Domingo, 19 de abril de 2020
Documento relembra as ações já feitas pelo Hospital das Clínicas e reafirma que não existe solução para a pandemia fora da ciência.
“Curar quando possível; aliviar quando necessário; consolar sempre”
Essas são frases de Hipócrates, a quem, médicos, prestamos juramento. A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo materializa os princípios hipocráticos com um plátano originário da ilha de Cós, onde se iniciou a medicina como a conhecemos hoje, que está plantado na nossa sede, a Casa de Arnaldo.
Seguindo esses preceitos milenares, informamos que frente à pandemia de covid-19, causada pelo vírus SARS-COV-2, ainda não existe tratamento cientificamente eficaz disponível em nenhuma parte do mundo. Como sempre ocorre em situações dramáticas como essa, esperanças falsas ou sem comprovação científica surgem como remédio para todos os males. Governantes omitem suas obrigações constitucionais para enveredar por caminhos fáceis que invariavelmente chegam a um ponto sem saída. Cabe a nós, médicos, mostrar que não há solução fora da ciência.
Médicos e cientistas em todo o mundo estão à procura de uma solução para o tratamento do coronavírus. Esperamos que surjam medicamentos para o tratamento da covid-19, que possam tal como os antibióticos que reduziram as principais causas de sofrimento da humanidade, até a metade do século passado, como a sífilis e tuberculose. Para que esse medicamento seja descoberto, aprendemos há décadas que a escolha de um tratamento eficaz depende de etapas muito bem estabelecidas e controladas para permitir que o medicamento inovador, seja tanto efetivo, como ao mesmo tempo não traga danos a quem se utilize dele. O fato de não termos um remédio para o coronavírus, não significa que não sabemos reduzir o impacto da infecção causada pelo vírus. Ao contrário, o conhecimento em tratar a insuficiência respiratória permitiu reduzir em muito a letalidade prevista para a covid-19.
