“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 27 de maio de 2018

Transposição do Rio São Francisco é um “elefante branco” construído a partir de um argumento falacioso

Domingo, 27 de maio de 2018

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Por Patricia Fachin | 27 Maio 2018

Entrevista especial com José do Patrocínio Tomaz Albuquerque
Apesar de o projeto de transposição do Rio São Francisco ter sido justificado por “uma situação de exaustão dos recursos hídricos nas bacias receptoras, os quais já não seriam mais suficientes para o atendimento das demandas humanas, urbanas e rurais”, esse argumento foi uma “falácia”, diz o geólogo José do Patrocínio Tomaz Albuquerque à IHU On-Line.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Patrocínio explica que os sistemas de abastecimento das cidades da região semiárida nordestina “entram em colapso por uma ou pelo conjunto das razões seguintes: inexistência de capacidade de regularização plurianual, 100% garantida, dos reservatórios utilizados como fonte de abastecimento por sua baixa capacidade de acumulação (...); falta de gerenciamento destes reservatórios, usando-os além de suas capacidades de regularização 100% garantida ou, ainda, obsolescência do sistema de abastecimento”. A razão da crise de abastecimento, insiste, “nunca” ocorreu “por falta de água nas respectivas bacias hidrográficas locais”.
Segundo ele, isso pode ser comprovado nas “respostas das Secretarias Estaduais de Recursos Hídricos, respostas estas contidas no Ofício Nº 373/MI, datado de 16/09/2005, do Ministério da Integração Nacional dirigido à Agência Nacional de Águas - ANA, no qual estas Secretarias informam as vazões 100% garantidas de reservatórios localizados nas bacias receptoras que poderiam suprir as demandas estimadas para o ano de 2025, com a segurança requerida, dos 12 milhões de habitantes urbanos de cidades inseridas na região semiárida, inclusive Fortaleza/Ceará e Campina Grande, na Paraíba”.
Crítico à obra de transposição do Rio São Francisco, Patrocínio avalia que o melhor para a região seria investir em projetos de distribuição e abastecimento a partir da adução das águas do São Francisco. Essa proposta, diz, seria suficiente para atender a demanda das grandes metrópoles nordestinas e alguns dos estados da região Nordeste Oriental.
Patrocínio frisa ainda que a revitalização do São Francisco e de sua bacia são necessárias, mas não serão suficientes para garantir que o rio recupere sua antiga vazão média natural. “Embora importantes e necessárias, estas medidas não são suficientes para reverter a situação atual de disponibilidade hídrica do rio e de seus afluentes e reservatórios superficiais. A razão é a mudança drástica do regime hidrológico de seus cursos d’água e da vazão de suas fontes pela exploração incontrolada do fluxo de base, alteradas de perenes para intermitentes e, mesmo, efêmeras”, esclarece.
Após a conclusão total da obra de transposição, afirma, ela “poderá se transformar no que foi denominado de ‘elefante branco’, na medida em que, com a ocorrência de futuras secas, tão prolongadas e agudas como foi esta última, pode acontecer o esvaziamento total dos reservatórios fundamentais, já que a vazão de base não mais terá a contribuição histórica, tornando-se insignificante ou nula”.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Meio ambiente: Nota pública do MPF sobre o rompimento do canal do eixo leste das obras de Transposição do Rio São Francisco

Quarta, 14 de junho de 2017
Na Paraíba, por exemplo, todas as barragens da transposição estão indicadas pela Agência Nacional de Águas (ANA) como de risco, mas nenhuma delas conta com plano de ação de emergência

Do MPF
MPF acompanha caso e nesta terça-feira (13) participou de reunião no Ministério da Integração, onde foram definidas diversas ações

Nota pública do MPF sobre o rompimento do canal do eixo leste das obras de Transposição do Rio São Francisco
Imagem ilustrativa: Rio São Francisco (Pixabay)
 

No dia 10 de junho, sábado, o Ministério Público Federal (MPF) teve ciência do rompimento de um trecho do canal do Eixo Leste do Projeto São Francisco, ocorrido durante a madrugada, em local próximo ao reservatório Copiti, entre Sertânia e Custódia (PE). O trecho é executado pela empresa OAS. Além de dar ciência do fato a autoridades federais responsáveis, o  MPF passou a acompanhar as providências para a correção do problema e na terça-feira, dia 13, esteve presente em reunião no Ministério da Integração, em Brasília.

sábado, 25 de março de 2017

Lula comanda (com Dilma) um patético exército de Brancaleone no Nordeste em comício da “inauguração popular” da transposição do rio São Francisco

Sábado, 25 de março de 2017
Do Blog Bahia em Pauta
Lula comanda seu “regimento” no comício
da transposição na Paraíba…

…e uma cena de “O Incrível Exército de Brancaleone”.

ARTIGO DA SEMANA
Lula, Dilma e o rio: O Exército Brancaleone no Nordeste
Vitor Hugo Soares

Mal (ou bem?) comparando, só faltou, no domingo passado, o grito de guerra “Branca! Branca! Branca!, Leon, Leon Leon”, para a extemporânea encenação político eleitoral misturada com patético e desesperado ataque à Lava Jato e ao juiz Sérgio Moro se completar, no esturricado sertão nordestino, no final do verão brasileiro de 2017. O ambiente fica cada vez mais parecido – principalmente depois da Operação Carne Fraca – com o cenário medieval da fabulosa comédia do cinema italiano, “O Incrível Exército Brancaleone”.
Leia a íntegra no Blog Bahia em Pauta.

Os mercadores de sonho e a transposição do rio São Francisco. Bem social, direito de todos, transformado em bem econômico, direito de alguns. Entrevista especial com Dom Luiz Flávio Cappio

Sábado, 25 de março de 2017
Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Dom Cappio | Foto: Divulgação
"O Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco é eleitoreiro, e por isso é muito oportuno usá-lo em momentos como este que temos pela frente, as eleições de 2018”, afirma Dom Luiz Flávio Cappio à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail, ao comentar a inauguração de primeira parte da transposição do rio São Francisco, que foi comemorada tanto pelo governo Temer, quanto pelos ex-presidentes Lula e Dilma.
Na avaliação de Dom Cappio, “numa situação de total insegurança política e falta de candidatos sérios com propostas igualmente sérias, essa obra e essas ‘inaugurações’ se constituem em prato cheio para esses que sempre enganaram e continuam enganando o povo, mormente os mais pobres e necessitados de água e alimentos”.
Um dos principais opositores da transposição do rio São Francisco, Dom Cappio avalia que a transposição “foi o preço pago por Lula para garantir sua vitória no 2º turno das eleições de 2002”, e teve o apoio “da bancada cearense capitaneada por Ciro Gomes”. Segundo ele, “o grande interesse da bancada cearense eram os imensos investimentos a serem feitos no território do estado do Ceará e garantir, quem sabe no futuro, água para o agronegócio naquele estado”. Portanto, adverte, “essa obra significa o fortalecimento dos grupos políticos afinados ao governo federal, a garantia de grandes investimentos em infraestrutura, a valorização das terras por onde devem passar os canais, o armazenamento de água para os grandes projetos agroindustriais”.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

MPT recomenda suspensão de obras da Transposição do Rio São Francisco

Quinta, 15 de dezembro de 2016

Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil

Procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco recomendaram hoje (15) a suspensão imediata das obras no Túnel Monteiro, no eixo leste da Transposição do Rio São Francisco, por grave risco de acidente de trabalho. Uma força-tarefa do MPT fiscalizou as obras no local e encontraram falta de condições seguras de transporte e trabalho dos funcionários nos canteiros de obra dos consórcios São Francisco Leste e Bacia do São Francisco. A recomendação foi enviada às empresas nesta quinta-feira.

sábado, 6 de junho de 2015

Gritos e manifestações em defesa do Velho Chico e suspeitas sobre a obra de transposição que já engoliu mais de R$ 8 bilhões e o rio definha a olhos vistos

Sábado, 6 de junho de 2015
O jornalista Vitor Hugo, baiano nascido nas barrancas do São Francisco, escreve hoje (6/6) em seu "Bahia em Pauta" um dos mais lúcidos e duros artigo sobre o crime que governantes brasileiros cometem contra o Velho Chico e o meio ambiente das Minas Gerais, Bahia e Nordeste. Sem meias palavras, é duro contra aqueles que, com dinheiro do povo carreado —como sempre— para suspeitas empreiteiras, elegeram a transposição do São Franciscos como panaceia para curar o sofrimento do sertanejo. Melhor, para desaguar votos nos açudes eleitorais de pilantras que sempre viveram de promessas mentirosas ao sofrido povo nordestino.


 
Dom Cappio, em greve de fome, conversa com
Letícia Sabatella no marco zero da transposição(Arquivo)

ARTIGO DA SEMANA

Velho Chico: Jeito (PT-Lula) de governar e o rio que definha

Vitor Hugo Soares

Foram marcantes os gritos, cantorias, manifestações e movimentos – silenciosos ou barulhentos e à margem das influências nefastas de custosas campanhas eleitorais – promovidos quarta-feira, 03/06, Dia Nacional em Defesa do Rio São Francisco: milagre da natureza apelidado de Velho Chico, que definha a olhos vistos. 

terça-feira, 3 de junho de 2014

No Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, campanha alerta para problemas no rio


Terça, 3 de junho de 2014
Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil
No Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco promove hoje (3) campanha para mobilizar a população de várias cidades às margens do rio. O objetivo da campanha “Eu viro carranca pra defender o Velho Chico” é alertar o Poder Público sobre a importância de revitalizar o rio e focar em um planejamento a médio e longo prazo para o São Francisco.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Eu viro carranca pra defender o Velho Chico

Segunda, 12 de maio de 2014

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco finaliza os preparativos para lançar brevemente a campanha “Eu viro carranca pra defender o Velho Chico”, que marcará o Dia Nacional de Mobilização em Defesa do Rio São Francisco. A mobilização está marcada para o dia 3 de junho e deverá contar com atividades em toda a extensão da bacia, que compreende 504 municípios brasileiros, distribuídos por cinco estados (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas) e mais o Distrito Federal.

A campanha será veiculada, sobretudo, em emissoras de rádio, devido ao seu alto grau de abrangência na região da bacia, mas também irá buscar a participação/sensibilização de outros públicos. Para isso, o material publicitário será aplicado em sites e redes sociais, mídia aeroportuária, TV e impressos. Na estratégia para medir a adesão à campanha, será criado o hotsite virecarranca.com.br, enquanto as principais notícias relacionadas à data serão marcadas com hastags especiais. Todas as iniciativas com vistas à mobilização serão postadas no endereço eletrônico específico. Porém, com a finalidade de massificar, mobilizar e integrar as pessoas haverá relatos dos problemas que ocorrem atualmente em toda a bacia hidrográfica.

O presidente do CBHSF, Anivaldo Miranda, explica que a manifestação não significa um protesto. “Será um dia de mobilização em defesa do nosso 'Velho Chico', não de protesto. Com isso, as comunidades, a população, os defensores da causa do São Francisco, todos podem ter iniciativas que marquem a data. Pode ser uma caminhada, uma ação dentro do rio, uma entrevista em emissora de rádio ou de televisão. O importante é que o São Francisco seja lembrado nesse dia em sua importância para o país", observa.

Fonte: Blog do Geraldo José
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sábado, 8 de junho de 2013

Rio São Francisco: TCU encontra falhas em licitação

Sábado, 8 de junho de 2013

Do TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) sobre inconsistências no edital de licitação para execução de obras civis, instalação, montagem, testes e comissionamento dos equipamentos mecânicos e elétricos para as obras complementares da Meta 1 - Eixo Leste (Meta 1L) e das obras das Subestações SE-E0, SE-E1 e SE-E2 do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf).

O alerta do tribunal decorreu de auditoria realizada na Secretaria de Infraestrutura Hídrica no Ministério de Integração Nacional, com objetivo de fiscalizar o edital da concorrência, cujo orçamento base era de mais de R$ 43 milhões. A abertura de propostas ocorreu no dia 5/10/2012, entretanto não houve interessados na concorrência.

A Meta 1L constitui-se do conjunto de obras que proporcionará a operação do sistema entre a EBV-1 e a Barragem de Areias. O escopo dessa meta contempla os serviços remanescentes no segmento físico da estação elevatória EBV-1, parte do atual Lote 13 de obras do Pisf.

Somam-se a esses serviços os remanescentes necessários ao funcionamento do canal de ligação entre a EBV-1 e o Reservatório de Areias, antes integrantes do Lote 9 de obras (Contrato 36/2008-MI). Com relação às subestações, cujo contrato expirou sem a conclusão total do objeto contratado, foram incluídos os serviços remanescentes das subestações SE-E0, SE-E1 e SE-E2.

A fiscalização do TCU resultou nas seguintes constatações: orçamento base deficiente e inadequado, tendo em vista a existência de impropriedades nas composições dos itens "mobilização", "desmobilização", "administração local", "manutenção de canteiro" e "fornecimento e instalação de chumbadores" e o não detalhamento e a ausência de motivação do BDI (um dos elementos do orçamento); projeto executivo da Meta 1 - Eixo Leste não identificou, com precisão adequada, quais os serviços que já foram efetivamente executados em contratos anteriores.

Em março de 2013, a Secretaria de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional lançou novo edital de licitação que contempla o mesmo objeto do certame anterior, além de englobar obras de outros trechos não previstos originalmente. A nova licitação será objeto de fiscalização pelo TCU. O relator do processo foi o ministro Raimundo Carreiro.
Serviço:

Processo: TC 033.519/2012-9

sábado, 14 de abril de 2012

CGU aponta fraudes em obras da Delta

Sábado, 14 de abril de 2012
 Do Estadão
FÁBIO FABRINI - Agência Estado
A Controladoria Geral da União (CGU) apontou irregularidades em obras da Delta Construções, cujos contratos somam R$ 632 milhões. Auditorias do órgão, responsável pelo controle interno do governo federal, listam pagamentos ilegais, indícios de superfaturamento, execução de serviços sem qualidade e diversos outros tipos de impropriedade em contratos da empresa, fiscalizados a partir de 2007.

Uma das principais construtoras do setor rodoviário no País, a Delta concentra atividades no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), além de atuar em aeroportos e em megaempreendimentos como a Transposição do Rio São Francisco. Nas estradas federais, a CGU encontrou problemas em ao menos 60 obras de pequeno, médio e grande portes nos últimos cinco anos.

Em boa parte dos casos, houve falhas nas licitações e o valor dos contratos foi inflado, não raro acarretando prejuízo ao erário. Segundo os auditores, a precariedade da fiscalização do governo favoreceu as irregularidades. Leia a íntegra

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Transposição do São Francisco tem 10 investigações do MPF em curso

Quinta, 19 de janeiro de 2012
Do Estadão

Na gestão atual, foram abertos 3 procedimentos; apurações são sobre superfaturamento e fraudes

Alana Rizzo, de O Estado de S.Paulo
A obra de transposição do Rio São Francisco, principal projeto tocado pelo Ministério da Integração Nacional, é alvo de pelo menos dez investigações do Ministério Público Federal (MPF). A maior parte dos inquéritos concentra-se em Pernambuco, Estado do ministro Fernando Bezerra Coelho. Três investigações foram abertas na gestão do ministro.

A Procuradoria da República em Pernambuco apura indícios de superfaturamento no Eixo Leste e de descontrole no pagamento de aditivos na gestão de Bezerra. Leia mais

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Transposição do Rio São Francisco esbarra em preço da tarifa de água

Sexta, 30 de dezembro de 2011
Projeto exige modificações que podem tornar preço da água um dos mais altos do País

Marta Salomon, de O Estado de S. Paulo
Com dificuldades para completar as obras da transposição do Rio São Francisco, cujo custo já explodiu, o governo analisa como cobrar do consumidor do semiárido nordestino o alto preço da água. Para vencer o relevo da região, as águas desviadas do rio terão de ser bombeadas até uma altura de 300 metros. O trabalho consumirá muita energia elétrica e esse custo será repassado, pelo menos em parte, à tarifa de água, que ficará entre as mais caras do País. (Leia mais no Estadão)
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Comentário do Gama Livre: Fica comprovada, a cada dia que passa, a insenssatez daqueles que decidiram pela transposição das águas do São Francisco. Só as grandes empreiteiras e os grandes latifudiários que produzem para exportação é que vão lucrar com as "obras".

"Nas águas do São Francisco". Canta Carlos Pita.




Transposição do Rio São Francisco - Por Washington Novaes
 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Governo fará licitação de R$ 1,2 bi para salvar transposição do São Francisco

Quinta, 29 de dezembro de 2011
Do Estadão 
Consórcios não concluíram trabalhos e obras terão que ser licitadas novamente; custo total do projeto pode superar a R$ 7 bilhões

Marta Salomon, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Para tentar terminar as obras da transposição do Rio São Francisco em mais quatro anos, o governo Dilma Rousseff recorrerá a uma nova licitação bilionária de obras já entregues à iniciativa privada. O custo estimado do negócio é de R$ 1,2 bilhão, informou ao Estado o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, responsável pela obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) bancada com dinheiro dos impostos.


Placas de concreto, em trecho da obra em Pernambuco, ameaçam se soltar
A obra começou em 2007 como um dos grandes projetos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A transposição desviará parte das águas do São Francisco por meio de mais de 600 quilômetros de canais de concreto para quatro Estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

Depois de R$ 2,8 bilhões gastos, a transposição registra atualmente obras paralisadas, em ritmo lento e até trechos onde os canais terão de ser refeitos, como é o caso de 214 metros em que as placas de concreto se soltaram por entupimento num bueiro de drenagem. As falhas foram testemunhadas por reportagem do estadão.com.br, no mês passado. Leia mais.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Projeto do São Francisco teve preços superfaturados

Segunda, 5 de novembro de 2011
Do Estadão
Vanildo Mendes - Agência Estado
Superfaturamento de preços, fiscalização omissa e atraso injustificável nas obras foram os principais problemas encontrados na última fiscalização feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no eixo leste do projeto de transposição do Rio São Francisco. A auditoria foi realizada de junho de 2010 até maio de 2011 e os problemas relatados ao Ministério da Integração Nacional, que até agora não adotou as providências para ressarcimento dos prejuízos, estimados em R$ 8,6 milhões à época.

Principal vitrine do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que turbinou a votação da presidente Dilma Rousseff no Nordeste, o projeto exibe sinais de abandono em vários trechos, com estruturas de concreto estouradas, rachaduras e vergalhões de aço retorcidos, conforme reportagem publicada hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo. Esse é o quinto ano seguido que o TCU encontra graves problemas na obra, que já excedeu seu orçamento original em mais de 30% e na melhor das hipóteses será concluída com cinco anos de atraso.

Leia mais no Estadão
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Comentário do Gama Livre: Alguém tinha alguma dúvida, por menor que fosse, de que esses problemas aconteceriam nessa absurda transposição das águas do São Francisco? A transposição que ocorre é dos recursos públicos para os bolsos das empreiteiras.

domingo, 30 de outubro de 2011

O ABC do São Francisco

Domingo, 30 de outubro de 2011
Para salvar o rio São Francisco, não do excesso mas da falta de água, só indo buscar os santos do major Irineu. Antonio Conselheiro disse que o sertão ia virar mar e o mar virar sertão. Já começou. Da hidrelétrica de Xingó até a foz do rio são 208 quilômetros, separando Alagoas e Sergipe. O leito do rio já é quase todo um imenso mar de areia, bancos de areia. A 145 quilômetros da foz se pescam peixes de alto mar, como robalo.

É o avanço das águas do oceano. A ponte que liga Sergipe a Alagoas, a 45 quilômetros da foz, até há poucos anos tinha uma lamina de água de 45 a 55 metros. Hoje, qualquer um pode atravessar o rio a pé, de moto ou a cavalo. As águas do rio chegam ao mar apenas por dois pequenos canais nos lados extremos da ponte. Quem duvidar, é só ir lá ver o desastre.

(Sebastião Nery em imperdível artigo com o título “O ABC do São Francisco”, publicado hoje na Tribuna da Imprensa)
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Rio São Francisco
Carlos Pita

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Um rio de corrupção

Quarta, 10 de agosto de 2011
Está difícil encontrar alguma coisa em que a corrupção não esteja presente. O Ministério Público Federal em Sergipe acaba de entrar com ação de improbidade administrativa com base nos levantamentos realizados pela Operação Navalha. Ao invés de desviar as águas do São Francisco, estão desviando o dinheiro público.
 
A ação do MPF em Sergipe levou em consideração uma auditoria de 2007, realizada pela Controladoria-Geral da União —CGU. O levantamento constatou superfaturamento de aproximadamente R$78 milhões nas obras da adutora do Rio São Francisco. Auditoria realizada pelo TCU —Tribunal de Contas da União— identificou também superfaturamento na tubulação da adutora.
 
O Ministério Público Federal aponta como responsáveis pelos prejuízos aos cofres públicos, o empresário Zuleido Veras (bastante conhecido nuns rolos aqui em Brasília, com sua empresa Guatama),  e o ex-governador sergipano, João Alves Filho. Mas não são apenas esses dois os acusados.
 
Responderão ainda na Justiça as seguintes pessoas físicas ou jurídicas: Jane Eyre Albuquerque, Construtora Guatama Ltda., Silte Participações S/A, Construtora Manda Ltda., Rodolpho de Albuquerque Soares de Veras, Maria Clara de Albuquerque Soares de Veras, Flávio Conceição de Oliveira Neto, João Alves Neto, Gilmar Melo Mendes, Victor Fonseca Mandarino, Roberto Leite, Kleber Curvelo Fontes, Max José Vasconcelos de Andrade, Sérgio Duarte Leite, José Ivan de Carvalho Paixão, Ricardo Magalhães da Silva, Gil Jacó Carvalho Santos, Florêncio Brito Vieira, Humberto Rios de Oliveira, Habitacional Construções S/A, e Habitacional Participações Ltda.
 
Segundo o MPF só com relação à construtora Gautama, Zuleido e Rodolfo Veras, o prejuízo ultrapassa os R$300 milhões.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Transposição de Lula para Dilma

Quinta, 9 de dezembro de 2010
Do Correio da Cidadania
Escrito por Roberto Malvezzi  

Em 1º de janeiro Lula transpõe a presidência da República para Dilma. Antes, porém, transporá a transposição do São Francisco para sua sucessora. A previsão é que Lula e Dilma visitem a obra dia 14 de dezembro.

Certamente serão bem recebidos. Lula é muito querido no Nordeste, inclusive no São Francisco. Conseguiu transferir grande parte de seus votos para Dilma. Portanto, deverão estar em casa.

Mas, será que Lula e Dilma estariam dispostos a ouvir o que o povo tem para dizer? Ou simplesmente eles vêm mais uma vez apenas para falar, guardados por um aparato do Exército que só permite entrar aqueles que os aplaudem?

As indenizações dos removidos – verdadeiramente varridos – dos canais muitas vezes não pagam sequer o ônibus da família até a próxima cidade. Seguindo o regime militar, as indenizações têm sido apenas para as benfeitorias – pobres casas com alguma cerca -, arrecadando as terras como se fossem públicas, ou não tivessem ali moradores seculares. Esses dias havia um fundo de um milhão de reais para 600 proprietários. Muitas indenizações não passaram de R$ 1.500,00.

Truká, Pipipã, quilombolas e demais comunidades tradicionais tiveram seus territórios rasgados da forma mais inconstitucional e ilegal possível, mas as ações estão travadas no Supremo até que a obra seja fato consumado, portanto, sem retorno mesmo que esses povos estejam sendo violados em seus direitos.

A comunidade da Agrovila 6, um reassentamento de Itaparica, que Lula irá visitar, está sendo ameaçada pelo Exército de ver entupido o único poço que lhe restou, já que o canal cruza a comunidade, mas ela não terá acesso à sua água.

Os bispos do Nordeste II – Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas -, grandes defensores da obra, estiveram nos eixos esses dias e ficaram desconfiados do destino das águas, observaram a situação concreta das populações impactadas e viram que a "revitalização" não existe. Parece que o senso crítico demorou para chegar nos bispos. Muitas vezes parece que seguem apenas pela metade o conselho de Jesus: "sede mansos como pombas e expertos como cobras". Se tivessem um pouco da sagacidade das serpentes, não precisariam agora estar perguntando o óbvio: "para quem será essa água?".

O próprio governo já respondeu pela boca do ministro João Santana: "a água será vendida mediante outorga". Seu preço já foi definido pelo governo e anunciado na Folha de São Paulo: "o preço será de  R$ 0,13 o metro cúbico, a água mais cara do Brasil". Como é que pobre vai poder pedir outorga no uso da água e pagar esse preço de ouro?

Pior, o governo prometeu em seu marketing que a água chegaria ao povo. Um folder do Ministério da Integração simulava água abundante nos meios rurais. Portanto, criou uma expectativa medonha nos que precisam de água. O povo espera por ela. E agora, se a água chegar mesmo do outro lado, quando nenhuma adutora foi orçada sequer para distribuir a água para os meios urbanos, qual será a reação popular?

Até agora, confirmam-se uma por uma todas as críticas que foram feitas ao projeto. Falta o ponto final, o destino real da água e seu impacto na calha do Velho Chico.

 Lula deixa o poder. Dilma chega. Mas, ainda está para nascer o presidente que realmente promova a segurança hídrica das populações nordestinas.

 Roberto Malvezzi (Gogó), ex-coordenador da CPT, é agente pastoral.