Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 25 de dezembro de 2016

Promotor usa vinagre como prova de crime e omite espião do Exército

Domingo, 25 de dezembro de 2016
Da Ponte

Promotor denunciou manifestantes de ato Fora Temer, presos em 4 de setembro, por associação criminosa e corrupção de menores


O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou, por associação criminosa e corrupção de menores, 18 manifestantes de um ato Fora Temer presos pela PM em 4 de setembro no Centro Cultural São Paulo, na zona sul da capital paulista.

sábado, 30 de janeiro de 2016

A luta contra o aumento das passagens em São Paulo: muito além de trinta centavos

Sábado, 30 de janeiro de 2016
Assim, se conseguir estancar a luta pelo aumento das passagens, o prefeito Haddad atende um clamor da presidente Dilma e tenta se cacifar junto a um eleitorado conservador para se tornar competitivo.
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http://www.correiocidadania.com.br
Escrito por Marcelo Castañeda  
As lutas trazem consigo as possibilidades de constituir democracia num mundo em que a guerra e o controle dos pobres garantem o domínio pleno do mercado em conluio com os aparatos estatais. Por isso, autores como Antonio Negri enxergam as lutas como um poder constituinte que tensiona os marcos estabelecidos pelo poder (que está) constituído.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Direito Penal do inimigo. A luta pelo Direito do povo lutar por seus direitos e contra a criminalização da luta política

Sexta, 29 de janeiro de 2016
Da Tribuna da Imprensa
Por MARINO D ICARAHY


No meio de mais uma crise internacional, agora agravada no Brasil, em grande medida pela gerência petista (e seus malditos aliados); onde o Centro do Capital sufoca violentamente toda e qualquer insurgência de natureza popular; sempre sob o pretexto de "dispersar" as massas, os vândalos, os insurgentes, ganha enorme importância a luta pelo direito do povo lutar por seus direitos e contra a criminalização da luta política. Parece óbvio, pois, se não, como o povo irá lutar por seus direitos?

sábado, 23 de janeiro de 2016

Luta contra aumento das passagens em SP mostra o que virá em 2016

Sábado, 23 de janeiro de 2016
Do Correio da Cidadania

Escrito por Raphael Sanz*
Não importa por onde comecemos a falar sobre as manifestações contra os aumentos da tarifa do transporte público de São Paulo; elas trazem características que provavelmente estarão presentes em todas as lutas sociais travadas nas ruas neste ano de 2016. E por isso é essencial entender o que está acontecendo, despindo-se de ideias pré-concebidas sobre os atores em questão. Podemos começar falando sobre a cobertura da imprensa, ou sobre a violência policial. Sobre a forma como se organiza o movimento, ou sobre a tática black bloc. Ou até mesmo sobre a ausência de espaços de diálogo entre o poder público e a sociedade. Todos são ingredientes já conhecidos, no senso comum, há pelo menos três anos.

O que temos de novo é o aprimoramento da repressão. O chacoalho que 2013 causou nas autoridades levou a uma escalada repressiva jamais vista. Um 2014 de Copa do Mundo e um 2015 de crise e ajuste fiscal também serviram para as aulas práticas dos agentes da “ordem”. E por falar em ajuste fiscal e crise econômica, o Movimento Passe Livre – responsável por convocar os atos – fez um levantamento de gastos em suas páginas da internet, no qual chegou à conclusão de que a crise existe em diversos setores, menos nos recursos da repressão.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Rafael Braga volta à prisão após audiência de custódia

Sábado, 16 de janeiro de 2016
Detido na grande manifestação de 2013 no Rio de Janeiro, ele cumpria a pena em regime aberto desde 1º de dezembro de 2015. Defesa alega que flagrante foi forjado
Rafael-II
Em audiência de custódia realizada ao final da tarde desta quarta-feira, 13/01, no Rio de Janeiro, foi decidido que o ex-catador de latas Rafael Braga Vieira, 27 anos, tivesse sua prisão em flagrante delito convertida em prisão cautelar. Segundo o advogado Lucas Sada, a decisão havia sido tomada já durante o plantão judiciário que antecedeu a audiência, e a despeito das evidências da inocência do indiciado, apresentadas pelos advogados que atuam em sua defesa, o juiz Marcelo Oliveira da Silva optou por manter a decisão.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A PM de São Paulo barbarizou de novo. E a PEC 51/2013, de desmilitarização do policiamento, se arrasta

Quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Por Celso Lungaretti
Frente a jovens que protestavam pacificamente contra o aumento da tarifa do transporte coletivo, a Polícia Militar de São Paulo mostrou mais uma vez sua incapacidade para atuar num ambiente democrático, agindo com uma truculência que fez lembrar a SS nazista.

Por incrível que pareça, até a Folha de S. Paulo protestou, no editorial desta 5ª feira, 14:
"As forças de segurança fizeram mais que reprimir a ação dos vândalos. Cercando as pessoas que se aglomeravam na avenida Paulista e, de modo indiscriminado, disparando bombas de gás lacrimogêneo antes mesmo de a passeata começar, impediram a própria realização do protesto –em flagrante afronta à Constituição, portanto. 
Já não era pouco, mas o exagero continuou quando a multidão se dispersou. Policiais caçaram como bandidos manifestantes que não se confundiam com os black blocs e desferiram golpes de cassetete mesmo contra quem não se predispunha para o confronto. 
Em suma, a Polícia Militar, que no mais das vezes oscila entre a omissão diante do quebra-quebra e o abuso de força contra cidadãos, volta a exibir seu despreparo".

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Contra o aumento e a repressão!

Quarta, 13 de janeiro de 2016
Da Tribuna da Imprensa
IGOR MENDES 
São revoltantes as imagens que chegam de São Paulo da brutal repressão policial desatada contra a manifestação de ontem. A arrogância e truculência dos governos de plantão desafia a realidade de um País afundado na recessão, inflação e desemprego. É inevitável que, nesse impasse, haja uma radicalização dos protestos, duplamente legítimos, tanto pela justeza das bandeiras que defendem como por colocarem na pauta a própria defesa do direito de manifestação, atacado pelos gigantescos aparatos repressivos mobilizados contra a juventude e os trabalhadores. A revolta popular pede passagem.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Rapaz preso durante manifestação em SP é solto após decisão da Justiça

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Domingo, 10 de janeiro de 2016
Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil
A Justiça de São Paulo determinou a soltura de um rapaz mantido preso após a manifestação contra o aumento da tarifa no transporte público da última sexta-feira (8). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, ele foi liberado na tarde de ontem (10).
Durante o protesto, 17 pessoas no total foram detidas. Dessas, 15 foram liberadas após assinatura de termos circunstanciados e outra precisou pagar fiança.
O manifestante mantido preso foi pego flagrante por supostamente ter atirado coquetéis molotov contra os policias que atuavam no protesto. A decisão da juíza Tonia Yuka Kôroku, apontou a inexistência de uma verdadeira situação que justificasse a prisão. “A prisão se baseou em um vídeo, cujas imagens não são conclusivas e há dúvidas quanto a se o indiciado realmente portava os explosivos”, diz o documento.
O jovem aparece em vídeo feito pelo coletivo Jornalistas Livres, que mostra policiais militares revistando manifestantes e um objeto sendo colocado pelos agentes na mochila de um dos presos. Para o grupo, a prova foi forjada.
Sobre as imagens, a secretaria informou ontem que “não há indícios de má conduta por parte dos policiais militares”. “A Polícia Civil aguarda as imagens sem edição que, de acordo com o advogado do preso, a repórter responsável pela divulgação do vídeo nas redes socais, prontificou-se a fornecer para investigação e perícia”, diz a nota.

Saiba Mais

Polícia entra em confronto com manifestantes e dispersa protesto do Passe Livre
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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Processo dos 23 ativistas: STJ nos concede vitória pela metade



Quinta, 12 de novembro de 2015
Da Tribuna da Imprensa
Igor Mendes

Em sessão ocorrida no último dia 05/11, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ratificou o Habeas Corpus concedido aos ativistas Elisa Quadros, Karlayne Moraes e Igor Mendes pelo Ministro Sebastião Reis Júnior, em decisão liminar, no último dia 22 de junho. A decisão unânime (5x0) tem caráter definitivo, não cabendo qualquer recurso para derruba-la. Nossa defesa oral foi sustentada pelo brilhante companheiro Rafael Borges, da equipe do escritório do Dr. Nilo Batista.

Comemoramos, merecidamente, essa decisão, que pôs fim a um quadro de insegurança jurídica em relação à nossa liberdade e expôs ainda mais a arbitrariedade do decreto de prisão preventiva que me manteve sete meses encarcerado em Bangu, e às companheiras o mesmo tempo na clandestinidade. Logo soubemos, entretanto, que havia uma pedra no meio do caminho: o STJ reconduziu a medida cautelar que nos proíbe frequentar manifestações públicas, e o fez agora de modo ainda mais taxativo e claro, determinando que não podemos comparecer a quaisquer daquelas atividades (comparecer é mais restritivo que frequentar, que significa acessar reiteradamente).

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Lei antiterrorismo. Da insegurança jurídica à derrota da democracia. Entrevista especial com Patrick Mariano

Segunda, 9 de novembro de 2015
Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
“A aprovação desse PL é como se fosse um golpe, ainda mais no momento em que a presidente está precisando desses movimentos na rua. Mas o recado é mais ou menos o seguinte: “Eu preciso de vocês na rua, mas, ao mesmo tempo, não saiam para a rua porque vocês podem ser criminalizados”. Portanto, é uma contradição em termos; é assustador, para falar a verdade”, exclama o advogado.
Foto: www.hojeemdia.com.br
“Não existe razão jurídica, não existe razão política nem razão técnica” para a sanção do PL 101/15, que tipifica crimes de terrorismo no país. De acordo com Patrick Mariano, o ordenamento jurídico brasileiro “já prevê penas para todos os delitos que, por ventura, possam se vincular a atos de terrorismo. Por exemplo, em caso de explosão em ataque a aeronaves, já existe punição para isso, ou seja, já está previsto no Código Penal, inclusive com uma penalidade alta. Modificações legislativas recentes, inclusive na lei de organizações criminosas, já dão às autoridades brasileiras mecanismos de combate a esse tipo de ato. Então, o Brasil já tem uma legislação que possibilita investigar, processar e punir eventuais atos terroristas que ocorram aqui”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Aviso prévio sobre reunião pública é matéria com repercussão geral; ação foi movida pela União contra sindicatos

Sexta, 23 de outubro de 2015
Do STF
No julgamento de RE, o STF irá definir o alcance do artigo 5º, inciso XVI, da Constituição, quanto à exigência de aviso prévio à autoridade competente como pressuposto para o legítimo exercício da liberdade de reunião. 
O Supremo Tribunal Federal (STF) irá definir o alcance do artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, no tocante à exigência de aviso prévio à autoridade competente como pressuposto para o legítimo exercício da liberdade de reunião. O tema será discutido no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 806339, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual da Corte.
O dispositivo constitucional estabelece que “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”.
No caso em questão, a União entrou com um pedido (interdito proibitório) para inviabilizar a prática de esbulho ou turbação sobre a área na BR-101, no Município de Propriá (SE). Isso porque o Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos e Plásticos nos Estados de Alagoas e Sergipe, a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), o Sindicato dos Trabalhadores em Sindicatos, Confederações, Associações, Centrais Sindicais e o Órgãos Classistas e Entidades Afins do Sergipe (Sintes) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) realizaram manifestação no local.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Justiça decide que Rafael Braga tem direito a voltar ao trabalho fora da prisão

Quarta, 19 de agosto de 2015
Do DDH 
Instituto de Defensores de Direitos Humanos




A Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro (VEP), acolhendo integralmente os pleitos defensivos apresentados pelo DDH, decidiu que Rafael Braga Vieira permanecerá no regime semiaberto e que poderá voltar a usufruir do benefício denominado “trabalho externo”, anteriormente suspenso.
Ao rejeitar a argumentação do Ministério Público, que pretendia a regressão de regime de Rafael Braga em razão do suposto cometimento de falta grave, o magistrado Alberto Fraga entendeu que a conduta imputada não poderia ser enquadrada como ato de evasão.
Tudo começou quando Rafael Braga, em razão de clara perseguição ideológica, fora punido administrativamente, de forma severa, por ter posado para uma foto em frente ao muro da unidade prisional em que, à época, cumpria pena. Vale lembrar que tal punição consistiu no cruel e desumano isolamento de Rafael por 10 (dez) dias.
Posteriormente a este fato, inúmeros outros acontecimentos acabaram por culminar na suspensão da atividade laborativa exercida por Rafael no escritório de advocacia “João Tancredo” e ensejaram o pedido do MP/RJ de regressão de regime prisional.
Assim sendo, felizmente, com a recente decisão prolatada pela VEP, Rafael Braga continuará cumprindo a sua pena no regime semiaberto e poderá sair do presídio para trabalhar, da mesma forma e sob o mesmo regime em que anteriormente o fazia.
O DDH permanecerá trabalhando para corrigir e minimizar os danos da terrível injustiça que foi cometida contra Rafael Braga.
Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2015.

Instituto de Defensores de Direitos Humanos
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Saiba mais:

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Igor Mendes é libertado: Vitória do Movimento Popular

Quinta, 25 de junho de 2015
Da Tribuna da Imprensa

Por RAFAEL GOMES PENELAS - Via A Nova Democracia
O pequeno combatente está livre! Enquanto ele esteve preso, mantivemos e reafirmamos nossa solidariedade ao bravo ativista e colaborador dessa Tribuna da Imprensa: "Igor Mendes, sua determinação e espírito revolucionário é e sempre será inquebrantável! Seja bem vindo amigo, você é um ser humano raro nos dias de hoje, consciente e determinado, convicto e coerente, realmente um grande lutador, valoroso e estimado combatente.  Luta que segue..."
Depois de 6 meses e 22 dias de resistência do ativista Igor Mendes na prisão e três dias de espera pela sua libertação, ele acaba de sair do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, onde foi recebido e saudado pelo advogado Marino D Icarahy. Fotos: Luisa Maranhão/A Nova Democracia.
Após mais de 2 dias de espera, finalmente o ativista Igor Mendes foi liberto do Complexo Penitenciário de Bangu, Zona Oeste do Rio, na tarde desta quinta-feira, 25 de junho.
Enfrentando, dia e noite, o frio de Bangu neste início de inverno, durante estes últimos dias, ativistas da Frente Independente Popular (FIP-RJ), do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), do Movimento Popular Combativo (MPC), da Unidade Vermelha, da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST), ativistas independentes e outros apoiadores da luta permanecerem na entrada do complexo penitenciário com faixas, bandeiras e um elevado espírito de combate.
Os trâmites burocráticos no "sistema" para a soltura do jovem, que teve liminar concedida no último dia 22/6, terminaram nesta tarde, quando Igor saiu do presídio com os punhos cerrados e entoando canções revolucionárias e palavras de ordem com seus companheiros e companheiras que ele não via há mais de 6 meses. Foi um momento emocionante que coroou mais uma grande vitória do movimento popular brasileiro e da campanha pela liberdade de todos os presos políticos.
O PEQUENO COMBATENTE
(Por Guilherme Moreira, professor de Sociologia da rede estadual do Rio de Janeiro)
Ainda menino
Disseram-me – displicentes,
Sob o impulso da tradição
“As aparências enganam,
Corrompem os sentidos
Entorpecem de ilusão”.
Mas em mares de injustiça
Navegamos na verdade
E as terras podemos ver
No silêncio ouvimos gritos
Vibrações de um brado amigo
O resistir do viver
Enxergar além da máscara!
Diante dos olhos livres
A ironia política
Por trás da imponência
De polícias, palácios, presídios,
Uma grandeza mítica.
O robusto poder
Parte-se a cada ataque
Verga-se a cada golpe feroz
Onde previa medo
Floresce a coragem
Onde reinava o vácuo
Propaga-se a voz
O pequeno corpo
(Na aparência frágil)
De um Jovem combatente
Expõe do gigante a fraqueza velada
E frente à injusta caçada
Torna sua força evidente
LIBERDADE PARA TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!
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Leia artigos escritos por Igor Mendes, alguns de dentro da prisão:

terça-feira, 23 de junho de 2015

Recurso Extraordinário de Rafael Braga Vieira chega ao STF

Terça, 23 de junho
Do Instituto de Defensores de Direitos Humanos
Postado por Ize em junho 23, 2015
O recurso extraordinário interposto pelo Instituto de Defensores de Direitos Humanos contra o Acórdão da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que confirmou a condenação de Rafael Braga Vieira em primeira instância pela suposta prática do crime de porte de material explosivo, finalmente começa a ser processado no Supremo Tribunal Federal.

Distribuído ao Ministro Luiz Fux, que agora passa a ser seu relator, o recurso dirigido à Suprema Corte, órgão competente para o julgamento em última instância de causas que versem sobre violações à Constituição Federal, o recurso pede o reconhecimento das afrontas a diversos postulados constitucionais na condenação injustamente imposta a Rafael, como os primados da legalidade, da lesividade, da dignidade da pessoa humana, da presunção de inocência, da proporcionalidade e da ampla defesa.

Desde sua prisão, que completou dois anos no último sábado (20 de junho), uma grande campanha pela liberdade de Rafael Braga Vieira tem mobilizado movimentos sociais, coletivos e pessoas em todo o Brasil contra esta absurda condenação.

A manutenção da condenação de Rafael, injusta e arbitrária, tem revelado muito mais do que um erro por parte dos desembargadores, mas a reafirmação de um padrão de criminalização, que encontra em jovens negros e pobres seu alvo preferencial. O Supremo Tribunal Federal tem a possibilidade de começar a reverter esse quadro.

‪#‎LiberdadeParaRafaelBraga‬

Rio de Janeiro, 23 de junho de 2015.

Instituto de Defensores de Direitos Humanos

quarta-feira, 3 de junho de 2015

180 dias em Bangu (Primeira Parte)

Quarta, 3 de junho de 2015
IGOR MENDES
Rio, 03-06-2015, 180 dias de detenção:
[Para Tribuna da Imprensa online]
[Para a campanha dos Presos Políticos de modo geral]
O Complexo Penitenciário de Gericinó é o maior conjunto de presídios do Brasil. Deve ter em torno de 35 mil presos - uma cidade. Uma cidade muito particular, certamente, cercada por muros altos e grades, e homens armados nos tetos. Uma cidade na qual, atrás dos seus portões de ferro, as leis do país e conquistas humanas que já datam mais de duzentos anos (contando a partir da revolução francesa), como a própria noção de direitos, só valem até certo ponto, variando de acordo com o administrador de cada presídio, com o status social do preso ou até mesmo com o humor dos funcionários de plantão.
Nesse meio ano que estou aqui já vi muitas coisas, já ouvi muitas histórias. Pretendo contá-las, sem dúvida: quando aquilo que acontece atrás desses muros deixar de ser invisível, é possível que muitas opiniões sejam revistas, inclusive a noção tão difundida que “leis mais duras” e cadeia podem ser a solução para as profundas mazelas sociais e suas consequências que nos assolam secularmente. Mas a hora de cumprir essa tarefa, plenamente, ainda não chegou, mesmo porque eu continuo aqui, a via-crucis não terminou. Queria apenas compartilhar com vocês um pouco dessa experiência, não através de uma análise sociológica, tanto porque existem pessoas mais competentes para isso assim como porque não disponho de nenhum material de pesquisa, e sim pintando um quadro humano desse lugar, onde aprendi, dentre outras coisas, que não há limites para quem decidiu viver coerentemente de acordo com suas convicções, dignamente. Resistir é preciso, já dizia o Leão Alípio de Freitas, e é possível, ouso complementar. Aproveito para deixar registrada aqui, novamente, a minha saudação à campanha pela libertação dos presos políticos e aos meus queridos companheiros e companheiras que não me deixam sentir só em nenhum momento. Como o tema é vasto, escreverei esse artigo em duas partes, mas mesmo assim isso não esgotará, nem de longe, tudo que tenho vivenciado nos seis meses mais longos da minha vida.
*
Desses 180 dias o primeiro mês foi, sem dúvida, o mais difícil. Todo o estresse que envolve a prisão, a sensação de não saber, enquanto aguardava transferência da cidade da Polícia para Bangu o que me esperava. O contato com celas e algemas, o pensamento febril concentrado sobre todas as coisas que precisavam ser feitas, e agora teriam que ser adiadas... Dentro da cela temporária, ainda na Polícia Civil, na qual ficaram companheiros presos em julho do ano passado, guardei uma frase deixada por algum infeliz que por lá passara: “A cadeia é longa, mas não é perpétua”. Foi a primeira vez que li essa que é uma das máximas do universo na prisão. Há outras, como, por exemplo, “Não confie em ninguém”, “Quem fala menos, erra menos”, e por aí afora.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Um preso político no Brasil democrático

Terça, 5 de maio de 2015
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
por | 5 de maio de 2015
Detido desde dezembro de 2014 por ter participado dos protestos durante a Copa do Mundo, Igor Mendes é considerado preso político pela ONG Tortura Nunca Mais; há mais 23 réus no processo cheio de falhas e lacunas

Três jovens do Rio de Janeiro foram agraciados este ano com a Medalha Chico Mendes de Resistência, concedida tradicionalmente no dia 31 de março pela ONG Tortura Nunca Mais. Assim como os combatentes das ditaduras do Cone Sul, também homenageados com a medalha, esses jovens, representados por suas mães na cerimônia, foram vítimas da violência do Estado – agora em regime democrático. Dois deles foram assassinados por policiais da UPP Manguinhos; o terceiro, Igor Mendes, está em uma cela no presídio de Bangu. Os três casos ainda estão em julgamento.
Jandira Mendes, mãe de Igor, recebe a Medalha Chico Mendes de Resistência ao lado de José Pimenta, do MEPR. Foto: Anne Vigna
Jandira Mendes, mãe de Igor, recebe a Medalha
Chico Mendes de Resistência ao lado de José
Pimenta, do Centro Brasileiro de Solidariedade
aos Povos (Cebraspo). Foto: Anne Vigna

O reconhecimento de Igor Mendes como “preso político” por essa e outras respeitadas organizações de direitos humanos deveria servir de alerta para a sociedade de um país democrático. Mas nenhuma linha sobre o assunto apareceu nos jornais no dia seguinte à cerimônia do Tortura Nunca Mais. Para a maioria dos cidadãos, Igor é apenas um dos “vândalos” presos nos protestos de 2014 contra a Copa do Mundo, tal como foi noticiado exaustivamente pela TV.

domingo, 3 de maio de 2015

Contrariando Richa, Defensoria Pública do Paraná afirma que não havia black blocs em protesto

Domingo, 3 de maio de 2015
 Manifestantes que lutam por seus direitos derramam sangue em praça pública
Manifestantes que lutam por seus direitos derramam sangue em praça pública
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Jornal do Brasil


Apesar de o governador do Paraná, o tucano Beto Richa, afirmar que havia a presença do grupo conhecido como black blocs nos protestos dos professores no estado, a Defensoria Pública negou a participação do grupo nas manifestações na última quarta-feira (29). 

"Destaque-se que nenhuma das pessoas detidas foi autuada em virtude da prática de crime de dano ao patrimônio público ou privado, porte de arma ou artefato explosivo, não havendo nenhum indício de que tais manifestantes sejam integrantes de grupos denominados black blocs", afirmava a nota liberada.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Caio Silva e Fábio Raposo merecem estar livres

Terça, 7 de abril de 2015
Da Tribuna da Imprensa

pOR IGOR MENDES



Conheci Caio Silva e Fábio Raposo dentro da cadeia, apesar de sermos acusados, bizarramente, de pertencer a uma mesma “quadrilha”. Mais precisamente no interior de um camburão, algemados, a caminho do fórum, onde assistimos à primeira das inúmeras audiências do nosso processo, no dia 16 de dezembro de 2014. Conheci dois jovens tranquilos, solidários, temperados por muitos sofrimentos. Àquela altura sequer entendiam do que se tratava o que, para eles, era um novo processo. Eu, com meus botões, só pensava o quanto o mundo é mesmo pequeno: no dia 15 de outubro, quando na atividade cultural realizada na praça Cinelândia, tomei a palavra- para a enorme e justificada preocupação do meu querido advogado e companheiro Dr. Marino- unicamente porque os oradores que me antecederam não haviam tocado num ponto sensível: a campanha pela liberdade de Caio e Fábio.

Como todos sabem, a participação nesse evento foi a justificativa para a decretação da minha prisão, e também das companheiras Elisa e Karlayne. Dois meses depois estavam os três reunidos na condição de detentos... Não escrevo, entretanto, um relato pessoal. Assistindo a toda histeria reacionária que se seguiu a libertação dos dois me sinto no dever de fazer um contraponto; traduzir, para o argumento político, a minha profunda felicidade por vê-los de volta à vida já que, por aqui, apenas se sobrevive, e mal. Os que falam em impunidade não fazem ideia do que os dois e seus familiares passaram ao longo de mais de ano encarcerados. Não sei qual caminho seus pés trilharão doravante, mas sei que merecem estar livres para escolhê-los.
*
Caio Silva de Souza e Fábio Raposo Barbosa (nomes que decorei devido às nossas inúmeras idas ao fórum) não são assassinos. Não premeditaram a morte de Santiago Andrade, não disparam propositalmente o rojão na sua direção. Não havia qualquer previsibilidade na ação do artefato detonado, portanto intenção, e se dez reconstituições do episódio fossem feitas, dez resultados diferentes seriam obtidos. Fábio Raposo e Caio Silva ficaram um ano e quase dois meses presos- só quem já passou pelo sistema penitenciário brasileiro sabe o quanto é doloroso ficar mesmo uma hora aqui dentro. Eles foram vítimas de condenação antecipada e linchamento moral ímpar pelo monopólio da imprensa. Sofreram inúmeras torturas físicas e psicológicas ao longo do período de encarceramento. Caio Silva e Fábio Raposo não são assassinos, são ativistas e merecem estar livres.

A dor da família de Santiago Andrade é compreensível e deve ser respeitada. Não é, contudo, um argumento jurídico. Justiça não é vingança, justiça não é sepultar, em vida, dois jovens que jamais foram criminosos, encarcerados por longos anos nas masmorras que são as prisões brasileiras. O corpo de Santiago e a dor da família têm sido usados, na verdade, como se objetos fossem, no escuso interesse de criminalizar os protestos populares. No escuso interesse de manter no governo do Estado Cabral, Pezão, Beltrame e toda a sua claque, que mergulham o Rio num mar de lama que nem todos os guardanapos parisienses poderão limpar. No escuso interesse de legitimar a ação de uma polícia que, essa sim, premeditadamente, sistematicamente, faz do assassinato o seu modus operandi cotidiano. Uma política de Estado.

É espantoso assistir determinadas autoridades dizerem que a soltura de Caio e Fábio gera uma “sensação de impunidade”, quando as mesmas mandaram arquivar todas, repito, todas as denúncias contra Sérgio Cabral.
A rede Bandeirantes nada tem a declarar sobre o fato de seu profissional estar bem no meio de uma zona de conflito (não vou nem entrar no mérito de quem foi responsável pelo mesmo), desprovido do equipamento de proteção individual que seus colegas de todos os outros veículos há tempos utilizam?

Recentemente uma jornalista da Folha de São Paulo, que ficou cega de um olho por ter sido alvejada por tiro de bala de borracha disparado pela Tropa de Choque, teve negado o pedido de reparação que movia contra o Estado, porque, na opinião do judiciário paulista, assumiu os riscos ao cobrir o evento sem estar preparada. Não me lembro de ter visto, nessa ocasião, os âncoras dos telejornais franzir os cenhos e cobrar, indignados, a cabeça do Secretário de Segurança de São Paulo. Por que usar, no caso de Santiago Andrade, outro peso e outra medida? Sabemos porque: os Governos e a impressa marrom, ambos de direita, defendem interesses inconfessáveis.

Caio e Fábio não são inimigos da família de Santiago Andrade.

Santiago Andrade não era inimigo dos manifestantes.

Levantamento a pouco publicado concluiu que os maiores inimigos da imprensa, os agentes que mais vitimaram jornalistas no exercício de suas atividades, foram policiais. Ocorre que a imprensa oficiosa do país (emissoras de rádio e televisão) é sustentada pela propaganda governamental, seu maior anunciante. Tem periodicamente suas dívidas perdoadas pelo Estado. São financiadas, também, pelos grandes empresários, que têm horror a qualquer coisa que cheire a povo, muito mais a povo consciente e organizado. Esses veículos apoiaram, entusiasticamente, o Golpe Militar e os 21 anos de torturas e assassinatos que se seguiram. Seu compromisso não é, portanto, com a verdade, mas com seus próprios interesses e com os interesses de quem os sustentam, o lucro enfim. Algumas empresas vendem sanduíches, a chamada “grande imprensa” vende versões convenientes a seus patrões.

Caio Silva e Fábio Raposo não podem pagar essa conta. Não podem ser crucificados para que toda uma geração seja desestimulada a ir para as ruas. Isso não é razoável, não é proporcional aos fatos. Eles são ativistas e merecem estar em liberdade. 

- Texto escrito na Penitenciária Bandeira Stampa, Bangu 09, Complexo de Bangu.
Será nesta quarta-feira (08/04) às 18h na UERJ.

DEBATE: Prisões Políticas e Criminalização dos Movimentos Populares


Evento: https://www.facebook.com/events/824501967642674/

sábado, 14 de março de 2015

A articulação da Rede Globo com a Justiça Burguesa

Sábado, 14 de março de 2015
Da Tribuna da Imprensa
Por Wilson Ventura - Via Mídia Independente Coletiva
O texto também é mentiroso quando diz que o "réu desiste do silêncio". IGOR MENDES sempre quis falar durante o interrogatório e deixou bem claro isso.
Uma informação significativa referente à audiência dos presos e processados políticos realizada anteontem (12/03), que está sendo omitida pela Rede Globo em sua sistemática tentativa de criminalização dos legítimos protestos populares no Rio de Janeiro, é o motivo que deu origem à atitude fascista do juiz Itabaiana Nicolau de expulsar absolutamente todos da sessão.
 
Durante o depoimento do universitário Igor Mendes, dona Jandira, mãe do ativista, não conseguiu conter as lágrimas ao ouvir o filho e, muito emocionada, levantou-se em prantos e disse: "Te amo". Igor Mendes respondeu sua mãe em silêncio erguendo o punho. Os demais presentes, em solidariedade à dor de dona Jandira, repetiram o ato de Igor.
 
A reação intolerante, autoritária e egocêntrica do juiz Itabaiana Nicolau foi simplesmente expulsar da audiência todos os familiares e acusados! Contudo, na sequência, em justa resposta à atitude prepotente, os pais e familiares se retiraram da sessão gritando "FASCISTA" para o polêmico juiz.
 
Outro vil expediente utilizado pela corporativista Rede Globo foi mais uma vez posto em prática. Na edição do vídeo da matéria, quando citam Fábio Raposo e falam sobre sua acusação da morte do cinegrafista Santiago Andrade, mostram a imagem de Igor Mendes. Não é a primeira vez que tentam confundir o espectador com a troca da imagem dos dois em suas matérias. Todo esse procedimento, deliberadamente direcionado para Igor, mostra a preocupação da reação com a ameaça que ele representa para o sistema: a ameaça do conhecimento!
 
As organizações Globo, trabalhando a serviço das classes dominantes desde a sua criação na ditadura civil-militar brasileira, ao utilizar os mais reles recursos para manipular a informação e distorcer os fatos, não consegue nada além de escancarar o caráter político da prisão de Igor Mendes.
 
NÃO PASSARÃO!
 
O link da matéria mentirosa é esse:
 
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