“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador partidos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador partidos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Um ingrediente da geleia geral brasileira: Partidos infiéis e seus nomes e traidores de seus programas. O efeito liquidificador e os partidos políticos no Brasil

Sexta, 5 de janeiro de 2018
Do Blogue Náufrago da Utopia

Por
Dalton Rosado
Em qualquer país do mundo no qual a política dê acesso ao poder estatal, os partidos políticos supostamente representam as correntes de pensamento e posturas político-administrativas que norteiam as ações administrativas (ainda que se admitam candidatos avulsos, sem partidos, em alguns países).

Um vez alçados aos altos postos do Executivo, as diferenças ideológicas são confrontadas com a ditadura da ordem econômica e desaparecem, uma vez que todos as nações têm, hoje, as suas mediações sociais feitas a partir da forma-valor (dinheiro e mercadorias). De Nova York a Palmas do Tocantim, as pessoas acordam igualmente para trabalhar, ganhar dinheiro e, com isto, garantir o sustento material. 

Todos estão submetidos ao fetichismo da mercadoria, de cuja complexidade e negatividade poucos cidadãos se apercebem, daí a positivação de um modo de produção irracional, destrutivo e autodestrutivo, comum a todas as ideologias que emanam das trevas de uma lógica mercantil negativa.

Entretanto, apesar de os governantes não governarem (uma vez que são governados por uma lógica de produção de valor que lhes dá ordens e pauta os seus comportamentos administrativos no sentido da preservação e desenvolvimento dessa mesma lógica), certamente há diferenciações de ações administrativas de cunho ideológico entre este e aquele na eleições de prioridades administrativas, bem como diferenciações no que diz respeito à orientação de comportamentos sociais e conceitos sobre vários assuntos.

Barack Obama discrepa de Donald Trump em questões de interesse internacional (como a negação do acordo sobre o clima de Paris), nacional (o tratamento aos imigrantes) e até quanto à repressão ou convívio com os opositores (que sempre existem, felizmente). 

Tais distinções no exercício do poder político-estatal, ainda que tenham graves repercussões na vida social, são apenas cosméticas, uma vez que a questão de fundo permanece inalterada: o modo de produção social. 

É devido ao modo de produção social capitalista (sistema de produção de mercadorias, de valor a partir do trabalho abstrato) que ocorre o processo de homogeneização dos comportamentos político-administrativos, aí também incluídos os estados ditos marxistas-leninistas. Uma vez no poder nada é mais keynesiano do que um liberal nos momentos de crise do sistema produtor de mercadorias, e nada mais liberal do que um keynesiano nos momentos de ascensão capitalista.

Os partidos políticos correspondem a uma necessidade de legitimação do acesso ao poder verticalizado expresso na acumulação crescente e inevitável da riqueza abstrata, aquela adquirida pela extração da mais-valia (privada ou estatal); e coincidem na aceitação da necessidade de um Estado para fazer o controle monetário e desempenhar as demais funções de manutenção da coerção tácita do sistema produtor de mercadorias e do mercado. 

Dentro deste desiderato, os partidos políticos costumam ser assenhoreados pelos tipos mais mesquinhos de controladores burocráticos serviçais do poder econômico, ou por bandidos cujo único objetivo é o enriquecimento ilícito facultado pelo exercício do poder político do Estado. 

Bipardidarismo copiado dos EUA 

No Brasil a questão da formação político partidária, jungida sob a égide da ditadura de 1964/85 e, posteriormente, a partir da chamada abertura (meramente conciliatória), promoveu distorções de conteúdo programático que se refletem, hoje, na completa falta de identidade ideológica entre os nomes dos partidos; os seus programas; aquilo que ditos nomes deveriam representar; e o que efetivamente são.

Tudo começa com a criação da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido criado pela ditadura militar que abrigou os assumidos conservadores fisiologistas puxa-sacos dos fardados. 

De renovadores os arenosos nada tinham, uma vez que sempre pertenceram à histórica e poderosa elite política brasileira, que instituiu a república com o apoio da caserna (o Brasil é o único país do mundo que derrubou a monarquia pela direita, a ponto de D. Pedro II ter sido mais liberal do que os militares republicanos brasileiros a serviço da elite política).

Como disfarce político da ditadura resolveu-se produzir uma cópia tosca do bipartidarismo estadunidense. Assim nasceu o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), para dar uma aparência de disputa e coexistência política democrática civil, embora qualquer veleidade de ele atuar como uma verdadeira oposição terminasse em fechamento do Congresso e cassação de mandatos.


A partir daí o MDB passou a cumprir a sua função de força auxiliar do poder vigente (ainda que tenha posteriormente abrigado facções ideológicas as mais distintas), função que preenche até hoje, num mimetismo político oportunista que o faz sempre adaptável ao interesse do capital, qualquer que seja o governante. 

A abertura política ao pluripartidarismo obedeceu ao critério do controle da grande conciliação que anistiou torturadores e assassinos, terminando por impor ao povo brasileiro, como novo presidente da República, um estranho no ninho da redemocratização. 

Ninguém menos do que quem presidira até pouco tempo antes o partido da ditadura (o Partido Democrático Social, PDS, que substituiu a Arena) e, abandonando o barco que afundava, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro, sucessor do MDB: o coronel dos sertões nordestinos em trajes civis e acadêmico imortal interminável José Sarney, peça importante da futura sustentação política do PT e sua famigerada política de conciliação de classe.

FEIOS, SUJOS E MALVADOS

Isto posto, veio o pluripartidarismo negociado na grande conciliação por cima, com as seguintes agremiações:

— o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legitimado pelo general Golbery do Couto e Silva, que terminou por colocá-lo nas mãos de Ivete Vargas, uma politiqueira conservadora que em nada honraria o trabalhismo getulista e janguista. Assim, o PTB de hoje é conservador e usa as bandeiras do antigo trabalhismo como se fosse sua, num evidente trabalhismo made in Paraguay (que me perdoem os verdadeiros e honestos paraguaios).

Brizola perdeu a sigla PTB para a politiqueira Ivete Vargas

Está nas mãos de Roberto Jefferson, antigo chefe da tropa de choque de Fernando Collor de Mello, com quem o PT foi posteriormente se conluiar para receber (bem feito!) uma punhalada nas costas: a denúncia do mensalão, com ele praticado. 

Eis que, agora, o PTB volta ao poder, com a filha de Jefferson se tornando ministra do Trabalho. Pode? No Brasil pode;

— o Partido dos Trabalhadores (PT), que usa a estrela do socialismo e nasceu sob a égide do movimento operário, enchendo de esperanças ingênuas muitos combatentes da luta contra a exploração capitalista (eu, entre eles). 

A partir da assunção ao poder estatal burguês, o PT, contudo, se metamorfoseou no mais legítimo representante da social democracia conciliadora com o alto empresariado, envergonhando todos os que não aceitam compactuar com o poder econômico, a vilania e a roubalheira generalizada, na mais conspícua tradição utilitarista ("os fins justificam os meios");  

— o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), neoliberal. Abriga nas suas hostes tudo que há de mais conservador, que vai desde a Opus Dei, passando pelo grande empresariado nacional e desembocando em intelectuais e ex-militantes socialistas arrependidos;

— o Democratas (DEM), ex-Partido da Frente Liberal (PFL), no qual encontramos o que há de mais conservador na elite política brasileira. Seus membros, se fossem políticos estadunidenses, representariam a ala mais conservadora e reacionária do Partido Republicano;

— o Partido Comunista do Brasil (PC do B), que se diz centenário mas não passa de uma costela dissidente do antigo e quase secular Partido Comunista Brasileiro (PCB, o velho partidão). Ferrenho defensor do desenvolvimento econômico, ou seja, do capitalismo, está sempre pronto para apoiar partidos de esquerda que tenham o mesmo propósito, ou seja, dar sobrevida às categorias capitalistas trabalho, trabalhador, mercadoria, mercado, estado, política, etc., o que faria o Marx esotérico tremer na cova;

— o Partido Verde (PV),  que supostamente teria como foco a defesa ambiental, mas nunca questiona o modo de produção capitalista (que é predatório da natureza por excelência) e tem nos seus quadros políticos proeminentes eleitoralmente mas sem nenhuma tradição na defesa da ecologia, que ali estão por mera conveniência e oportunismo eleitoral. 

Os militantes realmente focados na questão ambiental sempre terminam por se desiludir com as práticas partidárias do PV, que estão longe de se coadunarem com o que programaticamente o PV se propõe a defender, e vão embora frustrados;

— O Partido Democrático Trabalhista (PDT), criado por Leonel Brizola depois de perder injustamente a sigla PTB para Ivete Vargas. Os laços que porventura ainda o ligavam ao trabalhismo brasileiro pré-1964 se romperam de vez quando Brizola morreu, em 2004. Hoje possui, nos seus quadros políticos, mais empresários do que trabalhadores; e tem prefeitos, governadores e parlamentares sem a mais remota identidade histórica com o trabalhismo.

Seria interminável a lista de partidos desprovidos de qualquer identidade programática e ideológica com seus nomes e estatutos, e que mais se parecem com bandos prontos para assaltar o erário público em tenebrosas transações, nunca recusando as ofertas para ajudarem a aprovar proposições legislativas anti-povo (ou seja, não passam de legendas de aluguel).

Os novos partidos de esquerda (Partido Socialismo e Liberdade, o Psol, e a Rede Sustentabilidade, ou simplesmente Rede) repetem a velha cantilena oposicionista sem compreender a gravidade da debacle capitalista e do seu Estado constitucional no momento de desequilíbrio entre a produção de novos nichos de trabalho (a menor) e a dispensa de grandes contingentes de trabalhadores (a maior), que causa o desemprego estrutural irresolúvel sob sua lógica, arrastando para a miséria grandes contingentes populacionais em meio ao fausto da riqueza abstrata cada vez concentrada. 

Sem o quererem, ou mesmo perceberem, os sempre minoritários partidos de esquerda apenas legitimam o status quo vigente.

Na política as diferenças ideológicas sucumbem na simbiose do efeito liquidificador da homogeneidade patrocinada pelo fetichismo da mercadoria. 

Até quando vamos iludir a nós mesmos? (por Dalton Rosado) 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Sociedade deve ir para a rua, diz sociólogo português Boaventura de Souza Santos

Segunda, 2 de novembro de 2015
Para o sociólogo, é preciso modificar a estrutura dos partidos, hoje dominada por uma cúpula que abre poucos espaços para a participação social dentro deles. Boaventura citou o exemplo do partido espanhol Podemos, fundado em 2014, com uma nova dinâmica interna, baseada em círculos de decisão, e fortemente amparado nas redes sociais, inclusive para seu financiamento.
=============
Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil
O resgate da democracia, sequestrada pelas forças do mercado, será feito com a retomada das ruas pela sociedade, único espaço ainda não colonizado. A análise é do sociólogo português Boaventura de Souza Santos, que participou no Rio do seminário Cultura e Política, iniciativa do programa Cultura e Pensamento, do Ministério da Cultura.
O encontro de Boaventura com estudantes e professores ocorreu no Teatro de Arena na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na última quinta-feira (29), quando o intelectual falou e respondeu perguntas da platéia. Entre os assuntos principais abordados, ele destacou o esgotamento da democracia representativa tradicional, na qual se elegem políticos para representar a população, e a busca pela democracia participativa, com atuação direta dos eleitores, seja através de plebiscitos ou por manifestações de rua.
“Muita da cultura é feita no espaço público, é feita na rua. Desde 2011, os jovens, em vários países do mundo, do Ocuppy [Wallstreet, nos Estados Unidos], dos Indignados [da Espanha], do sul da Europa, aos protestos que aconteceram aqui em 2013, os jovens chegaram à conclusão de que rua é o único lugar público que não está colonizado pelos mercados financeiros. E vêm para a rua porque as instituições não respondem aos seus anseios.”

sábado, 6 de dezembro de 2014

A Anvisa, o extrato de tomate com pelo de roedor, os partidos políticos, o Brasil

Sábado, 6 de dezembro de 2014
                                Imagem da internet
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou um lote de extrato de tomate de um fabricante por conter fragmentos de pelo de roedor bem acima ‘do limite de tolerância’. Esse limite é de um fragmento por 100 gramas do produto.
Esta notícia me deixou muito preocupado, preocupado demais. Não tanto pela porcaria que está dentro da embalagem, mas o que poderá acontecer com outros produtos brasileiros.  Aqueles —e que não são poucos—que contêm não apenas pelo de roedor, mas o próprio roedor.
Cada um desses produtos, que aqui me refiro, estão impregnados —segundo análises técnicas e jurídicas— por vários roedores. Tem uns que possuem dentro da embalagem verdadeiras famílias de ratos. É pai, mãe, filha, filho, genros, outros parentes e aderentes, todos roendo muito.
São, por exemplo, ‘partidos-produto’, sendo que uns três ou quatro desses, ainda segundo análises técnicas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, e já com algumas confirmações da Justiça, se encontram abarrotados de  roedores. Aqui chamo esses partidos políticos de produtos porque eles estão, pelo que parece (só parece?), à venda para empreiteiros, doleiros, banqueiros, cartéis, e coisas tais. E veja que são grandes partidos, não os que chamam por aí de partidos de aluguel. Uma coisa é aluguel, outra é venda.
Vão interditá-los também? Há governos que são puro pelo de roedor. E o pior é que o pelo está pregado no couro dos ratos, dos muitos ratos.
Empreiteiras infestadas de ratos se beneficiam dos roedores que estão em governos, empresas públicas, e também nas de economia mista. Bancos ‘quebrando’, e o rato  visitando governantes e saindo sorrindo e tranquilo certo de que continuará roendo ainda mais o patrimônio do povo. É uma ‘roeção’ só, nesse país de meu Deus!
Se for levar em conta o pelo de roedor como motivo de impedir produtos, vão acabar interditando o Brasil todo.
O limite de tolerância de pelos de rato dentro do extrato de tomate é de um por 100 gramas do produto. E qual seria o limite de tolerância de ratos dentro de cada órgão do governo, de cada empreiteira, de cada banco, de cada cartel? 
Ou se elimina esses ratos ou ele nos eliminam. A nós e ao país. Não pode continuar o império dos ratos em nossa Pátria. Seja de ratos internos ou externos.

sábado, 23 de agosto de 2014

Partidos políticos: não temos outra saída

Sábado, 23 de agosto de 2014
O Gama Livre transcreve a seguir duas excelentes postagens deste sábado do jornalista baiano Luís Augusto Gomes, em seu ‘Blog Por Escrito’.
Postagem 1
Partidos políticos: não temos outra saída
Uma vida pública sem partidos, ou com partido único, ou ainda com partidos consentidos, como já tivemos no Brasil, é, em última análise, uma ditadura, em que a população não é devidamente representada e as leis não são feitas necessariamente em seu benefício.
Por isso é que uma personalidade de grande expressão na História, o britânico Winston Churchill, pronunciou certa vez uma frase que parece uma brincadeira, mas traduz a mais sólida verdade: “A democracia é o pior sistema de governo, com exceção de todos os outros”.
Esses pensamentos decorrem de recente artigo assinado por Luiz Mott na coluna quinzenal de que dispõe em A Tarde, o qual se inicia com as seguinte palavras: “Como diz seu próprio nome, partido parte, divide. Nunca fui muito ligado a partidos políticos...”
Com todo respeito, essa é a expressão dos iletrados, dos alienados da política, que só enxergam seu lado deletério e nem mesmo refletem sobre as alternativas existentes, não de um titular de cátedra de ciência humana numa universidade federal.
As instituições são as pessoas que dela fazem parte, e os partidos políticos não fogem a essa regra. Renegá-los liminarmente como instrumento de gestão e transformação das sociedades beira a insensatez, e hoje no Brasil isso é chover no molhado, porque é com o sistema partidário plural que estamos condenados a conviver, aperfeiçoando-o.
- - - - - - - - - - - - - -
Postagem 2
Esquerda e direita: conceitos que resistem
O douto professor incursiona também por “esse papo de direita e esquerda”, referências, como se sabe, nascidas na Assembleia Nacional formada após a Revolução Francesa. Correspondiam às posições que ocupavam no plenário, em relação ao presidente, respectivamente, os girondinos partidários do rei e os jacobinos revolucionários.
Com o século XX dominado pelo conflito capitalismo x comunismo a partir da Revolução Russa, manteve-se viva a dicotomia, que passou a ser bombardeada após a queda do socialismo real no bloco liderado União Soviética como diferença que não mais existiria no trato político e econômico.
Entretanto, essa nomenclatura tem sua origem trissecular no clamor contra a injustiça e na distância entre as classes sociais – uma minoria abonada em contraposição a uma maioria destituída dos mais elementares direitos. Em suma, a concentração de riqueza e a exclusão social como processos em contínua expansão.
Num país como o Brasil, enquanto houver, de um lado, lideranças personalistas cujo objetivo seja o poder, a manutenção de privilégios, a impunidade e a corrupção, e, de outro, segmentos que aspirem a mudanças para assegurar ao conjunto da população pelo menos a igualdade de oportunidades, sempre estarão vivos os conceitos de direita e esquerda.

domingo, 27 de julho de 2014

Gasto para disputa a presidente é 382% maior que custo de 94

Domingo, 27 de julho de 2014
Jornal do Brasil
O jornal O Estado de S. Paulo informa neste domingo que os 11 candidatos que concorrem á Presidência da República registraram no início de julho o limite de despesas de R$ 916 milhões para as campanhas deste ano. O número representa um aumento de 382% em relação à disputa de 1994, a primeira na qual empresas puderam financiar as campanhas, quando os oito postulantes ao Palácio do Planalto gastaram R$ 190 milhões em valores atuais.
Segundo o Estado, entre 1994 e 2010, o custo das eleições presidenciais cresceu 85%, de R$ 190 milhões para R$ 352 milhões. Se comparado com a eleição de 1989, quando as doações de pessoas jurídicas eram proibidas por lei e 17 dos 22 candidatos registraram gastos de R$ 74 milhões em valores de hoje, o teto estipulado pelos partidos em 2014 representa um aumento de 1.138%.
Ainda de acordo com o jornal, no mesmo período, o eleitorado brasileiro dobrou dos 70 milhões em 1989 para 142 milhões aptos a votar no dia 5 de outubro. Em 25 anos de eleições diretas para presidente, apenas a campanha de 1998,na qual Fernando Henrique liderou com folga a corrida pela reeleição, teve um valor abaixo da disputa anterior - R$ 138 milhões.
O Estado de S. Paulo mostra ainda que, segundo o TSE, em todas as eleições presidenciais o candidato que declarou mais gastos terminou eleito. Cientistas políticos ouvidos pelo jornal constataram que o Brasil tem um dos sistemas eleitorais mais caros do planeta. Nas eleições de 2010, o custo per capita do voto no Brasil chegou a US$ 10,93, incluindo as campanhas para cargos legislativos e governos estaduais. O valor é bem maior do que na França, onde o custo é de US$ 0,45; Reino Unido, US$ 0,77; Alemanha, US$ 2,21; e México, US$ 3,42. Nos Estados Unidos, a relação é de US$ 19,89.
O professor de ciência política do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro, Geraldo Tadeu Monteiro, explica ao jornal que o alto custo das campanhas está diretamente ligado à disponibilidade de dinheiro oferecido por empresas interessadas em negócios com os futuros governantes. "As empresas fazem uma disputa para se posicionar. Tanto que os grandes doadores colaboram com todas as campanhas. Não existe critério programático ou ideológico", afirmou. 
Já o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, diz que a saída é a proibição das doações de pessoas jurídicas. "O problema está no modelo de financiamento. É preciso que haja o barateamento das campanhas, de forma que elas sejam calcadas em propostas e ideias. É preciso que o sistema se torne mais barato e que as campanhas sejam coletivas, e não individualizadas como temos hoje", disse.
No último dia 12, o JB mostrou que as empreiteiras doaram mais de R$ 370 milhões a partidos nos últimos quatro anos. Vale destacar que, mesmo em anos em que não há eleições, as empreiteiras fazem doações para ter bons negócios.
A quantia exata foi de R$ 374.310.055,32. A empreiteira que doou mais foi a Andrade Gutierrez, com R$ 120.198.000,00. Em seguida, veio a Queiroz Galvão, com R$ 110.075.000,00. Em terceiro lugar, apareceu a Camargo Corrêa, com R$ 59.140.000,00. A OAS ficou em quarto, com R$ 50.222.000,00, perto da Odebrecht, que repassou R$ 48.142.000,00. A Cowan liberou R$ 2.175.055,32, enquanto a Delta fez a menor doação, de R$ 1.800.000,00.
O valor total é maior, inclusive, do que o PIB de 2013 de 129 países, entre eles Nova Zelândia, Iraque, Hungria, Marrocos, Eslováquia, Equador, Croácia, Bulgária, Uruguai, Costa Rica, Eslovênia, Paraguai. 
Os críticos às doações de empresas aos partidos argumentam que o dinheiro repassado sempre retorna à companhia, que encara aquilo como um investimento, e não uma doação. De acordo com estudo realizado pelo Instituto Kellogg, da Universidade do Texas, para cada R$ 1,00 doado a campanhas eleitorais, as empresas recebem R$ 8,50 de volta em contratos com o Estado.

domingo, 18 de maio de 2014

Na “República dos Banqueiros”, empreiteiras financiam partidos hegemônicos. Babaquice carimbada e as injustiças da Copa do Brasil

Domingo, 18 de maio de 2014

DANIEL MAZOLA

A “república dos banqueiros”, mais conhecido como Brasil, está a poucos dias da “Copa das Copas”, e mesmo com 12 estádios dados de bandeja para alimentar a corrupção e negócios eleitoreiros, nossos “dedicados e honestos” empreiteiros ignoram todos os prazos firmados com a organização do megaevento. Nunca se viu tanta corrupção, desorganização e descompromisso na história das Copas como nessa de 2014. Essa “gente” se julga intocável, e talvez realmente seja. Nada menos que dois terços da receita do PMDB em 2013 foi “doada” pelo maior grupo transnacional privado do Brasil, a Odebrecht.
Na nossa “economia de mercado” burguesa, a empreiteira Norberto Odebrecht, em três parcelas, mandou R$ 11 milhões para os cofrinhos peemedebistas. Revelado na prestação de contas do partido à Justiça Eleitoral, o valor chamou a atenção porque supera, em muito, os R$ 6,1 milhões (ou R$ 7,5 milhões em números corrigidos pela inflação) doados na campanha de 2010. A segunda maior contribuição de empreiteiras para o PMDB foi de “apenas” R$ 500 milhões da Andrade Gutierrez (que tem antigas e fortíssimas relações com Wellington Moreira Franco, hoje “ministro” da Aviação). Não bastasse o nefasto financiamento privado de campanhas eleitorais, (uma das aberrações ‘democráticas’ mais conhecidas na “república dos banqueiros”, ou seria “república das empreiteiras”), também existe esse financiamento privado para os “partidos” políticos.
Falar em reforma política (VERDADEIRA) no Brasil é algo inimaginável, os partidos hegemônicos NUNCA farão NADA. Esse estreito laço do PMDB com os maiores fazedores de obras públicas confirma por que o partido será o grande fiel na balança da campanha eleitoral deste ano. Taticamente, o partido ensaia uma providencial traição, caso se confirmem as possibilidades concretas de derrota do PT (cuja precária hegemonia depende dos peemedebistas). Por isso, alguns caciques do partido já costeiam o alambrado para pular a cerca em favor de Aécio Neves, no momento oportuno, claro.
Os maiores ‘boquinhas’ da política são peemedebistas. Líderes, como o vice-presidente da República (?), Michel Temer, apenas teatralizam o apoio aos petistas. A pobre “gerentona” Dilma Rousseff não será uma noiva abandonada no altar. Será a companheira traída quando a lua de mel for cancelada pela falência de votos (mesmo sob risco de fraude eleitoral, no dogmático processo eletrônico que não pode ser contestado via recontagem de votos impressos).
Nesse frágil jogo de interesses da governabilidade, mentiras e aparências, o chefão Lula, grande sogrão que patrocina o conflituoso matrimônio entre infiéis, tem duas cartas na manga para conter a debandada do PMDB. Trata-se do risco de mega escândalos, como os da Petrobras, na Eletrobras ou nos Correios, atingirem o PMDB (o que forçaria o partido a não abandonar os petistas). O risco de todos morrerem afogados é altíssimo.
Outra cartada de Lula é que, tanto quanto o PMDB, ele também tem grande prestígio junto aos dirigentes da Odebrecht. Se valer a lógica do manda quem pode (porque tem grana para financiar o partido) e obedece quem tem juízo, Lula tem poder de convencimento de sobra para manter os peemedebistas no seu barco. O problema (ou solução!) é estarem todos juntos na hora da fatal pancada contra o iceberg da História.
Babaquice carimbada 

domingo, 27 de maio de 2012

A Marcha de Brasília contra a corrupção: qual o significado do apartidarismo?

Domingo, 27 de maio de 2012
Por Marcello Barra*
Não ter partido é um partido, assim como o silêncio tem significado. A consequência prática de quem diz não ter partido é muito clara no mundo real: a manutenção da situação e do status quo, portanto, o partido que está no poder, da classe dominante - como Marx os chamou, os “partidos da ordem”.

A mídia é financiada pelos grandes bancos, empresas multinacionais e governo, por isso ela defende o status quo. Defende não de maneira explícita, pois seria facilmente desmascada, mas de uma maneira sutil e dissimulada, seja através da programação exibida e da seleção e modo de exibição das notícias.

Há relação entre a mídia da classe dominante e os "apartidários" (partidários da manutenção). A mídia reforça o chamado apartidarismo. Como? Na grande parte da programação, excluindo a importância dos partidos para a organização política da sociedade e, mais especificamente nos telejornais, promovendo e divulgando movimentos ditos apartidários e não os partidário. Organização política é partido político. O contrário são os ditadores e salvadores da pátria (indivíduos que trazem os interesses das elites dominantes), os SuperCollors, miraculosos, “o cara”.

A mídia defende o apartidarismo pois ela própria é o principal partido da ordem, como mostrou Roberto Robaina através do caso do Jornal Nacional.A maneira existente para agir dentro da política é através de um partido político - os movimentos sociais representam a ação do mundo social na política, que influenciam a esfera política, mas não são o mundo político propriamente dito. Ademais, o sistema político da sociedade atual é a democracia formal, que se caracteriza pelo voto como principal instrumento de mudança institucional. Em síntese, enquanto a conjuntura for de (relativa) estabilidade social e econômica, a mudança só ocorre dentro da institucionalidade e a única ferramenta política da classe trabalhadora e do povo na institucionalidade é o partido político.

Veja o exemplo da Espanha. Os espanhois lideraram a mobilização dos indignados na Europa. Entretanto, apesar de combaterem os dois partidos do poder com a palavra de ordem "Ni PP, Ni PSOE", o PSDB e PT deles, ao não se organizarem em partido político, contribuíram para a vitória da direita explícita, lá representada pelo PP (PSDB). Hoje há um racha nos indignados da Espanha: aqueles que defendem a organização política do movimento e aqueles pela não-organização. Com isso se vê a diferença entre setores consequentes e setores inconsequentes. De que adiantam marchas, protestos, panfletos, confrontos, lutas se a não-organização política leva ao retrocesso?

A Grécia dá o exemplo consequente. Grande parte dos indignados gregos, que foram aqueles que ocuparam as praças e instituiram assembleias populares nas ruas, convergiram para a esquerda anticapitalista, na forma de uma coalizão de partidos de esquerda, o Syriza. Este é considerado o grande vencedor das eleições e lidera as pesquisas para as próximas, dado que não houve formação de uma maioria, e teve-se que chamar outra eleição.

A Revolução Árabe iniciou a rebelião das massas em 2011. Os revolucionários tunisianos e egípcios impuseram à classe dominante a organização em partidos políticos legalizados, que lhes era proibida. No Brasil, a sociedade lutou tenazmente contra a ditadura militar e, graças a isso, hoje os partidos políticos são um direito garantido na Constituição, em que as pessoas são livres para se filiarem. Partidos políticos são uma conquista da democracia brasileira.

O Chile é um exemplo de nossos irmãos latino-americanos muito significativo. O movimento dos estudantes secundaristas, os pinguins, foi muito forte e impulsionou uma enorme mobilização da sociedade, que veio a envolver os universitários, as famílias e os trabalhadores chilenos. Este movimento derrubou a direção pelega da UNE deles, dirigida pelo correspondente ao PCdoB/UJS daqui. Camila Vallejo não representava combate, lutas e compromisso com o real interesse dos estudantes. Caiu Camila Valejos, caiu UJS, caiu PCdoB na UNE deles! Os estudantes radicalizados venceram. Paralelamente, do enorme movimento surgiram novas lideranças estudantis e juvenis, que criaram novos partidos políticos que correspondem às reais necessidades de organização e luta.

A via concreta que existe hoje no Brasil é partidária. Suprimir o partido da classe proletária da luta histórica contra a corrupção significa a derrota dos 99% de brasileiros, dos oprimidos, explorados e dominados. O apartidarismo significa a vitória de 1%. #ElesNãoNosRepresentam.

A Democracia REAL já! é a luta para que os 99% de fato mandem, e não os 1%, como é hoje. Por isso, o partido político é tão necessário para o povo e a classe trabalhadora. E também por isso que a ideologia do apartidarismo representa a defesa da ordem, do sistema corrupto com Cachoeiras e banqueiros.
Para conhecer mais:

Manifesto Contra a corrupção, em defesa da política. A Marcha de Brasília contra a corrupção.

Isso não causa revolta de massas pois corrobora a ideologia diariamente transmitida pela mídia. Por sua vez, os setores sociais diretamente atingidos pelo ataque da mídia se conscientizam e reagem, e também os segmentos sociais mais politizados da classe trabalhadora.



*Marcelo Barra - Sociólogo - para O MIRACULOSO

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Novas estratégias

Segunda, 12 de dezembro de 2011
Por Ivan de Carvalho
Aparentemente, talvez até tardiamente, alguns partidos estão fazendo um reexame da história política recente do país e chegando à conclusão de que, em questão de estratégia partidária, o PT agiu com extrema perícia até alcançar o poder maior, a presidência da República.

            Depois disso, continuou atuando com grande eficácia, mas aí já não se tratava de estratégia aceitável fora do poder, sob o aspecto ético, mas de uma estratégia de aparelhar e usar o Estado em benefício do partido, chegando ao ponto de priorizar a este em detrimento do Estado e, como corolário, em detrimento da sociedade. Esta estratégia, na qual quase todo o partido (sempre há exceções, em alguns casos bastante evidentes) se engajou, não é eticamente aceitável.

Mas não é o meu propósito, hoje, escrever sobre a conduta do PT após a conquista do poder. O tema a ser abordado é o da estratégia usada durante mais de duas décadas para, afinal, chegar a ele em 2002, quando o Grande Companheiro (olha aí, os petistas poderiam dar a Lula essa alcunha e talvez a história a acolhesse, como a cultura política e já agora a própria realidade e a Rede Globo acolheram o Big Brother, criação político-literária de George Orwell) ganhou a presidência da República.

A estratégia do PT foi ser ele mesmo, e não os outros, embora sua composição multifacetada suscitasse muitas dúvidas sobre o que ele era realmente. Mas essa diversidade interna representava e ainda representa componentes, fatores. O PT é a resultante deles. A estratégia do PT foi a do isolacionismo protagonista (os petistas adorariam se houvessem inventado essa expressão há uns 25 anos). Aceitava alguns apoios, rejeitava outros, mas só em casos de incontornável exceção apoiava candidatura alheia, abrindo mão de apresentar a própria, mesmo sem chances eleitorais.

Em síntese: o PT disputava todos os campeonatos e com isso, mesmo perdendo, foi formando torcida. Até que um dia chegou a grande vitória, à qual se agarrou como caraca em casco de navio, do qual não pretende descolar-se jamais.

O DEM, ao contrário, após o destino acordá-lo do sonho de chegar à presidência com Luís Eduardo Magalhães, tornou-se um coadjuvante do PSDB e isto – precedido por uma manobra combinada do PSDB, PT e TSE – o perdeu. Do pouco que restou, grande parte lhe foi tirada pelo PSD. Afogando-se, tenta agarrar-se à tábua de salvação de uma candidatura própria a presidente da República em 2014, segundo anunciado e reiterado por seu presidente nacional, senador Agripino Maia.

O PPS, que, após tentar a presidência com Ciro Gomes, também tornara-se coadjuvante do PSDB, até pela consciência de sua dimensão diminuta, revisa estratégia e, em resolução aprovada por unanimidade em Congresso realizado ontem em São Paulo, fixa o propósito de lançar candidato próprio a presidente em 2014.

O PSDB, como maior partido da oposição, tem, claro, o mesmo propósito.

Quanto ao PMDB, viu o que aconteceu com o PFL/DEM, notou que já começou a trilhar o mesmo caminho e que chegará inexoravelmente ao mesmo destino se não mudar logo de rumo. Busca coragem e, caso a encontre, o “momento oportuno” para fazê-lo. Há dificuldades, mas não há alternativa que possa salvar o partido.

E o PSD, que nasceu agora, mas tem 55 deputados federais, dois senadores e algumas lideranças expressivas nos Estados (São Paulo, com Kassab e Afif e Bahia, com Otto Alencar, são destaques), mas, se não encontrar bons aliados, quase não terá tempo de propaganda em rádio e televisão? Complicado.

 Finalmente há o PSB, que tem dois pretendentes à presidência da República, Ciro Gomes e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que controla o partido. O PSB dá sinais de que pode encerrar sua fase de coadjuvante.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta segunda.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sábado, 16 de julho de 2011

Corrupção, omissão, domesticação

Sábado, 16 de julho de 2011
A corrupção continua, avança, destrói as unidades da federação e a nação. Cadê os caras pintadas de ontem? E os combativos sindicatos e centrais de trabalhadores de épocas passadas? Os partidos que se diziam éticos e de esquerda? Os líderes populares que lideravam passeatas, manifestações e levantavam nas praças do país as bandeiras da retidão com a coisa pública? Todos calados, omissos, coniventes com a situação de descalabro.

Estão no doce colo do poder, no macio regaço da acomodação, no lauto banquete da corrupção, na safadeza da bajulação, domesticados, se auto-amordaçando. Cretinos!


Quando o povo acordará? Quem sabe? Talvez nunca! Ou, sabe lá Deus, mais cedo do que se pensa.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Reguffe critica partidos e defende adoção de candidaturas avulsas

Terça, 18 de maio de 2010 

Reguffe: nojo dos partidos políticos
(Foto: V. Figueirêdo/CLDF)
Do site da CLDF
O deputado Reguffe (PDT) criticou hoje (18) em Plenário o modelo partidário brasileiro e defendeu mudanças na legislação eleitoral, como a adoção de candidaturas avulsas. "Eu tenho nojo dos partidos políticos. E digo isso sem medo de represálias, pois diversas vezes votei aqui contra determinações do meu partido. A política partidária atual é feita em torno de cargos e não de ideias", condenou.
Reguffe disse que, embora a Constituição Federal assegure o direito de votar e ser votado a todos os cidadãos brasileiros, esse direito de fato não é exercido "por mais de 50 por cento da população, que não é filiada a qualquer partido político". Ele defendeu a apresentação de uma Proposta de Emenda Constitucional que permita às pessoas apresentarem candidaturas avulsas.

Fortalecimento
Em aparte às críticas feitas por Reguffe aos atuais partidos políticos, o deputado Chico Leite (PT) ressaltou também a "necessidade de fortalecimento dos partidos políticos, de forma democrática, e sem verticalizações autoritárias". O distrital disse que é preciso que se amplie o debate sobre as mudanças na legislação eleitoral.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O cliente manda

Quarta, 24 de março de 2010
Quem disse que no Brasil os partidos políticos não são de programa? São, e como são. Eles topam qualquer programa. Fazem qualquer serviço em troca de pagamento. Rodam até a bolsinha, não tão bolsinha assim. Principalmente na Avenida Paulista, a maior concentração de renda do Brasil.
Para provar, os mensalões e mensalinhos que explodem dia sim e dia não nesse país das desigualdades.