“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 27 de maio de 2018

Transposição do Rio São Francisco é um “elefante branco” construído a partir de um argumento falacioso

Domingo, 27 de maio de 2018

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Por Patricia Fachin | 27 Maio 2018

Entrevista especial com José do Patrocínio Tomaz Albuquerque
Apesar de o projeto de transposição do Rio São Francisco ter sido justificado por “uma situação de exaustão dos recursos hídricos nas bacias receptoras, os quais já não seriam mais suficientes para o atendimento das demandas humanas, urbanas e rurais”, esse argumento foi uma “falácia”, diz o geólogo José do Patrocínio Tomaz Albuquerque à IHU On-Line.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Patrocínio explica que os sistemas de abastecimento das cidades da região semiárida nordestina “entram em colapso por uma ou pelo conjunto das razões seguintes: inexistência de capacidade de regularização plurianual, 100% garantida, dos reservatórios utilizados como fonte de abastecimento por sua baixa capacidade de acumulação (...); falta de gerenciamento destes reservatórios, usando-os além de suas capacidades de regularização 100% garantida ou, ainda, obsolescência do sistema de abastecimento”. A razão da crise de abastecimento, insiste, “nunca” ocorreu “por falta de água nas respectivas bacias hidrográficas locais”.
Segundo ele, isso pode ser comprovado nas “respostas das Secretarias Estaduais de Recursos Hídricos, respostas estas contidas no Ofício Nº 373/MI, datado de 16/09/2005, do Ministério da Integração Nacional dirigido à Agência Nacional de Águas - ANA, no qual estas Secretarias informam as vazões 100% garantidas de reservatórios localizados nas bacias receptoras que poderiam suprir as demandas estimadas para o ano de 2025, com a segurança requerida, dos 12 milhões de habitantes urbanos de cidades inseridas na região semiárida, inclusive Fortaleza/Ceará e Campina Grande, na Paraíba”.
Crítico à obra de transposição do Rio São Francisco, Patrocínio avalia que o melhor para a região seria investir em projetos de distribuição e abastecimento a partir da adução das águas do São Francisco. Essa proposta, diz, seria suficiente para atender a demanda das grandes metrópoles nordestinas e alguns dos estados da região Nordeste Oriental.
Patrocínio frisa ainda que a revitalização do São Francisco e de sua bacia são necessárias, mas não serão suficientes para garantir que o rio recupere sua antiga vazão média natural. “Embora importantes e necessárias, estas medidas não são suficientes para reverter a situação atual de disponibilidade hídrica do rio e de seus afluentes e reservatórios superficiais. A razão é a mudança drástica do regime hidrológico de seus cursos d’água e da vazão de suas fontes pela exploração incontrolada do fluxo de base, alteradas de perenes para intermitentes e, mesmo, efêmeras”, esclarece.
Após a conclusão total da obra de transposição, afirma, ela “poderá se transformar no que foi denominado de ‘elefante branco’, na medida em que, com a ocorrência de futuras secas, tão prolongadas e agudas como foi esta última, pode acontecer o esvaziamento total dos reservatórios fundamentais, já que a vazão de base não mais terá a contribuição histórica, tornando-se insignificante ou nula”.

sábado, 25 de março de 2017

Os mercadores de sonho e a transposição do rio São Francisco. Bem social, direito de todos, transformado em bem econômico, direito de alguns. Entrevista especial com Dom Luiz Flávio Cappio

Sábado, 25 de março de 2017
Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Dom Cappio | Foto: Divulgação
"O Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco é eleitoreiro, e por isso é muito oportuno usá-lo em momentos como este que temos pela frente, as eleições de 2018”, afirma Dom Luiz Flávio Cappio à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail, ao comentar a inauguração de primeira parte da transposição do rio São Francisco, que foi comemorada tanto pelo governo Temer, quanto pelos ex-presidentes Lula e Dilma.
Na avaliação de Dom Cappio, “numa situação de total insegurança política e falta de candidatos sérios com propostas igualmente sérias, essa obra e essas ‘inaugurações’ se constituem em prato cheio para esses que sempre enganaram e continuam enganando o povo, mormente os mais pobres e necessitados de água e alimentos”.
Um dos principais opositores da transposição do rio São Francisco, Dom Cappio avalia que a transposição “foi o preço pago por Lula para garantir sua vitória no 2º turno das eleições de 2002”, e teve o apoio “da bancada cearense capitaneada por Ciro Gomes”. Segundo ele, “o grande interesse da bancada cearense eram os imensos investimentos a serem feitos no território do estado do Ceará e garantir, quem sabe no futuro, água para o agronegócio naquele estado”. Portanto, adverte, “essa obra significa o fortalecimento dos grupos políticos afinados ao governo federal, a garantia de grandes investimentos em infraestrutura, a valorização das terras por onde devem passar os canais, o armazenamento de água para os grandes projetos agroindustriais”.

domingo, 17 de julho de 2016

Para empresários e banqueiros, as doações do BNDES; para o agronegócio, a maracutaia da transposição

Domingo, 17 de julho de 2016
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Um dos aspectos mais chocantes do período em que o Partido dos Trabalhadores impôs sua hegemonia sobre a esquerda brasileira foi a passividade com a qual esta aceitou o entrelaçamento de interesses com os mais predatórios segmentos da burguesia e com os mais repulsivos inimigos da liberdade. 

Práticas que, quando adotadas pelos adversários de direita, eram denunciadas como emblemáticas de sua condição de inimigos do povo, passaram a ser copiadas descaradamente pelos mandatários do PT e toleradas pela companheirada como um preço a ser pago pela governabilidade.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Suspeitas de desvios receberam quase R$ 500 mi na transposição do Rio São Francisco

Terça, 15 de dezembro de 2015
Do Contas Abertas
Dyelle Menezes
A Polícia Federal prendeu temporariamente quatro executivos das empresas Galvão Engenharia, OAS, Coesa e Barbosa Mello. Os empresários são suspeitos de superfaturamento e desvio de R$ 200 milhões em dois lotes das obras da transposição do Rio São Francisco, entre o sertão de Pernambuco e a Paraíba. Ao todo, essas empresas receberam quase R$ 500 milhões na realização da obra.

Leia a íntegra em:

domingo, 13 de dezembro de 2015

Da Lava-Jato às Vidas Secas. É o Brasil da corrupção sistêmica

Domingo, 13 de dezembro de 2015
Fenômenos hídricos esquisitos acontecem neste país da corrupção. Em tão pouco tempo passamos de uma situação de águas rolando profusamente na ‘Lava-Jato’ para ‘Vidas Secas’ no Canal do São Francisco.
Tanto na primeira, como na segunda situação, as 'águas' sempre rolaram para contas bancárias no Brasil —e também no exterior— de empreiteiros, administradores públicos ou privados, banqueiros e políticos canalhas. Verdadeiros ratos. Ou seriam gatos?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Grande novidade! PF investiga superfaturamento em obras de transposição do São Francisco; OAS no meio

Sexta, 11 de dezembro de 2015
Da Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (11) a Operação Vidas Secas – Sinhá Vitória, que investiga o superfaturamento de obras de engenharia executadas por empresas em dois dos 14 lotes da transposição do Rio São Francisco. Empresários do consórcio OAS/Galvão/Barbosa Melo/Coesa utilizaram empresas de fachada para desviar cerca de R$ 200 milhões das verbas públicas.