Pimenta e gás nos olhos de Chico Alencar e Glauber Braga não é refresco. Os dois são deputados federais pelo Psol/RJ. A foto está voando nas asas do WhatsApp.
Representação contra o deputado Chico Alencar é arquivada pelo Conselho de Ética —Antônio Cruz/Agência Brasil
O
Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiu hoje (10), por
unanimidade, arquivar o pedido de abertura de processo de investigação
sobre suposta quebra de decoro do líder do PSOL na Câmara, deputado
Chico Alencar (RJ).
O relator do caso, deputado Sandro Alex
(PPS-PR), argumentou que não há justa causa na representação,
apresentada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), aliado do
presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Na representação, o
parlamentar acusava Chico Alencar de ter usado recursos da Câmara para
fins eleitorais por ter parte da sua campanha financiada por
funcionários de seu gabinete e de ter apresentado notas frias por
serviços prestados por empresa fantasma para ser ressarcido pela Câmara. Segundo Chico Alencar, “não era uma representação, era uma retaliação”,
justificada, de acordo com ele, pela posição de oposição ao presidente
da Câmara.
Chico Alencar: "Cunha é uma figura tenebrosa, mas fugaz"
Mais pros guris que pros gurus
Por Leonardo Cavalcanti, Natália Lambert e Paulo de Tarso Lyra - Correio Braziliense
Protagonista dos bons combates no Congresso há 12 anos, o deputado
Francisco Rodrigues de Alencar Filho (PSol-RJ) é um dos principais
opositores do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e também um dos
maiores críticos do PT, partido que abandonou ainda em 2005. Na última
quinta-feira, um dos dias mais nervosos do Congresso nos últimos tempos,
Chico Alencar, 66 anos, conversou com o Correio por mais de 90 minutos,
intercalados com discursos no plenário contra as manobras do
peemedebista.
“Antonio Gramsci falava que surgem figuras monstruosas,
fantasmagóricas, aberrações políticas que ganham certo poder, mas que,
felizmente, são fugazes. Eu vejo a figura do Cunha assim, ele não vai
ser uma liderança marcante na história brasileira”, vaticina Alencar,
que não é menos crítico em relação ao PT: “O partido hoje é a expressão
negativada de tudo que afirmou antes”. O deputado responde a processo no
Conselho de Ética por irregularidades na campanha e no mandato: “Essa
representação do deputado Paulinho, aliadíssimo do Cunha, se insere no
projeto de retaliação deles, de Cunha e aliados, contra quem os
critique, se insurja e denuncie a corrupção”, disse Alencar. A seguir os
principais trechos da entrevista:
CHICO ALENCAR O deputado Paulo Pereira da
Silva/SD, chefe do “Solidariedade”, é investigado por peculato e corrupção
passiva pelo Ministério Público. E é réu no STF por crime contra ordem
financeira, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ainda assim se
autoindicou como membro titular do Conselho de Ética da Câmara e ali abriu
processo por quebra de decoro parlamentar contra mim. Um teatro do absurdo!
Sua Excelência disse que
estava “oferecendo oportunidade para que eu me explicasse”. O deputado
acrescentou que “tinha sido alvo do mesmo procedimento pelo PSOL, em 2008″,
revelando ânimo vingativo.
A pressão para rápido
recebimento das informações que ele havia pedido à Diretoria Geral da Câmara,
inclusive através de um servidor que disse ser “da Presidência”, indica que há
outros interesses por trás da referida Representação (ou, melhor dizendo,
retaliação ao PSOL). Aliado de Cunha, Paulinho não age sem sua concordância ou
orientação. O que se intenta é calar o PSOL, que tem sido uma ‘pedra no sapato’
dos que se envolvem em tenebrosas transações. Agora, ação do PSD contra Jean
Wyllys evidencia ainda mais esse intuito. Não conseguirão!
Neste dia 29 de outubro o Solidariedade, através de seu
presidente nacional, deputado Paulo Pereira da Silva (SD/SP), protocolou junto
ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados uma representação contra o
deputado Chico Alencar (PSOL/RJ), líder do PSOL e uma das principais lideranças
nacionais que exigem o afastamento de Eduardo Cunha.
A iniciativa do famigerado Paulinho da Força – que é réu no
Supremo Tribunal Federal – baseia-se em denúncias falsas e tem como objetivo
intimidar o PSOL e seu líder na luta contra Eduardo Cunha.
O
novo ministro da Saúde, do PMDB, Marcelo Castro, disse hoje, no mesmo dia de
sua nomeação para a pasta da Saúde, que quer a CPMF e a quer em dobro.
Alega
sua excelência que esse assalto não onera a ninguém. Então, senhor ministro,
por uma questão de lógica, se não onera também não tira. Se não tira, não
existe. Se não existe, não arrecada.
E
aí, Doutor Castro? Como é que fica?
A
CPMF é uma cruel cobrança, interminável. Pegando-se como exemplo os R$1.000,00
sugeridos por sua excelência fica assim: Taxa-se (ou rouba-se) o primeiro
pagador. A seguir, taxa quem recebeu e depositou. Ao fazer um pagamento com o
mesmo dinheiro ele é taxado e assim, sucessivamente, infinitamente.
Se
houver muita velocidade de movimentação desse dinheiro, em pouco tempo o governo
já surrupiou 100% dessa importância e não para, continua taxando (ou roubando).
Seria
de bom tom se, o ministério da Saúde e a família do Marcelo Castro o colocassem
numa camisa de força e o levassem a um psiquiatra..
O CRÁPULA X CHICO ALENCAR
O
deputado federal do PSOL, Chico Alencar, que seria o melhor presidente da
Câmara Federal, por sua envergadura moral e política, discursando em plenário
arguiu o crápula sobre suas contas na Suíça. Como resposta, Eduardo Suíço PC
Farias Bahiano Cunha virou-lhe as costas e dirigiu-se a outro parlamentar que
estava do lado oposto do plenário.
Se
houvessem deputados, um número absoluto, com dignidade política e brio nacional
brasileiro, todos virariam as costas para o crápula.
Outra
sugestão, poderia ser a seguinte: Nenhum deputado compareceria ao plenário
enquanto esse verme continuasse ocupando a cadeira principal do Congresso.
“A proposta da Coalizão Democrática é, sem
dúvida, a mais bem feita (inclusive juridicamente) para conquistarmos
uma transformação do sistema político e eleitoral brasileiro, livrando-o
da captura pelo poder econômico e possibilitando que as maiorias
sociais se tornem maiorias políticas”
por Chico Alencar
| 06/06/2015
A Iniciativa Popular de Lei pela Reforma Política Democrática e Eleições
Limpas (que ganhou na Câmara dos Deputados a forma do Projeto de Lei
6316, de 2013, assinado por 125 parlamentares) está tramitando em
conjunto com outros 42 projetos de lei que tratam dos mesmos temas.
Segundo o presidente Eduardo Cunha, e isso foi objeto de acordo no
Colégio de Líderes (nem sempre cumprido), terminada a votação do
primeiro turno das propostas de emenda à Constituição referentes à mal
chamada reforma política,
o Plenário da Câmara dará início à apreciação da parte
infraconstitucional – em que se inserem as propostas da Coalizão
Democrática liderada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Há
dez anos, o deputado federal Chico Alencar anunciava, em meio a um conturbado
processo eleitoral para a presidência do PT, sua desfiliação do partido. Ele
seguiu o rumo tomado por outros colegas fundadores da legenda, como Plínio de
Arruda Sampaio e Ivan Valente, e embarcou de cabeça no PSOL.
O
Partido Socialismo e Liberdade havia sido fundado três meses antes, também por
ex-petistas, como Luciana Genro e Heloísa Helena – expulsos do partido por
votarem contra projetos de interesse do governo Lula. De lá para cá, Chico foi
reeleito três vezes para o cargo de deputado federal e se tornou a principal
referência da legenda. Em 2014, foi o segundo candidato mais bem votado do Rio
de Janeiro, com 240 mil votos em uma campanha baseada em doações do partido e pessoas
físicas. O PSOL é contra o financiamento empresarial e recusa doações de pessoa
jurídica nas eleições e fora delas.
Chico
Alencar participa de quatro comissões na Câmara dos Deputados, incluindo a de
Constituição e Justiça e a que discute a reforma política. Compareceu a todas
as 24 sessões ordinárias e extraordinárias da Câmara.
“Queremos que tudo seja investigado em
profundidade e que não haja pelo Legislativo e Executivo espíritos de
proteção”, afirma Chico Alencar
Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Cerca
de 24 horas depois da Procuradoria Geral da República apresentar ao
Supremo Tribunal Federal 54 nomes de autoridades envolvidos no esquema
investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e pedir a
abertura de 28 inquéritos, o PSOL cobra do ministro do STF, Teori
Zavascki, a divulgação desses nomes e lança a campanha: “Dê os nomes,
Teori”.
Até agora, o PSOL foi o único partido a se manifestar sobre a nova
etapa da Operação Lava Jato, que é a apresentação pelo Ministério
Público dos nomes das autoridades públicas envolvidas com o esquema
pernicioso e corrompido dentro da Petrobras. “Queremos a divulgação dos nomes das autoridades públicas“, afirmou o
líder do PSOL, Chico Alencar (RJ). “Os nomes tornando-se conhecidos
oficialmente, defenderemos o óbvio: que cada parlamentar investigado se
afaste de suas funções na Mesa Diretora e da presidência de comissões,
tanto na Câmara como no Senado, além de acionarmos o Conselho de Ética e
Decoro Parlamentar”. A mesma postura, o PSOL exigirá do Poder Executivo, que ministros e os
que ocupam funções do escalão federal se afastem de seus cargos. Para
Chico Alencar, figuras do Executivo envolvidas na Lava Jato devem adotar
a postura do ex-ministro da Casa Civil no governo Itamar Franco,
Henrique Hargreaves, que se afastou da função durante investigação de
suspeitas de corrupção – denúncia, posteriormente, confirmada como
infundada e que resultou no retorno de Hargreaves.
“Queremos que tudo seja investigado em profundidade e que não haja pelo Legislativo e Executivo espíritos de proteção”.
A campanha “Dê os nomes, Teori” caminhará junto com a “Devolve Gilmar”, em referência à análise da Ação Direta de Inconstitucionalidade sobre o
financiamento empresarial de campanha, que está no STF e há um ano
encontra-se sob pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. “Nós vamos continuar incomodando e falando de corda em casa de enforcado”, afirma Chico Alencar.
*Escrito por
Valéria Nader e Gabriel Brito, da Redação
“A eleição de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) para a presidência
da Câmara é a vitória da política como negócio, do clientelismo como método de
conquistar mandatos, da cristalização dos interesses das grandes corporações
sobre o sistema partidário nacional. Abre-se uma quadra em que ou os setores
populares se mobilizam ou viveremos graves retrocessos”, analisou o deputado
federal Chico Alencar (PSOL-RJ), que concorreu ao cargo, em entrevista ao
Correio da Cidadania.
O parlamentar reforça os alertas a respeito do aumento da
hegemonia da política de compadrio e da total ascendência do poder econômico
sobre o político, inclusive com futuras tentativas de mudanças constitucionais.
Ainda mais num Congresso que passa muito longe de representar a diversidade da
população.
Além de explicar as motivações da “anti-candidatura” de
seu partido, Chico também criticou outro recuo petista, anunciado na troca de
liderança do partido na Câmara. “A substituição de Fontana, mais ideológico e
progressista, pelo Guimarães, mais ‘pragmático’ e ‘flexível’, sinaliza esse
caminho retrancado e conciliador com as elites dominantes”.
Em tal cenário, defende ser “urgente construir uma plataforma
mínima de lutas, pela via da articulação, já embrionária, de uma Frente pelas
Reformas Populares”. Quanto a um cenário de desestabilização política que
poderia impulsionar um movimento de impeachment de Dilma, Chico pondera que
“por incrível que pareça, chegamos a um ponto em que as investigações da
Operação Lava Jato poderão... Salvar o governo Dilma! A teia de cumplicidades e
corrupção deve se revelar tão ampla que o Congresso estará sem moral para
caminhar nessa direção. O cenário lembra o da Operação Mãos Limpas, na Itália”,
analisou.
A entrevista completa com Chico Alencar pode ser lida a
seguir.
Correio da Cidadania: Como você
analisa a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara dos
Deputados? Que consequências você imagina que possam se dar na política
congressual?
Candidato do Psol à Presidência da
Câmara dá recado a Eduardo Cunha e cobra mudança de postura do
Legislativo. Ele garante ter representatividade para comandar a Casa e
diz que Randolfe Rodrigues, único senador do partido, não deixará a
sigla
Deputado do PSOL defende que população seja
consultada, por meio de plebiscito, e apresenta critérios democráticos
para composição e eleição de membros da Assembleia Constituição, como a
vedação de financiamento empresarial de campanhas
O deputado
Chico Alencar (PSOL-RJ) apresentou nesta quinta-feira (18), na Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara, parecer, com
substitutivo, pela admissibilidade da PEC 276/2013 /13, que propõe
convocação de Constituinte Exclusiva para promover a reforma política.
A Proposta de Emenda à Constituição foi
apresentada em junho de 2013 e em julho do mesmo ano o então presidente
da CCJC, deputado Décio Lima (PT-SC), designou Ricardo Berzoini (PT-SP)
como relator da matéria. No entanto, no final de março deste ano
Berzoini devolveu a relatoria sem apresentar o parecer. Com isso, a PEC
ficou quase oito meses sem relator, por omissão do atual presidente da
CCJC, deputado Vicente Cândido (PT-SP). Somente no mês passado Chico
Alencar foi designado relator da matéria.
“Durante a campanha eleitoral, a maioria dos
candidatos ao Congresso prometia representar os interesses do povo.
Essa retórica foi colocada à prova nesta semana e não sobreviveu à
primeira grande votação”.
Depois de um segundo turno puxado, o Congresso Nacional retornou aos
trabalhos nesta semana. Com toda sua intensidade, fez-nos lembrar que a
“Casa do Povo” ainda está e continuará muito distante dos sonhos e
anseios da população brasileira. Há pouco tempo, durante a campanha
eleitoral, a maioria dos candidatos ao Congresso Nacional prometia
representar os interesses do povo. Essa retórica foi colocada à prova
nesta semana e não sobreviveu à primeira grande votação no plenário da
Câmara, confirmando que mentira tem perna curta mesmo. Ô se tem!
Pois vejam a história: finalmente surge um ato normativo que tem o
objetivo de regulamentar os processos de participação popular na
formulação e controle das políticas públicas do Estado. Ato
absolutamente necessário para qualquer democracia que não queira ser
apenas formal, mas também substancial. E o que a “Casa do Povo” faz
diante dessa situação? Atua para revogar a possibilidade de qualquer
influência direta da população nas instâncias de poder.
Embalados por argumentos preconceituosos (“conselhos bolivarianos!”,
“soviets!”), a maioria dos deputados federais derrubou o decreto que
cria a Política Nacional de Participação Social, demonstrando que muitos
deles nem leram a proposta. Somente isso pode explicar a resistência a
um ato que somente reitera a existência de conselhos consultivos e de
instâncias de participação da população junto ao governo, como
conferências, fóruns, audiências públicas e diálogos.
Como, no debate parlamentar, ninguém assumiu ser CONTRA as instâncias
participativas e sim contra a iniciativa ‘autocrática’ do Executivo, o
Psol apresentou projeto de lei criando o Sistema de Participação Social,
para amplo debate no Congresso e na sociedade. Aí vamos ver quem é
quem, e que tipo de democracia – restrita, dominada pelo poder
econômico, ou ampliada, de alta intensidade – defende.
Os engravatados e sua democracia voltaram, mas com a presença do povo esse baile de máscaras há de acabar.
Chico Alencar questiona qual seria o fundamento legal e pede
cumprimento da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos
O deputado Chico Alencar apresentou, nesta terça-feira (02),
na Mesa Diretora da Câmara, requerimento no qual cobra explicações sobre a
proibição para que as unidades do Exército colaborassem com as investigações
sobre as violações de direitos humanos na época da ditadura militar. A
proibição foi feita via ofício pelo comandante do Exército, general Enzo Peri,
em 25 de fevereiro deste ano, mas que só veio à tona há doze dias.
No requerimento de informações, destinado ao ministro da
Defesa, Celso Amorin, o deputado Chico Alencar questiona qual seria o
fundamento legal da ordem do general Enzo Peri e quais medidas o Ministério da
Defesa está tomando para cumprir a decisão da Corte Interamericana de Direitos
Humanos (CIDH), de 2010, que reafirmou o dever do Estado brasileiro de
esclarecer as responsabilidades pelos crimes de lesa-humanidade cometidos pela
ditadura de 1964-1985.
As
manifestações que tomaram as ruas das cidades brasileiras mexem com as
categorias tradicionais de análise. Tudo o que se elabore a respeito
será insuficiente, pré-texto que é também pretexto para justificar o não
entendimento completo desse contexto singular. A régua usada para medir
movimentos anteriores não é adequada para avaliar os atuais, que “não
têm CNPJ”. Uma boa embocadura é fazer considerações a partir do que
diziam alguns cartazes que os milhares de manifestantes, na sua maioria
jovens, portavam:
“O gigante acordou”?
A história brasileira registra manifestações massivas e explosivas de
caráter urbano. Em 1890, ainda no II Reinado, o Rio de Janeiro agitou-se
por dias seguidos, em reação da população contra o aumento de 20 réis
na passagem dos bondes. Portanto, tanto o‘gigante’ já acordou antes quantoé possível que volte, agora, a adormecer
– sedado pela inorganicidade dos protestos e pela sua extrema
diversidade, reflexo de uma sociedade que, historicamente, tem mais estadania do que cidadania. Que os conservadores não se sintam aliviados, porém: seu sono será leve, assombrando com a possibilidade de acordar a qualquer momento.
Há setores sociais novos, apelidados de ‘classe C’, que parecem ter
chegado ao limite de sua estimulada capacidade de consumo. Agora,
engarrafados nas ‘carrocracias’ urbanas, no sufoco da especulação que
aumentou violentamente os preços dos aluguéis e dos imóveis, sem planos
privados de saúde e possibilidades de pagar escolas particulares, clamam
por serviços públicos de qualidade.
“Não é por centavos, é por direitos”. A questão das tarifas foi a faísca que
incendiou uma planície de insatisfações até então conformadas. A
repressão policial adicionou combustível e demandas reprimidas de
diversos setores provocaram o incandescente protesto “contra tudo o que
aí está”. A irritação cotidiana com a péssima mobilidade urbana do país –
segundo o IBGE, apenas 3,8% dos nossos 5.567 municípios têm Plano
Diretor de Transportes, embora 74% deles possuam estrutura
administrativa /burocrática para o setor – criou caldo de cultura que
engrossou os protestos. Mais que em busca de negociação, os atos eram de
rebeldia: não demandavam das autoridades que as recebessem nem
constituíam comissão representativa para este ‘diálogo’. É como se a
multidão clamasse: ‘quem quiser nos ouvir, que ouça!’. As manifestações
multitudinárias de junho estão tendo um efeito-demonstração: de lá para
cá, milhares de pequenos movimentos reivindicatórios eclodiram ou se
reanimaram.
Quarta, 20 de março de 2013 “Nesses tempos de indigência intelectual e mediocridade teórica, conhecer ou revisitar suas obras faz bem à saúde e qualifica nossa contribuição para um mundo melhor”
por Chico Alencar - 20/03/2013
Do Congresso em Foco
Karl Marx deixou de respirar há exatos 130 anos, mas não de inspirar. Faleceu aos 65 anos incompletos, em 14 de março de 1883. Metade de sua existência foi cumprida no exílio, sem qualquer abastança, expulso que foi da sua Alemanha, da Bélgica e da França.
Marx foi mais que um baita intelectual, que escreveu como ninguém sobre o Capital. Estudioso da filosofia grega, em especial Demócrito e Epicuro, e de Hegel, mudou o eixo do pensamento de sua época: “Os filósofos não fizeram mais do que interpretar de diversos modos o mundo, mas do que se trata agora é de transformá-lo”. Ele também foi homem de ação, pois quis dar combate a tudo o que viu de não: fome, opressão, exploração. Ativista que projetou a sociedade igualitária, comunista, na qual todos, em utopia, poderiam se realizar: “uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos”.
É jovem 130 anos depois de deixar de ser e estar entre nós, e sua lembrança incomoda os acomodados, porque fez a sua hora, não esperou acontecer. Jamais desejou tornar seus escritos dogma, bíblia ou alcorão: tudo é transformação, e pensamento vivo pressupõe evolução. Pena que, em seu nome, como no de outros grandes que superaram sua própria época, foram cometidas muitas atrocidades. Irônico, Marx deixou uma esquecida pista: ‘quanto a mim, não sou marxista… ‘.
Pensava elevado, no planeta, mas também em sua maloca: ‘infelicidade mesmo é dar amor e não ter amor em troca’. Na verdade, Karl Marx renasce sempre, qual fênix, como profeticamente versejou Moacyr Félix:
“A liberdade, meu filho/ é um homem morto na cruz/ por ele próprio plantada/ e a luz que essa morte expande/ pontuda como uma espada/ É a branca barba de Karl/ na Londres fria e sem lã/ e seu coração sobre as fábricas/ qual gigantesca maçã”
Nesses tempos de indigência intelectual e mediocridade teórica, conhecer ou revisitar suas obras faz bem à saúde e qualifica nossa contribuição para um mundo melhor.
Deputado do Psol critica candidatos do PMDB e aponta opções viáveis aos grandes partidos. Ele defendeu votação do fim do 14º e do 15º salários e das emendas inviduais
Com um discurso contrário a de seus colegas, o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) defendeu uma mundança “hegemônica” do poder na Câmara dos Deputados. O parlamentar questionou as propostas corporativistas dos colegas e afirmou que eles deixaram de mencionar questões importantes para a Casa, – como o fim do 14º e 15º salários e a reforma política – porque “perderiam muitos votos”. O candidato também chamou atenção para as denúncias recentes contra Henrique Alves (PMDB-RN), acusado de enriquecimento ilícito em ação de improbidade administrativa.
“Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, cidadania que pode estar acompanhando esta sessão pública, servidores da Casa, sem os quais não funcionamos. O otimista é um bobo. O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.
Eu me lembrei dessa assertiva, do sempre genial Ariano Suassuna, quando estava vindo aqui para esta tribuna, porque as pessoas, em geral, trabalham muito com quantitativo. Quantos votos você acha que vai ter? Mas você tem chances?E eu digo com toda a minha convicção aqui, isso é o que menos importa, a contabilidade de cada voto. O que mais importa nessa votação para a Mesa Diretora como um todo e para a Presidência do Poder Legislativo é o que queremos do Parlamento.
E o Parlamento no Brasil está mal. O Parlamento, e não só ele, mas os partidos políticos. Vi o nobre DeputadoHenrique elencar aqui 13 e mais um décimo quarto de coligação, que perfazem talvez 18 ou 19 legendas a apoiá-lo. Estão, e estamos nós, como partidários, mal. E o pior de tudo: isso leva ao desalento e ao desencanto com a atividade política, que não se dá só no Parlamento.
Passa bem o deputado
federal Chico Alencar, do Psol do Rio de Janeiro, que hoje pela manhã foi submetido a
uma cirurgia de revascularização do miocárdio, implantando pontes de safena e
mamária. Deverá ficar por 48 horas no Centro de Tratamento Intensivo.
Exame
realizado na semana passada identificou obstrução de 95 por cento na principal artéria
do corpo.
A propósito da suposta 'crise' no PSOL, cumpre esclarecer, com a luminosidade deste solar 7 de setembro que:
1 - A decisão de desfiliar o sr. Berg Nordestino é política, unânime e obedecerá aos trâmites do partido, com o Diretório Regional solicitando a resolução a respeito por parte do Diretório Nacional, garantido o direito de defesa ao processado. Mas o rito, respeitado este quesito, será sumário, como o caso requer;
2 - Rosenberg Alves do Nascimento, que não tem antecedente criminal nem, ao que sabemos, sofre processo nesta área penal, não pode permanecer no PSOL por seus vínculos com o ex-vereador e atual detento Luiz André da Silva, o chefe de milícias Deco, autor de várias articulações para eliminar Marcelo Freixo;
3 - O PSOL agiu prontamente. É bom verificar qual foi a atitude dos partidos a que pertencem ou pertenceram milicianos diretamente indiciados pela CPI, acusados e processados pela Justiça e presos. Costuma haver leniência, por interesses eleitoreiros. Os partidos fazem 'cara de paisagem', enquanto nós cortamos o mal pela raiz. Muitos partidos e candidatos, NESTA CAMPANHA, seguem sem ter o menor constrangimento em pedir votos em áreas de 'aliados' das milícias - organizações criminosas, aliás, agora definitivamente tipificadas no Código Penal, com nosso entusiástico apoio e voto, no Congresso Nacional;
4 - O crime organizado, como tem sido recorrente, busca capturar as instituições públicas e os partidos são veículo para isso. A forma como os partidos reagem ao banditismo que se politiza é um diferencial, e nesse sentido nós, do PSOL, só temos que nos orgulhar;
5 - É palmar que reconhecemos o erro, a desatenção, a urgência de cuidados até com eventuais infiltrações inoculadas por inimigos, e, por isso mesmo, vamos apertar ainda mais nossos mecanismos de triagem - éticos, políticos, ideológicos - para filiação e candidaturas.
Seguimos firmes, sem qualquer 'crise' ou divergência, compreendendo que o PSOL é um ainda pequeno partido, mas com vocação de grandeza, e absolutamente necessário ao processo de democratização e transparência republicana em curso no país. Seguimos firmes, animadíssimos com a candidatura Freixo e com a qualidade de nossa nominata de vereadores no Rio, que uma 'laranja' podre não contaminou.
Chico Alencar, líder da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados