Sexta, 23 de janeiro de 2026
Especialistas dissecam ação dos EUA na Venezuela
Em sua Doutrina de Segurança Nacional, Trump reforçou indiferença à soberania dos países, tratados como uma extensão de seu território
Publicado em 16/01/2026

Manifestação em frente ao consulado dos EUA em São Paulo no dia 5 de janeiro Foto – Paulo Pinto\Agência Brasil
A operação militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no sábado, 3 de janeiro, abriu um perigoso precedente na América do Sul. Para especialistas ouvidos pelo Jornal da Unicamp, os Estados Unidos estão em busca de “disciplinar governos” na região, e a Venezuela foi a primeira pedra do dominó de uma partida geopolítica calcada na renovação de objetivos imperialistas.
“A Doutrina de Segurança Nacional, divulgada em novembro passado pelo governo de Donald Trump, já atualizava em teoria suas preocupações com o avanço dos imperialismos na região, mas, a partir de agora, os temores certamente chegam a um novo patamar”, afirma Josianne Cerasoli, professora do departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp.
Vale destacar, segundo ela, que a Doutrina de Segurança se refere, em tom de ameaça, ao destino imaginado para o que denomina Hemisfério Ocidental. “A escolha que todos os países devem enfrentar é se querem viver em um mundo liderado pelos Estados Unidos, com países soberanos e economias livres, ou em um mundo paralelo, no qual são influenciados por países do outro lado do mundo,” diz trecho do documento.

