“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Sul Global: o desafio da reindustrialização

Quarta, 23 de setembro de 2026


Sul Global: o desafio da reindustrialização

Há caminhos para resgatar economias reprimarizadas, trabalho precário e atraso. Requerem ecossistema de empresas públicas, planejamento, quebra de patentes e integração Sul-Sul. Com o Estado à frente – ao contrário do que quer a ultradireita

OutrasPalavras                       Descolonizações
Publicado no OutrasPalavras em 22/09/2026 

Por Vijay Prashd, no Tricontinental | Tradução: Lucas Scatolini

Durante 40 anos, os países do Sul Global ouviram que o planejamento econômico era desnecessário. O Estado deveria recuar, as tarifas deveriam cair, as empresas públicas deveriam ser privatizadas e os investimentos deveriam ser confiados àqueles que movimentam dinheiro através das fronteiras à velocidade de um toque no teclado.

O desenvolvimento viria por meio da vantagem comparativa: cada país deveria vender aquilo que já possuía e comprar aquilo que os outros haviam aprendido a produzir.

O resultado é visível de Harare a Jacarta. Países ricos em minerais, terras férteis e trabalhadores jovens continuam presos à extremidade menos rentável das cadeias globais de valor, exportando matérias-primas enquanto importam os produtos de maior valor agregado fabricados a partir delas.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

As novas faces da oligarquia brasileira


Quinta, 16 de abril de 2026

As novas faces da oligarquia brasileira

Estamos sob o neopatrimonialismo. Antigos favores do Estado deram lugar à captura em massa da riqueza pública por juros, privatizações, concessões e PPPs. O rentista “moderno” substituiu o senhor – mas sob seu domínio, o país regrediu como nunca

OUTRASPALAVRAS                           Crise Brasileira


Título original:
Neopatrimonialismo e os donos do poder no Brasil contemporâneo

O problema do Brasil contemporâneo não é a mera sobrevivência do patrimonialismo arcaico. O que se consolidou nas últimas décadas de dominância neoliberal foi algo mais sofisticado na reconfiguração dos donos do poder e, por isso mesmo, mais difícil de combater pela consolidação do neopatrimonialismo.

Em vez da apropriação direta e visível do Estado por uma casa senhorial, como no tipo ideal de dominação patrimonial formulado por Max Weber, o que se observa hoje no Brasil é a captura do público por interesses privados sob a linguagem da técnica, da austeridade, da governança e da responsabilidade fiscal. Em Weber, o patrimonialismo designa uma forma de dominação baseada na ausência de separação clara entre o patrimônio do governante e os bens da administração pública. O mando político, nesse caso, organiza-se pela lógica doméstica da fidelidade pessoal.