Quinta, 3 de fevereiro de 2022

Abraji*
Pedro Teixeira
Ministro da Saúde veta reportariado em “coletivas” sem aviso prévio
No dia do anúncio da inclusão da Coronavac no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 para o público de 6 a 17 anos de idade (21.jan.2022), os repórteres que estavam no saguão do Ministério da Saúde foram chamados às 18h30 a participar de uma coletiva. Em seguida, esses jornalistas começaram a avisar outros colegas de profissão que não estavam ali nem teriam a oportunidade de saber do evento até então. Até enviar um aviso às 18h54, em grupo fechado do Telegram, dois minutos após a transmissão ter sido iniciada no Facebook, a pasta não havia informado se o pronunciamento seria transmitido nas redes sociais.
O episódio não foi o único nem o primeiro. Em meio ao alastramento da variante ômicron - com 1,3 milhão de casos registrados no país na última semana, o maior número computado para sete dias -, ao debate sobre a vacinação infantil e ao apagão de dados epidemiológicos que durou 35 dias, seis repórteres relataram à Abraji dificuldade na cobertura do combate do Ministério da Saúde à pandemia de covid-19.
De acordo com os depoimentos, os avisos de coletiva têm sido feitos em cima da hora desde dez.2021, em ao menos quatro situações, quando estavam em pauta assuntos de grande interesse público, como o ataque hacker ao Ministério da Saúde e o debate da imunização de crianças. Os profissionais pediram para ter suas identidades resguardadas para evitar represálias a sua atuação profissional.
Em alguns dos eventos, o Ministério limita a audiência a cinegrafistas e repórteres cinematográficos, sob alegação de prevenção sanitária contra a covid-19. Mesmo nas ocasiões em que a participação de jornalistas é permitida, não é possível fazer perguntas ao ministro Marcelo Queiroga.
