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(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

DÉFICIT NA EDUCAÇÃO —Mães e crianças ficam vulneráveis com a falta de vaga em creches no DF

Segunda, 27 de novembro de 2023
Movimento critica déficit de 16 mil vagas e aponta que problema retira mulheres do mercado de trabalho


Fernanda Braga, de 28 anos, teve seus filhos gêmeos separados na seleção para creche - Acervo pessoal/Reprodução

Camila Araujo
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 27 de Novembro de 2023

A falta de vagas em creches no Distrito Federal (DF) deixa mães e crianças em situação de vulnerabilidade e tem retirado mulheres do mercado de trabalho. Esse é o caso da recém-formada psicóloga Fernanda Braga, de 28 anos, que é mãe do Miguel, de 3 anos, e dos gêmeos Jorge e Lorenzo, de 1 ano e 7 meses.

Ao pleitear duas vagas para os mais novos, em um local perto de sua casa, a moradora da Ceilândia conta que o sistema distrital separou os gêmeos, colocando as crianças em creches separadas, com 4,5 km de distância uma da outra. A Lei 13.845/19 garante que irmãos da mesma etapa ou ciclo de ensino da educação básica estejam na mesma escola, e que esta seja próxima da residência familiar.

Sem condições de levar Lorenzo para a creche que lhe foi correspondida, ela afirma que deixou de trabalhar para ficar com o filho. “Esse ano todo o Jorge foi para a educação infantil e o Lorenzo não. Eu não pude e não consegui trabalhar, e fiquei com meu filho. Estou parada em casa desde então”, comenta.

No sistema distrital de educação infantil, os procedimentos para preenchimento de vagas são os seguintes: a pré-inscrição, a validação, a classificação, o encaminhamento e a matrícula. Nesse processo, mãe, pai ou responsável interessados na vaga deve telefonar para Central Única de Atendimento Telefônico (no número 156) e entregar uma papelada com nove documentos à Coordenação Regional de Ensino.

A classificação é definida a partir dos critérios “renda familiar”, “mãe trabalhadora”, “família de baixa renda”, “medida protetiva”, “risco nutricional”, “mãe adolescente” e “tempo de inscrição”. Cada um dos critérios têm especificações que correspondem a uma pontuação.

É nesta etapa que um “ranking” com as pontuações dos inscritos é definido. E foi essa lista classificatória que separou os meninos: um ficou em 12º colocado, ocupando uma vaga no Centro de Educação da Primeira Infância Flor de Pequi. E o outro na sequência, em 13º, e acabou classificado para uma instituição que fica no sentido oposto da casa de Fernanda, dentro da mesma região administrativa.

“A creche para mães que não têm rede de apoio é a maior rede de apoio que existe. Quando consegui colocar Miguel na educação infantil, a creche foi minha salvação e as pessoas que trabalhavam naquela instituição foram uma rede de apoio”, explica Fernanda.

Hilma Santana do Nascimento, de 37 anos, vive uma situação parecida. Mãe de uma menina de 2 anos e quatro meses, ela conta que aguarda uma vaga para a filha desde que a menina tinha 6 meses. “A falta de creche para minha filha dificulta minha vida, fica muito difícil poder trabalhar. Se eu tivesse a vaga, poderia trabalhar com emprego formal, atualmente estou informal”, comenta a moradora de Sobradinho.

Hilma Santana está na espera para uma vaga na creche para sua filha há quase dois anos / Acervo pessoal/Reprodução