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(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Butler vê o sentido global da vitória de Lula

Segunda, 26 de outubro de 2026

Butler vê o sentido global da vitória de Lula

Brasil pode ser decisivo contra o colonialismo recrudescido de Trump, diz filósofa. Virada expressa mesmo desejo de futuro que move juventude na Europa, e revela a importância de buscar formas de democracia além das instituições e do liberalismo

OutrasPalavras                                        Pós-Capitalismo

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Judith Butler não sabia quem venceria as eleições brasileiras quando esta entrevista foi gravada. Ninguém sabia. Eram onze da manhã de domingo no Rio de Janeiro, 15h em Florença, e faltavam seis horas para o fechamento das seções no horário então previsto. A conversa durou 45 minutos, e nenhuma das onze respostas se protegeu atrás do futuro do pretérito.

A filósofa que desafia as concepções essencialistas de corpo, gênero e sexo – mas o faz em constante diálogo com as ideias do socialismo – frisou a importância internacional da então incerta vitória de Lula. Argumentou que um triunfo da ultradireita significaria medo permanente para a esquerda brasileira, as favelas, os corpos das mulheres e dos trans. Mas lembrou: o “neo”-fascismo cresce em todo o Ocidente. A mesma insegurança vitima os imigrantes nos Estados Unidos. E agora até os adolescentes que saem às ruas pelo Comum, na França e Itália, enfrentam os cassetetes e o gás lacrimogênio da polícia, interessada em produzir violência. Por isso, o fato de mobilizações sociais potentes abrirem uma alternativa, num país relevante como o Brasil, tem relevo mais amplo.