Bolsonaristas protestam na Mouraria (Quartel General do Exército) em Salvador
Do Site Blog Bahia em Pauta
ARTIGO DA SEMANA
Último foco: “Lavandeiras de quartéis” cercam militares
Vitor Hugo Soares
Bem antes do que se poderia prever, e em quase desespero, as “Lavandeiras dos Quartéis” — propagadores da praga golpista e antidemocrática que surgiu e sedimentou-se por estas bandas do lado de baixo da linha do Equador, no governo do general Humberto de Alencar Castelo Branco, na primeira fase da ditadura implantada nos Anos 60 — voltaram e atuam às escâncara em Brasília a e outras partes do país, no que parece último foco de insolente e ilegítima manobra de insurreição aos resultados das eleições presidenciais de 30 de novembro, já declarados oficialmente pela Justiça Eleitoral e cuja eficácia e correção foram atestadas com atraso, esta semana, pelo polêmico relatório do ministério da Defesa sobre as urnas eletrônicas , tão nervosamente aguardado por governistas descontentes.
De caras renovadas, nos documentos de identidade e registros profissionais; celulares de última geração, manejados com perícia e agilidade, e novo estilo nas ações movidas por expectativas enganosas, (ditadas por lideranças desconexas e aleatórias), álcool, gritos e palavras de ordem sectárias e explosivas. Além de outros estimulantes menos convencionais, mas igualmente ilegais, por motoristas, ao volante, em longas e estafantes jornadas nas rodovias nacionais. Barulheira e desordem — tipo as promovidas nos dois últimos finais de semana, em zonas próximas ao QG do Exército, no DF; no Quartel General da Sexta Região Militar do Quarto Exército, no Campo da Pólvora (centro histórico de Salvador) e no Centro Militar, em Feira de Santana, ponto estratégico do maior entroncamento rodoviário de ligação entre o Nordeste e o Sudeste do país, para citar só atos, barulhentos e de maior repercussão, animados por trios elétricos e carros de som em altos decibéis de potencia.
Ainda não se sabe, ao certo, financiados por quem, mas, investigações preliminares indicam o dedo e a grana de um grupo de empresários (de grande e médio portes) onde, historicamente desde primórdios, a “praga das Vivandeiras” pregadoras de golpes e caos, costuma proliferar. Neste tempo de balbúrdia, pós-eleições, que a nação atravessa, ao contrário das atuações submersas, de “tempos idos” (de que fala Cartola em seu antológico samba, que Paulinho da Viola lembrou, na entrevista recente ao jornalista Pedro Bial), quando tudo (ou quase) era feito na surdina.
Para contextualizar, como recomendava o falecido mestre de gerações em teoria e prática da comunicação, Juarez Bahia, editor Nacional do Jornal do Brasil: no pós AI-5, no governo Geisel, “amigos sumindo assim”, como na canção, recém formado em comunicação e trabalhando em jornal baiano, o autor deste artigo ia cursar o último ano de Direito, na UFBA, quando teve a matrícula cassada, juntamente com mais de 20 alunos da universidade, foi preso e algemado dentro da sala de aula da faculdade invadida por agentes da PF, tendo à frente, em pessoa, o chefe da PF no estado, coronel Luiz Arthur de Carvalho, e levado com mais 5 colegas de Direito, para ser fichado “por subversão” no mesmo QG do Exército na Mouraria, em Salvador, dos atos das “Vivandeiras” na Bahia. O fato me ocorre agora, quando a praga dos descontentes com a derrota de Bolsonaro nas urnas retorna às instalações militares. O resto a conferir.
Eu me lembro da marchinha “Gato na Tuba” ao ler a notícia de que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu o segundo processo para investigar as vultosas perdas da Petrobras – mais de CR$ 70 bilhões, em um dia, com as ações negociadas na Bovespa – depois da estranha, e eticamente condenável, atitude do presidente Jair Bolsonaro de anunciar, via Twitter, a decisão de mexer no comando da maior e importante petroleira estatal da América Latina, trocando o especialista do setor, Roberto Castelo Branco, pelo general Joaquim Silva e Luna. Fato, por si só, com poder explosivo capaz de causar perdas e danos – financeiros e de confiabilidade – sem que se saiba, até agora, os reais motivos da mudança, nem para que cofres ou que bolsos foi tamanha fortuna. Razão de sobra para as suspeitas de acionistas , da imprensa e de gente, de fato, preocupada com os destinos da empresa que já foi motivo de orgulho nacional.
Dória enfrenta Bolsonaro no jogo da verdade da vacina do Butantan.
Do Blog Bahia em Pauta
Artigo da Semana
Dória empurra, Bolsonaro balança
Vitor Hugo Soares
Segunda-feira, 25 de janeiro, data comemorativa dos 467 anos da fundação da cidade de São Paulo, o governador João Dória Jr (PSDB) teria carradas de razões para festejar vitórias políticas imediatas e estratégicas (de longo prazo) diante de seu inimigo mais feroz e vingativo, embora meio desarvorado e não raramente primário nas ofensas: o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O tucano celebrou, mas sem fazer barulho, contido pelo sentimento dos números avassaladores em perdas humanas e danos generalizados causados pela Covid-19, no pedaço crucial do estado que ele administra.
Razões a começar pelo jogo da verdade – de Sua Excelência, o Fato, no dizer do estadista Charles de Gaulle, que tanto o saudoso Ulysses Guimarães citava em suas entrevistas e discursos – no caso das negociações e compra das vacinas do Butantan, que permitiram o alentador início da vacinação contra a pandemia no Brasil. Incluindo o envio de doses para o Amazonas, durante os dias de horror, por falta de oxigênio, nos hospitais de Manaus, que comoveu o mundo. Foi o chega- pra- lá do ocupante do Palácio Bandeirantes, que fez balançar a olhos vistos do país, neste começo de ano, o alegado prestígio popular do morador atual do Alvorada, somado à notória auto – suficiência que beira o descaso do chefe do poder central na condução de seu descarrilhado governo.
Sábado, 13 de junho de 2020 Do Blog Bahia em Pauta
Pazzuello na comissão da covid-19 na Câmara: empáfia, despreparo e desrespeito às vítimas da pandemia.
ARTIGO DA SEMANA
Pazzuello: o “cara” (tosco) da Saúde na Covid-19
Vitor Hugo Soares
Ao assistir a participação do ministro da Saúde, Eduardo Pazzuelo, na comissão especial da Câmara dos Deputados, na terça-feira passada – a ponto de quase arrebentar de empáfia, descaso e desinformação quanto à relevante função pública que exerce em tempos tão graves da pandemia Covid-19 – além da ignorância, tão estranha quanto lastimável, de lições primárias de Geografia e até das quatro estações do ano no País aonde nasceu, estudou e fez carreira a ponto de alcançar um dos postos mais elevados das Forças Armadas – lembrei imediatamente do coco magistral “O Secretário do Diabo”, do imortal Jackson do Pandeiro. Neste caso , o Tinhoso parece ter preferido mandar como representante um general de quatro estrelas da Infantaria do Exército Brasileiro. Uma lástima.
Meu Santo Antônio da Glória! Em plena celebração do seu dia (13/6), o jornalista – um ateu que já acreditava nos milagres do poderoso santo português desde menino da beira do São Francisco (rio da minha aldeia), muito antes de visitar seu templo maior de devoção, na italiana Pádua, e me ver ajoelhado diante de seu túmulo –, pergunta, meio desconcertado e com vergonha: O que se há de fazer, meu santo?
“O Diabo quando não vem, manda um secretário. Eu não vou nessa canoa, que eu não sou otário”, canta o insuperável ritmista da música popular brasileira, agora através do computador. Tiro e queda, diga-se a bem da verdade e do fato jornalístico, se comparado com a atuação tosca do ministro da Saúde do ponto de vista das informações e domínio dos dados e problemas específicos da pasta entregue pelo presidente da República ao general de infantaria, “eficiente cumpridor de ordens”, nesta quadra tão angustiante e temerária da saúde pública nacional. Mas, para surpresa geral, precário e sofrível até em termos de conhecimentos gerais primários, a partir do fato de que estamos falando de um oficial do mais alto rango das nossas Forças Armadas.
PF, verso e reverso: Bolsonaro do riso ao xingamento
Vitor Hugo Soares
Duas repentinas ações de buscas e apreensões da Polícia Federal – com autorizações divergentes, sentidos opostos e sinais trocados – fizeram o país estremecer, mais uma vez nesta semana. A primeira, no Rio de Janeiro, por ordem do ministro Benedito Gonçalves, do STJ, fez o presidente sorrir irônico dos apuros dos investigados e derramar-se em elogios à PF no estado governado por Wilson Witzel, um dos maiores inimigos dele e de seus filhos. A segunda, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes – em que os agentes da lei bateram na porta das casas e escritórios de empresários, parlamentar, blogueiros, provocadores acampados em frente ao Congresso, além de celebridades, gente do peito e aliados do mandatário – deixou Bolsonaro apoplético e quase fora de controle, a ponto de, na frente do Alvorada, para seguidores, fazer o seu mais agressivo e ameaçador discurso, concluído com um insólito “Esta é a última vez.acabou.Porra”. Precisa desenhar?
A Operação Placebo,– que a enrolada deputada Carla Zambelli, e outros aliados dos atuais donos do poder preferem chamar de “Covidão” – se apóia na justa motivação de apurar desvios na Saúde, em tempo de pandemia covid-19, incluindo os hospitais de campanha no Rio. Ainda assim, soa estranha e cheia de lacunas à espera de explicações. “Francamente, nem parece coisa da Polícia Federal”, imagino que diria o ex-governador e frasista consagrado da política nacional, Leonel Brizola.
AOS LEITORES DO BAHIA EM PAUTA: Este artigo de Antonio Lina foi reproduzido por este site blog do espaço do jornalista e poeta Florisvaldo Mattos no Facebook, a quem o BP agradece a iniciativa de divulgação na rede social de texto tão rico, informativo e relevante para a história e cultura da maior festa popular da Cidade da Bahia. Obrigado ao autor e ao divulgador. (Vitor Hugo Soares, editor).
ARTIGO
CARNAVAL BAIANO, HISTÓRIA DA FOLIA
EVOÉ, MOMO!
Antônio Lins
“Colombina eu te amei, mas você não quis, eu fui para você um Pierrô feliz”.
É Carnaval na Bahia, o espelho onde a cidade toda se reflete, se olha se projeta ao mundo inteiro, se reconhece e se estranha, ano a ano. Herdeiro de muitas ancestralidades, de outros tantos festejos, equilíbrio precário e milagroso entre acordos e tensões, estados de espírito sensorialmente democráticos e espaços de exclusão e exclusividade; afro-latino, afro-barroco, uma possessão que toma conta e devora a cidade inteira.
Leia aqui a íntegra deste maravilhoso, e histórico, artigo de Antonio Lina. Conheça mais a história do melhor Carnaval do Mundo.
Quinta, 9 de outubro de 2019 Do Blog Bahia em Pauta
ARTIGO
*CEO brasileira é canonizada*
Nizan Guanaes
No próximo domingo, na praça do Vaticano, vou assistir à canonização de Irmã Dulce.Irmã Dulce não é apenas a primeira santa brasileira, ela é a primeira CEO brasileira a ser canonizada.
A Organização Social Irmã Dulce é o seu primeiro milagre. Franzina, saúde frágil, ela não tinha a rigor condições físicas de fazer nada nem de segurar um copo de água.
Mas seu hospital de mil leitos construído sabe Deus como é obra do seu empreendedorismo. O hospital começou num galinheiro nos fundos do convento e hoje tem 40 mil m².
Conheço bem a história da santa porque Irmã Dulce, que tinha sérios problemas pulmonares, era paciente do meu pai, médico pneumologista. Meu irmão André Guanaes, quando residente, também foi seu médico.
Pais de Ágatha choram durante velório da menina, no Rio de JaneiroCARL DE SOUZA (AFP)
Decidi não mais escrever nas minhas colunas “balas perdidas”, porque são apenas balas assassinas as que todos os dias em todo o Brasil, e principalmente nas favelas do Rio, acabam com a vida como a da inocente de 8 anos, Ágatha Vitória Félix. Testemunhas e vizinhos do Complexo do Alemão, onde a menina morava com sua família, dizem que não houve tiroteio entre a polícia e os traficantes de drogas. Na verdade, eles afirmam que o policial atirou na garota, que estava ao lado de sua mãe em uma van, ao tentar atirar em um motociclista.
Uma morte que despertou de maneira especial a consciência e até a linguagem dos excluídos daqueles bairros deixados à própria sorte. Pela primeira vez, uma daquelas pessoas anônimas que compareceram ao enterro da pequena Ágatha gritou dizendo: “Não foi uma bala perdida. Foi uma bala encontrada”. Na verdade, foi uma bala assassina como todas as que ceifam vidas inocentes.
Das cinco crianças que morreram este ano somente no Rio antes de começarem a viver, vítimas dessa violência que parece não ter fim, a da menina Ágatha teve uma repercussão especial e criou um debate novo até agora nas pessoas das favelas cansadas de tanta morte inútil. E obrigou as autoridades a não se contentarem com os rituais hipócritas e gastos de “lamentamos” e “abriremos uma investigação”. Desta vez, os órfãos de Ágatha, que somos todos nós, enfrentaram o poder que reagiu duro e surpreso.
O governador e ex-juiz do estado do Rio, Wilson Witzel, conhecido por sua política de que o melhor delinquente é aquele que a polícia entrega morto e que fez seu gesto macabramente famoso de que o é melhor “dar um tiro na cabecinha”, demorou a reagir para comentar a tragédia da nova mártir das favelas. Chegou-se a falar sobre seu “silêncio aterrador”. No final, a opinião pública o obrigou a sair do mutismo e até confessou que também tem uma filha de nove anos e sabe a dor que seria perdê-la.
No entanto, não deixou de lado sua postura de dureza em matéria da violência que mata especialmente negros e pobres e denunciou que “é indecente usar o caixão de uma inocente para fazer um ato político”. Aqueles que foram ao enterro de Ágatha não foram, no entanto, a um comício, foram doloridos e indignados, com o rosto em lágrimas. Era pura dor e raiva contra sua impotência diante da negligência do Estado nesses bairros, cenário da violência rotineira. E responderam ao governador que a indecência era deixar morrer tantos inocentes pela incúria de um estado que está permitindo e até incitando a polícia a fazer um verdadeiro extermínio com a desculpa de defendê-los contra o narcotráfico.
Talvez essa reação inédita à morte da menina alegre e cheia de vida das favelas se deva ao fato de que está nascendo, dentro e fora das favelas, uma nova resistência à situação criada pelo Governo de extrema-direita do presidente Bolsonaro, cujo lema e maior preocupação é matar sob a desculpa de proteger a vida.
É como se diante do cadáver de Ágatha, essas pessoas, acostumadas ao esquecimento daqueles que deveriam protegê-las, tivessem de repente se juntado ao grito de milhões de brasileiros que não aceitam mais um Governo e uma política baseada na segregação e até na perseguição de uma ditadura dissimulada.
Alguém quis sublinhar, nesse novo movimento de resgate dos valores da vida contra a obsessão da morte, que profeticamente a pequena Ágatha se chamava também Vitória e Félix, dois nomes que evocam o desejo de felicidade com o qual cada recém-nascido chega à vida e ao desejo de sair vitorioso da luta que o espera contra os poderes que tentarão fazer sua vida infeliz e castrar seus desejos de triunfar.
É o que o avô materno de Ágatha, Ailton Félix, quis destacar diante dos que gritavam, muitos deles jovens: “Basta do sangue do povo negro derramado na favela. Nos deixem viver em paz, sem essa falácia da guerra contra as drogas”. Lembrou que tinham matado uma menina “inteligente, estudiosa, obediente, de futuro”. Como a maioria dessas crianças a quem o Estado dá carta branca às forças policiais para matar.
E talvez o mais dramático seja que o Congresso está prestes a aprovar o projeto do ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, sobre a luta contra o crime. Assim como a hipocrisia da “bala perdida”, também neste documento se introduz o eufemismo hipócrita e vergonhoso do chamado “excludente de ilicitude”, que traduzido para o que entendem os pobres e negros das favelas significa que um policial, de agora em diante, não poderá ser punido por ter matado um inocente, pois ao atirar poderia estar em estado de estresse, medo ou emoção especial.
O mais grave dessa decisão é que ela introduz, sem debate da sociedade, a pior das penas de morte, a que não merece um processo nem um advogado de defesa. É simplesmente extermínio. É guerra. E é todo esse clima de morte fácil o que talvez estejam começando a entender até os menos cultos e, principalmente, suas maiores vítimas, os negros e os pobres das favelas, as quais também deveríamos começar a chamar mais do que favelas, de campos de extermínio e segregação social e racial.
Oxalá a bala assassina que arrancou a vida da pequena Ágatha Vitória Félix, que sonhava através dos estudos ser feliz e sair vitoriosa na vida, como seus nomes profetizavam, sirva para despertar a sociedade. Que toda ela tome consciência de que o Brasil deve gritar junto um NÃO cada vez maior a um poder que pretende ter direito sobre a vida e a morte da grande massa de anônimos e excluídos dos campos de concentração das periferias, onde o poder político e o econômico relegam esses milhões cuja única liberdade até hoje é a de chorar seus mortos.
==========
Lembrete do Gama Livre:
Como diz um trecho da música Bala Perdida, composição de Gabriel o Pensador:
‘A maioria ainda nem percebeu: Vocês tão muito mais perdidos do que eu.’
Veja abaixo um trecho da música.
Eu sou uma bala perdida, uma bala desgraçada
Inofensiva, feito uma criança abandonada
Eu estou sendo injustiçada
Não sou culpada
Se eu tô aqui é porque eu fui disparada
Eu não queria entrar na arma mas o dedo foi mais forte
O dedo me pôs na arma, puxou o gatilho, então porque que eu sou responsabilizada pela morte?
Leonel Brizola: volta do exílio há 40 anos e estreia de “Legalidade”…
… e Carlos Bolsonaro: polêmica detonada no Twitter
ARTIGO DA SEMANA
O que dizia Leonel Brizola e o que pensa Carlos Bolsonaro
Vitor Hugo Soares
Pode parecer estranho, mas o fato é que recordei de Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, ao deparar-me com o pensamento político e pessoal do vereador licenciado Carlos Bolsonaro, estampado no Twitter, detonador de debates acirrados e polêmicas nos terreiros “de
esquerda”, “de direita” e “de centro”, nas redes sociais e na mídia tradicional, no começo da semana: Maia, Alcolumbre, Witzel, Santa Cruz (OAB), ministros do Supremo, nomes de peso da imprensa e suas corporações se pronunciaram, com maior ou menor indignação, ou justificativas. E o assunto segue dando o que falar no palco e bastidores.
Fez-me lembrar do líder gaúcho e nacional, não só pelo que disse no tuite o filho do presidente, mas também por apelos jornalísticos e de sentimentos encaixotados na memória que, no dizer de Louis Buñuel, é o que salga e dá sentido à existência humana, “porque o homem sem memória não é nada”. E é setembro, o mês em que Brizola retornou de seu longo exílio político, há 40 anos, “com o coração cheio de saudades, mas limpo de ódios”, como declarou, em 1979, no aeroporto de Foz do Iguaçu, onde chegou com sua mulher e companheira leal e firme, de glórias e infortúnios, Neusa Goulart.
Do Blog Bahia em Pauta, com informações do Jornal do Brasil
EDISON VEIGA
O processo de reconhecimento como santo do religioso brasileiro dom Hélder Pessoa Câmara (1909-1999) entrará em nova etapa na semana que vem.
Trata-se da abertura da fase romana das investigações. A morte do cearense com forte atuação em Pernambuco completa 20 anos nesta terça (27).
“O próximo passo será o papa reconhecer, em nome da Igreja, que dom Hélder praticou em grau heroico as virtudes cristãs. Aí ele será declarado venerável”, disse à Folha Jociel Gomes, frade franciscano responsável por realizar o pedido junto ao Vaticano.
As águas presas na barragem de concreto estão surpreendentemente calmas nestes primeiros meses de um ano que, talvez contaminado pelo ódio que lhe rege, resolveu entrar no jogo rasteiro que domina o país e, depois de embaralhar as cartas, cortá-las ao meio e distribuí-las a si próprio, baixou várias sequências sujas, espalhou os mortos sobre a mesa e postou uma selfie aos milhares de seguidores, dizendo: “tamo junto, milicianos do bem!”.
Mas como eu dizia, apesar da ameaça que avança pelas barrancas dos afluentes que vêm das Gerais, o rio em minha frente segue sua vidinha de sempre, com seus clássicos remansos da tarde contornando a pedra onde dezenas de garças pousam para tomar fôlego antes de voltar aos seus ninhos; com as aragens ligeiras arrepiando sua lâmina como se fossem cabelos de crianças no embalo das primeiras bicicletas; com canoas passando lentas, socós voando raso e lava-cus lavando-os rápidos, ou seja, tudo mais ou menos parecido com aquele suicida otimista que pulou do centésimo andar e, antes de se espatifar no chão, passou gritando pelas janelas: “até aqui tudo bem!”. Mas, sinceramente, tenho uma leve esperança de que esta aparente normalidade continue. Explico.
“Senhor Lauro Jardim, isso não é jornalismo, isso é terrorismo”, disse Jair Bolsonaro, em vídeo publicado nas redes sociais em fevereiro de 2018, dirigindo-se a um colunista do jornal O Globo. Jardim havia escrito que, em palestra para empresários, Bolsonaro sugerira metralhar a favela da Rocinha caso os traficantes não abandonassem o local, uma notícia que o então pré-candidato à presidência da República brasileira classificou de “falsa”, de “barbaridade” e de “loucura”. De então para cá, os filhos de Bolsonaro e outros membros do núcleo presidencial atacam o jornalista sem piedade nas redes sociais.
Avancemos um ano, para terça-feira desta semana, dia 29. Enquanto Bolsonaro, sedado, se recupera de operação aos intestinos, o seu vice-presidente, general Hamilton Mourão, assume a presidência interina do Brasil por 48 horas. Quase no fim do expediente, recebe, imagine-se, Jardim, alvo de Bolsonaro, dos seus filhos e do restante círculo íntimo do presidente, para uma conversa. À saída do encontro, o vice-presidente ainda diz considerar a presença de Lula da Silva no enterro do irmão mais velho, falecido instantes antes, “uma questão humanitária”. O antigo presidente é o maior alvo político de Bolsonaro.
Uma entrevista 'Não é uma reunião para troca de amabilidades ou uma ação entre amigos, mas oportunidade de produzir informações, revelar contradições, desmascarar imposturas.'
Do Blog Bahia em Pauta
Presidenciáveis com Bonner e Renata no “JN”: polêmicas nas redes
ARTIGO DA SEMANA
Presidenciáveis no “JN”: Deus e o Diabo na TV
Vitor Hugo Soares
Ateu que acredita em milagres – depois da entrevista do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no Jornal Nacional e diante dos disparos barulhentos e raivosos de ofensas e ataques pessoais aos apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos (além de rajadas contra a TV Globo e seus donos) nas redes sociais em chamas, – rogo a Santo Antonio da Glória e ao Senhor do Bonfim da Bahia, para que livrem o País de “um mal passo” nas eleições presidenciais que se aproximam.
Na véspera, fenômeno semelhante já se dera em relação à passagem do candidato do PDT, Ciro Gomes, pela bancada de âncoras do JN, os dois como o Diabo gosta (Deus também, creio) e o jornalismo vibra em prós e contras. Sem refresco também, na quarta e quinta, para Geraldo Alckmin (PSDB), e Marina Silva ( REDE). Produção ao vivo, de competência técnica, conteúdo informativo e polêmico, sem espaço para oba-oba. Falhas, exageros e equívocos também, por parte dos entrevistadores, sim. Mas Renata e Bonner, no balanço geral, fizeram o que se espera de profissionais de comunicação ao entrevistar candidatos em campanha eleitoral: perguntas sobre temas de interesse público, que cobram respostas cabais. Sem concessões a proselitismos vazios, gabolices intelectuais, arrogâncias explícitas ou mal disfarçadas, dubiedades, desculpas esfarrapadas ou valentias retóricas que cheiram a bravatas.
Leia aqui a íntegra do artigo da semana de Vitor Hugo, editor do Blog Bahia em Pauta
Mesmo com baixas consideráveis, de público e de políticos, na segunda-feira do jogo Brasil x México, o cortejo do 2 de Julho – data magna cívica dos baianos – esteve à altura de sua tradição, em Salvador: dividiu opiniões nas redes sociais, abriu polêmicas partidárias e desavenças ideológicas, e serviu de termômetro de popularidade de governantes e candidatos, locais e nacionais, uma praxe em anos de eleições, a exemplo deste 2018.
Quinta, 29 de março de 2018
Do Blog Bahia em Pauta
ARTIGO
Bahia, Bahia, Bahia:Viva!!!
Gilson Nogueira
Hoje, 29 de março de 2018, o Esporte Clube Bahia completa 58 anos de sua maior proeza no futebol, desde que o esporte das multidões passou a ser considerado a cara do Brasil, após a conquista, em 1958, da sua primeira Copa do Mundo, com Pelé, Didi, Nilton Santos, Garrincha, Gérson e outras feras que jamais serão igualadas, em campo, envergando o uniforme verde, azul, branco e amarelo da Seleção. Mesmo carregando nos ombros a zebra dos 7 a 1, tomados da Alemanha, o Brasil, com a bola nos pés, assusta qualquer adversário.
Em junho, na Rússia, eles, os gringos e os não gringos, tremerão de medo e de frio. Mas, o que minha alma quer, agora, no instante em que a cabeça explode feito bomba arrasa quarteirão, no quintal de minhas mais gratificantes lembranças, ao recordar instantes em que, ao lado de meus pais e meus irmãos, na voz de Jorge Curi, lenda da locução esportiva no país, no Século XX, ouvimos, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em ondas curtas, a empáfia sulista da bola cair aos pés dos heróis do Esquadrão de Aço, quando o irmão do cantor Ivon Cury cantou, com aquela voz inimitável,” O Bahia é o primeiro campeão da Taça Brasil!!!” ??? O grito de Glória, para o baianos, que Acordou Deus no Vestiário do Universo, ecoa feito gol além das placas, interminável.
Aos 14 anos, sem nunca ter entrado no maior estádio do mundo, o Maracanã, na época, senti, naquele lendário 3 a 1 que os comandados de Geninho haviam aplicado no Santos Futebol Clube do meu querido primo Cássio, que meu coração, além de vermelho sangue, era, também azul e branco. E fiquei, na sala, ajoelhado, enquanto meu pai abria uma cerveja preta, ao pé do rádio, e elogiava a histórica performance dos meninos, imaginando aqueles jogadores vestidos de cowboy atirando acarajés e abarás para a torcida paulista que havia lotado o Maraca, com um recadinho no copinho de pimenta: Hei, rapaziada, de agora em diante, quando vocês falarem sobre os melhores jogadores do país, lembrem-se que, além de Caymmi e João Gilberto, sem citar outros gênios, Salvador, capital da Bahia, tem Biriba, Marito, Nadinho, Florisvaldo e Companhia.
O Bahia orgulha o Brasil! Seria bom que os atuais atletas do técnico Guto Ferreira conhecessem, ao lado dele, a história do clube que defendem. E que parassem de dançar. A torcida os quer jogando bola. E bem. Em tempo, perguntei ao mestre do jornalismo esportivo, Antonio Matos, se o Bahia completa 58 ou 59 , hoje, da mais que célebre conquista da Primeira Taça Brasil, considerada o Primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol, pela CBF, e ele, com a classe de sempre, respondeu-me:” Cinquenta e oito, porque a I Taça Brasil, disputada em 1959, somente se encerrou em 29 de março de 1960, no Maracanã, em razão de o Santos ter excursionado para a América do Sul, em dezembro de 59.” Viva!!!
Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.
Hino do Esporte Clube Bahia | Oficial
=========================
Comentário do editor do Blog Gama Livre: Baêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêaaaaa!!!!!!
Temer no Fórum Mundial da Água: comício no Itamaraty…
…e a quinta-feira no STF:sessão inglória.
ARTIGO DA SEMANA
Comício de Temer no Fórum e a jabuticaba da Páscoa de Lula
Vitor Hugo Soares
É de doer: acordar na segunda-feira (19), deste ensandecido fim de março, quase abril, na Quaresma de 2018, e, logo cedo, dar de cara com a imagem do mandatário, Michel Temer, em evento transmitido pela TV: noventa e quatro horas antes do Dia Mundial da Água, na quinta-feira, 22, e a três dias do “colapso do disjuntor” na área da usina de Belo Monte (PA), apontado até aqui, por vozes oficiais, como principal responsável pelo desastre que redundou no caótico apagão que atingiu mais de 80 milhões de pessoas no Norte e Nordeste do país. E gerou uma tarde e noite de cão em Salvador.
Aguarda-se o balanço completo dos prejuízos materiais, humanos, econômicos e psicológicos deste desastre que coloca a população, de novo, diante de um dos seus maiores temores de outros tempos, nem tão distantes: a insegurança nas redes de distribuição de energia elétrica e os transtornos da falta de luz. Mera incompetência de gestão, como muitos afirmam, ou, como outros tantos suspeitam, jogo de setores poderosos e corporações atuando em favor das privatizações no sistema Eletrobras? Incluindo a CHESF?, a hidrelétrica que vi Café Filho inaugurar, na Paulo Afonso da minha infância.