Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Na Pátria Educadora, PM contra professores e estudantes; ato em frente ao MEC termina em confusão, pancadaria e gás de pimenta

Segunda, 5 de outubro de 2015 
Tranquilidade antes da confusão com a PM.
As fotos acima foram cedidas por colaborador do Gama Livre
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Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil
Ato de professores universitários e estudantes em defesa da educação pública em frente ao Ministério da Educação (MEC) hoje (5) terminou em confusão com a polícia. Um estudante foi preso, acusado de pichar a lateral do prédio do ministério. A polícia usou spray de pimenta para dispersar o grupo que tentou protegê-lo.
O ato foi organizado pelo Comando Nacional de Greve dos docentes federais do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino (Andes-SN) e, segundo a organização, reuniu, desde o início, às 9h, cerca de 400 pessoas. O conflito com a Polícia Militar do Distrito Federal, ocorreu após o final das aulas públicas e apresentações, à tarde, quando o grupo já se dispersava e menos de 50 pessoas permaneciam na área em frente ao MEC.
"A polícia identificou um aluno que teria pichado o prédio e veio, de forma truculenta, com um número muito grande de policiais cercando o grupo", disse a professora da Universidade Federal Fluminense Paula Kapp, integrante do Comando Nacional de Greve. Segundo Paula, a polícia tentou prender o estudante, dizendo que achava que ele era culpado. Com a falta de certeza, o grupo o protegeu.
"Vieram com cassetete, gás de pimenta, um aluno saiu com a nuca sangrando. Avaliamos que houve excesso de violência, que a polícia não dialogou com um grupo extremamente pacífico", afirmou a professora.
O estudante foi preso e, como o prédio que ele teria pichado é sede de um órgão federal, encaminhado à Polícia Federal. O major Janisson Mariano da Silva disse que recebeu filmagens do ato da pichação e que, identificando o culpado, cumpriu o dever de prendê-lo. "Na hora em que a gente foi fazer a prisão, fizeram um círculo para proteger o cidadão e tomaram o cassetete do sargento". O major Silva negou que tenha havido excesso de violência e disse que não viu os policiais usando cassetetes.
Professores das universidades federais estão em greve há cerca de quatro meses. Há duas semanas, professores e estudantes em greve ocuparam o andar do gabinete do então ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. Hoje Aloizio Mercadante tomou posse, retomando o comando da pasta.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

STF determina abertura de inquéritos com relação a Aloysio Nunes e Aloizio Mercadante


Terça, 22 de setembro de 2015
Do STF
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de inquéritos contra o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. A investigação foi aberta a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para apurar o envolvimento das autoridades em possível crime eleitoral de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Ao determinar a abertura dos inquéritos, o decano da Corte destacou pontos relevantes sobre a investigação criminal.
Colaboração premiada
Quanto à utilização do instituto da colaboração premiada, o ministro Celso de Mello destacou que “o Supremo Tribunal Federal tem admitido a utilização do instituto da colaboração premiada, ressalvando, no entanto, bem antes do advento da Lei nº 12.850/2013 (art. 4º, parágrafo 16), que nenhuma condenação penal poderá ter por único fundamento as declarações do agente colaborador”. Ressaltou ainda, que “o legislador brasileiro procurou neutralizar, em favor de quem sofre a imputação emanada de agente colaborador, os mesmos efeitos perversos da denunciação caluniosa revelados, na experiência italiana, pelo “Caso Enzo Tortora” (na década de 80), de que resultou clamoroso erro judiciário, porque se tratava de pessoa inocente, injustamente delatada por membros de uma organização criminosa napolitana (“Nuova Camorra Organizzata”) que, a pretexto de cooperarem com a Justiça (e de, assim, obterem os benefícios legais correspondentes), falsamente incriminaram Enzo Tortora, então conhecido apresentador de programa de sucesso na RAI (“Portobello”)”.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

STF decide nesta terça (15/9) se abre investigação contra Mercadante e Aloysio Nunes

Segunda, 14 de setembro de 2014
André Richter - Repórter da Agência Brasil
Um dos delatores da Operação Lava Jato, o empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, disse, em um de seus depoimentos à força-tarefa de investigadores do Ministério Público Federal (MPF), que doações de campanha para o ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante e para o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) em 2010 foram acertadas pessoalmente. Os termos do depoimento estão sendo analisados pelo ministro Celso de Mello, que deve decidir amanhã (15) se abre inquérito contra os dois.
O pedido de investigação dos dois foi enviado ao ministro Celso de Mello porque o MPF entende que as acusações de Pessoa relativas a Mercadante e a Nunes não estão inseridas no âmbito da Lava Jato, mas teriam implicações na legislação eleitoral.
No depoimento, Pessoa relata duas doações, uma oficial e outra em espécie, para a campanha de Mercadante ao governo de São Paulo em 2010. Segundo ele, os pagamentos foram acertados na casa do ministro e na presença do então coordenador de sua campanha, Emídio Pereira de Souza, e do presidente da Constran, empresa ligada à UTC, João Santana.

domingo, 4 de março de 2012

Como Aloizio Mercadante chegou a Doutor

Domingo, 4 de fevereiro de 2012
Da revista Época

Louvor e distinção

Como o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, obteve o título de doutor em ciências econômicas pela Universidade de Campinas

LUIZ MAKLOUF CARVALHO
A TESE  Aloizio Mercadante no dia de sua defesa na Unicamp. “Minha apresentação foi marcada por intenso e acalorado debate. Mas, ao final, foi aplaudida de pé pelo plenário”, disse  (Foto: Luis Cleber/AE)

Capítulo 1
EM QUE SE NARRA UM RETORNO TRIUNFAL À CARREIRA ACADÊMICA


"Se fosse pelos critérios de antigamente, seria aprovado com distinção e louvor”, disse ao novo doutor em ciências econômicas o então diretor do Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Mariano Francisco Laplane. Era sexta-feira, 17 de dezembro de 2010. Umas 150 pessoas lotavam o auditório do IE, no campus de Barão Geraldo, em Campinas, para assistir à defesa de tese do então senador, já indicado ministro da Ciência e Tecnologia do governo Dilma Rousseff, e hoje ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Antes de conceder-lhe o título de doutor, a banca – formada pelos professores doutores Delfim Netto, Luiz Carlos Bresser Pereira, Ricardo Abramovay e João Manuel Cardoso de Mello – o arguiu por três horas e meia.
A tese, de 537 páginas, chama-se As bases do Novo Desenvolvimentismo no Brasil: análise do governo Lula (2003-2010). Nas palavras do autor: “O ponto fulcral desta tese é que o Brasil, ao longo do governo Lula, começou a construir um Novo Desenvolvimentismo, um novo padrão de desenvolvimento substancialmente distinto tanto do neoliberalismo quanto do antigo nacional-desenvolvimentismo predominante no passado”.

O sociólogo Mariano Laplane foi um dos principais responsáveis pela volta de Mercadante à Unicamp, como aluno de pós-graduação, mais de uma década depois de ele ter abandonado os estudos acadêmicos em prol da política. Sua readmissão foi aceita em março de 2010, a pedido de Laplane, por uma comissão de pós-graduação do Instituto de Economia. Professor licenciado do IE e amigo de Laplane, Mercadante era senador, líder da bancada do PT no Senado e candidato a governador de São Paulo. Estava afastado da universidade havia 12 anos – mais precisamente desde 1998, quando, eleito para o segundo mandato de deputado federal, abandonara um doutorado iniciado em 1995, sob a orientação da professora Maria da Conceição Tavares. Em 2001, quando venceu o prazo de seis anos para concluí-lo, sua matrícula foi cancelada. A Unicamp permite, excepcionalmente, que qualquer pós-graduando nessa condição possa ser readmitido, desde que cumpra regras regimentais específicas.

Convidadíssima para a banca, Maria da Conceição, a primeira orientadora do doutorado de Mercadante, não foi. Mandou uma carta, que Laplane leu: “Estou prostrada com uma forte gripe. Você não sabe como isso me dói, pois o considero meu discípulo e amigo dileto. Diga à banca que acho a tese muito boa e informativa, além de considerar extremamente importante o debate sobre o novo estilo de desenvolvimento, com eixo no social”. Substituiu-a, de última hora, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Ricardo Abramovay. É outro amigo de Mercadante e pai do advogado Pedro Abramovay, que comandou a Secretaria Nacional Antidrogas no governo Lula e foi, mais de uma vez, ministro interino da Justiça.

Naquela sexta-feira, o senador e futuro ministro candidato a doutor ocupava uma mesa lateral, à direita da comissão examinadora. Usava bigodão, blazer azul-marinho e camisa branca, sem gravata. Aos 56 anos, parecia feliz, confortável e tranquilo. Cada membro da banca tinha o seu massudo exemplar de As bases do Novo Desenvolvimentismo no Brasil: análise do governo Lula (2003-2010). Faltavam 13 dias para o segundo governo Lula acabar.

Na hora da arguição, Delfim Netto, por ser o mais velho, foi o primeiro a quem Laplane passou a palavra. Professor doutor aposentado da prestigiada Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Delfim, ministro da Fazenda durante a ditadura, tem se mostrado um fã público dos governos petistas, interlocutor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega – além de um velho amigo de Mercadante, desses de dar conselhos políticos em momentos cruciais. Depois dos elogios de praxe, como “profissional absolutamente brilhante”, Delfim atacou a ideia central da tese: que os governos Lula representaram uma mudança no paradigma de desenvolvimento do Brasil. “O que o Lula fez, na verdade, não foi uma mudança, não foi a construção de um novo paradigma”, disse Delfim. “Ele simplesmente aprofundou aquilo que precisa ser aprofundado e que já está dentro da Constituição de 1988. Foi muito bem feito e não vou discutir, porque nunca brigo com os fatos.”

sábado, 18 de junho de 2011

Mercadante e Quércia encabeçaram Aloprados, mostra reportagem de VEJA

Sábado, 18 de junho de 2011
Deu na Veja 
Escândalo dos Aloprados

Petista Expedito Veloso quebra pacto de silêncio e revela quem foram os mentores e os arrecadadores do dinheiro que financiaria uma das maiores fraudes eleitorais da história brasileira

Em 2006, às vésperas do primeiro turno das eleições, a Polícia Federal prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com 1,7 milhão de reais. O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos que ligariam o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde. O episódio ficou conhecido com escândalo do Dossiê dos Aloprados.


Nas investigações sobre o caso, a PF colheu 51 depoimentos, realizou 28 diligências, ordenou cinco prisões temporárias, quebrou o sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, mas não chegou a lugar algum. Reportagem de VEJA desta semana desvenda o mistério cinco anos depois. A revista teve acesso às gravações de conversas de um dos acusados do crime, o bancário Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal. Procurado pela reportagem, Expedito confirmou o teor das conversas, ao mesmo tempo em que se mostrou surpreso com o fato de terem sido gravadas. "Era um desabafo dirigido a colegas do partido", disse.


VEJA demonstra que o mentor e principal beneficiário da farsa foi o ex-senador e atual ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante. Não é a primeira vez que o nome do ministro surge na investigação. A PF chegou a indiciá-lo por considerar que era o único beneficiado pelo esquema. Mas a acusação acabou anulada por falta de provas. "Agora surgem elementos mais do que concretos para esclarecer de uma vez  por todas a verdade sobre o caso", diz a reportagem.


Em seu "desabafo", Expedito conta que o ministro e o PT apostavam que a estratégia de envolver Serra num escândalo lhes garantiria os votos necessários para que Mercadante conquistasse o governado de São Paulo. Ele explica ainda que a compra do dossiê foi financiada por dinheiro do caixa dois da campanha petista e ainda, de maneira inusitada, pelo então candidato do PMDB ao governo paulista, Orestes Quércia. “Os dois (Mercadante e Quércia) fizeram essa parceria, inclusive financeira”, revela o bancário. “Parte vinha do PT de São Paulo. A mais significativa que eu sei era do Quércia.” Tratava-se de um pacto. “Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo.” Procurado por VEJA, o ministro Mercadante não quis comentar o episódio.


VEJA mostra ainda que a investida dos aloprados contra Serra não foi a primeira. Esquema semelhante já havia sido testado anteriormente - dessa vez com sucesso - em Mato Grosso. E nem os próprios petistas a bruxaria poupou: quando candidata ao governo matogrossense, a atual senadora Serys Slhessarenko, do PT, foi abatida por um dossiê fabricado e divulgado pelos aloprados.