“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Por que suamos tanto para levar o PT à Presidência? Para a saúde não ser encarada com tamanho descaso

Quarta, 27 de janeiro de 2016
Um artigo de Elio Gaspari

O PRESÉPIO DA DOUTORA DILMA

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social foi criado em 2003 e é composto por 90 membros. Para a reunião de amanhã (28/01), dois titulares tiveram que ser substituídos, pois Marcelo Odebrecht e José Carlos Bumlai estão na cadeia. Também estão trancados o ex-conselheiro João Vaccari Neto e José Dirceu, que assinou o ato de criação do organismo. 


É difícil imaginar outro grupo de noventa pessoas com semelhante desempenho. Para se ter uma ideia do que significa uma porcentagem de 2% de presos, vale lembrar que a taxa de brasileiros encarcerados para cada 100 habitantes é de 0,3%. Continue lendo

domingo, 10 de janeiro de 2016

. . . E as Flores Venceram o Canhão

Domingo, 10 de janeiro de 2016
Do Blogue Náufrago da Utopia

Por Elio Gaspari
VIVA A GAROTADA DA ESCOLA FERNÃO DIAS
Na quarta-feira (6), depois de 55 dias de ocupação por dezenas de estudantes, a Escola Estadual Fernão Dias Paes estava pronta para funcionar. No lindo jardim do pátio estava a marca da ocupação: intactas, uma orquídea branca e um craveiro com umas vinte flores intocadas. 

A Fernão Dias fora a primeira escola da capital paulista a ser ocupada, em novembro, quando os educatecas do governador Geraldo Alckmin tiveram a ideia de fechar 93 colégios da rede pública, remanejando 311 mil alunos. Conseguiram a ocupação de 196 colégios. 

Antes de deixarem o prédio, os estudantes arrumaram o que puderam, limparam os banheiros e numa divertida molecagem, devolveram um saco com as chaves das salas, embaralhando algumas etiquetas. Num quadro negro, alguém deixou escrito: "Minha mãe me acha linda". A idade dessa garotada varia entre 15 e 20 anos. Leia a íntegra

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Elio Gaspari, sobre Dilma e os delatores: "O PT enfiou-se nesse mundo de pixulecos porque quis"

Quarta, 1º de junho de 2015
Do blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti 
Na mesma linha do meu artigo ¿Por qué no te callas, Dilma?, o jornalista e historiador Elio Gaspari fulmina uma das declarações mais infelizes da presidenta Dilma Rousseff, neste momento em que ela se mostra visivelmente transtornada com a queda vertiginosa de sua popularidade. A qual, contudo, não será revertida com destempero emocional e rompantes demagógicos. Urge recobrar a serenidade.

DILMA E OS DELATORES
Elio Gaspari
Um dos enigmas do comportamento político de Dilma Rousseff está na sua capacidade de viver numa realidade própria. É a essa característica que se deve atribuir parte do descrédito que acompanha sua administração. Diz uma coisa, faz outra e vai em frente. Recuando quase meio século na história do país para manipular os desdobramentos da Operação Lava Jato, a doutora afirmou o seguinte:
"Eu não respeito delator, até porque estive presa na ditadura militar e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas e garanto a vocês que resisti bravamente."
Mistificando o presente, associou o comportamento de quem passa pela carceragem de Curitiba com o dos presos do DOI durante a ditadura.

"Nenhum deles pensava em aumentar seu patrimônio"
Seu paralelo ofende o Ministério Público, o Judiciário e o Supremo Tribunal Federal, que homologa cada um dos acordos onde estão as confissões.
 
Nenhum preso da Lava Jato passou por qualquer constrangimento físico. Até agora, todos os atos praticados pelos investigadores respeitaram o devido processo legal.
 
Deixando-se essa questão de lado, o que não é pouca coisa, vai-se ao coração da fala: "Eu não respeito delator". Num lance de autoexaltação, lembrou que "resisti bravamente". Ela sabe que o comportamento de um preso sob tortura nada tem a ver com sua bravura. Relaciona-se apenas com o caráter do torturador e do regime a que ele serve.
 
Quem fala sob tortura não é delator, é apenas um cidadão torturado e a doutora respeita muitos deles. Dilma Rousseff, a "Wanda" do Comando de Libertação Nacional, sabe que o "Kleber" não foi um delator. Em 1969, depois de ter sido torturado por vários dias, ele indicou para a polícia o endereço de um aparelho da rua Atacarambu, em Belo Horizonte, onde estavam sete de seus companheiros.
 
Dos milhares de presos torturados durante a ditadura, talvez não tenham chegado a uma dezena aqueles que, livres, continuaram colaborando com os agentes da repressão. Se os acusados que estão colaborando com a Lava Jato são mentirosos, não merecem respeito e seus acordos devem ser cancelados. Insultá-los leva a lugar nenhum.
"Os empreiteiros buscavam o enriquecimento pessoal"

Misturar empreiteiros milionários com militantes torturados é um truque que desmerece o estado de Direito e o regime democrático de hoje. Nas palavras de um ministro do governo Médici, referindo-se aos presos de seu tempo, "a delação, para eles, é o supremo opróbrio".
 
Outro hierarca elaborou o lance seguinte: Os presos, tendo delatado, justificavam-se inventando que haviam sido torturados. Donde, não havia tortura, mas delatores. No paralelo de Dilma não haveria roubalheiras, mas delatores que não merecem respeito.
 
Há ainda outra diferença entre os presos que eram torturados nos DOI e os que passam pela Lava Jato. Uns sequestravam diplomatas, assaltavam bancos e roubaram o cofre onde a namorada de um ex-governador de São Paulo guardava dois milhões de dólares, parte dos quais vindos de empreiteiras. Seus alvos faziam parte do arco de interesses que todos, inclusive a doutora, pretendiam destruir. Nenhum deles pensava em aumentar seu patrimônio. Os empreiteiros da Lava Jato buscavam o enriquecimento pessoal e o PT enfiou-se nesse mundo de pixulecos porque quis.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ini memberi masalah

Quinta, 20 de dezembro de 2012 
Governador Agnelo Queiroz, segundo o Google, em malaio, a frase aí de cima quer dizer ‘isso dá encrenca’

Por Elio Gaspari, publicado anteriormente na Folha de São Paulo e em O Globo

Oscar Niemeyer vivia seus últimos dias quando o governador de Brasília, Agnelo Queiroz, assinou em Cingapura um contrato para redesenhar a região de Brasília. Quando o arquiteto morreu, no último dia 5, a doutora Dilma decretou luto oficial, velou-o no Planalto e disse que “a gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”. A doutora tinha oito anos quando Lucio Costa, Niemeyer e JK sonharam e o Plano Piloto de Brasília aconteceu.

O comissário Agnelo assinou com a empresa de consultoria Jurong um contrato de 38 páginas que prevê o planejamento de uma cidade-aeroporto, um polo logístico, um centro financeiro e a ampliação do polo industrial JK.

O documento é um magnífico blá-blá-blá de consultores. Pode dar em qualquer coisa, inclusive nada. Custará R$ 8,6 milhões e deverá estar concluído em 18 meses. A empresa foi dispensada de licitação porque os comissários entenderam que tem “notória especialização”, com experiência em 148 cidades de 46 países na Ásia, África e Oriente Médio.

Zero na Europa ou nos Estados Unidos. Uma página da internet oferece um vídeo com o acervo da firma. É um pesadelo. Ou a Jurong não tem o que mostrar ou não sabe contratar produtores de vídeos.

domingo, 27 de março de 2011

Pac, a reação dos peões ao tratamento recebido das grandes construtoras

Domingo, 27 de março de 2011
Numa época em que os sindicalistas andam de carro oficial, o representante da CUT foi a Rondônia com um discurso de patrão, dizendo que os trabalhadores não podiam parar uma obra do PAC. (Essa mesma central emitiu uma nota condenando o bombardeio da Líbia.) Paulo Pereira da Silva, marquês da Força Sindical, disse que nenhuma das duas grandes centrais está habituada a lidar com multidões. De fato, nas obras de Jirau e Santo Antônio juntam-se 38 mil trabalhadores. Há sindicatos na área, mas eles mal lidam com as multidões dos associados. Disputam sobretudo o ervanário de R$ 1 milhão anual que rende a coleta do imposto sindical da patuleia. (Elio Gaspari em coluna de hoje em “O Globo”, sobre os movimentos de trabalhadores em obras do PAC)