“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 25 de maio de 2020

VIAGEM EM TORNO DO QUARTEL – UM POUCO DE HISTÓRIA

Segunda, 25 de maio de 2020
Por
Pedro Augusto Pinho


“Na Colônia, como nos I e II Impérios, o critério para preenchimento dos cargos de Ministros e Secretários dos Negócios da Guerra e da Marinha era exclusivamente o político. Os ministros se substituíam nas pastas, de acordo com as subidas ou descidas do poder, dos partidos políticos existentes. De modo nenhum se levava em conta os conhecimentos especializados ou o critério técnico. Em geral ocupavam as pastas militares, civis, senadores ou deputados, chamando-se raramente a ocupá-las militares” (Coronel Mario Hermes da Fonseca, Prefácio de “Ministros da Guerra no Brasil”, de Theodorico Lopes e Gentil Torres, Rio de Janeiro, 1949, 3ª edição).

A Independência do Brasil quebrou a intermediação lusitana para imposição dos interesses coloniais ingleses em nossa Pátria. Lembremos que o Império Inglês se consolidou colonizador internacional com o Tratado de Viena, em 1815, e nossa independência se deu em 1822. As relações de classe e de famílias, até de pessoas não se alteraram, e os interesses mercantis e financeiros ingleses se acentuaram. A tudo as Forças Armadas (FA) estavam afastadas. E ainda mais, interessava seu distanciamento como se percebe com a criação, em 1831, da Guarda Nacional.

Em princípio a Guarda Nacional, organização permanente conforme a Lei, era auxiliar ao Exército. Mas “sua subordinação às Câmaras Municipais, aos juízes de paz, às listas eleitorais, denunciam características nítidas de classe, uma vez que tais elementos eram representantes diretos dos senhores de terras”. “A criação da Guarda Nacional representava apenas uma parte da política da classe dominante, a outra parte estava no papel secundário conferido ao Exército” (N. Werneck Sodré, A História Militar do Brasil, Civilização Brasileira, RJ, 1979, 3ª edição).