Quarta, 2 de setembro de 2026
Brasil diverso: por que comemos tão pouco da nossa biodiversidade?
Quantos sabores brasileiros cabem no nosso prato e quantos nem chegam até nós? Em um país de enorme sociobiodiversidade, ainda comemos a partir de um repertório relativamente pequeno. Hoje, vamos olhar para o caminho entre território, feira, cozinha e mesa.
Do território ao prato: por que comemos tão pouco da sociobiodiversidade brasileira?
Quando pensamos em biodiversidade brasileira, é fácil imaginar florestas, rios e paisagens. Mas ela também está na comida: nos frutos do Cerrado, nas raízes cultivadas em diferentes territórios, nas folhas, sementes e preparações que atravessam gerações. Ainda assim, boa parte do que comemos todos os dias vem de um repertório bastante reduzido.
E isso não acontece simplesmente porque “esquecemos” outros sabores. O que chega à nossa mesa é resultado de um sistema agroalimentar inteiro: produção, transporte, distribuição, preço, publicidade, políticas públicas e disponibilidade nos locais onde compramos. Quando poucas cadeias concentram terra, créditos, logística e espaço nas prateleiras, também ajudam a definir quais alimentos ficam mais visíveis e quais quase desaparecem do nosso cotidiano.