Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Juan Arias, no El País (Opinião): Por que Greta, sempre séria e segura de sua missão, desperta os instintos mais baixos do machismo?

Quarta, 25 de dezembro de 2019
Do Blog Bahia em Pauto, com informações

O que Jesus pensaria de Greta Thumberg neste Natal?

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

É preciso acabar com a hipocrisia do termo “balas perdidas”. São balas assassinas

Quinta, 26 de setembro de 2019
Do Blog Bahia em Pauta, um texto do El País
DO EL PAÍS


terça-feira, 9 de abril de 2019

Juan Arias (El Pais): O Exército não pode voltar a sujar as mãos matando inocentes na rua

Terça, 9 de abril de 2019
O pequeno, filho do assassinado, continua gritando desconsolado: “O que fizeram com meu pai!”.

Os militares brasileiros, que tentam se redimir de um passado em que mancharam o país de sangue e morte, não podem deixar de refletir e de se assustar com o fato de gente trabalhadora e anônima desta vez não ter medo de chamá-los de “assassinos” à luz do sol.

DO EL PAÍS

Juan Arias


Moradores e militares no local onde Evaldo dos Santos Rosa foi morto, em Guadalupe, Rio de Janeiro.
Moradores e militares no local onde Evaldo dos Santos Rosa foi morto, em Guadalupe, Rio de Janeiro. Fabio Teixeira AP

Fez bem a cúpula do Exército ao prender em flagrante, sem esperar, 10 dos 12 militares que na tarde do domingo alvejaram com 80 disparos de fuzil um carro onde viajava uma família inteira, com uma criança de 7 anos e uma menina de 12. O tiroteio acabou com a vida do músico Evaldo Rosa dos Santos e podia ter culminado no massacre de uma família inteira, em Guadalupe, área pobre da Zona Norte do Rio. O pequeno, filho do assassinado, continua gritando desconsolado: “O que fizeram com meu pai!”.

domingo, 10 de março de 2019

Querer matar o Carnaval é um atentado à alma do Brasil

Domingo, 10 de março de 2019

Diante do que já foram os carnavais medievais na Igreja, os de hoje poderiam ser considerados até excessivamente castos


Do El País

O presidente brasileiro, o capitão aposentado Jair Bolsonaro, é um cristão praticante que quando sai do carro e encontra um grupo de seguidores os convida a fazer uma oração ali mesmo. Seu lema é “Deus acima de todos”. Durante o Carnaval, uma vez mais o Brasil colocou na rua milhões de pessoas de todas as idades e condições sociais, em um clima de festa que o Nobel de Literatura, Vargas Llosa, descreveu neste jornal anos atrás, depois de ter participado no Rio com toda a sua família, como o “maior espetáculo sexual de massa”.

O presidente Bolsonaro, no entanto, ficou escandalizado este ano com algumas cenas escatológicas protagonizadas por dois homens no Carnaval de São Paulo. E colocou em seu Twitter o vídeo com a cena para execrá-la. Foi acusado em seguida de ter colocado um “vídeo pornográfico” na rede. A notícia correu o mundo. E como se não bastasse, ainda em estado de excitação e indignação, o presidente perguntou na rede se as pessoas sabiam o que era “golden shower”, o fetiche de urinar no parceiro ou na parceira por prazer sexual, ao qual a cena de vídeo se referia. Sua indignação foi vista como uma condenação do Carnaval que para os brasileiros é a maior manifestação festiva de massa de sua história, uma metáfora de sua idiossincrasia cultural como escreveu em suas obras magistrais o maior antropólogo brasileiro, Roberto DaMatta.
Na biografia de Bolsonaro constam episódios escabrosos relacionados ao sexo e à sua fobia de gays e mulheres, como quando disse à colega deputada Maria do Rosário, em pleno Congresso, que “não a estuprava porque não merecia”, referindo-se à sua aparência física, ou quando explicou que de seus cinco filhos a única que nasceu mulher foi porque “deu uma fraquejada”. Sua sexualidade ainda não parece pacificada e ele a projeta em símbolos fálicos de armas.
A indignação do presidente com alguns excessos de tipo erótico do Carnaval como festa orgástica teria sido menor se ele soubesse, por exemplo, o que foram o Risus Paschalis na Igreja Católica e as falofórias antigas realizadas em uma espécie de carnaval sagrado, obsceno e pagão em homenagem à deusa Maromba. As mulheres saíam com grossos falos artificiais presos no quadril, que exibiam eretos nas festas agrícolas. As sacerdotisas acabavam celebrando orgias, se masturbando e realizando atos lésbicos.
Duas importantes historiadoras e antropólogas, María C. Jacobelli e Francisca Martín Cano Abreu, estudaram os ritos pagãos antigos para relacioná-los com o Risus Paschalis, realizado nas igrejas católicas do século IX até o século XIX. A Igreja acabou herdando parte desses ritos relacionados com a exaltação lasciva da sexualidade e eram praticados por sacerdotes dentro da Igreja, durante a missa, especialmente no período da Páscoa, depois da longa e dura quaresma. Foi chamado de Risus Paschalis porque sua função, como em um carnaval religioso, era promover a hilaridade nos fiéis que compareciam à missa.
O que os sacerdotes faziam durante o sermão para fazer rir e divertir os fiéis, hoje escandalizaria o Bolsonaro católico e evangélico. E isso acontecia, praticamente, em toda a Europa. O site Edad Media, que estuda a cultura daquela época, descreve assim o risus paschalis: “Esse costume histórico assumia que o sexo estava presente em plena missa”. Era uma forma bizarra e desinibida de manifestar o prazer sexual no espaço sagrado. Durante a missa, o sacerdote devia provocar a alegria da Páscoa até fazer os fieis rirem e para isso podia fazer gestos indecentes e obscenos como mostrar o pênis e imitar o ato sexual ou se masturbar. Bem como contar piadas obscenas, arrancando gargalhadas dos fiéis. Em alguns casos, o ato sexual era realizado ao vivo, durante a missa, embora tenha sido proibido pelos bispos. Eles consideraram que era demais. A piada devia se limitar à gestualidade e no máximo à masturbação.
E o sexo não somente era presente e real nas igrejas e até durante a missa nas grandes festividades litúrgicas, especialmente na Páscoa, como foi plasmado nas mais famosas igrejas românicas na Europa. No século XIV, por exemplo, existia o costume de pintar e esculpir cenas obscenas nas paredes e nos coros das igrejas. Algumas dessas cenas são abertamente eróticas, sem falar que algumas aludem ao sexo com animais.
Até na culta e renascentista Itália é possível encontrar pinturas de forte conteúdo erótico e lascivo como na Igreja de Santa Maria Novella, em Gubbio, onde há pinturas que não deixam nada a dever ao Kama Sutra. Em Todi, na igreja de São Francisco, existe um famoso portal no qual está representado um ato sexual entre um sacerdote e uma freira. E na catedral de Trasacco, na província de Áquila, para distinguir a porta dos homens daquela das mulheres aparecem esculpidos em cada uma delas os órgãos genitais masculinos ou femininos.
A prática do Risus Paschalis acabou sendo proibida pelo Concílio de Trento, no século XVI, embora, de acordo com fontes históricas, em algumas igrejas, especialmente na Alemanha, ainda havia vestígios de tais jogos eróticos nas igrejas até o século XIX. Mas se a Igreja oficial acabou com o Risus Paschalis, deixou viva até hoje nas pinturas de suas igrejas a força que o sexo teve durante séculos e até em suas formas mais eróticas e lascivas dentro do catolicismo. Não os destruiu.
Diante disso, e sendo professora a história, Bolsonaro não deveria sofrer com certos excessos eróticos do seu Carnaval. Diante do que já foram os carnavais medievais na Igreja, os de hoje no Brasil poderiam ser considerados até excessivamente castos. Ou não, presidente? Quando o senhor se sentir tentado novamente a exibir, para condená-los, alguns vídeos do Carnaval, lembre-se das falofórias e do Risus Paschalis. Aliviarão sua consciência e no próximo ano o senhor se animará a sambar sem medo.
Não sou brasileiro, mas querer matar o Carnaval, que neste ano manteve viva sua força de resistência contra as tentações autoritárias e inquisitoriais, me parece um atentado à alma deste país. Como escreveu a poeta Roseana Murray, o povo brasileiro é capaz de reunir sua índole festiva com o protesto dos cidadãos. Sabe mostrar suas garras rindo e dançando ao mesmo tempo. Este também é o Brasil. Quer goste ou não o nosso novo presidente.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Juan Arias (no El Pais): Os ratos que hibernavam nas sombras, agora voltaram à atividade, com força e autoridade para ditar

Segunda, 27 de novembro de 2017
Do Blog Bahia em Pauta

Os roedores que passearam pelo plenário da Câmara durante sessão da CPI da Petrobras em 2015. L. MACEDO Ag. Câmara

DO EL PAÍS
Opinião

Com Temer os ratos estão saindo de suas tocas

Juan Arias
Em 2015, durante uma sessão da CPI da Petrobras, um funcionário do Congresso soltou um punhado de ratos que começaram a correr entre as pernas de suas senhorias espantadas. Era só uma brincadeira. Hoje, quem saiu de suas tocas são os ratos que passeiam com a cabeça erguida pelo Congresso e ninguém se espanta. O que mudou para que os representantes do povo exibam seus instintos mais retrógrados, como saídos da Idade Média, cortando direitos já adquiridos a favor do diferente, excomungando a cultura, e querendo transformar o Congresso, coração da laicidade do Estado, em um templo religioso em que a Bíblia, lida incorretamente, começa a ser mais importante do que a Constituição?

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Juan Arias (no El Pais) O que acontece com o magistrado do Supremo Tribunal Federal? A pergunta é feita por pessoas nas ruas, psicanalistas e colegas de Gilmar

Terça, 21 de novembro de 2017
Do Blog Bahia em Pauta
DO EL PAÍS

Opinião
Gilmar Mendes e a síndrome de Estocolmo invertida

Por Juan Arias, do El País Brasil

O que acontece com o magistrado do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes? A pergunta é feita por pessoas nas ruas, psicanalistas, bem como por mais de um de seus colegas de toga. Ao saber, por exemplo, que sou jornalista, enquanto esperava um ônibus, um senhor de meia-idade que nem se lembrava muito bem do nome do magistrado me perguntou, sem muita sutileza, o que eu pensava “desse juiz que solta os corruptos importantes, é contra a Lava Jato e defende o trabalho escravo”.

domingo, 2 de julho de 2017

CORRUPÇÃO NO GOVERNO: Agonia de Temer alonga a crise no Brasil

Domingo, 2 de julho de 2017
Do El País Brasil

Encurralado pela corrupção, o presidente se agarra ao cargo e afunda o país na incerteza política que se prolonga desde 2013

Presidente Michel Temer em evento no Palácio do Planalto.  AFP

Um presidente pode sobreviver com uma rejeição de 80% dos eleitores, uma denúncia do procurador-geral por receber subornos e um programa de reformas impopulares? Esse presidente –que nem sequer ganhou nas urnas, mas chegou ao poder através de uma conspiração parlamentar– tem, além disso, oito ministros sob investigação por corrupção. O país inteiro pôde ouvi-lo falar às escondidas com um bilionário corrupto, que lhe relata suas manobras enquanto o presidente dá mostras de assentimento. O país inteiro viu as fotos de seu principal assessor pegando uma mala com 500.000 reais das mãos de um enviado do empresário corrupto. Sobre sua relação com esse bilionário, que agora trata de “bandido notório”, o presidente mentiu ostensivamente: negou, por exemplo, que este lhe tivesse emprestado seu jato particular, até que as provas o deixaram em evidência.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Juan Árias no El Pais: como o império Odebrecht usou Lula com sua auréola de ex-presidente mítico para convertê-lo em um logotipo de suas obras

Quinta, 20 de abril de 2017
Do Blog Bahia em Pauta e El País Brasil


DO EL PAÍS
OPINIÃO
JUAN ÁRIAS

Lula, marionete, fetiche e quixote da Odebrecht
JUAN ÁRIAS

Se Miguel de Cervantes chama o Quixote, personagem central de sua obra, de “o cavaleiro da triste figura”, na novela das confissões de Emílio e Marcelo, pai e filho do império da Odebrecht, Lula aparece como marionete e fetiche daquele império hoje em ruínas. Como Cervantes criou o personagem Don Quixote de la Mancha, os Odebrecht apresentam Lula como uma figura inventada por eles. Emílio, o pai, afirma que foi ele que, não só conseguiu a primeira vitória do ex-sindicalista em 2002, a custa de milhões, como também transformou aquele que Leonel Brizola – dirigente histórico da esquerda brasileira – chamava de “sapo barbudo”, em um presidente elegante, com gravata, reformista, a quem ajudou a escrever a famosa “Carta ao Povo Brasileiro”. Certo ou fanfarronada?

Emílio se vangloria de que Lula “não era de esquerda”. Diz que “não era dos que gostavam de tirar dos ricos para dar aos pobres”. Que também ele gostava de bancar o rico. Segundo suas confissões, Emílio conhecia Lula desde os anos 70, quando era sindicalista e então já dera uma mão ao empresário para amansar uma greve. Desde então, os Odebrecht se vangloriam de ter sido os ventríloquos de Lula, que atuaria em todos os momentos de conflito da empresa para resolver seus problemas e conseguir a aprovação de leis que lhes favoreceriam. “Fui até ele e lhe disse: ‘você precisa tomar uma decisão’”. Era Emílio quem decidia, segundo a versão que contou aos promotores da Lava Jato.

sábado, 15 de abril de 2017

Os vídeos das delações da Odebrecht que comprometem Temer

Sábado, 15 de abril de 2017
"Temer está pedindo 10 milhões", diz Marcelo Odebrecht. Assista aos depoimentos

Do El País Brasil

São Paulo
O presidente brasileiro Michel Temer e o atual ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, no passado dezembro
O presidente brasileiro Michel Temer e o atual ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, no passado dezembro AP
A mais recente enxurrada de informações divulgada pelo Supremo Tribunal Federal sobre a Operação Lava Jato atinge de forma direta ao presidente Michel Temer. O próprio procurador geral da República, Rodrigo Janot, explica, num relatório, que há motivos suficientes para pedir a abertura de uma investigação a Temer, mas que ele teve que recuar pela imunidade temporária que confere a Constituição aos presidentes. Janot aponta que Temer, quando ainda era vice-presidente, "capitaneava" o grupo do PMDB na Câmara que desenvolvia um esquema de cobrança de propinas através de dois estreitos colaboradores, os atuais ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. Ambos estão incluídos na Lista de Fachin de políticos que vão ser investigados por acusações de corrupção.

As conclusões de Janot sobre Temer estão embasadas nos depoimentos de antigos diretores da Odebrecht. O próprio ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, contou aos fiscais da Procuradoria Geral da República que em 2014 recebeu uma solicitação de Temer para repassar 10 milhões de reais ao PMDB. O recado foi transmitido por Cláudio Melo Filho, diretor de Relações Institucionais da empreiteira em Brasília, o homem que mantinha contato permanente com os políticos do Congresso. Num trecho do seu depoimento, Marcelo fala de uma conversa com o aliado de Temer, Paulo Skaf, presidente da Federação de Indústrias de São Paulo (FIESP), o sindicato patronal que turbinou no ano passado uma forte campanha em favor do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2014, Skaf era candidato pelo PMDB ao Governo de São Paulo e também solicitava uma doação ao presidente da empreiteira. Marcelo explicou ao presidente da FIESP que além disso tinha um pedido anterior de Temer e que então eles dois deveriam dividir o dinheiro. Este é o relato do empresário no depoimento perante a Procuradoria Geral da República: 

sexta-feira, 31 de março de 2017

A Lava Jato avança de verdade, agarrando os corruptos pelo bolso

Sexta, 31 de março de 2017
Do jornal El País Brasil
Opinião

A Lava Jato avança de verdade

Juan Arias

A Lava Jato colocou pela primeira vez na mira não apenas políticos com nome e sobrenome, mas todo um partido, o PP (Partido Progressista), acusado de improbidade administrativa, pedindo a devolução para os cofres de Estado de 2 bilhões de reais. É uma novidade na guerra contra a corrupção. Isso, junto com a condenação do ex-presidente do Congresso Eduardo Cunha a 15 anos de prisão, tudo no mesmo dia, revela que a Lava Jato não demonstra sentir medo frente às possíveis manobras que, contra ela, parecem estar tramando no Congresso com o debate sobre uma lei de responsabilidade que, aprovada nesse momento e às pressas, pode ser vista como uma tentativa de amarrar as mãos dos juízes em sua luta contra a corrupção. A decisão de pedir a condenação de todo um partido e de 10 de seus líderes políticos significa que o juiz Moro e sua equipe avançam de verdade e que o resultado final de suas investigações ainda é difícil de adivinhar.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Imóveis milionários, Cunha, PCC: as polêmicas de Alexandre de Moraes

Terça, 7 de fevereiro de 2017
Do El País — Brasil

Indicado por Temer para o STF comprou oito imóveis por 4,5 milhões de reais em 4 anos


Alexandre de Moraes nega ilegalidades


Questionamentos sobre o patrimônio


No  mesmo dia em que foi indicado por Michel Temer para ser o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na vaga de Teori Zavascki, o ministro agora licenciado da Justiça Alexandre de Moraes teve de lidar com o questionamento de seu patrimônio. De acordo com reportagem do BuzzFeed, ele  acumulou patrimônio milionário no serviço público. Entre os anos de 2006 e 2009, quando foi membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e secretário do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), Moraes comprou oito imóveis por 4,5 milhões de reais, conforme o site. A lista de aquisições inclui dois apartamentos luxuosos em São Paulo, onde vive, e terrenos em um condomínio dentro de uma reserva ambiental. Ao site, o ministro disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que “todos os imóveis foram adquiridos com os vencimentos de promotor de Justiça, professor universitário e a venda de mais de 700 mil livros”. Disse ainda que tudo estava declarado em seu imposto de renda.

Para ler a íntegra, acesse o link
http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/06/politica/1486411237_003158.html

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Moreira Franco, o ‘czar’ das privatizações de Temer na mira de Cunha

Segunda, 21 de novembro de 2016
Do El País — Brasil

Peemedebista tem 25 bilhões de reais para distribuir em financiamentos a empresários


Moreira Franco, em junho passado. TÂNIA REGO AG. BRASIL

AFONSO BENITES
Brasília 
Se alguém quiser tirar do rumo o secretário do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do Governo Michel Temer, Moreira Franco, basta citar o nome de um político: Eduardo Cunha, o maquiavélico ex-deputado federal do PMDB preso pela Operação Lava Jato sob suspeita de corrupção. Escolhido para ser a primeira vidraça contra quem Cunha mirou sua artilharia, ainda antes de estar detido em Curitiba, Moreira Franco se esforça para não mudar sua fisionomia ou alterar o tom de voz quando tem de tratar de seu correligionário. Um esforço inócuo.

Diz que tudo o que Cunha tem dito sobre ele são “insinuações malévolas” e que não há nenhum lastro de verdade. “A minha indignação é santa”. Por que, então, foi o eleito para ser o primeiro alvo de Cunha, um potencial delator da Lava Jato? “Essa pergunta você tem de fazer para ele”, responde rispidamente o secretário, ao EL PAÍS.

Vidraça desde setembro

Um dos principais aliados de Michel Temer desde a década de 1990, Moreira Franco é um dos homens-fortes da gestão, ao lado de Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Romero Jucá (defenestrado do Ministério do Planejamento por causa da Lava Jato e agora reinstalado como líder do Governo no Senado). Ganhou posição estratégica no Governo empossado em maio, virou o czar das privatizações, carregando para si a responsabilidade de gerenciar um orçamento de aproximadamente 25 bilhões de reais. O valor será usado em financiamentos a serem distribuídos para empresas privadas que participarem das licitações dos programas de privatizações e concessões no Brasil. Até o momento, 34 projetos foram apresentados e os primeiros resultados devem começar a surgir em meados de 2017.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

E se os mais ricos ajudassem a pagar o rombo nas contas públicas? Auditoria Cidadã da Dívida e jornal El País

Quarta, 25 de maio de 2016
Qual o verdadeiro papel da tributação? Na teoria, a repartição dos encargos financeiros do Estado pelos cidadãos tem como objetivo a busca de uma sociedade mais justa e igualitária, impondo uma legislação mais equitativa àqueles que detêm uma maior concentração de riquezas.

Mas no Brasil, infelizmente não é assim que funciona. Com um sistema tributário regressivo (proporcionalmente quanto mais se ganha menos se paga) excessivamente concentrado no consumo de bens, serviços e nos salários, o papel do estado de amenizar desigualdades socioeconômicas fica profundamente comprometido.

O jornal El País levanta o assunto da isenção do imposto que taxava em 15% os lucros e dividendos recebidos por donos de empresas e acionistas, mas que foi extinto em 1995. Esse tributo poderia render cerca de R$ 43 bilhões de reais por ano ao governo.

Outra sugestão da publicação é o aumento do imposto sobre heranças, que atualmente está em 4%.

O modelo de tributação em vigor no país além de privilegiar a concentração de renda não promove justiça social.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Panamá Papers: Investigação mundial revela contas ocultas de chefes de Estado

Segunda, 4 de abril de 2016
Do El País — Brasil
Putin, em uma foto de arquivo. REUTERS

Chefes de Estado e de Governo em exercício e aposentados, políticos, grandes empresários, esportistas de elite, atores e artistas de prestígio mundial figuram como titulares ou vinculados a empresas de fachada no grande vazamento de dados do escritório de advogados panamenho Mossack Fonseca, especializado na criação de empresas offshore, revelaram vários meios de comunicação de todo o mundo. Entre as personalidades que emergem do exame dos 11,5 milhões de documentos filtrados pelo Wikileaks e pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos figuram amigos pessoais do presidente russo, Vladimir Putin; o ex-presidente da UEFA Michel Platini; o primeiro-ministro islandês, Sigmundur David Gunnlaugsson; o presidente da Argentina, Mauricio Macri, assim como pessoas relacionadas com 72 chefes ou ex-chefes de Estado ou de Governo. Também figuram nos papéis empresas vinculadas ao jogador de futebol do Barcelona Lionel Messi e várias personalidades espanholas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Lava Jato começa o ano com citações de quatro presidentes do Brasil

Segunda, 18 de janeiro de 2016
Do El País — Brasil
Por Gil Alessi 
Collor, FHC, Lula e Dilma foram mencionados nos autos recentes das investigações
Não existe recesso para a Operação Lava Jato. Pelo menos não para os vazamentos de informações que acompanham a investigação. Antes mesmo do primeiro mês do ano ter chegado ao final, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fernando Collor de Melo (PTB-AL) e a atual mandatária Dilma Rousseff foram citados nos autos. Além dos quatro, o chefe da Casa Civil da petista e homem-forte em evidência no Governo, Jaques Wagner, também aparece em delações premiadas. Até o momento, apenas o petebista é alvo de acusações formais por parte da Procuradoria-Geral da República, mas existe a expectativa de que a menção a nomes ligados ao Governo possa colocar mais lenha na fogueira da crise política, em um momento no qual o Planalto parecia respirar ares mais tranquilos após um 2015 massacrante.
 
Lula, Dilma, FHC e Collor. R. Stuckert Filho/PR

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

1500, o ano que não terminou. Quem chorou por Vitor, o bebê indígena assassinado com uma lâmina enfiada no pescoço?

Segunda, 4 de janeiro de 2015
Do El País Brasil
Um menino de dois anos foi assassinado. Um homem afagou seu rosto. E enfiou uma lâmina no seu pescoço. O bebê era um índio do povo Kaingang. Seu nome era Vitor Pinto. Sua família, como outras da aldeia onde ele vivia, havia chegado à cidade para vender artesanato pouco antes do Natal. Ficariam até o Carnaval. Abrigavam-se na estação rodoviária de Imbituba, no litoral de Santa Catarina. Era lá que sua mãe o alimentava quando um homem perfurou sua garganta. Era meio-dia de 30 de dezembro. O ano de 2015 estava bem perto do fim.

E o Brasil não parou para chorar o assassinato de uma criança de dois anos. Os sinos não dobraram por Vitor.

Sua morte sequer virou destaque na imprensa nacional. Se fosse meu filho, ou de qualquer mulher branca de classe média, assassinado nessas circunstâncias, haveria manchetes, haveria especialistas analisando a violência, haveria choro e haveria solidariedade. E talvez houvesse até velas e flores no chão da estação rodoviária, como existiu para as vítimas de terrorismo em Paris. Mas Vitor era um índio. Um bebê, mas indígena. Pequeno, mas indígena. Vítima, mas indígena. Assassinado, mas indígena. Perfurado, mas indígena. Esse “mas” é o assassino oculto. Esse “mas” é serial killer.