Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Suíça acompanha Islândia e declara guerra contra os “Banksters”

Quarta, 6 de abril de 2016
“Se você quiser continuar a ser escravo dos bancos e pagar os custos da sua própria escravidão, então deixe os banqueiros continuarem a criar o dinheiro e controlarem o crédito”, Josiah Stamp

A Islândia ganhou a admiração popular nos últimos anos por ter feito o que nenhuma outra nação no mundo parece estar disposta ou é capaz de fazer: processar criminalmente os banqueiros por terem arquitetado o colapso financeiro para o lucro.

A revolta da população contra a classe bancária, que levou a pequena nação a uma crise econômica em 2008, é o exemplo mais brilhante até hoje, de que o mundo não precisa ficar para sempre refém dessa elite abastada, austera e criminosa. Em 2015, 26 banqueiros islandeses foram condenados à prisão e o governo determinou a venda dos bancos em benefício dos cidadãos.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Islândia, Itália, Portugal e o suicídio da esquerda possibilista

Sexta, 3 de maio de 2013
Os resultados da Islândia podem surpreender muita gente. Mas não surpreendem pelo menos quem avisou contra a imprudência da austeridade como mal menor, dos discursos sobre austeridade inteligente ou de outras trapaças. E são uma lição para todos. Uma lição dura.

O partido social-democrata e o dos verdes formavam um governo de coligação. Ambos os partidos foram varridos do mapa por uma punição eleitoral que só tem precedentes na derrota dos partidos das direitas que tinham conduzido ao escândalo bancário – e que agora voltam ao poder. A direita recupera assim graças à conjugação de dois efeitos: os governantes insistiam numa adesão à União Europeia que foi vista pela população como uma ameaça e um risco insuportável e a austeridade desacreditou os que prometeram um governo para as pessoas. Estes dois efeitos dão que pensar. São uma lição dura.

Em primeiro lugar, são uma lição para o europeísmo obediente. A União Europeia assusta e repele, porque é a agência da austeridade e do desemprego. O caso de Chipre provou, como antes os da Grécia,Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, que a direção europeia é perigosa e reincidente. Os islandeses tiveram medo desta gente e preferiram a demagogia dos nacionalistas, mesmo que fossem os nacionalistas da trafulhice financeira de que todos ainda se lembram.

Em segundo lugar, são uma lição para os que achavam que, na emergência, o mal menor leva a algum lado. Leva, de facto: leva à recuperação da direita. Os que há um par de anos, em enfática pose de sentido de Estado, aconselhavam as esquerdas a seguir o caminho moderado dos social-democratas e dos verdes, a apoiarem a coligação porque não havia outra,a juntarem as suas preces para que a austeridade desse certo, não se enganaram só a si próprios, enganar-se-ão sempre enquanto defenderem que a austeridade é a melhor solução contra a austeridade.

Ainda me lembro dos artigos pomposos contra o crime de lesa-majestade do Luís Fazenda, que tinha reunido com o ministro das finanças da Islândia e concluído sem dificuldade que o governo ia destroçar-se: pois não é que ele é um sectário, não compreende a dificuldade, não está disposto ao belo sacrifício, escreveram os conversos da austeridade. Mais ainda, aquela prometedora aliança devia ser um exemplo para todos, é assim que se conjugam vontades, escreviam os conversos, hoje remetidos a um prudente silêncio. Aqui temos a dura lição: a política de direita abre sempre o caminho à direita.

Mas, em terceiro lugar, o fracasso deste governo suscita uma questão mais vasta de estratégia. Para a colocar com simplicidade: porque é que a esquerda possibilista é tão estúpida que acha que repetir sempre o que falha sempre vai permitir alguma vez um resultado diferente? Falhou na Itália. Havia um governo de coligação que era o melhor que se conseguia, diziam. Temos que o apoiar mesmo sabendo que pode ser o nosso suicídio, acrescentava um teórico. Foi mesmo. Não sobrou nada da esquerda e Berlusconi ganhou a seguir. Na Islândia era a nova oportunidade e o mesmo argumento: o governo de coligação era o melhor que se conseguia. Resultou: a direita ganhou. A lição dura é esta: nunca se ganha quando se faz tudo para perder. Aceitar a austeridade contra o trabalho é merecer perder sempre.

Por isso, a lição de todas as lições serve para Portugal. O problema de Portugal não é imitar a Itália ou a Islândia e as suas coligações que são sempre apresentadas como o menor dos males e a única alternativa. António José Seguro, que assegura que cumprirá os “compromissos” porque “a austeridade é diferente da política de austeridade”, assume uma posição que é o seguro de vida da direita, pois qualquer governo que prossiga este programa só pode devolver o poder à direita – se é que não é logo uma coligação com a direita.

Por isso, aos que cultivam a beleza do suicídio literário como uma afirmação de política, aos que acham que o irrealismo de apoiar a austeridade é um dever de consciência justificado pela falta de vontade de lutar por alternativas, respondo simplesmente: aprendamos com a Islândia.

O que determina a força e a coerência de um governo não é a cor de quem pode vir a estar nele, é simplesmente o que vai fazer, o compromisso que tem com o seu povo, a sua capacidade de rejeitar o memorando e a austeridade e de impor uma economia para os bens comuns da democracia. O que faz a política é a política. Uma coligação miserável de cedências financeiras e de políticas de desemprego nunca será um governo de esquerda. Será, como na Islândia, uma antecâmara da direita. Mas, para isso, não se atrevam a falar-nos de esquerda e de caminhos realistas quando é preciso esquerda e caminhos realistas.

Francisco Louçã
*Francisco Louçã

Dirigente do Bloco de Esquerda, professor universitário.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O REFERENDUM ISLANDÊS E OS SILÊNCIOS DA MÍDIA

Segunda, 22 de outubro de 2012
Por Mauro Santayana













(Carta Maior) - Os cidadãos da Islândia referendaram, ontem, com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição,  redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais. A Islândia é um desses enigmas da História. Situada em uma área aquecida pela Corrente do Golfo, que serpenteia no Atlântico Norte, a ilha, de 103.000 qm2, só é ocupada em seu litoral. O interior, de montes elevados, com 200 vulcões em atividade, é inteiramente hostil – mas se trata de uma das mais antigas democracias do mundo, com seu parlamento (Althingi) funcionando há mais de mil anos. Mesmo sob a soberania da Noruega e da Dinamarca, até o fim do século 19, os islandeses sempre mantiveram confortável autonomia em seus assuntos internos.
 
          Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma  das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320.000 habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos.
 
          Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim,  dívida superior a dez vezes o seu produto interno bruto. O governo foi obrigado a reestatizar  os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.
 
       A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses – de todas as idades -  pagaria 130 euros mensais durante 15 anos.  O povo exigiu um referendum e, com 93% dos votos, decidiu não pagar  dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres.
 
         A dívida externa do país, construída pela irresponsabilidade dos bancos associados às maiores instituições financeiras mundiais, levou a nação à insolvência e os islandeses ao desespero. A crise se tornou política, com a decisão de seu povo de mudar tudo. Uma assembléia popular, reunida espontaneamente, decidiu eleger  corpo constituinte de 25 cidadãos, que não tivessem qualquer atividade partidária, a fim de redigir a Carta Constitucional do país. Para candidatar-se ao corpo legislativo bastava a indicação de 30 pessoas. Houve 500 candidatos. Os escolhidos ouviram a população adulta, que se manifestou via internet, com sugestões para o texto. O governo encampou a iniciativa e oficializou a comissão, ao submeter o documento ao referendum realizado ontem.
 
         Ao ser aprovado ontem, por mais de dois terços da população,  o texto constitucional deverá ser ratificado pelo Parlamento.
 
         Embora a Islândia seja uma nação pequena, distante da Europa e da América, e com a economia dependente dos mercados externos (exporta peixes, principalmente o bacalhau),  seu exemplo pode servir aos outros povos, sufocados pela irracionalidade da ditadura financeira.
 
       Durante estes poucos anos, nos quais os islandeses resistiram contra o acosso dos grandes bancos internacionais, os  meios de comunicação internacional  fizeram conveniente silêncio sobre o que vem ocorrendo em Reykjavik. É eloqüente sinal de que os islandeses podem estar abrindo caminho a uma pacífica revolução mundial dos povos.

domingo, 14 de outubro de 2012

A Islândia mostrou o caminho: recusar a austeridade

Domingo, 14 de outubro de 2012
Do "resistir.info"

Manifestação frente ao Parlamento da Islândia. – Recusou receituário do FMI, deixou bancos falirem e condenou responsáveis pela crise
– Por que pouco se fala da Islândia nos media portugueses que se auto-proclamam como "referência"?


por Salim Lamrani [*]
Quando, em Setembro de 2008, a crise económica e financeira atingiu a Islândia – pequena ilha no Atlântico com 320 mil habitantes –, o impacto foi desastroso, tal como no resto do continente. A especulação financeira levou à falência os três principais bancos, cujo total de activos era dez vezes superior ao PIB do país. A uma perda líquida foi de 85 mil milhões de dólares. A taxa de desemprego aumentou nove vezes entre 2008 e 2010, ao passo que antes o país gozava de pleno emprego.

A dívida da Islândia representava 900% do PIB e a moeda nacional desvalorizou-se 80% em relação ao euro. O país caiu numa profunda recessão, com uma diminuição do PIB de 11% em dois anos. [1]

Diante da crise

Em 2009, quando o governo pretendeu aplicar as medidas de austeridade exigidas pelo FMI em troca de uma ajuda financeira de 2,1 mil milhões de euros, uma forte mobilização popular o obrigou a renunciar. Nas eleições antecipadas, a esquerda ganhou a maioria absoluta no Parlamento. [2]

No entanto, o novo poder adoptou a lei Icesave – cujo nome provém do banco online que foi à bancarrota e cujos depositantes eram, na maioria, holandeses e britânicos – destinada a reembolsar os clientes estrangeiros. Essa legislação obrigava os islandeses a reembolsarem uma dívida de 3,5 mil milhões de euros (40% de seu PIB) – nove mil euros por habitante – ao longo de quinze anos e com uma taxa de juros de 5%. Diante dos novos protestos populares, o presidente recusou-se a promulgar a lei aprovada pelo parlamento e submeteu-a a um referendo. Em Março de 2010, 93% dos islandeses recusaram a lei do reembolso das perdas do Icesave. Quando submetida novamente a referendo, em Abril de 2011, 63% dos cidadãos voltaram a rejeitá-la. [3]

sábado, 16 de abril de 2011

Mensagem da Islândia a Portugal

Sábado, 16 de abril de 2011


por Nick Dearden*

Esta semana testemunhámos duas reacções muito diferentes à dívida europeia. Num extremo da Europa, eleitores da Islândia decidiram mais uma vez não aceitar os termos de pagamento dos seus "credores", os governos britânico e holandês, na sequência do colapso de bancos islandeses em 2008. No outro, Portugal está a ser empurrado para o caminho da terapia de choque pela União Europeia, com o povo desse país excluído de um processo que mudará a sua vida de modo dramático.


Nem a Islândia nem Portugal terão vida fácil nos próximos anos. Mas há um mundo de diferença entre a recusa do povo da Islândia a "pagar por bancos falidos", nas palavras do seu Presidente, e o sofrimento que está a ser imposto de fora a Portugal. O responsável do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, deixou perfeitamente claro que as negociações sobre o futuro de Portugal "não são certamente para debate público".


O povo da Islândia não teve uma reacção automática. As pessoas ali estão bem conscientes de que a recusa em pagar a curto prazo é o caminho menos fácil a adoptar. Um iminente processo judicial por parte do Reino Unido e da Holanda, a reacção negativa de mercados de crédito e o ameaçado bloqueio à sua entrada como membro da UE cobrarão a sua portagem.


Mas para o povo da Islândia a ortodoxia de como se supõe que os países devam tratar de dívidas não é simplesmente enviesada, ela é profundamente injusta, distribuindo de modo não razoável poder e riqueza dentro e entre sociedades. O eleitor de 28 anos Thorgerdun Ásgeirsdóttir disse: "Sei que isto provavelmente nos prejudicará internacionalmente, mas vale a pena tomar uma posição".


Se o povo de um país que realmente entrou na ideologia do mercado livre, dos mercados de capitais desregulados e dos empréstimos baratos pode recusar-se a pagar pelos crimes dos bancos, então pode-se esperar que aqueles que o fizeram menos bem durante as décadas de boom financeiro sintam-se ainda mais entusiasmados.


Na Grécia, tal ira começa a transformar-se num desafio construtivo ao poder das finanças. Centenas de académicos, políticos e activistas apelaram a uma comissão de auditoria da dívida. Tal comissão abriria todas as dívidas da Grécia ao exame público – confrontando directamente o modo como o FMI e a União Europeia trabalham por trás de portas fechadas para impingir os seus muitas vezes desastrosos remédios aos países membros.


Como disseram activistas gregos: "o povo que está destinado a arcar com os custos de programas da UE tem um direito democrático de receber plena informação sobre a dívida pública. Uma Comissão de Auditoria pode começar a corrigir esta deficiência".


. A resolução popular actualmente está a ser reforçada por um sítio web fenómeno – um filme viral chamado debtocracy (governo pela dívida) – que varre a população online da Grécia e convence-a de que foi trapaceada. No princípio do próximo mês activistas de toda a Europa e do mundo em desenvolvimento reunir-se-ão em Atenas para estabelecerem em conjunto um programa que desafiará as políticas do FMI na Grécia.


O acordo de Portugal apenas começa a ser carpinteirado. Tal como na Grécia e na Irlanda, um pacote de salvamento (bail-out) beneficiará primariamente bancos da Europa Ocidental, com €216 mil milhões de empréstimos em aberto a Portugal, ao passo que as pessoas comuns aguentarão um programa de cortes profundos nas despesas, direitos dos trabalhadores reduzidos e privatização generalizada. O responsável do Banco Carregosa , de Portugal, declarou ao Financial Times: "Não é um exagero chamar a isto terapia de choque".


As comparações com países em desenvolvimento são óbvias e os erros ali já estão a ser repetidos. Muitas vezes bancos foram salvos e as pessoas mais pobres do mundo foram empurradas para uma pobreza ainda mais profunda. Países que vão desde Serra Leoa à Jamaica estão a acumular cada vez mais dívidas, sempre mais, para aplacar a tempestade dos banqueiros.


Eis porque deve ser traçada uma linha na Europa. Despejar mais dívida por cima das desgraças acumuladas de Portugal nada fará para ressuscitar a economia. A dívida de Portugal é totalmente insustentável – em grande medida resultado de empréstimos privados irresponsáveis ao longo da última década. Aqueles responsáveis estão a ser salvos, aqueles que não são sofrem as dores. Foi isto que a Islândia recusou-se a fazer.


O povo da Islândia ergueu-se pela sua soberania. O seu futuro parece consideravelmente mais brilhante do que o da Irlanda ou de Portugal. O povo da Grécia está apenas a começar a sua luta. Os resultados terão um impacto monumental sobre o combate contra a pobreza e a desigualdade em todo o mundo.
[*] Director da Jubilee Debt Campaign .

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/dearden04152011.html


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

domingo, 10 de abril de 2011

Islândia não é Brasil e não se submerte à política do FMI e banqueiros

Domingo, 10 de abril de 2011
De "O Estado de São Paulo"
Islandeses dizem 'não' a socorro a bancos
Em referendo, 60% dos islandeses rejeitaram proposta de uso de dinheiro público para resgatar bancos falidos pela crise

Jamil Chade
Enquanto milhares de pessoas saem às ruas das capitais europeias para protestar, é na Islândia que uma revolta de fato ocorreu no fim de semana. A população simplesmente foi às urnas e votou contra o uso de dinheiro público para indenizar bancos.

Em 2008, o país foi a primeira vítima da crise internacional. Seus principais bancos faliram e o país sofreu um colapso financeiro. Agora, coloca banqueiros na prisão e vota "não" ao pagamento de resgates.

Durante a quebra do sistema bancário em 2008, a falência de bancos da Islândia acabou causando prejuizos de quase 4 bilhões de euros para o Reino Unido e Holanda. Esses países haviam feito empréstimos aos islandeses e, em alguns casos, prefeituras desses países haviam depositado toda sua poupança nos bancos islandeses, em busca de lucros extras.

Com a quebra, o governo da Islândia e os credores chegaram a um acordo para o pagamento de indenizações. Inglaterra e Holanda usariam o dinheiro para compensar seus 340 mil cidadãos que perderam dinheiro depositados nesses bancos. Mas coube aos 320 mil habitantes da ilha no Ártico exigir que o assuntos passasse por um referendo.

O resultado, neste fim de semana, foi uma rejeição da proposta por 60% dos eleitores. A decisão foi lamentada pelo primeiro ministro, Jóhanna Sigurðardótti, que alertou ontem para um "caos politico e econômico" diante do resultado da votação.

Segundo ele, investimentos não estão entrando no país por conta da confusão em torno do futuro dos bancos. Agências de classificação de risco devem rebaixar a Islândia, diante do voto.

Mas a população neste fim de semana preferiu apenas comemorar. O argumento é de que não foram eles quem cometeram os abusos financeiros antes de 2008 e, portanto, não será com seu dinheiro que as dívidas serão pagas.