Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 28 de janeiro de 2017

O que a esquerda deveria dizer as suas ovelhas negras, segundo Dalto Rosado: 'Fora tudo, fora todos!'

Sábado, 28 de janeiro de 2017
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Dalton Rosado

O facciosismo como critério negativo da crítica 

"Às pessoas facciosas, depois de admoestá-las severamente, evita-as, pois, senão, também serás corrompido" (Bíblia, Livro de Tito)

Nestes dias nos quais se escancaram as provas da promiscuidade do todo o segmento político (só estão de fora os que ainda não tiveram força de acesso ao poder ou de interferência nele, mas logo, logo caminharão para tal comportamento, à medida que dele se aproximarem) com o empresariado, expressos pela grande mídia na cobertura da decretação da prisão do bilionário Eike Batista, nós podemos aferir quão facciosas e inconsequentes são as defesas dos corruptos de um lado e de outro.

A Globonews se apressa em demonstrar enfaticamente que os jatinhos do empresário Eike Batista serviram aos governantes petistas e seus aliados, omitindo o fato de que dito empresário, como sói acontecer, também servia aos políticos mais conservadores. Nisto não há nenhuma novidade.

sábado, 5 de novembro de 2016

“Temer terá muita dificuldade para concluir seu mandato e o cenário para os próximos anos é sombrio”

Sábado, 5 de novembro de 2016

Do Correio da Cidadania
Escrito por Gabriel Brito, da Redação
Encerradas as eleições e seus esforços de campanha, o Brasil volta a encarar a depressão que abala a economia e os pacotes de medidas do governo Temer, ainda incapazes de qualquer resposta positiva à crise geral. Ao mesmo tempo, a onda de ocupações de escolas e universidades que percorre todo o país sinaliza que a rebeldia social e popular não está fora da cena e sugere que as incertezas e instabilidades não têm prazo final. É sobre esse complexo quadro que o Correio da Cidadania publica entrevista com o economista Plinio Arruda Sampaio Junior.

“O pacote de concessões anunciado por Temer foi preparado ainda no governo Dilma. O aprofundamento da privatização é parte da solução liberal para a crise econômica. Trata-se de um esforço desesperado de recuperar a economia, criando grandes negócios para o capital ocioso. A iniciativa certamente vai criar negócios da China para os donos do poder, mas não contribuirá em nada para superar os problemas que paralisam a economia. O pacote não é para resolver nada. É para criar negócios para a tigrada. Enquanto o comércio internacional permanecer deprimido e a crise política não for resolvida, nenhum empresário de bom senso apostará suas fichas no Brasil”, analisou.

Para além das críticas ao legado da esquerda hegemonizada pelo petismo, agora espraiada pelos meios de comunicação de todos os perfis possíveis, o professor do Instituto de Economia da Unicamp relembra o contexto global, a impor dificuldades que se estendem de forma similar por toda a América Latina. De toda maneira, é implacável em relação às intenções do novo governo, que antes de qualquer tentativa de tirar o país da crise e recuperar o emprego visa favorecer setores que nada têm a oferecer, exceto um modelo de exploração econômica já exaurido.

“Temer e companhia não têm base legal, sustentação política, força social e condição moral para impor ao povo brasileiro um retrocesso social que levará o país de volta à República Velha. É o que o programa de ajuste liderado por Meirelles pretende. Com o apoio do STF, as classes dominantes rasgaram a Constituição de 1988. O povo brasileiro não vai engolir um retrocesso social dessa magnitude passivamente. Quem vive do próprio trabalho e depende de políticas públicas para sobreviver ficou sem alternativa senão a desobediência civil. Quando a ficha cair, o bicho vai pegar. Mais dia, menos dia, serão derrubados pela força das ruas”, sintetizou.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Nova Esquerda pretende mostra sua força neste domingo (8/10)

Quarta, 5 de outubro de 2016
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

"Nós, sobreviventes da utopia revolucionária, combatentes na luta por justiça e liberdade em nosso país e dispostos a nunca mais aceitar que aqui se implante uma ditadura, com o objetivo de construir o poder popular e implantar a democracia direta, levamos ao povo brasileiro a proposta de construção da Nova Esquerda, como espaço de integração, articulação e de fortalecimento das forças progressistas e revolucionárias do Brasil."

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Não é hora de unir as esquerdas

Sexta, 16 de setembro de 2016
Do Correio da Cidadania
www.correiocidadania.com.br
Escrito por Pedro Munhoz*
 
Não, meu amigo, não é hora de unir as esquerdas em torno de um partido, de um nome, um post de facebook, um projeto eleitoral ou qualquer outra quimera, principalmente se essa união significa abafar dissensos, forjar artificialmente uma unidade em um hegemonismo capenga, frágil. Além disso, unida, a esquerda ideológica brasileira de hoje, todas as vertentes partidárias somadas, é capaz, no máximo, de abrir um grupo de oração. Somos poucos, somos bem poucos, somos menores do que nos faz crer a bolha.

O uso da palavra “oração”, aqui, não é aleatório. Muitos de nós achamos ser possível alcançar uma mítica redenção por meio da recitação de um credo, da repetição de palavras de ordem, do comparecimento a procissões cívicas, ecumênicas, apascentadoras do espírito, mas que têm pouco efeito transformador na realidade material.

sábado, 14 de maio de 2016

Mefistófeles e a responsabilidade fiscal do presidente Temerário

Sábado, 14 de maio de 2016
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Dalton Rosado
 


Mefistófeles, no Fausto de Goethe, encarnava o diabo, que com suas promessas de vida faustosa, mas ilusória, encobria a tragédia premeditada. 

Na modernidade, o diabo atende pelo nome de capitalismo e sua promessa miraculosa é o desenvolvimento econômico. O brilho falso do progresso econômico e, com ele, a esperança de obtenção da “grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso), é a vã promessa de vida faustosa para todos. 

O referencial de todos são os chamados países desenvolvidos, cuja dívida pública beira o PIB anual. A rica e culta União Europeia, formada por países como Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Holanda, Espanha, Portugal, entre outros, tem dívida pública de 92% do PIB; os Estados Unidos, de 104%; e o Japão, de 220% do PIB.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

As lições da derrota e o que fazermos doravante

Sexta, 13 de maio de 2016
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

O jornalista Bernardo Mello Franco é um dos muitos críticos do último governo do PT que veem consequências sinistras na queda de Dilma Rousseff: "A posse de Michel Temer deve marcar a mais brusca guinada ideológica na Presidência da República desde que o general Castello Branco vestiu a faixa, em abril de 1964. Após 13 anos de governos reformistas do PT, o país passa ao comando de uma aliança com discurso liberal na economia e conservador em todo o resto".

Por um dever de coerência, todos que pretendemos contribuir para a emergência de uma sociedade que concretize os melhores anseios da humanidade através dos tempos –a justiça social e a liberdade– tivemos de repudiar o que o Governo Dilma se tornou: responsável pela pior recessão brasileira da História e, desde janeiro de 2015, meramente neoliberal (ou seja, empenhado em corrigir suas lambanças anteriores à moda de Milton Friedman, sacrificando os explorados e os coitadezas ao invés de entregar a conta aos que sempre foram privilegiados demais, como os parasitas do sistema financeiro, os predadores ambientais do agronegócio, os detentores de grandes fortunas e os aquinhoados com grandes heranças).

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Dilma e PT devem autocrítica aos trabalhadores e ao povo

Quinta, 28 de abril de 2016
Do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br
Escrito por Hamilton Octavio de Souza jornalista e professor
O governo Dilma Rousseff está acabado, foi arrasado pela crise econômica, pelo descontentamento da população e pelo Congresso Nacional que ajudou a eleger ao abrigar no “presidencialismo de coalizão” políticos conservadores e partidos de direita. Mesmo com todo o fisiologismo praticado pelo Palácio do Planalto para assegurar uma base parlamentar contra o impeachment, o processo foi aprovado por 367 a 137 votos. Como governar com essa minoria e com ampla e massiva desaprovação na sociedade?

Por trás da queda estão, evidentemente, as forças do capital, os grupos que disputam o gerenciamento das políticas neoliberais, as classes médias empenhadas na manutenção de seu padrão de vida, os políticos oportunistas que topam qualquer parada para agradar eventuais donos do poder e ao mesmo tempo seus currais eleitorais – e as classes trabalhadoras e setores populares não organizados que estão na moita em cauteloso distanciamento. Como governar diante de tamanha confluência de interesses pelo impeachment?

Mas, também, o governo Dilma acabou por seus próprios erros, pela desatenção com os reais problemas do povo brasileiro e pelo distanciamento de compromissos programáticos, por não ter dado o devido respeito aos desvios éticos que campearam nas diferentes instâncias da administração praticados por seu partido e por demais partidos da coalizão ou não. Em nenhum momento os casos revelados pela imprensa e pelas instituições da República (Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário) foram devidamente repudiados e condenados. Ao contrário, o PT e o governo focaram mais na inconveniência das delações e vazamentos do que no mérito das denúncias.

sábado, 9 de abril de 2016

Para a esquerda brasileira, hegemonia petista foi pior do que praga de gafanhoto

Sábado, 9 de abril de 2016
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Durante os intermináveis 21 anos da ditadura militar, consolava-nos tanto o pensamento de que o pesadelo terminaria um dia quanto a percepção de nossa superioridade intelectual e moral sobre aqueles que só tinham como trunfos a força bruta e o poder econômico de seus amos.

Éramos os bons, eles os maus. Éramos os civilizados, eles os incultos. Éramos os idealistas, eles os mercenários. Éramos os solidários, eles os impiedosos. Éramos os honestos, eles os podres.

Éramos os brilhantes, eles os medíocres.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Até quando a esquerda vai pagar por erros do lulismo?

Quarta, 10 de fevereiro de 2016
Do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br/
Escrito por Hamilton Octavio de Souza*
É preciso ter bem claro que a fragilização do governo Dilma Rousseff e de lideranças do PT atinge duramente todo o campo da esquerda brasileira, desde os que ainda defendem políticas de alianças com o empresariado, com setores conservadores e com as velhas oligarquias regionais, até os que se encontram na luta contra a direita, contra o neoliberalismo e na oposição ao lulismo desde os anos 1990 e mais recentemente. Todos, sem exceção, estamos pagando muito caro por desvios, erros, rendições e concessões políticas e éticas dos governos petistas e das forças de esquerda que lhes deram sustentação desde a campanha eleitoral de 2002.
O preço está sendo o alijamento da esquerda da vida institucional e do debate nacional nas universidades, na mídia, nos centros de formação política e até mesmo nos movimentos sociais populares e no seio das classes trabalhadoras, inclusive no operariado. Não seremos totalmente banidos, mas estamos com enorme dificuldade de encontrar espaços receptivos e de defender propostas de transformação social sem ter de ficar na explicação defensiva do desastrado caminho adotado pelo PT, que nada tem a ver com o projeto original do partido concebido nas lutas contra a ditadura e no potencial revolucionário dos trabalhadores nos anos 1970 e 1980.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Eu e Dilma: Um Caso de Desamor à Primeira Vista (2ª parte)

Segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Do Náufrago da Utopia 
Por Celso Lungaretti

 

EU E DILMA: UM CASO DE DESAMOR À PRIMEIRA VISTA (2ª parte)

Saudei a vitória da Dilma, abrindo-lhe um crédito de confiança. Manifestei a esperança de que, na Presidência, ela continuasse sendo a militante de outrora, que "como Chaplin, queria chutar o traseiro dos ociosos" e "como Marx, pretendia proporcionar a cada trabalhador o necessário para sua realização plena como ser humano".
Mantive-me, contudo, cautelosamente reticente, pois ela me inspirava mais dúvidas do que certezas:

"Dilma (...) terá de provar que é algo mais do que uma estátua esculpida com tamanha perfeição pelo artista Michelangelo da Silva que acabou ocupando o melhor pedestal no panteão do Planalto. 

...O lulismo no poder já provou sua competência no gerenciamento do estado em conformidade com os interesses dominantes, mas garantindo uma fatia um pouco maior do bolo para aqueles que produzem todas as fatias. 


A dívida social, entretanto, está muito longe de ser zerada, como o foi o débito com o FMI. 

Torço para que a Dilma saiba aproveitar seu grande momento..."
E, aliviado, voltei a me distanciar da política oficial, pois a linha que definira para minha atuação na web era a de ignorar as escaramuças e pendengas da Corte, defendendo apenas os personagens e valores revolucionários.
P. ex., projetos governamentais e as críticas que opositores lhes faziam não estavam na minha mira, mas o da transposição do rio São Francisco passou a estar quando o bispo Luís Flávio Cappio contra ela utilizou um recurso frequente nas lutas revolucionárias, o da greve de fome. Fiquei indignado com a decisão do Lula, de pagar para ver, tão insensível como qualquer Margaret Thatcher, ajudando a esvaziar uma forma extrema de protesto a que já recorremos muitas vezes no passado e poderemos ter de voltar a recorrer.
 
Então, até hoje sou implacável com essa maracutaia do agronegócio, sempre destacando as notícias negativas que pipocam: não cumprimento de metas, estouros do orçamento, evidências de inutilidade ou insuficiência de algumas iniciativas do programa e, claro, corrupção. Tudo aquilo que D. Cappio tentou evitar.

Mas, é uma exceção. Como regra, considero que os governos, sob o capitalismo, jamais levarão os explorados aonde eles precisam chegar, daí não merecerem a atenção obsessiva que a grande imprensa e a esquerda chapa branca lhes dedica. Fixo-me nas perspectivas de transformação da sociedade, não no dia a dia do gerenciamento da dominação burguesa.
 
Então, mesmo percebendo que Dilma se tornara uma pessoa bem diferente daquela que conhecera, evitei comentar sua atuação presidencial, salvo no que esta se chocasse frontalmente com o ideário da esquerda.
Em 1969, ela seguia fielmente a linha da VAR-Palmares, que acreditava ser imprescindível algum enraizamento nas massas para a organização não se tornar apenas um exército combatendo outro.
 
Já para nós, os egressos e depois refundadores da VPR, bastava estarmos imbuídos da ideologia do proletariado, sendo dispensável o contato orgânico com  o mesmo, que nos acarretaria riscos terríveis de segurança. O perfil de nosso pessoal seria mais apropriado para o cumprimento das tarefas militares da revolução, propaganda armada inclusive, deixando para outros grupos os laços com a população.
Paradoxalmente, aquela que em 1969 nos acusava de vanguardistas não mais procurava, quatro décadas depois, estar junto das massas e interagir com elas.

Integrando governos desde 1986, adquirira os jeitos e trejeitos dos tecnoburocratas, passando a se ver como a mulher sapiens a quem competiria detectar o que fosse melhor para o povo e, gerindo pedaços do Estado, impulsionar as transformações que via como necessárias, independentemente de as massas compreenderem tais intentos e com eles concordarem.
Para ela, implicitamente, os humildes explorados deixaram de ser os sujeitos da História, tornando-se apenas os beneficiários da ação estatal. Sua nova postura era um amálgama do velho nacional-desenvolvimentismo na economia com um bolivarismo light na política (uma tendência a avassalar outros Poderes e entes estatais, mas de forma gradual e sutil, sem incorrer num autoritarismo chocante).
 
Não deixo de compreender o que levou Dilma e muitos outros esquerdistas a abdicarem dos projetos de transformação em profundidade da nossa sociedade, contentando-se com mudanças bem mais tímidas: o desencanto da terrível derrota da geração que pegou em armas contra a ditadura os fez procurar atalhos para obterem, pelo menos, alguns resultados.
 
Se tivessem lido com mais atenção Marx, Rosa Luxemburgo e outros clássicos, saberiam que o reformismo convém muito mais à burguesia do que aos explorados; e que a mera infiltração no Estado não equivale a uma revolução, pois aquilo que o povo verdadeiramente não conquista, dificilmente conseguirá manter depois.


Até porque acaba não reconhecendo como seu o governo de seus presumidos benfeitores, muitas vezes interessados mais em se perpetuarem indefinidamente no poder do que em fazerem avançar o processo revolucionário.

Não me dispus, contudo, a fazer críticas mais contundentes ao primeiro governo da Dilma, pois sabia que, com tais premissas, ela não iria longe --ou seja, dificilmente conseguiria consolidar o reformismo e fechar, por longo período, as portas à revolução. Sua esperança de fazer deslanchar a economia brasileira a partir da ação estatal era um anacronismo, o pré-sal o sonho de uma noite de verão. Isso tudo jamais daria certo.
 
E, claro, a fetichização dos governos por parte da esquerda (além da gana de parte dela pelas boquinhas) ainda é tão forte que, sensatamente, avaliei como contraproducente abrir o jogo: eu ficaria isolado.
 
Algo que para mim é questão de princípio me fez, no entanto, deixar de lado o cálculo político e assumir uma postura mais incisiva com relação ao Governo Dilma: a criação de uma Comissão da Verdade como contraponto propagandístico a algo muitíssimo mais sério, a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre o Araguaia, responsabilizando o Brasil pelo extermínio de 70 militantes no Araguaia e exigindo apuração rigorosa dos massacres, localização dos restos mortais e punição dos carrascos. (continua)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Crise de 2015 inaugura impasse histórico no Brasil

Terça, 29 de dezembro de 2015
O lulismo foi um projeto de rentabilização do grande capital e de manipulação e desorganização do movimento social, para sua melhor e mais ampla e fácil exploração. Procedeu-se assalto ao fundo de garantia dos trabalhadores, em prol do grande capital. Entregaram os pensionistas ao cutelo do capital, com os créditos consignados. Permitiu-se assalto jamais visto da população pelos bancos e financeiras. Degradou-se a educação, a saúde, a segurança. A lista é praticamente sem fim”.

“O grande capital pagou, e pagou bem, pelos serviços do senhor Lula da Silva.”
Do Correio da Cidadania
Escrito por Valéria Nader e Gabriel Brito, da Redação
2015 entrará na história como algo próximo de um ano que não existiu, nos mais diversos âmbitos, marcado por variados e regulares momentos de estupefação nacional. “Fim de ciclo” e “vazio político” foram algumas das tentativas de definir todo o corolário de crises que se acumularam e agora estouram, a ponto de tornar quase invisível qualquer horizonte próximo de sua superação. Sobre esse complexo e desafiador momento histórico, o Correio da Cidadania entrevistou o historiador Mario Maestri, que não poupou palavras para descrever o momento e seus tristes protagonistas.
 “A direita tradicional entendeu que era o momento ideal de virar a página e se desfazer dos administradores-delegados petistas, em prol de administração direta conservadora. Não quer mais o muito que recebia - quer, agora, tudo, ainda mais com a diminuição do bolo com a crise”, afirmou, a respeito da tensão em torno do impeachment, que praticamente monopolizou as atenções políticas do ano.
 “Rentabiliza igualmente essa operação conservadora o fato de que o desgoverno, a corrupção, a imoralidade pública etc., que petistas e associados praticaram, são colocados, por grande parte da população, na conta da esquerda e de seu projeto de reorganização do Brasil pelo mundo do trabalho. O PT prestou um imenso serviço ao grande capital no governo, e presta um outro, também enorme, agora que é empurrado para a sarjeta”, completou, a fim de ilustrar o tamanho da derrota que o mundo do trabalho e das organizações populares vivenciam.
 “Se o governo estivesse sendo defenestrado pelos trabalhadores, assalariados e população de bem, seria ato legal, a ser apoiado. Porém, a deposição é empreendida pela direita tradicional, para radicalizar a exploração. É deposição política, golpista, antipopular e antinacional. Ela também tem como objetivo aprofundar a maré conservadora na América do Sul”, observou Maestri.
Além de lamentar a incapacidade organizativa e aglutinadora que até agora paralisa qualquer resposta aos descalabros do capitalismo, Maestri conecta a derrocada brasileira a todo o processo de reorganização mundial a partir de 1989. Projetos e governos por todo o mundo foram condicionados por esse processo, e agora se veem sem capacidade de renovação, a não ser pelo lado de um rigoroso acirramento conservador.
 “O lulismo foi um projeto de rentabilização do grande capital e de manipulação e desorganização do movimento social, para sua melhor e mais ampla e fácil exploração. Procedeu-se assalto ao fundo de garantia dos trabalhadores, em prol do grande capital. Entregaram os pensionistas ao cutelo do capital, com os créditos consignados. Permitiu-se assalto jamais visto da população pelos bancos e financeiras. Degradou-se a educação, a saúde, a segurança. A lista é praticamente sem fim”.
Leia abaixo entrevista exclusiva.
Correio da Cidadania: Passamos o ano debatendo e criticando governo “natimorto” nas palavras do sociólogo Ricardo Antunes. Como você vê o primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff, que termina sob o signo de instabilidade e chantagem que começou, agora sob ameaça de impeachment?
Mario Maestri: Não tivemos governo “natimorto”. Essa visão naturaliza a deriva direitista quase incondicional da segunda administração Dilma Rousseff, sugerindo que estava comprometida desde o início. O governo se liquidou por decisão própria. Ele optou por abraçar o programa neoliberal e executar todas e mais algumas maldades propostas pela direita tradicional que derrotou nas eleições. Tudo na procura de estabilização conservadora da nova administração, corroída pelos escândalos da Petrobrás e pelos desmandos econômicos anteriores.
Correio da Cidadania: Mas qual sentido teria essa virada?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

“É hora de organizar o partido das lutas reais”


Quinta,24 de dezembro de 2015
"No Brasil, o compromisso da burguesia com a democracia acaba no momento em que ela coloca em risco seus privilégios. O melhorismo de Lula passou muito longe de qualquer proposta socialdemocrata. Lula não reformou nada. Ao contrário. Seu governo aprofundou o subdesenvolvimento. O PT representa a “esquerda” da ordem – a ordem comprometida com a reprodução do capitalismo dependente."
"Dilma é totalmente subserviente ao grande capital e atua de acordo com os ditames do ajuste neoliberal."
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Do Correio da Cidadania
Escrito por Alexandre Haubrich  
Quarta, 23 de Dezembro de 2015
Diante do encerramento de um ano conturbado, sob o signo de uma infinidade de crises, apressa-se uma análise geral de todo o complexo quadro político e a reflexão de suas causas, cujas consequências se fazem presentes a olhos vistos. Para isso, publicamos a entrevista feita pelo jornalista Alexandre Haubrich com Plínio de Arruda Sampaio Júnior, economista e professor da Unicamp.
Além de analisar a conjuntura política desde ano de 2015, Plínio discutiu a atual crise da esquerda, decorrente da falência do pacto lulista, e propõe uma união em torno do “partido das lutas reais”, uma ideia que engloba diversos setores políticos e sociais.
 “O melhorismo de Lula passou muito longe de qualquer proposta socialdemocrata. Lula não reformou nada. Ao contrário. Seu governo aprofundou o subdesenvolvimento. O PT representa a ‘esquerda da ordem’ – a ordem comprometida com a reprodução do capitalismo dependente. O custo da crise será jogado nas costas dos trabalhadores. Sem grandes transformações sociais, não há como evitar o avanço da barbárie. O fundamental é criar força política para que a economia e a sociedade sejam organizadas em função das necessidades efetivas do conjunto da população”.
Sampaio Júnior acredita em um processo de “Revolução Brasileira” que requer, como primeiro passo, a realização de duas tarefas fundamentais: a revolução democrática e a revolução nacional. “A forma da revolução também já foi esboçada nas Jornadas de Junho de 2013. A força propulsora da transformação social é a revolta avassaladora do povo contra seus opressores. Isso já existe de maneira difusa e fragmentada. Falta unificar os sujeitos dispersos em torno de um programa revolucionário. Falta criar instrumentos políticos que permitam transformar a energia difusa das massas inconformadas em força política condensada. Falta organizar o partido das lutas reais”.
Leia abaixo, na íntegra, a entrevista que perpassa por esses e outros temas mais.
Quais as diferenças mais importantes entre esse início de segundo governo Dilma e os três primeiros governos do PT?
Plínio de Arruda Sampaio Júnior: O segundo governo Dilma sofre as consequências das graves contradições acumuladas nos três governos anteriores. Os problemas foram exacerbados pela metástase da crise econômica mundial e pela absoluta falta de liderança e criatividade da presidente. A exaustão do ciclo de crescimento impulsionado pela bolha especulativa internacional destruiu as bases do chamado neodesenvolvimentismo, deixando como legado uma crise econômica de grande envergadura e difícil solução.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Dilma ainda não caiu, mas seu "Governo" já acabou

Quinta, 10 de dezembro de 2015
Da Tribuna da Imprensa
Igor Mendes
Se pela via do impeachment, se por meio de renúncia, a queda de Dilma parece inevitável. E isso ocorrerá não porque tenha tomado qualquer medida que contrarie os interesses da grande burguesia e do latifúndio, classes dominantes internas, aliadas ao imperialismo, ao contrário, mostrou-se sempre sua fiel escudeira. Tanto que o establishment, com direito a editorial do “O Globo” e tudo, posicionou-se há poucos meses pela sua continuidade. Entretanto, uma vez que sua permanência impede o próprio funcionamento “normal” das instituições –o Congresso não vota o sangrento “ajuste” contra os trabalhadores –e arrisca a “estabilidade” dos investimentos, tornou-se mais caro mantê-la que descarta-la. Sua hora soou.
As centrais sindicais governistas e a intelectualidade amestrada defendem o governo, “seu” governo, de fato, não dos trabalhadores. “Seu” governo significam as verbas de publicidade para os “amigos”, acesso a editais e cargos comissionados, as benesses que levaram à cadeia os Dirceu e os Delcídio, abandonados à própria sorte por um Lula preocupado antes e acima de tudo consigo mesmo, como sempre. Bradam o fantasma da “direita”, que não assusta mais ninguém, pois eles mesmos sempre governaram com a turma do Sarney, Barbalho, Kátia Abreu, Maluf, e vejam só!, têm na quadrilha Picciani-Pezão-Cabral-Paes, que nós aqui no Rio conhecemos bem, seus mais fiéis defensores... Alguém consegue imaginar a campanha “Pezão vá pra Cuba”?!
Por isso mesmo, as “manifestações” governistas não passam de teatrinho montado para fingir alguma mobilização, quando realmente o atual governo é dos mais impopulares, quiçá o mais impopular, de nossa história recente. Pagam, e caro, para levar algumas centenas de pessoas às ruas, colhendo fiasco toda vez.
De outro lado, as convocações para passeatas pró-impeachment não ampliam para além da classe média (a verdadeira, não aquela inventada pelas estatísticas oficiais, que derreteu em alguns meses de crise) porque os trabalhadores, as massas mais profundas de nosso povo, veem e sentem que a oposição oficial não está nem aí para os seus interesses. Entretanto, nos níveis de inflação e desemprego projetados para o próximo ano, quando o grosso dos efeitos do “ajuste” surtirão, é possível e até provável que essa tremenda força hoje subterrânea levante-se, não para defender gregos ou troianos, mas sim seu emprego, seu pão e seu pedaço de terra.
Esse é o nosso lado, esses são os interesses que à autêntica esquerda cabe defender, radicalmente.
Estando ainda no governo ou na “oposição”, o PT e seus satélites estão já completamente desmoralizados para buscar dirigir, e conter, esse movimento de massas que se gesta, que teve nas jornadas de junho o seu ensaio geral. Isso não é pouco: pela primeira vez em trinta anos, o petismo, essa força anticomunista e antirrevolucionária por excelência, alheia a qualquer princípio que não seja aquele de preservar-se e preservar a velha ordem, perdeu sua hegemonia política, amplamente desastrosa para os operários, os camponeses, as mulheres trabalhadoras, os estudantes, etc. Como em toda América Latina, a belle époque dos partidos reformistas chega ao fim por aqui, abrindo caminho para novas forças classistas e combativas que já se forjam nas manifestações de rua e greves que pipocam País afora, assim como na secular luta pela terra dos camponeses e povos indígenas, que nunca deixou de ser implacavelmente reprimida por esse governo do “agronegócio”.
Dilma ainda não caiu, mas a época de ouro dessa falsa esquerda já ficou para trás. Que chorem as suas viúvas.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Rui Martins: "Essa não é a nossa esquerda!"

Segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Do Blogue Náufrago da Utopia 
Por Rui Martins
A tentação de permanecer no poder é sempre grande e estimula em alguns partidos a ideia de obter financiamentos ocultos e não declarados. [Caso do nosso] mensalão, pois o dinheiro recolhido tem só o objetivo de financiar o funcionamento do partido e suas campanhas eleitorais.
 
Já não se pode definir como financiamento de partido, quando certos políticos negociam facilidades e vantagens para certas empresas ganharem concorrências públicas, ficando com eles mesmos as propinas obtidas. É o caso do nosso petrolão.
 
[Em] países [como a Alemanha, o Canadá e a França] o onde têm ocorrido casos de corrupção, a Justiça tem toda liberdade de agir sem se criar no país um clima de crise institucional.
 
No Brasil, a descoberta do mensalão, solução encontrada para o PT governar mas até hoje negada pelo partido, quase provocou a queda do presidente Lula. O atual caso do petrolão, novamente negado contra todos os fatos pelo PT, estimula uma campanha contra o Judiciário, incompreensível para quem está de fora.
 
E acontece o inacreditável –a maioria dos processados corruptos é considerada vítima pelos próprios eleitores pobres petistas, manipulados para não verem que o rombo da corrupção nas empresas públicas vai custar caro para o Brasil e, indiretamente, para todos os contribuintes.
O cenário (...) tem tudo de uma ópera bufa ou palhaçada, tantos são os argumentos furados e esfarrapados utilizados pela direção petista para ludibriar seus seguidores. No caso atual, da prisão do senador Delcídio, chega a provocar risos a rapidez com a qual a direção petista tentou desvincular o senador corrupto do seu partido, mesmo sendo ele o líder da bancada petista no Senado.
 
Para a esquerda brasileira, esse festival de bandalheira que assola o país é, além de desolador, uma tragédia, porque o PT nascido com a estrela vermelha esquerdista vai estigmatizar, se já não estigmatizou, toda tentativa de esquerda para recolocar o país nas reformas sociais e dentro dos valores éticos normais.
 
"ESTÁ NA HORA DE TODAS AS ESQUERDAS SE UNIREM PARA 
DESMISTIFICAR A FARSA DECORRENTE DA MENTIRA ELEITORAL"
 
É também dramático porque os petistas, ao invés de cobrarem de seus dirigentes esse vergonhoso desvio, insistem em reafirmar sua confiança no partido, culpando a grande imprensa e a oposição, recusando todas as evidências de corrupção. Ou então justificam, afirmando ter sido a mesma coisa nos governos anteriores, numa inesperada perversão ética.

Outros dizem serem obrigados a desculpar tudo isso, em favor da plataforma de mudanças sociais feitas no país pelo PT. Houve realmente grandes avanços no Brasil em favor da grande parte da população antes excluída, mas o trabalho não foi concluído e com a virada econômica do atual governo, muita coisa pode se perder.
 
O Brasil viveu bons momentos nos últimos anos em grande parte pelas importações chinesas de nossas matérias primas. Entretanto, infelizmente o Brasil seguiu a velha cartilha e não aproveitou essa fase de progresso para desenvolver ou construir suas bases e estruturas industriais, satisfazendo-se com a euforia do consumismo proporcionado pelas ajudas sociais.
 
Infelizmente esse quadro internacional favorecendo exportações a bons preços acabou. Teremos muitos anos magros pela frente que poderão provocar agitações sociais e a esquerda, hoje estigmatizada pela corrupção, terá dificuldade para se afirmar junto ao povo. Só uma alternância no poder permitirá o processo de depuração necessário, para que a verdadeira esquerda surja com seus verdadeiros projetos sociais de mudanças.
 
Está na hora de todas as esquerdas brasileiras se unirem para desmistificar a farsa atual decorrente da mentira eleitoral. É inadmissível se justificar ou se continuar aceitando esse escandaloso acordo pelo qual Cunha não é cassado por corrupção para garantir não haver impeachment.

Essa dita esquerda que está aí não é a minha esquerda.
 
Que também não seja a sua!
 
Obs.: para adequar o texto do companheiro Rui Martins ao estilo (mais essencializado) do blogue, descartei os parágrafos iniciais e pequenos trechos dos restantes. Os interessados poderão acessar o texto integral aqui.

sábado, 10 de outubro de 2015

A verdade é revolucionária. O maniqueismo, uma muleta para simplórios e fanáticos

Sábado, 10 de outubro de 2015
Do Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
A crise de identidade dos 35 anos está sendo pior ainda...
Neste sábado (10) trouxe para cá um artigo magistral de Demétrio Magnoli, pelo qual muitos companheiros normalmente passariam batidos por puro preconceito. Dei-lhes a chance de conhecerem um dos mais eloquentes libelos já lançados contra a guerra ao terror de George Bush e toda a paranoia referente ao terrorismo.
Magnoli é um dos muitos críticos do petismo que estão longe de serem reacionários e/ou vendidos à direita, mas que ficaram com tal pecha graças à faina repulsiva dos assassinos de reputações.
Trata-se de uma das práticas mais chocantes de uma esquerda desvirtuada e aburguesada, que um dia pregou a revolução mas hoje se limita a buscar, manter e tentar expandir seus nacos de poder dentro do capitalismo, pois agora é movida pelo poder, só o poder e nada mais do que o poder; crava os dentes no osso com tal sofreguidão que até os trinca...
É por isto que em 2015 foi escorraçada das ruas; seu habitat natural hoje são os gabinetes luxuosos dos governos e a sede de entidades e sindicatos cada vez mais inócuos e domesticados.
Quanto mais a esquerda chapa branca se afasta da revolução, mais investe no maniqueísmo e na satanização para desqualificar seus críticos e opositores. Como na última campanha presidencial, quando desconstruiu Marina Silva com métodos de fazerem inveja a Joseph Goebbels, seu longínquo inspirador.
O grande guru da rede chapa branca 
Marina marchava para uma vitória inevitável, pois tinha tudo para chegar ao 2º turno, sepultando as chances de reeleição de Dilma Rousseff, já que os tucanos, fora do páreo, necessariamente despejariam seus votos na ex-seringueira. Então, os petistas transtornados com a perspectiva de perderem suas boquinhas e míopes a ponto de não perceberem que seria uma grande roubada governarem o país quando o grande capital exigia um devastador arrocho fiscal (e eles jamais ousariam deixar de atendê-lo!), optaram por desconstruírem-na a qualquer preço. 
Chegaram ao cúmulo de apontá-la como fantoche do Banco Itaú, apenas porque uma herdeira entediada da família proprietária lhe dava apoio, tanto quanto apoiara o candidato petista a prefeito (Fernando Haddad) na eleição anterior. Bastaria um pingo de honestidade e uma pesquisa de três minutos na internet para se constatar que a tal Neca Setúbal não apitava nada nas decisões do grupo, limitando-se a receber sua gorda mesada e gastá-la em cruzadas edificantes. [Paradoxalmente, seria Dilma quem comeria nas mãos do presidente do Banco Itaú, Luís Carlos Trabuco, a ponto de convidá-lo para ministro da Fazenda e, face à recusa, aceitar que ele indicasse para o posto um de seus funcionários menores, o inexpressivo Joaquim Levy].
Isto não impediu que, repetindo dia e noite esta e outras mentiras cabeludas (como a de que a autonomia do Banco Central fosse uma espécie de fim do mundo...), a central de guerra psicológica e desinformação petista acabasse por desviar de Marina votos de classe média em proporção suficiente para alijá-la do 2º turno, assegurando a reeleição de Dilma, seu impeachment vindouro e a destruição do PT, que talvez nunca mais eleja um presidente como consequência de sua extrema desmoralização em 2015. Mágica mais besta, impossível!
E o que foi que a Dilma e o Levy fizeram?!
É da mesma forma, embora com menos fúria homicida, que são tratados muitos intelectuais independentes, como Magnoli, que não rezam sempre pela cartilha petista nem se alinham em todas as questões com a direita. Nos bons tempos da esquerda civilizada, procurava-se atrair pessoas desse tipo, principalmente quando eram brilhantes, ao invés de hostilizá-las encarniçadamente, como se o desejável fosse atirá-las nos braços do inimigo.
Faço questão de registrar que alguns petistas andam incomodados com meus artigos I-N-D-E-P-E-N-D-E-N-T-E-S e começaram a postar comentários na mesma linha goebbelsliana. P. ex., um me acusou de copiar um reaça menor que eu nem sequer conhecia, não aceitou minha negativa, voltou à carga alegando que eu publicara uma imagem qualquer da Dilma que havia saído no blogue do dito cujo e novamente ignorou minha paciente explicação de que garimpo imagens no Google e nunca me interessei por sua proveniência, só por sua pertinência.
Como ele insistisse no seu delírio inicial, deixei de autorizar seus comentários, pois não vejo sentido nenhum em debater com quem quer me fazer passar por mentiroso. Não sou nenhum moleque, tenho uma trajetória de quase cinco décadas de luta contra a direita e seus porta-vozes.
Na esteira veio mais um fanático batendo na mesmíssima tecla e ainda botando outra ovelha negra na relação dos meus pseudos-inspiradores, o Olavo de Carvalho. Seria cômico se não fosse trágico pois, quando alguns esquerdistas fugiam covardemente dos reiterados desafios lançados pelo OC, fui eu que ergui a luva e polemizei com ele, provando que não passava de um tigre de papel (vide aqui).
A mim, jamais intimidarão! Muito menos recorrendo a tolices e chutes na virilha...
A esquerda precisa muito mais de militantes que de votantes
Sempre afirmei que deter presidências da República, para revolucionários, tem importância meramente TÁTICA, não sendo nem de longe para nós um objetivo ESTRATÉGICO.
Quando estão ajudando a alavancar a revolução, devem ser defendidas. Quando se tornam baluartes do neoliberalismo, que os banqueiros as defendam. É simples assim.
Se houver ameaça de tanques nas ruas, arriscarei novamente a vida para evitar outra ditadura. Mas, enquanto a coisa se mantiver nos marcos constitucionais, estarei priorizando é a reconstrução da esquerda, pois depois do tsunami teremos muito o que fazer, juntando os cacos e tentando reencontrar nosso caminho. 
Torço e darei minha melhor contribuição para que a esquerda extraia deste desastroso 2015 a lição de que precisa desesperadamente voltar às raízes, reassumindo suas bandeiras históricas e recolocando como objetivo supremo o fim do capitalismo e a construção de uma sociedade fundada na justiça social e na verdadeira liberdade.