Segunda, 22
de setembro de 2014
ENTREVISTA: Marina Silva
Da Agência Brasil
Edição: Lílian Beraldo
A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, não respondeu às perguntas enviadas pela Agência Brasil. O pedido de entrevista foi feito no dia 29 de agosto quando também foram enviadas, por e-mail, as perguntas para a assessoria da candidata.
A Agência Brasil
encaminhou as mesmas perguntas a todos os candidatos e deu as seguintes
opções para respondê-las: pessoalmente, por telefone ou por e-mail. Apesar dos insistentes pedidos, Marina Silva não atendeu à reportagem.
A
entrevista da candidata do PSB seria a primeira a ser publicada,
seguindo a ordem determinada em sorteio realizado pelo Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) para exibição do primeiro programa eleitoral para rádio
e TV e adotada pela Agência Brasil.
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A seguir a entrevista com Mauro Iasi, do PCB
Vitor Abdala –
Repórter da Agência Brasil
Mauro Iasi,
candidato do PCB à PresidênciaPCB/Divulgação
Historiador e professor da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), com mestrado e doutorado em sociologia, Mauro Iasi é o
candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB) à Presidência da República.
Entre suas propostas, destacam-se a adoção de um planejamento econômico com
controle estatal sobre setores estratégicos, como energia, saúde, educação e
transportes, a desoneração da renda do trabalhador e o aumento da tributação de
grandes fortunas e patrimônios.
O candidato também é contra a Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF) que, a seu ver, reduz a capacidade de investimentos públicos dos estados
e municípios. Para uma reforma política, Iasi defende uma assembleia
constituinte exclusiva, “eleita por critérios diferentes daqueles que hoje
elegem o Congresso e em consonância com a vontade popular”.
Confira, abaixo, algumas das propostas do candidato que
concedeu entrevista à Agência Brasil em sua casa, no Rio de Janeiro:
Agência Brasil:
As estimativas de inflação oficial pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor
Amplo) para o ano que vem estão em torno de 6,2%, próximo do teto da meta. Como
o senhor pretende atuar para conter o aumento de preços?
Mauro Iasi: No Brasil, as políticas anti-inflacionárias estão hoje
vinculadas ao chamado equilíbrio macroeconômico, e essa ficção, que é a chamada
inflação em torno da meta, é que o Banco Central administra. Nossa proposta é
retomar a ideia do planejamento econômico. O que temos hoje é uma economia de
mercado que funciona sem freios, e o governo tentando, a posteriori,
administrar os preços. Revertendo as privatizações, equacionando o problema da
dívida pública e com uma política de investimentos para pensar a economia, com
setores estratégicos controlados pelo Estado e pelos trabalhadores, teremos
como resultado o equilíbrio de preços. E não o inverso: uma economia sem freios
ou controle, tentando controlar os preços depois, o que resulta na situação
atual, em que o única meio de controlar preços é produzir políticas recessivas.
É preciso inverter essa lógica pela ideia de planejamento.
ABr: A redução
de impostos, que tem sido usada para estimular a economia, termina com impacto
nas contas públicas. Como manter o equilíbrio nessas contas sem reverter as
desonerações? Qual a sua proposta para aumentar a arrecadação sem causar
impacto na inflação?
Iasi: Em períodos eleitorais, a questão tributária no Brasil é analisada
sempre pela ótica da redução, mas, na realidade, esse tipo de política tem
distorções. Nessa política, 63,4% dos recursos arrecadados oneram os
trabalhadores, pelo consumo direto ou pela renda do trabalho. Apenas 4% vêm das
grandes fortunas. Muito menos do que isso vem, por exemplo, do Imposto
Territorial Rural. Há uma distorção na concepção tributária, em conflito com os
próprios princípios constitucionais, pelos quais o imposto tem de ser direto,
progressivo, e não como hoje ocorre. Temos uma desoneração, uma renúncia fiscal
muito grande como política de Estado, no que diz respeito às indústrias
automobilística e de eletroeletrônicos, o que consideramos algo muito perverso,
pois são setores altamente lucrativos. Não são setores que tiveram dificuldades
para manter as taxas de lucro no período – o que ocorre é uma intensa remessa
de lucros. Essas empresas arrecadam lucros exorbitantes e os remetem para fora,
mas, no momento da crise, elas chantageiam o governo para manter os níveis de
emprego, exigindo, portanto, renúncia fiscal. Para nós, é prioridade da
política tributária a desoneração da renda do trabalho.