Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Deputada do Rio de Janeiro é investigada pela ALERJ por prestar solidariedade a perseguidos políticos

Quarta, 23 de julho de 2014
por  
Ativista, militante durante os anos da ditadura, hoje Janira Rocha (PSol/RJ) é deputada estadual no Rio de Janeiro e está sofrendo processo de investigação pela ALERJ por transportar, em seu carro, a advogada Eloísa Samy e os dois jovens perseguidos políticos que tiveram pedido de asilo político negado pelo Consulado do Uruguai na última segunda-feira, 21.

Em depoimento concedido para Mídia NINJA e Coletivo Tatu Janira fala de seu histórico de militância e diz não se calar pela tentativa de cassação de mandato.
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Comentário do Gama Livre: Numa expressão bem baiana — Êta mulher retada

Se for mais pra cima do Nordeste, seria: Êta mulher arretada.

Seja retada ou arretada, a deputada aí é uma parlamentar, porreta e retada.

terça-feira, 22 de julho de 2014

ECOS DOS PROTESTOS: Presos políticos e a narrativa policial midiática


Terça, 22 de julho de 2014
  A nova caça às bruxas, chancelada publicamente pelo ministro da Justiça Eduardo Cardozo, pode ser considerada a primeira grande parceria entre governos federal e estadual após a posse do vice-governador Pezão no Executivo fluminense. Trata-se de mostrar quem é o mais competente para manter a ordem, nesta disputa eleitoral. E aí o heterogêneo e reduzido grupo de perseguidos parece entrar como bode expiatório.
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Do Observatório da Imprensa
Por Marco Morel em 22/07/2014 na edição 808
Estão armando a paródia de um novo Plano Cohen, com a habitual colaboração da mídia. Os objetivos são, até agora, parcialmente nítidos. Desde 12 de julho de 2014, véspera do jogo final da Copa do Mundo, a cidade do Rio de Janeiro está vivendo as características inquietantes de uma localizada experiência de ditadura civil militar (embora boa parte da população não tenha se dado conta). Após a prisão de duas dúzias de jovens militantes, agora batizados com o polivalente apelido de “ativistas”, e com a repressão arbitrária e provocadora da Polícia Militar às manifestações de rua ocorridas na mesma data próximas ao Maracanã, criou-se um subsequente clima de terror e inquietação sobre cidadãos ativos em defesa dos direitos civis. Vieram protestos de entidades como OAB, ABI, Anistia Internacional, Justiça Global, entre outras.
Vale citar o verbete histórico do CPDOC/FGV sobre o referido Plano Cohen:
“Documento divulgado à nação em 30 de setembro de 1937, contendo supostas ‘instruções da Internacional Comunista (Komintern) para a ação de seus agentes no Brasil’, segundo comunicado oficial do governo. Na realidade, tratava-se de um plano simulado de ação comunista escrito como ‘hipótese de trabalho’, segundo seu verdadeiro autor, o capitão Olímpio Mourão Filho, chefe do serviço secreto da Ação Integralista Brasileira (AIB). Com base no Plano Cohen, o presidente Getúlio Vargas solicitou imediatamente ao Congresso autorização para decretar o estado de guerra pelo prazo de 90 dias. A aprovação da medida abriu caminho para o golpe do Estado Novo, desfechado em 10 de novembro de 1937. A fraude do Plano Cohen só foi revelada após a extinção do Estado Novo, em 1945.”
Evidente que, 77 anos depois, as proporções e o contexto são outros. E os personagens também. Desta vez, ao invés do tragicômico Olímpio (não se perca pelo nome) Mourão – o mesmo que precipitaria o golpe de 1º de abril de 1964, já na condição de general – as figuras que surgem são: Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, órgão que tenta parecer um esboço do extinto Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), para ficarmos na comparação com a Era Vargas. É de lastimar que agentes desta delegacia, encarregada de solucionar crimes de fraudes financeiras ou de pedofilia, por exemplo, estejam ocupados numa pantomima macarthista. Há também o promotor Luís Otávio Figueira Lopes, “especializado em crimes digitais (sic)”, segundo o G1 (veraqui). E, ainda no rol, o juiz Flavio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, cujas sentenças inusitadas se contrapõem ao espírito constitucionalista do sólido liberalismo político do desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal, que inicialmente concedeu habeas corpus aos prisioneiros diante da precariedade das provas apresentadas pela polícia.
Caça às bruxas e aos votos
De acordo com informação veiculada na mesma edição do G1 (Organizações Globo), que teve acesso aos autos do processo antes mesmo dos advogados da defesa, estaria em curso um violento plano parcialmente executado por pequenas organizações de esquerda na capital carioca, que incluiria incêndio ao prédio da Câmara Municipal, morte de policiais, fabricações de armamentos, ataques a locais públicos, etc., etc. Professores do ensino público são acusados de fabricar armamentos, que seriam distribuídos por uma jornalista. A advogada Heloisa Samy, que defende os militantes, chegou a ser encarcerada sob a acusação de... participar de manifestações. Hoje, na clandestinidade, divulgou uma declaração (ver aqui).
Foram, ainda, incluídos pelas investigações (?) policiais neste suposto grupo paramilitar de esquerda coeso: os dois infelizes jovens acusados de deflagrar o rojão que matou o ainda mais infeliz cinegrafista Santiago Andrade, os fantasmagóricos black-blocs, jovens punks, os integrantes de pequenos grupos políticos diversificados, índios de diversas etnias da Aldeia Maracanã que reivindicam a criação de um centro de cultura indígena no antigo prédio do Museu do Índio... E por aí vai. Caberá aos advogados da defesa, ao jornalismo independente e investigativo e, sobretudo, ao posicionamento firme da sociedade civil, jogar luz sobre tal panorama e se defrontar com as acusações da promotoria que, até o momento, não se mostraram devidamente fundamentadas.
O grupo de autoridades locais encarregado de armar este cenário, visto numa perspectiva ampliada, são peças menores de jogo um pouco mais complexo, porém grotesco. As eleições se avizinham. No Rio de Janeiro, pesquisas eleitorais apontam, até aqui, a supremacia dos candidatos Marcelo Crivella e Anthony Garotinho, que se identificam ao eleitorado de perfil mais conservador. A opção de preferência do governo federal (PT) é pelo atual governador e candidato a reeleição Luiz Fernando Pezão, do PMDB. Ao mesmo tempo, o governo Dilma quer evitar que o candidato presidencial do PSDB, também com discurso conservador de chamada à ordem, tenha um palanque e mais votos no Rio.
A nova caça às bruxas, chancelada publicamente pelo ministro da Justiça Eduardo Cardozo, pode ser considerada a primeira grande parceria entre governos federal e estadual após a posse do vice-governador Pezão no Executivo fluminense. Trata-se de mostrar quem é o mais competente para manter a ordem, nesta disputa eleitoral. E aí o heterogêneo e reduzido grupo de perseguidos parece entrar como bode expiatório.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Refugiada de prisões políticas no Rio de Janeiro pede asilo político no Consulado do Uruguai

Segunda, 21 de julho de 2014
por

A advogada e ativista Eloísa Samy encontra-se neste momento no Consulado Geral do Uruguai no Rio de Janeiro onde solicita asilo político para defender-se em liberdade das acusações que lhe são feitas pelo Ministério Público.

Nas imediações, onde dez motos da Polícia Militar e algumas viaturas já cercam a área. Ativistas, defensores dos direitos humanos e organizações do movimento social estão presente para garantir a legalidade atropelada num processo politicamente orquestrado contra o ativismo no Rio de Janeiro. 

Eloísa Samy é advogada membro da OAB/RJ, estudou Especialização em Direito Civil e Processo Civil na Universidade Estácio de Sá e milita há anos nas ruas defendendo os direitos humanos e lutando para que ativistas e movimentos sociais possam atuar em liberdade. Esteve presente durante inúmeras manifestações no Rio de Janeiro para impedir que manifestantes fossem presos arbitrariamente. 

Presa no dia 12 de julho com base em mandados de prisão temporária, teve alvará concedido pelo desembargador Siro Darlan e foi liberada com habeas corpus no dia 15 de julho, entretanto, processo do Ministério Público divulgado nesse domingo prevê prisão de Eloísa.