Terça, 10
de Fevereiro de 2015
*Escrito por
Valéria Nader e Gabriel Brito, da Redação
“A eleição de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) para a presidência
da Câmara é a vitória da política como negócio, do clientelismo como método de
conquistar mandatos, da cristalização dos interesses das grandes corporações
sobre o sistema partidário nacional. Abre-se uma quadra em que ou os setores
populares se mobilizam ou viveremos graves retrocessos”, analisou o deputado
federal Chico Alencar (PSOL-RJ), que concorreu ao cargo, em entrevista ao
Correio da Cidadania.
O parlamentar reforça os alertas a respeito do aumento da
hegemonia da política de compadrio e da total ascendência do poder econômico
sobre o político, inclusive com futuras tentativas de mudanças constitucionais.
Ainda mais num Congresso que passa muito longe de representar a diversidade da
população.
Além de explicar as motivações da “anti-candidatura” de
seu partido, Chico também criticou outro recuo petista, anunciado na troca de
liderança do partido na Câmara. “A substituição de Fontana, mais ideológico e
progressista, pelo Guimarães, mais ‘pragmático’ e ‘flexível’, sinaliza esse
caminho retrancado e conciliador com as elites dominantes”.
Em tal cenário, defende ser “urgente construir uma plataforma
mínima de lutas, pela via da articulação, já embrionária, de uma Frente pelas
Reformas Populares”. Quanto a um cenário de desestabilização política que
poderia impulsionar um movimento de impeachment de Dilma, Chico pondera que
“por incrível que pareça, chegamos a um ponto em que as investigações da
Operação Lava Jato poderão... Salvar o governo Dilma! A teia de cumplicidades e
corrupção deve se revelar tão ampla que o Congresso estará sem moral para
caminhar nessa direção. O cenário lembra o da Operação Mãos Limpas, na Itália”,
analisou.
A entrevista completa com Chico Alencar pode ser lida a
seguir.
Correio da Cidadania: Como você
analisa a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara dos
Deputados? Que consequências você imagina que possam se dar na política
congressual?
