de “austeridade” ou “ajuste fiscal”; c) Talvez o calcanhar-de-aquiles das políticas hoje hegemónicas esteja na Europa. Ao empurrarem a Grécia para fora do euro, a oligarquia financeira pode produzir uma tempestade de consequências imprevisíveis. Segue a entrevista (A.M.).
No seu último livro, afirma que Marx optou pelo humanismo revolucionário em vez do dogmatismo teleológico. Onde seria possível encontrar um espaço para a concretização deste humanismo revolucionário?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Governo austríaco crítica Merkel e apoia plano de Tsipras

Segunda, 9 de fevereiro de 2015
De ESQUERDA.NET
Chanceler austríaco afirmou que o plano grego de lutar contra a corrupção e a fraude fiscal “tem mais lógica do que dizer que tem de ser cortar ou privatizar no meio de uma crise”. Werner Faymann esteve reunido esta segunda-feira com Alexis Tsipras em Viena. 
Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, e Werner Fayman, chanceler austríaco.

Em contra-ciclo com a maioria dos chefes de governo europeus, Werner Fayman criticou, numa entrevista publicada pelo diário Kurier este domingo, a sua homóloga alemã por “esperar para ver” e de “fazer tudo um pouco tarde”, o que na opinião do social-democrata austríaco está a prejudicar o combate aos problemas económicos europeus.

Apesar de a Áustria ter a segunda menor taxa de desemprego da União Europeia, 4,9 por cento, o chanceler entende que Angela Merkel está a desvalorizar os efeitos de médio prazo da perda de poder de compra, sendo por isso uma “política agressiva” de combate ao desemprego.

Em relação à Grécia, e, não sendo favorável a um perdão da dívida ao país, Fayman declarou o seu apoio nas “negociações em condições técnicas para que o país tenha mais margem de manobra para sair da crise”.

O chanceler austríaco sublinhou ainda que o plano de Alexis Tsipras de combate à corrupção e à fraude fiscal “tem mais lógica do que dizer que tem de se cortar ou privatizar no meio de uma crise”, numa clara crítica às orientações económicas de Bruxelas e Berlim.

Na conferência de imprensa, após a reunião que durou cerca de uma hora, Faymann afirmou que "a questão é encontrar uma solução entre o enquadramento acordado no passado e os esforços do novo Governo grego", acrescentando ainda que "um novo caminho tem de ser encontrado". "Temos de encontrar soluções mutuamente aceitáveis", ressalvou.

Por seu lado, Alexis Tsipras disse estar "muito satisfeito" com a reunião com o chanceler austríaco. "Tenho um novo amigo que nos pode ajudar a encontrar uma solução viável para o futuro comum europeu", afirmou. 

Artigos relacionados:

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Para Gullar, Dilma pronuncia "Discurso de Crioulo Doido"

Domingo, 8 de fevereiro de 2015
Do Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti


Gullar: o PT hoje não passa de um partido populista.
O poeta neoconcretista Ferreira Gullar, com a sabedoria dos seus 84 anos, acaba de fazer uma análise quase perfeita da ascensão e queda do PT. Concordo com praticamente tudo e a reproduzo abaixo porque deve ser conhecida e discutida por todos que ainda não desistiram do bom combate.
A única ressalva que faço é a seguinte: ele acerta ao constatar que, "em nenhum dos países onde o comunismo chegou ao poder, o governo foi exercido por trabalhadores", mas daí não se pode inferir automaticamente que uma sociedade igualitária "na prática, tornou-se inviável".
Eu diria que foi o socialismo num só país que se demonstrou inviável, mas continuo acreditando que as coisas serão bem diferentes se uma onda revolucionária varrer o mundo, como acreditavam os marxistas antes do brutal esmagamento da Comuna de Paris, em 1871.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Gregos vão às ruas contra a chantagem

Quinta, 5 de fevereiro de 2015
Do ESQUERDA.NET
Convocatória partiu das redes sociais, depois que se souberam as medidas do BCE e as exigências do governo alemão. O seu lema foi: “Não à chantagem! Não capitulamos! Não temos medo! Não voltamos atrás! Venceremos!”
Manifestação foi convocada nas redes sociais. Foto left.gr
Manifestação foi convocada nas redes sociais. Foto left.gr
Os gregos reagiram com manifestações de rua às pressões do BCE do governo alemão que procuram reverter o rumo antiausteridade imposto pelo novo governo de Atenas.

No próprio dia em que o Banco Central Europeu anunciou restrições ao crédito aos bancos gregos e que o ministro das Finanças alemão exigiu a reversão das novas medidas adotadas pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, uma convocatória nascida nas redes sociais reuniu muitos milhares dee pessoas em muitas cidades do país.
A multidão, desta vez, é em apoio ao governo. E não há barreiras. Foto do Keep talking Greece 
A multidão, desta vez, é em apoio ao governo. E não há barreiras. Foto do Keep talking Greece

O seu lema foi: “Não à chantagem! Não capitulamos! Não temos medo! Não voltamos atrás! Venceremos!”

Para além da concentração na praça Syntagma, em Atenas, houve manifestações em Salónica, Patras, Heraklion, Chania, Kastoria e outras cidades.
Manifestação em Iraklio, Creta
Manifestação em Iraklio, Creta

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O PT ESTÁ MORTO, VIVA O SYRIZA!

Terça, 27 de janeiro de 2015
Por Celso Lungaretti
Em Eu, Claudius, imperador, o escritor Robert Graves coloca na boca do seu imperial personagem um primor de embromation: "Faltam-me as palavras, mas nada que eu pudesse dizer igualaria a intensidade dos meus sentimentos a este respeito".
 
Eu poderia dizer o mesmo a respeito do artigo Luzes, enfim, do filósofo Vladimir Safatle --mas não como uma saída pela tangente, e sim num exercício de humildade. Quando deparo com um texto que diz exatamente aquilo que eu pretendia dizer e da forma como me preparava para fazê-lo, opto sempre por arquivar meu projeto pessoal e apenas reproduzi-lo, prestando o merecido tributo a seu autor.
 
Talvez por um pouco de preguiça (ninguém é sexagenário impunemente...), talvez por um certo preciosismo de minha parte: havendo um similar perfeito, nunca me conformaria em produzir algo inferior. Então, se percebo tratar-se de tarefa quase impossível, dou a mão à palmatória: o importante é sempre oferecer o melhor aos leitores deste blogue, seja ou não da minha lavra.
Alexis Tsipras: um novo Allende?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
E o texto do Saflate realmente acende luzes, permitindo-nos vislumbrar uma saída das trevas que se adensam na política brasileira.
 
Parafraseando o bordão das monarquias, é hora de nós, esquerdistas que ainda honramos nossos ideais e nossos valores, proclamarmos: O PT está morto, viva o Syriza!
 
Pois nunca isto ficou tão evidenciado quanto nas propostas ousadas de Alexis Tsipras, em contraposição à absoluta falta de propostas positivas de Dilma Rousseff. Um quer livrar seu povo da canga que o capitalismo putrefato lhe impôs, a outra dá carta branca a seu ministro neoliberal para maximizar a austeridade e agravar a penúria.
 
Eis Luzes, enfim, na íntegra:
 
"Uma das propostas do partido grego Syriza, que venceu as eleições gregas neste domingo, consiste em religar a luz das casas que tiveram a eletricidade cortada por falta de pagamento. Só entre janeiro e setembro de 2013, 240 mil residências tiveram sua eletricidade cortada. Hoje, 1 milhão estão com a conta de luz atrasada, ou seja, 10% da população da Grécia.
 
Esta é uma bela metáfora do que pode significar a vitória do primeiro partido de esquerda radical na história a governar um país da Comunidade Europeia.
 A dita racionalidade econômica aplicada na crise grega levou boa parte da população de volta à era das trevas, isto enquanto a banca internacional aplaudia as "reformas" implementadas pelo antigo governo conservador de Antonis Samaras com sua taxa de 25% de desemprego.
 
Pouco importa se as políticas de "austeridade" e de "responsabilidade fiscal" jogam a população no breu e na fome, desde que as obrigações das dívidas sejam todas corretamente pagas aos bancos internacionais --os mesmos que costumam extorquir seus países quando entram em rota de falência.
 
Syriza será a primeira expressão, na forma de um governo, de um radical sentimento de recusa a este capitalismo de espoliação e acumulação rentista.
 
É fruto de um movimento de indignação que apareceu a partir de 2009, que passou pela Primavera Árabe e pelos Occupy.
 
Trata-se de um partido que não tem nenhuma semelhança com os partidos tradicionais de esquerda. Não é por acaso que o Partido Comunista Grego os odeia.
 Sua lógica não é dirigista, nem centralista. Ela é uma frente multipolar composta por múltiplos grupos, de ecologistas a trotskistas, maoístas, nacionalistas e sociais-democratas radicais.
 
Se há algo na história da esquerda próximo à vitória grega é a experiência chilena de Allende com sua frente de Unidade Popular.
 
Quarenta anos depois, a história de um socialismo democrático e transformador será jogada novamente. Dessa vez, será aos pés do monte Olimpo.
 
Representante de uma nova geração política, Syriza tem neste momento a tarefa de sobreviver e ser bem-sucedido contra as tentativas de impedir que o fantasma do descontentamento que assombra a Europa saia de sua forma meramente espectral e ganhe, enfim, corpo político. Um corpo que poderá contaminar outros países e modificar o cenário de inanidade atual.
 
A favor dos gregos, há o espírito do tempo e o desejo de todos os que cansaram da escuridão, do medo e da miséria, seja miséria econômica, seja miséria de ideias".