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(Millôr Fernandes)
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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Nise da Silveira: a mulher que revolucionou o tratamento mental por meio da arte

Sábado, 16 de fevereiro de 2019

Foto: Centro Cultural da Saúde/Ministério da Saúde
15/02/2019
 Do
https://saude-popular.org

Com terapia ocupacional, psiquiatra alagoana enxergou potencial de pacientes com estigma da loucura


Neste período em que revivemos discussões sobre reabertura de manicômios, inclusive para crianças, abstinência como método único de tratamento para pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas, e outras terapias polêmicas, como a eletroconvulsoterapia no Sistema Único de Saúde, revisitamos fragmentos da história e do trabalho realizado pela psiquiatra Nise da Silveira, por meio da reportagem publicada em 2018, pelo Brasil de Fato.

Por Emilly Dulce, para o Brasil de Fato
Já dizia Machado de Assis que “De médico e louco todo mundo tem um pouco”. O ditado ficou famoso pelo livro O Alienista, de 1882, que faz um debate sobre a loucura. Uma frase parecida é da nordestina Nise da Silveira, grande admiradora do autor brasileiro: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas.”
Nise Magalhães da Silveira nasceu em 1905 e ajudou a escrever e revolucionar a história da psiquiatria no Brasil e no mundo. Nascida em Maceió, Alagoas, ela ficou conhecida por humanizar o tratamento psiquiátrico e era contrária às formas agressivas usadas em sua época, como o eletrochoque.
De uma inteligência rara e inquietação gigantesca, Nise também inspirou quem conviveu com ela, como é o caso de Gonzaga Leal, artista e terapeuta ocupacional. Ele foi amigo pessoal da alagoana e afirma que “estar junto dela era objeto de amor”. “A Nise, para mim, é uma grande inspiração. Ela era uma mulher de uma cultura muito superior e de uma curiosidade absurda; uma mulher que, como ela dizia, era um Lampião, no melhor sentido da coragem, de ser destemida e, além de tudo, uma nordestina; uma mulher que andava de braços colados com o seu desejo.”
Gonzaga Leal e Nise da Silveira/Arquivo Pessoal Gonzaga Leal