Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 5 de julho de 2020

O direito de rir

Julho
5
O direito de rir

Segundo a Bíblia, Salomão, rei de Israel, não tinha um boa opinião sobre o riso:
— É loucura — dizia ele.
Nem sobre a alegria:
—Serve para quê?
Segundo os evangelhos, Jesus não riu nunca.
O direito de rir sem cometer pecado precisou esperar até que na cidade de Assis nasceu, no dia de hoje de 1182, um bebê chamado Francisco.
São Francisco de Assis nasceu sorridente, e anos depois instruiu seus monges discípulos:
—Sejam alegres. Evitem aparecer tristes, carrancudos, hipócritas...

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’.
2ª edição, 2012, página 217. L&PM Editores.

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sábado, 13 de agosto de 2016

“Novo Chico”: governo Temer lança plano de R$ 1 bilhão com jeito de antigos ataques eleitoreiros ao Velho Chico, um rio que agoniza a olhos vistos

Sábado, 13 de agosto de 2016
Do Blog Bahia em Pauta

“Novo Chico”:Temer, Padilha, Renan e ministros, no retrato sem retoque do ato de lançamento do plano no Palácio do Planalto.
ARTIGO DA SEMANA

“Novo Chico”: outro ataque político ao Velho Chico?

Vitor Hugo Soares
Para quem nasceu e passou anos inesquecíveis nas barrancas do Rio São Francisco, entre a Bahia e Pernambuco, é irresistível constatar: a imagem que ilustra a notícia sobre o lançamento, no Palácio do Planalto, esta semana, do “Plano Novo Chico” (há sinais evidentes de marqueteiro novo no pedaço!), assusta e preocupa. Mais que as cenas das conversas e arranjos do coronel Saruê com o deputado Carlos Eduardo, em suas maquiavélicas maquinações nos capítulos mais recentes da novela “Velho Chico” (TV Globo), enquanto o rio da minha aldeia míngua a céu aberto e segue agonizando a olhos vistos.

Leia a íntegra

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Meio ambiente: MPF cria grupo de trabalho para tratar da Bacia do Rio São Francisco

Sexta, 12 de agosto de 2016
Imagem: site Chesf
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Do MPF
GT é resultado de tratativas do 1º Encontro do Comitê da bacia do São Francisco com MPF
A Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Público do Ministério Público Federal (MPF) decidiu, nessa terça-feira, 9 de agosto, criar grupo de trabalho com o objetivo de construir estratégias para a preservação ambiental da Bacia do São Francisco. A criação do GT foi definida no encerramento do 1º Encontro do Comitê da Bacia do São Francisco com membros do MPF.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Grande novidade! PF investiga superfaturamento em obras de transposição do São Francisco; OAS no meio

Sexta, 11 de dezembro de 2015
Da Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (11) a Operação Vidas Secas – Sinhá Vitória, que investiga o superfaturamento de obras de engenharia executadas por empresas em dois dos 14 lotes da transposição do Rio São Francisco. Empresários do consórcio OAS/Galvão/Barbosa Melo/Coesa utilizaram empresas de fachada para desviar cerca de R$ 200 milhões das verbas públicas.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Governo abandona transposição do São Francisco após eleição de Dilma

Domingo, 4 de dezembro de 2011
Do Estadão

Reportagem do 'Estado' percorreu trechos do empreendimento que impulsionou vitória no Nordeste e constatou deterioração de obras, concreto rachado e vergalhões abandonados

Eduardo Bresciani, Estadão.com.br e Wilson Pedrosa, Enviados especiais, FLORESTA (PE)

Entre Betânia e Custódia, obras estão paralisadas e placas de concreto começam a se soltar
 
Cenário de propaganda eleitoral da presidente Dilma Rousseff e responsável por parte de sua expressiva votação recebida no Nordeste, a transposição do Rio São Francisco foi abandonada por construtoras e o trabalho feito começa a se perder. O Estado percorreu alguns trechos da obra em Pernambuco na semana passada e encontrou estruturas de concreto estouradas e com rachaduras, vergalhões de aço abandonados e diversos trechos em que o concreto fica lado a lado com a terra seca do sertão nordestino.  
 
O Ministério da Integração Nacional afirma que é de responsabilidade das empresas contratadas a conservação do que já foi feito e que caberá a elas refazer o que está se deteriorando. Informa ainda que vai promover novas licitações em 2012 para as chamadas obras complementares, trechos em que a pasta e as empreiteiras não conseguiram chegar a um acordo sobre preço. Segundo o ministério, as obras estão paralisadas em 6 dos 14 lotes e em um deles o serviço ainda será licitado. 
 
Marcada por controvérsias, a obra da transposição começou a sair do papel em 2007 e, no ano seguinte, com os canteiros em pleno funcionamento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua então ministra-chefe da Casa Civil e mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) fizeram uma vistoria pela região para fazer propaganda da ação. Os dividendos eleitorais foram colhidos no ano passado por Dilma. Em Pernambuco, Estado onde começa o desvio das águas, ela obteve mais de 75% dos votos válidos no segundo turno da eleição. Nas cidades visitadas pelo Estado, onde as obras estão agora abandonadas, o desempenho foi ainda melhor. Em Floresta, a presidente obteve 86,3%; em Cabrobó e Custódia, 90,7%; e em Betânia, 95,4%. 
 
Prometida para o final do governo Lula, a obra tem seu prazo de entrega sucessivamente adiado. A nova previsão é concluir os 220 quilômetros do eixo leste, de Floresta a Monteiro (PB), até o fim de 2014 e terminar no ano seguinte os 402 quilômetros do eixo norte, que sai de Cabrobó para levar água ao Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. 
 
A obra está atualmente orçada em R$ 6,8 bilhões, 36% a mais do que a projeção inicial. Segundo o ministério, foram empenhados R$ 3,8 bilhões para a obra e pagos R$ 2,7 bilhões às construtoras. 
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Comentário do Gama Livre: Dos males o menor. Preferível o abandono dessas obras do que a morte do Velho Chico.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Transposição do Velho Chico quase parada

Quinta, 24 de novembro de 2011
Da Tribuna da Bahia

Nelson Rocha - Repórter

Em dezembro de 2007, o bispo dom Luiz Flávio Cappio, 65, de Barra, interior baiano, fez greve de fome contra o projeto da transposição das águas do rio São Francisco. Dois anos antes, o religioso passou onze dias sem comer pelo mesmo motivo. Ele condicionava o fim da greve de fome à paralisação da obra e arquivamento do projeto que transfigura o Velho Chico e defendia a revitalização do rio e o convívio do sertanejo com a seca. 


“Nós temos água com fartura no Nordeste. São 40 bilhões de metros cúbicos de água armazenados. Nós não precisamos das águas do São Francisco pra coizíssima nenhuma”, afirma o engenheiro que considera a obra em questão, desprovida de significado. “Ela não vai mitigar a sede do nordestino. Aliás, se fosse pela obra o nordestino já teria morrido de sede”, disse à Tribuna.

Ainda faltam construir 27 aquedutos na obra que, conforme o engenheiro Manoel Bonfim, só avançou em torno de 15% em três anos. “Não se pode fazer uma obra desta de uma noite pro dia.

Pela sua magnitude ela vai demorar muitos anos para ser construída. Não se faz em menos de dez anos”, prevê. Quanto ao olhar do nativo diante da transposição do rio São Francisco, o engenheiro diz perceber que este “se sente incomodado. Ele tem água. Claro que mais água, melhor, isto em qualquer lugar do mundo. Mas isto não quer dizer que o nordestino esteja premente de água, senão não irá sobreviver. Não existe isto. Ele tem a vida dele equacionada, com o seu açude”.

Sistema de adutores

Se tivesse a oportunidade de conversar com a presidente Dilma Rousseff, o engenheiro Manuel Bonfim diz que pediria a ela que parasse imediatamente com a obra da transposição. “Em qualquer estágio que a obra parar é lucro. É uma obra que não vai funcionar. O que falta é um sistema de adutores interligando os açudes e levando água às diversas comunidades. Foram construídos e estão lá apenas recebendo a luz do sol e sendo evaporados”, concluiu.

A transposição do rio São Francisco prevê o desvio de até 26 mil litros de água por segundo, do rio para canais e leitos secos nos Estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. A obra, com 16 frentes de trabalho, 14 com grupos privados e 2 com o Exército, aliás, as únicas que seguem trabalhando.

Com o risco de se transformar numa “transamazônica”, a estrada que não chegou ao fim, o projeto do governo federal desperta a posição contrária da oposição.

Recentemente o presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia, evitou falar sobre os recursos anunciados pela presidente Dilma Rousseff para a segunda etapa do metrô de Salvador, mas fez  o seguinte comentário: “Espero que o metrô não tenha o mesmo destino da transposição do rio São Francisco que no futuro será vista como uma obra incompreensível e misteriosa”.

De acordo com um levantamento do Ministério da Integração Nacional, dos lotes executados pela iniciativa privada através de consórcios de empreiteiras, oito estão em ritmo adequado ou lento, enquanto cinco lotes encontram-se paralisados. O titular da pasta, ministro Fernando Bezerra Coelho, ao fazer um balanço recente das obras da Transposição do rio São Francisco, denominado pelo governo federal de Projeto de Integração de Bacias do Rio São Francisco, comentou:

“Depois das hidroelétricas, a obra da Transposição é a maior do PAC. Uma obra complexa, com muitas frentes de serviço. Cada contrato exige um processo de negociação difícil. Este ano nos dedicamos à revisão dos preços dos contratos, que foram feitos entre 2006 e 2007”, revelou. Conforme o ministro da Integração Nacional, as metas acordadas com a presidente Dilma Rousseff em agosto deste ano estão mantidas, com lançamento do protótipo da transposição no último trimestre do próximo ano; entrega do Eixo Leste até o fim de 2014 e finalização do Eixo até o fim de 2015.

          
O governo afirmou que não iria paralisar a obra, avaliada em R$ 6 bilhões. Alegou que a transposição beneficiará 12 milhões de pessoas. Agora, mais uma voz se faz ouvir pelo mesmo motivo: a do engenheiro civil Manoel Bonfim Ribeiro, ex diretor do Departamento Nacional de Obras Contra Seca (DNOCS), que na terça-feira, pela manhã, fez uma palestra na Associação Bahiana de Imprensa (ABI), a convite do presidente da casa Walter Pinheiro, apontando erros e acertos da maior obra do  Programa Aceleração do Crescimento (PAC). 


         “O projeto da transposição do rio São Francisco, para o semi-árido brasileiro, está devagar quase parando”, disse na oportunidade. “Isto se deve, naturalmente, a falta de entusiasmo da sociedade. As obras foram licitadas, começaram realmente os trabalhos, mas ocorre que o pessoal da região não luta com garra pela transposição por que ela é desnecessária. Não só para o meu conceito, mas para o conceito da própria sociedade. 
           
Nós temos uma rede de açudes fantástica na região. São mais de 70 mil açudes, muitos primorosos, todos oficiosos. O que é preciso é dar funcionalidade a estes açudes”, declarou, acrescentando: “As obras da Copa vão acontecer porque a sociedade está acompanhando e o evento é empolgante. A obra do São Francisco é no interior, longe dos olhos de todos. Ninguém toma conhecimento do que está se passando”.  
         
O canal do rio São Francisco tem 720kms de extensão, a partir de Cabrobó, interior de Pernambuco. Ao longo do trecho há rachaduras, placas soltas, mato expandindo-se, vacas pastando em torno da obra, tudo exposto inclusive na internet. Nada, porém, comparável ao acidente que fechou o túnel Cuncas, na divisa do estado da Paraíba com o Ceará, de 15 kms, em fase de construção e o maior do mundo para a travessia de água. 
         
“Mas já estão abrindo. Um acidente que ocorre em qualquer obra desta natureza. Acontece que a parte física da obra deveria estar mais avançada. O problema é a importância sócio-econômica da obra. Nós estamos construindo essa obra pra que? Ao que ela vai servir?”, questiona o engenheiro piauiense Manoel Bonfim. 
   
               
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domingo, 30 de outubro de 2011

O ABC do São Francisco

Domingo, 30 de outubro de 2011
Para salvar o rio São Francisco, não do excesso mas da falta de água, só indo buscar os santos do major Irineu. Antonio Conselheiro disse que o sertão ia virar mar e o mar virar sertão. Já começou. Da hidrelétrica de Xingó até a foz do rio são 208 quilômetros, separando Alagoas e Sergipe. O leito do rio já é quase todo um imenso mar de areia, bancos de areia. A 145 quilômetros da foz se pescam peixes de alto mar, como robalo.

É o avanço das águas do oceano. A ponte que liga Sergipe a Alagoas, a 45 quilômetros da foz, até há poucos anos tinha uma lamina de água de 45 a 55 metros. Hoje, qualquer um pode atravessar o rio a pé, de moto ou a cavalo. As águas do rio chegam ao mar apenas por dois pequenos canais nos lados extremos da ponte. Quem duvidar, é só ir lá ver o desastre.

(Sebastião Nery em imperdível artigo com o título “O ABC do São Francisco”, publicado hoje na Tribuna da Imprensa)
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Rio São Francisco
Carlos Pita

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Do Blog Bahia em Pauta

Terça, 4 de outubro de 2011
“Oração de São Francisco”, Fagner:Uma canção para o santo dos humildes e para Dom Cappio, defensr do rio, que aniversaria

Dom Cappio às margens do São Francisco/Arquivo
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A “Oração de São Francisco”, cantada por Fagner, vai para o bispo diocesano da Barra, Dom Luiz Cappio, aniversariante deste 4 de outubro do santo beneditino, e corajoso defensor do Rio São Francisco.

Homenagem sugerida ao BP pelas jornalistas Zoraide Villas-Boas e Maria Olívia Soares.

Longa vida a Dom Cappio!!!

(VHS)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Um rio de corrupção

Quarta, 10 de agosto de 2011
Está difícil encontrar alguma coisa em que a corrupção não esteja presente. O Ministério Público Federal em Sergipe acaba de entrar com ação de improbidade administrativa com base nos levantamentos realizados pela Operação Navalha. Ao invés de desviar as águas do São Francisco, estão desviando o dinheiro público.
 
A ação do MPF em Sergipe levou em consideração uma auditoria de 2007, realizada pela Controladoria-Geral da União —CGU. O levantamento constatou superfaturamento de aproximadamente R$78 milhões nas obras da adutora do Rio São Francisco. Auditoria realizada pelo TCU —Tribunal de Contas da União— identificou também superfaturamento na tubulação da adutora.
 
O Ministério Público Federal aponta como responsáveis pelos prejuízos aos cofres públicos, o empresário Zuleido Veras (bastante conhecido nuns rolos aqui em Brasília, com sua empresa Guatama),  e o ex-governador sergipano, João Alves Filho. Mas não são apenas esses dois os acusados.
 
Responderão ainda na Justiça as seguintes pessoas físicas ou jurídicas: Jane Eyre Albuquerque, Construtora Guatama Ltda., Silte Participações S/A, Construtora Manda Ltda., Rodolpho de Albuquerque Soares de Veras, Maria Clara de Albuquerque Soares de Veras, Flávio Conceição de Oliveira Neto, João Alves Neto, Gilmar Melo Mendes, Victor Fonseca Mandarino, Roberto Leite, Kleber Curvelo Fontes, Max José Vasconcelos de Andrade, Sérgio Duarte Leite, José Ivan de Carvalho Paixão, Ricardo Magalhães da Silva, Gil Jacó Carvalho Santos, Florêncio Brito Vieira, Humberto Rios de Oliveira, Habitacional Construções S/A, e Habitacional Participações Ltda.
 
Segundo o MPF só com relação à construtora Gautama, Zuleido e Rodolfo Veras, o prejuízo ultrapassa os R$300 milhões.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A vantagem do novo Estado


Quinta, 26 de maio de 2011 
Por Ivan de Carvalho
Está se iniciando um movimento pela criação do Estado do São Francisco, a ser desmembrado do território do Estado da Bahia, principalmente, mas com fortes possibilidades de agregar também territórios hoje integrados ao Estado de Pernambuco.

              A idéia medra entre alguns políticos baianos, incluindo parlamentares como o deputado federal Oziel Oliveira, do PR, ligadíssimo ao próspero município de Luís Eduardo Magalhães e à ex-deputada Jusmari Oliveira, prefeita de Barreiras, que poderia ser informalmente chamada de capital do oeste baiano.


            Mas o movimento é supra-ideológico, pois tem o decidido apoio da deputada estadual Kelly Magalhães, do PC do B, que ao saudar da tribuna da Assembléia Legislativa os 120 anos de Barreiras, que estão sendo completados hoje, insistiu na “importância de se discutir a criação do Estado do São Francisco”.


            Se não existem barreiras (sem nenhuma intenção de trocadilho) ideológicas entre os defensores da criação do novo Estado, também não existem na transposição de divisas estaduais para acumulação de territórios que venham a, eventualmente, compor a futura unidade federada.


            Assim é que o São Francisco, generoso como o santo que lhe emprestou o nome, dá suas águas e suas margens férteis aos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Mas Alagoas e Sergipe são estados demasiado pequenos para que se pense na malvadeza de subtrair-lhes um pouco do pouco território que possuem. E quanto a Minas Gerais, “está onde sempre esteve” e sempre estará, nada tendo a ganhar quem lançar os olhos compridos na direção das Alterosas.


           Mas a idéia do Estado do São Francisco não se restringe aos baianos. Também tem trânsito entre políticos de Pernambuco. Os Coelho de Petrolina (aqueles poderosos roedores que um dia estiveram, por intermédio do senador Nilo Coelho (morto há anos), na presidência do Senado e do Congresso) também se mostram interessados.


A proposta deles é de que a capital do futuro Estado do São Francisco seja a cidade pernambucana de Petrolina, talvez unida à baiana Juazeiro. Já os políticos baianos que pregam a criação do novo estado vêm em Barreiras a capital natural. E ambos os lados viam como alvo a região do Médio São Francisco, mas agora já espicham o olhar para o Baixo São Francisco, de modo a tentar colher uma pérola fluvial, a cachoeira de Paulo Afonso – melhor dizendo, a hidrelétrica e a cidade, com a importância econômica que tem, inclusive na possibilidade de exploração turística.


Vale lembrar que, quando a lavoura cacaueira do sul baiano estava em toda sua pujança, antes da bruxa dar suas vassouradas por lá, não eram poucos os políticos da região, incluindo parlamentares liderados pelo então deputado federal Fernando Gomes, plantado em Itabuna e que chegou a apresentar projeto de lei na Câmara dos Deputados visando à criação de um Estado de Santa Cruz, com o território do sul e do extremo-sul baiano.


Dizimada a lavoura do cacau pela vassoura-de-bruxa, não se falou mais no assunto, mas o grande celeiro que surge no São Francisco, com cereais (destacando-se a soja), frutas, produção de vinhos de qualidade, fez ressurgir lá olhares cobiçosos.


Para a Bahia, que tanto teria a perder, há, apesar de tudo, um consolo, se o improvável Estado do São Francisco surgir. Querem incluir nele o município de Rodelas, no Baixo São Francisco. Rodelas está praticamente escolhida como local para construção de uma das usinas nucleares que a União nos quer enfiar goela abaixo. Pois bem, que se vier o tal novo estado, vá com ele Rodelas e sua maldita usina. É a maneira mais simples da Bahia se livrar dela. Embora só formalmente, pois, infelizmente, Rodelas não sairá do lugar onde Deus a colocou, ressalvado o caso de alguma mágica nuclear.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quinta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.
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         Google Imagem

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Romaria da Terra e das Águas acontece neste final de semana

Sexta, 2 de julho de 2010
A 33ª Romaria da Terra e das Águas terá início hoje (2/7) às 18 horas na cidade baiana de Bom Jesus da Lapa, às margens do Velho Chico, o maltratado rio São Francisco. A romaria deste ano terá como lema “Terra Mãe, para Onde Vamos?” e reúne trabalhadores rurais, comunidades tradicionais e movimentos sociais. Haverá a exposição das dificuldades na conquista por terra, água e justiça.
Durante a 33ª Romaria será lançada a Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra, uma campanha da Igreja Católica, juntamente com movimentos sociais. O objetivo da Campanha é a criação de uma legislação que limite o tamanho dos estabelecimentos rurais a 35 módulos fiscais —algo entre 175 e 2.450 hectares, isso dependendo da situação geográfica do município.
Dos presidenciáveis, o único que dará as caras por lá é Plínio de Arruda Sampaio, do Psol.
Tanto Serra como Dilma recentemente deram declarações contra os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária.
 Águas dos São Francisco - Foto: Taciano

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Os impactos da transposição nas comunidades Semi-árido

Quinta, 8 de abril de 2010
Do site Brasil de Fato
Em entrevista ao Brasil de Fato Roberto Malvezzi, o Gogó, da CPT, avalia os impactos das obras que seguem de forma acelerada pelo sertão nordestino
Patrícia Benvenuti - de Juazeiro (BA)
Impactos ambientais e sociais, uma revitalização que mal saiu do papel e traz muita incerteza. Esse tem sido o saldo das obras da transposição do rio São Francisco que, quase três anos depois do seu início, segue acumulando danos para as populações da região.
Apresentada como uma dos principais projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, a transposição deve ter parte de suas obras concluídas até o final deste ano, prometendo levar água para 12 milhões de pessoas na Paraíba, no Ceará e no Rio Grande do Norte.
Antes mesmo do começo das obras, porém, organizações populares já alertavam que o intuito da transposição é disponibilizar água para projetos de irrigação e produção de crustáceos em larga escala, favorecendo o agronegócio e o mercado internacional.
Se a resistência popular teve seu momento mais forte com o jejum do bispo de Barra (BA), Dom Luiz Cappio, no final de 2007, o endurecimento das comunidades contra a transposição deve crescer à medida em que os impactos ficarem mais evidentes e as promessas de melhorias não forem cumpridas.
A avaliação é do integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Roberto Malvezzi, o Gogó. Em entrevista concedida ao Brasil de Fato durante o VII Encontro Nacional da Articulação no Semiarido Brasileiro (EnconASA) em Juazeiro (BA), no final de março, Gogó falou sobre o andamento das obras da transposição e as consequencias do empreendimento para a região.
Leia a entrevista completa sobre "Os impactos da transposição nas comunidades Semi-árido"