Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Canomama: Remadoras de Brasília festejam a vida numa canoa

Sexta, 4 de agosto de 2024


Sobreviventes do câncer de mama praticam esporte para fortalecer corpo e mente nas águas do Lago Paranoá

Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna
Por Márcia Turcato. Fotos do acervo Canomama

Mulheres determinadas são inabaláveis. Quando elas são várias, se tornam imbatíveis. Larissa Lima, presidenta da Associação Canomama de Saúde, Esporte e Cultura do Distrito Federal, e que fundou a entidade em 2015, mobiliza 56 mulheres em torno de uma atividade lúdica, a canoagem. Todas elas são sobreviventes do câncer de mama. Algumas se submeteram a mastectomia em uma mama, outras nas duas.

O grupo de Brasília, pioneiro no Brasil, integra a iniciativa Remadoras Rosa que, por sua vez, faz parte de uma ação internacional com sede na Nova Zelândia, a International Breast Cancer Paddlers. As participantes da atividade praticam a canoagem em um modelo chinês, o Dragon Boat, recomendado para mulheres que tiveram câncer de mama pelo médico canadense Donald Mckenzie, especialista em Medicina Esportiva e titular da Universidade British Columbia.

Os estudos do médico, iniciados em 1996, comprovam os benefícios da prática de exercício dos membros superiores, proporcionados pela canoagem. A remada melhora o fluxo linfático e previne o desenvolvimento de linfedema, inchaço nos tecidos do organismo, que podem provocar restrição de movimentos. Todos os estudos foram realizados pensando no Dragon Boat.

Ao escolher esse tipo de embarcação, o médico levou em conta uma canoa que pudesse incluir o maior número de limitações causadas pelo câncer às mulheres, e o único barco que atende esse requisito é o Dragon, porque permite que as mulheres remem para um lado somente, e tem uma tocadora de tambor e um lemista, ou seja, quem tem limitação de um lado rema de outro e quem tem limitação dos dois lados pode tocar o tambor ou fazer o leme da embarcação. Não há troca de lado de remo como é usual na canoa polinésia.

domingo, 9 de abril de 2023

Uma breve história das cidades-satélites de Brasília

Domingo, 9 de abril de 2023

Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

Em 1958, um ano depois do concurso, a companhia urbanizadora, Novacap, inicia então o reassentamento das famílias da Cidade Livre para Taguatinga, a primeira cidade-satélite oficializada. Localizada a 25 quilômetros de Brasília, estava prevista em projeto, mas teve sua construção adiantada devido à urgência da questão populacional. A justificativa de deslocamento era proporcionar àqueles que construiriam a capital a posse de um terreno, garantindo-lhes bem-estar social e condições de moradia mais dignas. Assim, antes mesmo do surgimento de Brasília, instaura-se a cidade de Taguatinga, de maneira precária, improvisada e rápida.


Por Helena Tourinho, publicado originalmente em ArchDaily

A construção de Brasília é um feito relevante em termos históricos e arquitetônicos. Para o movimento moderno brasileiro, consagrou definitivamente os nomes de Lucio Costa e Oscar Niemeyer como seus maiores representantes, e erigiu a cidade modernista para ser colocada à prova como a nova ordem urbana. Contudo, a cidade não surgiu sozinha, e nem completamente utópica, moderna e modernizante. Veio acompanhada de cidades vizinhas, entre planejadas e orgânicas, construídas simultaneamente à nova capital.

Enquanto se organizava o concurso para definir a proposta arquitetônica que desenharia a nova capital, em 1956, a quantidade de migrantes que chegavam ao planalto em busca de emprego e melhores condições de vida crescia rapidamente. Sem estrutura urbana que os recebesse, os chamados “candangos” passaram a construir acampamentos improvisados e irregulares em torno dos locais de construção. A Cidade Livre, um complexo de comércio e serviço a aproximadamente 12 quilômetros de onde seria o Plano Piloto, servia de apoio à construção de Brasília, e passou a crescer orgânica e aceleradamente com o aumento demográfico da região.
No PLano Piloto, placas de madeira indicavam a direção dos canteiros de obra se valendo do patrocinador da construção. A maioria, institutos de previdência.

Em 1958, um ano depois do concurso, a companhia urbanizadora, Novacap, inicia então o reassentamento das famílias da Cidade Livre para Taguatinga, a primeira cidade-satélite oficializada.

Localizada a 25 quilômetros de Brasília, estava prevista em projeto, mas teve sua construção adiantada devido à urgência da questão populacional. A justificativa de deslocamento era proporcionar àqueles que construiriam a capital a posse de um terreno, garantindo-lhes bem-estar social e condições de moradia mais dignas.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Brasília não é óbvia quando percorrida a pé

Sexta, 9 de dezembro de 2022

Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

“Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, veem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia — minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto.” — Clarice Lispector


Por Leticia Sabino, publicado originalmente em ArchDaily

Em 2020, Brasília completou 60 anos. O aniversário quase me escapou, mas, em tempos de isolamento, lembrei-me das caminhadas que tive oportunidade de fazer por lá no ano passado e que me despertaram para o belo, o não belo, e também para o “não óbvio” da famosa cidade modernista. Dito isso, compartilho aqui o meu espanto ao percorrer a pé a cidade-máquina.

Brasília é muito conhecida por seu eixo monumental, obras arquitetônicas de Niemeyer, suas rodovias urbanas e os poderes afastados da população. Ao partir dessa ideia, fui surpreendida positiva e negativamente quando caminhava pelo Plano Piloto, pois, além de tudo isso e de todo imaginário construído, há muitas coisas de Brasília que não são contadas, talvez porque pouco se percorra a pé.

Catedral Metropolitana de Brasília. Foto de Chico Sant’Anna

Caminhar em Brasília

Toda e todo urbanista, amante de cidades, pessoa interessada em práticas urbanas deve (re)conhecer Brasília a pé. Não devem fazê-lo com a ideia já formatada de que a cidade modernista sonhada por Le Corbusier e realizada por Lúcio Costa não funciona. Sim, ela exclui, segrega e idolatra os carros. Porém, é preciso se propor a caminhar por ela de forma atenta, curiosa e sem preconceitos para entender o que oferece, além do óbvio.

“Mas, é possível caminhar em Brasília?”, você pode estar se perguntando. Minha resposta é: em muitos lugares sim, totalmente, e ao fazê-lo só consegue pensar “por quê não há mais pessoas caminhando?”, enquanto em outros como, por exemplo, na árdua tarefa de atravessar os eixos e “vias” (que percorrem as asas de norte a sul) só com muita raiva da barreira que elas são e tendo que se expor a diversos riscos. No eixo monumental há momentos de felicidade com as mangueiras seguidas de muita indignação com as ideias Niemeyerianas sob o sol do cerrado.

Leia a íntegra

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Ensaio Sobre “Cegueira”. . .Tributária: Discurso e Realidade!

Segunda, 11 de abril de 2022

A PEC 110 é farta em fusão de tributos. O ICMS (estadual) se funde com o ISS (municipal). As Contribuições PIS e Cofins (ambas federais) se fundem. Casamentos indesejáveis, essas fusões são mera redução do número de tributos, mas não resultam em melhoria da qualidade sistêmica, em redução de carga tributária e em simplificação. Em todos esses casos a elevação da carga tributária — sobretudo para o setor de serviços — é inevitável

Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

Por Roberto Nogueira Ferreira*

Reforma Tributária é uma expressão que progressivamente foi se perdendo nas últimas décadas até cair em descrédito. Tornou-se componente de promessas políticas com ares de ingenuidade, falsidade e demagógico entusiasmo. Até no meio empresarial o discurso de uma reforma profunda, modernizante, estruturante, foi substituído pela eloqüência do silêncio de ganhos pontuais e subsídios que beneficiam alguns, desconsideram muitos e deixam uma conta a ser paga por todos, com raríssimas exceções.

Permeando essa realidade, o avanço tecnológico pôs fim às fronteiras geográficas, para o bem e para o mal. Sem sair de casa é possível comprar em qualquer parte do mundo. E os tributos? No caso, se pode dizer que os tributos são apenas um detalhe. Redes atacadistas e varejistas nacionais reclamam, com razão, desse passeio internacional não tributado. Mas elas também invadem o espaço interno a partir de suas bases, alcançam todo o País, impondo derrotas aos pequenos e médios comerciantes locais. E os tributos? No caso, também, continuam a ser meros detalhes.