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sábado, 30 de maio de 2026

Quando a CNBB enfrentava o atraso



Sábado, 30 de maio de 2026

Quando a CNBB enfrentava o atraso

De 1950 até a interrupção em 1964, liderados por Helder Câmara, bispos católicos se reuniram para pensar o Nordeste e “banir o subdesenvolvimento”. A história de uma Igreja que articulava políticas públicas e mobilizou até o presidente JK


Publicado 29/05/202


Dom Hélder, um influente líder religioso brasileiro em uma das grandes celebrações litúrgicas em Recife, no Pernambuco. Imagem: Divulgação.

Por Ramon Feliphe Souza para a coluna da Biblioteca Virtual do Pensamento Social (BVPS) | Edição: Maurício Ayer (TEL/UnB), no Projeto Caminho de Formiga

Há 70 anos, o Nordeste tornou-se palco de um evento singular na história política brasileira: a primeira edição do Encontro dos Bispos do Nordeste, realizada em 1956, em Campina Grande (PB). Três anos depois, em 1959, foi a vez da capital potiguar, Natal (RN), sediar a segunda edição do encontro. Embora frequentemente mencionados pela historiografia, esses eventos permanecem pouco explorados em sua gênese, dinâmica interna e efeitos mais duradouros.

Convocados por bispos nordestinos articulados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em plena experiência democrática do período 1945–1964, os encontros reuniram lideranças religiosas, técnicos do Estado e o presidente da República, Juscelino Kubitschek (1956–1961), em torno de uma agenda ambiciosa: o enfrentamento do subdesenvolvimento brasileiro, com foco especial no Nordeste. O jornal potiguar, Diário da Noite, destacou que as duas edições dos encontros dos bispos do Nordeste resultaram na assinatura de 49 decretos presidenciais e na mobilização de cerca de 1,2 bilhão de cruzeiros em recursos públicos, envolvendo 37 órgãos federais, bancos estatais e instituições de assistência técnica. Esses dados evidenciam uma dimensão ainda pouco analisada no pensamento social brasileiro: a influência de segmentos da Igreja Católica na formulação e execução de políticas públicas durante o governo Juscelino Kubitschek (1956–1961) e na definição do que veio a se constituir como “Nordeste subdesenvolvido”. Mais do que uma nova postura pastoral inspirada por uma nova doutrina social da Igreja Católica (Rerum Novarum, 1891), tratava-se da construção de uma proposta política própria de desenvolvimento, o chamado desenvolvimento integral[1], que articulava dimensões econômicas, sociais, sanitárias e também espirituais.

Em um país majoritariamente rural e marcado por profundas desigualdades regionais, os bispos do Nordeste emergiram como mediadores entre o Estado e a população.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Ruralistas do Pará lançam ataque sem precedentes contra Igreja Católica

Segunda, 2 de abril de 2018

Do IHU
Instituto Humanitas Unissinos
A Faepa (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará), entidade dos latifundiários e ruralistas do Pará lançou na tarde desta quinta (29), um ataque sem precedentes à Igreja Católica no Brasil. Em nota assinada por seu presidente, Carlos Fernandes Xavier, foram atacados de maneira violenta e difamatória:
1) a memória da freira Dorothy Stang, assassinada em 12 de fevereiro de 2005 a mando de latifundiários do Pará;
2) o bispo emérito do Xingu, dom Erwin Kräutler, um dos nomes mais respeitados da Igreja em todo o mundo;
3) o padre José Amaro Lopes da Silva, pároco de Santa Luzia em Anapu e preso vítima de uma armação dos mesmos ruralistas;
5) o desembargador Gercino José da Silva Filho, ex-Ouvidor Agrário Nacional e ex-presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, ligado à Igreja, chamando de “embusteiro”; e
6) a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), denominada na nota de “Sindicato dos Bispos”. Nem mesmo no período da ditadura militar a Igreja Católica sofreu um ataque tão virulento.
A reportagem é de Mauro Lopes, publicada no blog Caminho pra Casa, 31-03-2018.
A nota é vazada em termos tão grosseiros e ofensivos que, por si só, denuncia o caráter do ataque dos ruralistas e latifundiários do Pará (leia a íntegra da nota ao final). Toda ela é “costurada” numa linguagem que evoca a Guerra Fria dos anos 1960/80. Padre Amaro é qualificado de “subversivo que se traveste de religioso”; a CNBB, o “Sindicato dos Bispos”, dominada por uma “ala esquerdista”, pretenderia “implantar no solo cristão deste país os espúrios credos marxistas”.