Em Davos, império, arrogância e… declínio
Brutalidade de Trump choca, mas não é raio em céu azul. Por décadas, mundo das corporações sequestrou a riqueza coletiva e zombou da democracia e dos direitos. Resultado: um sistema arcaico e cada vez mais indesejado, mas em crise aguda
OutrasPalavras Crise Civilizatória
Por Mariana Mazzucato
Publicado 21/01/2026

Por Mariana Mazzucato | Tradução: Antonio Martins
Enquanto o Fórum Econômico Mundial (FEM) se reúne em Davos sob o lema “Um Espírito de Diálogo”, os Estados Unidos assumiram o controle da infraestrutura petrolífera da Venezuela, instalando o que o presidente Donald Trump chama de administração norte-americana “indefinida” das reservas de petróleo do país, ao mesmo tempo que chantageiam países europeus com sua exigência pela Groenlândia. A desconexão entre o apelo do FEM ao diálogo e a agressão unilateral norte-americana é, no mínimo, chocante.
A intervenção dos EUA na América Latina pode estar assumindo novas formas, mas a apropriação da infraestrutura petrolífera ecoa antigas apropriações de recursos. Enquanto os participantes de Davos analisam as nuances do “capitalismo de partes interessadas” [stakeholder capitalism], as antigas regras da política de poder e da extração de recursos estão sendo ativadas novamente.
Em 2019, o historiador holandês Rutger Bregman desvendou o espetáculo de Davos com precisão cirúrgica: “Impostos, impostos, impostos. Todo o resto é conversa fiada.” Com essas nove palavras, ele expôs o abismo entre a retórica e a realidade, entre a linguagem da prosperidade compartilhada e a prática da concentração de riqueza.
Manifestantes protestam durante os trabalhos do Fórum Econômico de Davos
Por Mariana Mazzucato | Tradução: Antonio Martins
Enquanto o Fórum Econômico Mundial (FEM) se reúne em Davos sob o lema “Um Espírito de Diálogo”, os Estados Unidos assumiram o controle da infraestrutura petrolífera da Venezuela, instalando o que o presidente Donald Trump chama de administração norte-americana “indefinida” das reservas de petróleo do país, ao mesmo tempo que chantageiam países europeus com sua exigência pela Groenlândia. A desconexão entre o apelo do FEM ao diálogo e a agressão unilateral norte-americana é, no mínimo, chocante.
A intervenção dos EUA na América Latina pode estar assumindo novas formas, mas a apropriação da infraestrutura petrolífera ecoa antigas apropriações de recursos. Enquanto os participantes de Davos analisam as nuances do “capitalismo de partes interessadas” [stakeholder capitalism], as antigas regras da política de poder e da extração de recursos estão sendo ativadas novamente.
Em 2019, o historiador holandês Rutger Bregman desvendou o espetáculo de Davos com precisão cirúrgica: “Impostos, impostos, impostos. Todo o resto é conversa fiada.” Com essas nove palavras, ele expôs o abismo entre a retórica e a realidade, entre a linguagem da prosperidade compartilhada e a prática da concentração de riqueza.

