Paulo Victor Chagas e Mariana Branco - Repórteres da Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff decidiu tirar Joaquim Levy do
Ministério da Fazenda e substituí-lo pelo atual ministro do
Planejamento, Nelson Barbosa. Para o lugar de Barbosa, Dilma nomeou o
ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Valdir Simão.
A
troca no comando da equipe econômica foi anunciada há pouco pelo Palácio
do Planalto, por meio de nota à imprensa, e ocorre após uma semana
conturbada no Congresso Nacional, onde esteve em votação a Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO), o Plano Pluriananual (PPA) e o Orçamento
de 2016.
Na semana passada, o que há de mais representativo e influente no PT fritou Joaquim Levy como nunca. Ainda assim, Dilma Rousseff declarou que o manterá como ministro da Fazenda. Por quê?
Porque os interesses do partido e da presidenta são conflitantes neste momento.
Como o Juquinha que só pensava em sexo, a Dilma só pensa em evitar o
impeachment. Seu ego descomunal impregna cada decisão que toma. Pactuará
com o pior demônio do inferno, se for necessário. Mas não admite a
perspectiva sair do Palácio do Planalto pela porta dos fundos.
Então, com a popularidade no fundo do poço e cada vez mais mal amada
pela esquerda, agarra-se como uma náufraga na única boia que julga poder
salvá-la: o grande capital.
Foram os endinheirados que exigiram o arrocho fiscal e Dilma teme que,
expelido Levy, parte deles cerre fileiras com a oposição e a outra parte
apenas assista ao espetáculo, não movendo uma palha para evitar o
impedimento presidencial. Então, ela bate o pé: que fique Levy e que se dane o povo brasileiro!
Pois a recessão não cessará de agravar-se enquanto não for retirado o bode da sala... quer dizer, do governo. Um milhão de coitadezas foram para a rua da amargura. Quantos mais terão de pagar pela irredutibilidade da Dilma?
...e escancarado o clima de guerra com Rui Falcão.
Já o Lula e o Rui Falcão, ao abrirem o jogo (e o fogo) contra Levy,
priorizam a sobrevivência do PT, pois a recessão o está destruindo.
Quanto mais tempo persistir a indefinição atual, maior será o estrago.
Ser identificado pelos trabalhadores como o partido responsável pela
pior penúria das últimas décadas deverá causar verdadeiros desastres
eleitorais. A perda da hegemonia nas ruas foi só um trailer do que está
para vir.
Então, os grãos petistas estão fazendo pressão máxima para que a Dilma
desista da guinada à direita e reassuma as bandeiras históricas do
partido, mesmo que isto venha a ser a gota d'água para o impeachment.
E a presidenta a eles resiste porque coloca sua autoimagem acima do
País, do partido, do seu ídolo de ontem e do seu padrinho de hoje, dos
ideais que longinquamente a levaram a pegar em armas, dos clássicos
marxistas que leu e esqueceu, das agruras dos desempregados e do
desespero dos miseráveis, acima até de Deus, caso nele acredite.
Não é nem "depois de mim, o dilúvio!". É "se eu tiver de morrer, que venha o dilúvio e nos mate a todos de uma vez!".
Sexta, 4 de setembro de 2015 Do Blog Náufrago da Utopia Por Celso Lungaretti
O
presidente do PT, Rui Falcão, convoca seus leitores do Facebook para a
Conferência Nacional Popular que o PT e "diversas entidades e partidos
políticos" promoverão neste sábado, 5, em Minas Gerais, "em defesa da
democracia e por uma nova política econômica".
No site da CUT somos informados de que o objetivo de tal frente é “criticar e fazer ações de massa contra
todas as medidas de política econômica e ajuste fiscal que retirem
direitos dos trabalhadores e que impeçam o desenvolvimento com
distribuição de renda”.
Já a presidenta Dilma Rousseff, depois de se reunir com um homem chamado Trabuco,
comunicou que foram estas as ordens que recebeu do Bradesco: manter
Joaquim Levy como ministro zumbi da Fazenda enquanto não virar pó em
definitivo e continuar apregoando a fantasiosa meta de superavit de 0,7%
do PIB em 2016, mesmo correndo o risco de ter suas declarações
publicadas nas páginas humorísticas.
Deveria transferir a sede do governo para a Cidade de Deus [endereço da sede do Bradesco], assim ficaria mais próxima de quem realmente manda.
Sábado, 29 de agosto de 2015
Do Náufrago da Utopia
Por Celso Lungareti
Não sou, nem jamais quis ser, economista. Mas, desde que fui incumbido, aos 18 anos, de criar um setor de Inteligência numa organização guerrilheira (absoluta novidade na esquerda brasileira!), venho me aprimorando cada vez mais na garimpagem e interpretação de informações, extraindo do noticiário o que é realmente útil e permite vislumbrar os cenários futuros. Era o que interessava à VPR e é o que interessa a jornalistas. Então, o que começou como missão acabou se revelando uma vocação.
Jamais tendo sido um schoolar, não me aprimorei em comprovação, apenas desenvolvi minha intuição. Isto faz com que pessoas de mentalidade acadêmica geralmente não levem muito a sério minhas previsões, acostumadas que estão à montagem de arcabouços pretensiosos para sustentarem aquilo no que o autor crê desde o início. No entanto, quase sempre acerto. Algum dia aprenderão a respeitar mais a sensibilidade de quem é diferente deles.
Enfim, neste sábado, 29, um editorial da Folha de S. Paulo, fazendo o balanço da situação econômica a partir de dados que acabam de sair do forno, comprova o que afirmo há mais de um ano: estamos mesmo passando por aguda recessão, que pode até evoluir para uma depressão.
Quando eu projetava este quadro para 2015, não cometia exagero nenhum. Apenas, operava com outros vetores, como o esgotamento do petismo e a falta de uma proposta alternativa à recessão purgativa que o grande capital certamente acabaria impondo e eu sabia estar destinada ao fracasso.
Dúvida cruel: demitir-se logo ou aguardar mais um pouco?
Também devo ter sido o primeiro a, quando Joaquim Levy foi escolhido pelo Bradesco e confirmado por Dilma Rousseff como ministro da Fazenda, escrever que ele não só defendia uma ortodoxia econômica nefasta e nefanda, como não tinha sequer qualificação e credibilidade para segurar a onda num momento dramático como o atual. Dito e feito. Até os grandes empresários aos quais serve estão visivelmente decepcionados com sua performance.
E como não estariam, se a dura realidade é esta: (*).
"A recessão brasileira é maior do que se calculava até sexta-feira (28), quando foram divulgados os números do PIB relativos ao segundo trimestre. A atividade econômica recuou 1,9%, desempenho próximo das piores estimativas; os dados do final de 2014 e do início de 2015 foram revisados para baixo.
As previsões para o ano tendem a se tornar mais sombrias. Projetava-se regressão de 2% a 2,5% do PIB. Os novos prognósticos já ultrapassam o teto dessa banda de pessimismo, confirmando que a economia brasileira deve sofrer a maior contração desde a queda de 4,3% em 1990, no governo Fernando Collor (então no PRN).
Não há, por ora, como contradizer as avaliações mais negativas.
O consumo das famílias declinou pelo segundo trimestre consecutivo, o que não ocorria desde 2003, na crise que marcou o final dos anos Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O investimento em novas instalações produtivas e em construção encolhe agora por oito trimestres consecutivos. O nível de confiança do consumidor e dos empresários está nas mínimas históricas, há estoques em demasia nas empresas e a deterioração do mercado de trabalho deve continuar pelo menos até meados de 2016".
* e não me venham com a velha cantilena de que o jornal da ditabranda é inconfiável. Nele há de tudo, desde a mais absoluta tendenciosidade até avaliações eminentemente técnicas, como esta. O que temos é de separar o joio do tribo.
Os Sem Terra denunciam a paralisação da Reforma Agrária no país com a
realização de uma segunda Jornada de Lutas contra o ajuste fiscal do
Governo Federal.
Ocupação no Ministério da Fazenda, em Brasília. Fotos: Mídia Ninja
Na madrugada desta segunda feira (3/8), cerca de 2.000 mil trabalhadores
trabalhadoras Sem Terra ocuparam o Ministério da Fazenda contra o
ajuste fiscal do governo no orçamento da reforma agrária, em Brasília.
Até o momento, os Ministérios da Fazenda de Porto Alegre, Recife,
Fortaleza, Florianópolis, Curitiba, Palmas, Paraíba e Bahia também foram
ocupados. No Mato Grosso, cerca de 400 camponeses marcham pela cidade
de Jaciara. No Pará, 2 mil trabalhadores rurais ocupam a ferrovia da
Vale. Em MG, duas rodovias foram trancadas. No PR, os Sem Terra também
estão mobilizados em cinco pedágios nos municípios do interior do
estado. Ontem, cerca de 200 Sem Terra ocuparam a Fazenda Santo Henrique,
pertencente a empresa Cutrale, em São Paulo.
Segundo Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST, o Movimento
volta a denunciar a paralisação da Reforma Agrária no país com a
realização de uma segunda Jornada de Lutas contra o ajuste fiscal do
governo, que cortou quase 50% dos recursos da Reforma Agrária - de R$
3,5 bilhões sobraram apenas R$ 1,8 bilhão.
"O ajuste fiscal do governo federal ameaça estagnar ainda mais o
processo da Reforma Agrária no país, pois sem orçamento não há como o
governo cumprir o compromisso político, assumido no início deste ano, de
assentar 120 mil famílias Sem Terra acampadas no Brasil", afirma.
A política econômica do governo federal coloca em risco a conquista de
direitos dos trabalhadores, pois corta recursos financeiros da reforma
agrária e da classe trabalhadora para seguir injetando dinheiro no
capital financeiro e nas transnacionais, beneficiando a elite
brasileira. Só para o agronegócio foi disponibilizado R$ 187 bilhões de
recursos pelo Plano Safra deste ano. Um aumento de 20% no volume de
recursos em relação à safra anterior.
De acordo Kelli Maffort, da coordenação nacional do MST, corte de
investimentos em setores fundamentais como educação e saúde, além dos
cortes nas políticas sociais, só atingem o setor mais pobre da
população.
Ocupação do Ministério da Fazenda em Brasília. Foto: Mídia Ninja
Ocupação do Ministério da Fazenda em Brasília. Foto: Mídia Ninja
"Não podemos ficar ao lado do ajuste fiscal. Nosso compromisso é com o
povo. Exigimos o assentamento de todas as famílias acampadas. Temos
famílias há mais de 10 anos debaixo da lona preta e que são vítimas da
violência do latifúndio e do agronegócio. É preciso que o governo
elabore um Plano de Metas para assentar no mínimo 50 mil famílias por
ano, no período de 2016-2018", ressalta.
A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária
realizada pelo MST em todo país. Durante toda essa semana todos
os estados estarão mobilizados em luta permanente em defesa da pauta da
classe trabalhadora camponesa.
Opa! Isso é uma situação hipotética. Ele, o ministro, foi
atendido rapidinho rapidinho, mas lá no Hospital do Coração.
A imprensa informou que o ministro Joaquim Levy, da Fazenda,
foi internado ontem (26/6) à noite no Hospital do Coração, em Brasília, com quadro de
embolia pulmonar.
Informa ainda a imprensa que Levy foi examinado,
diagnosticado, medicado e, finalmente, liberado na madrugada. E mais,
demonstrando bom humor. Ele viaja ainda este sábado para os Estados Unidos com
a presidente Dilma.
Eu queria ver é se ele tivesse ido ontem para o Hospital
Regional do Gama, ou outra qualquer unidade da saúde do GDF. Até agora estaria
com uma fitinha no pulso esperando algum médico, ou na melhor das hipóteses, aguardando, jogado num banco de madeira, que se localizasse na Rede os equipamentos,
os reagentes e coisas tais para realizar exames.
Estaria, como todo paciente da rede pública do GDF, puto da
vida, querendo chamar a imprensa para denunciar o caos na saúde. Denunciar os
cortes de verbas na saúde. Ops! Isso não. Foi engano, pois ele/Dilma é que, por austeridade/sacanagem,
cortaram verbas da saúde. Da saúde, da educação, da previdência.
Numa chácara no Núcleo Rural Casa Grande, no Gama (DF), temos o Inri Cristo. Na
Fazenda da Dilma, o Levy Cristo. Sou mais o da chácara. Não se pode confiar um mínimo no da Fazenda.
Joaquim Levy, ministro da Fazenda do
governo Dilma, disse hoje (29/4) na Câmara dos Deputados que o desequilíbrio
nas contas públicas é igual castelo na praia. Já eu acho que a condução da
economia também parece com castelos. Mas com os hoje velhos e decadentes “castelos” que sobraram da época áurea do
Maciel, famosa zona do baixo meretrício no Centro de Salvador. É sacanagem
pura, isso com o povo, pois a banqueirada leva diariamente um mimo, um carinho, um dengo, um xodó, de DOIS
BILHÕES E SETECENTOS MILHÕES DE REAIS.
Castelo arruinado da zona...ou a zona
da economia arruinada? Imagem da internet
Joaquim Levy
é um falastrão. Ontem nos EUA, afirmou textualmente: “A dívida pública do Brasil
é administrável. Dívida nem sempre é ruim, vira moeda”. Esqueceu de completar: “Moeda
vira juro”. Que no Brasil é criminosamente elevado, 13 por cento. E puxa a
inflação, que com essa elevação, pretende combater.
A dívida dos
EUA é três vezes maior do que a do Brasil, mas os juros ficam entre ZERO e ZERO
25. Mais ou menos 100 vezes menor do que no Brasil. A do Japão é quatro vezes
maior do que a do Brasil. Só que os juros são de 0,10, um décimo de um por
cento. O que faz a remuneração para os “tomadores”, ser 123 vezes menor do que
no Brasil. É uma pena que o Segundo Joaquim seja formado em economia e não em
Matemática ou Doutor em bom senso. (Helio Fernandes, na Tribuna da Imprensa)
O golpe já
aconteceu sem precisar do golpe em si. Dilma já foi impedida na prática e ela
parece se sentir muito à vontade assim. A midiatização e carnavalização dos
protestos contra a corrupção bastou para que se acionasse um gabinete de
emergência, que passou a unificar a execução e a gestão do ajuste. Em
pronunciamento no dia 16 de março, foi Dilma quem suplicou por um consenso mínimo
para “fazer tudo aquilo que tem que ser feito pelo bem do Brasil".
Consenso mínimo sobre o que é governar com firmeza: “Nós vamos ser firmes. Não
vou deixar de dizer pra todo mundo que nós queremos fazer o ajuste. Firme é
isso".
Ajuste
fiscal e financeiro em sacrifício deliberado de soberania, de direitos e de
qualquer patamar civilizatório eventualmente adquirido: esse foi o pacto feito
dentro do pacto. A rendição não deixa de ser voluntária, já que Dilma e o PT
tiveram condições, nos últimos anos, particularmente nas últimas eleições, de
construir uma resposta à crise muito distinta da que está sendo esboçada. Se
antes concebíamos anticandidatos para explicitar o sufocamento da democracia
enquadrada por grupos econômicos e aparatos repressivos, como lidar com uma
democracia em fim de linha, que gera uma anti-presidente, em outros termos, uma
presidente sem qualidades, hologramática no limite?
Na locução
oficial dos mercados (Davos, IIF e FMI), a esterilização dos espaços de
percepção dos embates de classe, que ainda poderiam impor “constrangimentos
extemporâneos” à “política econômica necessária”, demonstra maturidade
institucional. Chegamos ao anticlímax do processo de democratização? Trinta
anos depois é como se fosse uma segunda derrota das Diretas, enquanto movimento
originalmente nivelador, igualitário e democratizante.
Sábado, 28
de fevereiro de 2015 Joaquim Levy, emprestado pelo Banco Bradesco para ser ministro da Fazenda de Dilma, afirmou esta semana que
a desoneração, uma renúncia fiscal, era “grosseira”, uma “brincadeira” que
custou R$25 bilhões aos cofres do governo. Eu também acho. Mas quer então o ministro também dizer que Lula e Dilma
estavam brincando de fazer economia?
Mais grosseiro é o aprofundamento da submissão do Brasil
aos interesses da banca da agiotagem internacional e nacional. Quanto a essa
banca, que levou só no ano passado mais de R$977 BILHÕES (eu disse BILHÕES) da
Nação, sua excelência o ministro Levy, não dá um pio. Não diz que é uma relação
“grosseira”, uma “brincadeira” que custa a vida de milhões de pessoas nos
hospitais, nas cidades, no campo. Um “brincadeira” que torna o nosso país ainda
mais submisso, encoleirado, aos banqueiros e demais rentistas do mundo,
enriquecendo mais ainda aquele 1 (um) por cento que terá, em 2016, em suas mãos
mais de 99 por cento da riqueza do mundo.
Que é necessário e
urgente fazer um ajuste fiscal para colocar as contas do governo em ordem,
estamos todos de acordo. Não tem mesmo outro jeito. Ninguém pode eternamente
gastar mais do que arrecada, nem a padaria da esquina, muito menos um país.
Por isso, reuniões e
mais reuniões se sucedem freneticamente em Brasília para garantir a aprovação
no Congresso Nacional do pacote fiscal embrulhado pelo ministro da Fazenda,
Joaquim Levy, encomendado pelo governo Dilma-2. O objetivo é economizar R$ 18
bilhões no orçamento. E quem vai pagar esta conta?
Tem três maneiras de
se fazer isso: cortar despesas, aumentar a arrecadação ou fazer as duas
coisas ao mesmo tempo. O governo brasileiro optou pela primeira alternativa.
Vai tirar dinheiro dos benefícios sociais: abono salarial, seguro-desemprego,
pensão por morte e seguro-defeso para pescadores artesanais.
Nos Estados Unidos, o
governo Obama, que não pode ser chamado de bolivariano, fez exatamente o
contrário: aumentou a taxação dos lucros dos bancos e das grandes fortunas para
aliviar encargos da classe média que vive do seu trabalho.
A corrente petista 'O Trabalho' publicou artigo do economista Alberto Handfas em que acusa Joaquim Levi, ministro de Dilma, de querer repetir o governo de FHC. O artigo é muito bom. Só tem um problema. O governo Dilma repete o governo lula, que repetiu, em termos econômicos, o governo FHC. Então, os três governos (FHC, Lula, Dilma) se repetem. E os banqueiros nacionais e internacionais vibram e ganham bilhões de reais.
Clique aqui e leia o artigo 'O Brasil de Joaquim Levy e o Brasil dos brasileiros', da corrente 'O Trabalho'.
Terça, 27 de janeiro de 2015 Do Blogue Náufrago da Utopia Por Celso Lungaretti
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"Os ajustes que estamos fazendo,
eles são necessários para manter o rumo, para ampliar as oportunidades,
preservando as prioridades sociais e econômicas do governo que iniciamos há 12
anos atrás."
Assim a presidenta Dilma Rousseff justificou, nesta 3ª feira (27), o
elenco de medidas recessivas, de inspiração neoliberal, com que seu
ministro Joaquim Levy tenta enfiar goela dos explorados abaixo a conta
do esfarelamento da economia brasileira na atual década. Dos bancos,
grandes capitalistas, herdeiros das maiores fortunas e rentistas nenhuma
quota de sacrifício se exigirá, como sempre.
Enquanto isto, o novo governo grego garante que a contabilidade perversa
do capital não é razão suficiente para imporem-se rigores e penúria ao
povo.
"Vai ser ruim para a comunidade econômica europeia e vai ser ruim para a
Grécia num prazo mais longo", observa o signatário do AI-5 e milagreiro
de araque Delfim Netto, ao mesmo tempo em que defende Levy, preferido
por 11 entre 10 viúvas da ditadura, antigos serviçais dos milicos e cuervos que a direita troglodita criou.
No que é apoiado pelo porta-voz mais estridente do neofascismo
tupiniquim, Reinaldo Azevedo: ele rasga seda para Levy e qualifica os
novos governantes gregos de "porras-loucas do calote", augurando-lhes
catástrofes e desgraças.
Para ambos, Alexis Tsipras é um desatinado e Dilma age com sabedoria ao bancar Levy.Permito-me acrescentar que se trata daquela sabedoria sobre a qual discorreu o grande Brecht:
"Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria: manter-se afastado dos problemas do mundo e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra; seguir seu caminho sem violência, pagar o mal com o bem, não satisfazer os desejos, mas esquecê-los. Sabedoria é isso! Mas, eu não consigo agir assim".
E, por falar em Brecht e brechtianos, ocorreu-me também que a situação
presente tem tudo a ver com o trecho abaixo da magistral peça Arena conta Tiradentes, que é de 1968 mas continua atualíssima:
CORINGASer bom vassalo o que é?Me responda quem souber. COROSer bom vassalo é esqueceraquilo que a gente quer.Ser bom vassalo é morrer.Ser bom vassalo, quem quer? Me responda quem quiser. CORINGASó quer ser um bom vassalo,quem vive seu bom viver,quem explora e não é explorado,quem tem tudo pra perder!
Em tempos idos, os bons vassalos defendiam apenas seus privilégios.
Agora a coisa piorou: até os que deveriam ser contra os privilégios
estão se tornando bons vassalos, pois temem que a governabilidade seja prejudicada se entrarem em atrito com o suserano.
Uma característica, contudo, permanece imutável: ser bom vassalo é esquecer aquilo que a gente quer. Aquilo pelo que um dia lutamos. Aquilo em nome do qual companheiros estimados morreram e sofreram.
As seis maiores centrais sindicais do país
promoverão quarta-feira (28) uma manifestação para pedir a revogação das
medidas provisórias (MP) 664 e 665, anunciadas no fim do ano passado.
As duas medidas alteram regras sobre pensão, auxílio-doença e
seguro-desemprego.
Durante o ato, que começará no Museu de Arte
de São Paulo, na Avenida Paulista, e seguirá em passeata. Os
representantes das centrais farão duas paradas (uma no prédio do
Ministério da Fazenda e outra na Petrobras) para entregar um documento
expressando a insatisfação dos trabalhadores.
De acordo com o
secretário de Organização e Políticas Sindicais da União Geral dos
Trabalhadores (UGT), Francisco Pereira de Souza, o objetivo é discutir a
defesa dos direitos e o emprego dos trabalhadores, porque, na avaliação
das seis centrais sindicais, as medidas do governo vão causar prejuízos
importantes para a sociedade.
Cai a máscara de Joaquim Levy, na qual se escondiam a presidente
Dilma, o PT, as elites conservadoras e boa parte da mídia. Foi no
apropriado palco de Davos, onde se reúne a nata dos privilegiados
econômico-financeiros, que em entrevista ao Financial Times o ministro
da Fazenda ousou dizer que o seguro-desemprego está completamente
ultrapassado. Essa raça de vigaristas dorme em berço de ouro, jamais
soube o que é perder o emprego e ficar sem meios para alimentar a
família. Ao primeiro sinal de redução de seu faturamento, mesmo sem
perder as benesses surripiadas dos assalariados, apelam para os
argumentos de sempre: a culpa é dos investimentos sociais duramente
conquistados pelos menos favorecidos. Importa revogá-los.
Joaquim Levy deveria escolher o Herodes como símbolo de sua gestão:
os bebês dão prejuízo, porque não trabalham e consumem recursos em
mamadeiras, fraldas e cuidados variados. Melhor acabar com eles, como
agora com o seguro-desemprego. Já fizeram isso com a estabilidade no
emprego, o salário-família, a participação dos empregados no lucro das
empresas e quantos direitos trabalhistas a mais?
O período, para esse novo algoz da justiça social, é de austeridade.
Para quem, cara-pálida? Ele também fala em corrigir os preços, aumentar
impostos, elevar os juros, mas jamais defenderá a taxação das grandes
fortunas e das heranças milionárias. Prefere dificultar as pensões das
viúvas e a aposentadoria dos velhinhos, desde que não afete o lucro dos
bancos.
SILÊNCIO DOS SINDICALISTAS
O mais execrável no massacre que mal se inicia é o silêncio da
maioria das centrais sindicais e dos partidos ditos trabalhistas ou
socialistas. Para não falar no estímulo e no silêncio de quem o nomeou,
sob os aplausos do mercado. Sem esquecer o apoio da maioria dos meios de
comunicação, que chamam de “ajuste” o esbulho praticado à vista de
todos. Empresários, investidores, especuladores e analistas apregoam a
“agenda positiva” desenvolvida pela nova equipe econômica, sabendo que
ela vai gerar o desemprego e a extinção de outras prerrogativas sociais.
O óbvio é que nascerão, também, a indignação e a revolta. Porque não dá
para aceitar que as “reformas estruturais destinadas a retomar o
crescimento econômico” penalizem os trabalhadores favorecendo as elites,
como sempre tem acontecido.
E o Lula, onde está, se não estiver a bordo do jatinho de alguma
empreiteira? Dilma já cooptou a metade do PT para ficar calada à sombra
dos favores, nomeações e facilidades do poder. A outra metade bem que
gostaria de assistir o protesto do ex-presidente, mas deve esperar
sentada. Os absurdos realizados a pretexto de combater a crise econômica
trabalharão em favor de sua candidatura, se a saúde permitir. Ele
poderá freqUentar os palanques sustentando que, com seu retorno, os
tempos serão outros.
Em suma, deve preparar-se o cidadão comum, em especial as dezenas de
milhões que recebem o ridículo salário mínimo, mas sem esquecer os
assalariados pagadores de impostos e de preços de gêneros de primeira
necessidade continuamente reajustados. Vão ter que pagar mais… Agora, a
um desabafo terão direito, diante do comentário de Joaquim Levy sobre o
seguro-desemprego: “Ultrapassado é a mãe!”