Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Economia no fundo do poço

Segunda, 14 de novembro de 2016
poco-fundo

De 2014 para cá, a produção estagnou, o desemprego disparou e o valor real dos salários desabou.

A recessão que havia sido criada pelo ajuste fiscal do ex-ministro Joaquim Levy (2015-2016) aprofundada pela Lava Jato e pela crise internacional, agora, toma contornos drásticos com as medidas de ajuste mais severas e de longo prazo do golpista Temer.

De certa forma, tal recessão tão profunda era desejada por banqueiros e mesmo por certas grandes empresas. Era a fórmula para gerar desemprego e enfraquecer o poder de barganha dos sindicatos. Isso fez com que, nestes 2 últimos anos, os salários passassem a perder feio para a inflação pela primeira vez desde o início do governo Lula. Tudo para baratear o custo do trabalho e recuperar lucratividade e, assim, a “competitividade”.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Jogando para a plateia: O pedido irrealista da arrochadora Dilma ao novo ministro apertador

Terça, 22 de dezembro de 2015
No jogo dos marqueteiros vale tudo, ou quase tudo. Até fazer coisas semelhantes ao que se disse por aí, que se faz o Diabo para ganhar eleição. Dilma, ontem (21/12), na posse de Nelson Barbosa no antigo cargo do garoto Bradesco, possivelmente obedecendo o sopro de alguma peninha pediu ao novo ministro da Fazenda metas realistas e foco no crescimento econômico. O que deixa suspeitar que seu governo durante o período de Levy na Fazenda trabalhou com metas falsas e ações focando o não crescimento da economia.
Como pode a presidente determinar metas realistas e foco no crescimento econômico se o orçamento por ela elaborado, e depois aprovado pelo Congresso, é uma peça fictícia, falsa?

Orçamento falso, metas falsas, crescimento econômico falso.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

“Minha Casa é Minha Vida”, mas para o governo Dilma . . . primeiro a grana dos banqueiros


Segunda, 21 de dezembro de 2015
Do Contas Abertas
Dyelle Menezes
“Minha Casa Minha Vida” sofre retração de R$ 6,6 bilhões em 2015
Em discursos a presidente Dilma Rousseff tem justificado as pedaladas fiscais, condenadas pelo Tribunal de Contas da União, por terem garantido principalmente o programas como o Minha Casa, Minha Vida. No entanto, neste ano, sem as manobras, o programa sofreu redução drástica. O programa receberá a ajuda do FGTS até 2016.
Até novembro de 2014, a execução orçamentária do programa “Minha Casa Minha Vida” em valores correntes foi de R$ 16,7 bilhões. Em 2015, no mesmo período, a aplicação foi de apenas R$ 11,6 bilhões. A redução nominal foi de R$ 5,1 bilhões, já a retração real foi de R$ 6,6 bilhões.
Leia a íntegra em:
http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/12357#sthash.MkJFTGFn.dpuf

sábado, 19 de dezembro de 2015

Visões da crise: aprofundar o austericídio ou buscar caminhos populares para sair da recessão?

Sábado, 19 de dezembro de 2015
Celso Lungaretti

Por Guilherme Boulos
VAI TARDE
A saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda é uma boa notícia. Levy entrou há um ano prometendo ajustar as contas, que hoje estão ainda mais desajustadas. Prometeu também uma "travessia para o crescimento", mas afundou o país em uma recessão histórica. Era o fiador do "grau de investimento". Este também se foi.
 
A questão agora é se a política econômica vai junto com o ministro. De nada adianta crucificar Levy e esquecer que foi Dilma quem o colocou e o manteve até agora. De nada adianta tirá-lo do cargo e deixar intocada a política suicida de austeridade (*). Seria trocar seis por meia dúzia.
 
O ajuste fiscal de Dilma e Levy –além de desastroso para os trabalhadores– jogou a economia num ciclo vicioso, alavancado pela redução do investimento público, a retração do consumo e o aumento dos juros.
 

O desestímulo à atividade produtiva e ao consumo popular reduziu consideravelmente a arrecadação. Em outubro, caiu 11,3% em relação ao ano anterior. A queda acumulada de 2015 chega próxima a 4%, levando à pior arrecadação em cinco anos. Redução da arrecadação significa desajuste fiscal.
 
Outro disparate foi o aumento galopante dos juros. Das eleições de 2014 para cá, a taxa Selic foi elevada em 3,25%. Segundo cálculo do economista João Luis Mascolo, realizado para a BBC, cada meio ponto percentual de aumento dos juros representa um ônus de até R$ 10 bilhões por ano para a União com o pagamento da dívida pública. Ou seja, R$ 65 bilhões de acréscimo com juros apenas em 2015. Novo desajuste fiscal.
 
Por isso, este ajuste não é apenas antipopular. Além de atacar direitos trabalhistas, cortar investimentos em programas sociais e produzir recessão e desemprego, nem sequer ajustou as contas. Ao contrário, ampliou o rombo.

Para manter o pacto com a elite financeira, Dilma reforçou a ideia do senso comum midiático de que as dificuldades fiscais remetiam a gastos sociais elevados. Argumento falacioso de quem tem preguiça de ver os números. Muito mais do que programas sociais, o que pressiona o Orçamento são as desonerações fiscais e subsídios pelo BNDES –o Bolsa Empresárioe principalmente os escorchantes juros da dívida pública –o Bolsa Banqueiro.
 
Neste ano, estima-se a perda de R$ 104 bilhões em desonerações e R$ 25,5 bilhões em empréstimos subsidiados, que, aliás, foram ambos "compensados" pelos empresários com retração de investimentos e com demissões. O gasto com juros da dívida ultrapassou R$ 277 bilhões. A previsão para o Orçamento de 2016 é de R$ 304 bilhões, sem contar a amortização.
 
Já o investimento com o Bolsa Família foi de R$ 27 bilhões neste ano. Com o Fies de R$ 12 bilhões. O Minha Casa, Minha Vida foi praticamente paralisado em 2015. O ajuste fechou a torneira no andar de baixo e a manteve escancarada no andar de cima.
Essa política fracassou. Conseguiu de uma só vez agravar a recessão, retrair a indústria, ampliar o desemprego e atacar duramente os mais pobres. Só os bancos comemoram novo aumento de seus ganhos.
 
Levy vai tarde e não deixará saudades. Nelson Barbosa, o novo ministro, cumprirá as ordens da chefe. Resta saber quais serão elas. Afundar o país de vez na política de austeridade ou apontar caminhos populares para o enfrentamento da crise.
 
Por tudo o que temos visto, é difícil acreditar na segunda opção, mas talvez seja esta a última chance de Dilma Rousseff.
* os grifos são todos meus

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Viu aí? É mesmo a troca de 6 por meia dúzia. Após saída de Levy, governo nega fim do ajuste fiscal e insistirá em CPMF. Era arrocho Dilma/Levy. Agora é arrocho Dilma/Barbosa

Sexta, 18 de dezembro de 2015
Paulo Victor Chagas – Repórter da Agência Brasil
O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que a saída de Joaquim Levy do ministério da Fazenda não significa o fim do ajuste fiscal.

Segundo ele, o governo vai insistir na aprovação da proposta que recria a Contribuição sobre Movimentação Financeira, a CPMF, enviada ao Congresso Nacional.

De acordo com Wagner, o governo não vai desistir de concluir a votação das medidas que estão sendo analisadas no Congresso.

A avaliação de integrantes governo é de que, embora Barbosa tenha um estilo diferente de Levy, não haverá nenhuma "aventura na política econômica" praticada até o momento pelo Planalto.

Jaques Wagner repercutiu, por meio de sua assessoria de imprensa, o anúncio feito há pouco pelo Palácio do Planalto pela troca de Levy por Nelson Barbosa.

O chefe da Casa Civil, que compõe a Junta Orçamentária do governo, prometeu trabalhar como um "vigia rigoroso" no cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O impeachment bate à porta. A luta de classes também!

Quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Por Celso Lungaretti

Onze entre dez analistas econômicos da grande imprensa preveem: a queda de Joaquim Levy, que substituiu Guido Mantega no Ministério da Fazenda, abrirá caminho para a volta da política econômica que fracassou rotundamente na gestão de Mantega. Ou seja, o governo continuaria patinando sem sair do lugar.
 
É o que Lula quer e a Dilma, a esta altura do campeonato, parece não ter força política para querer mais nada, salvo escapar do impeachment, sua última e obsessiva meta.
 
Raquel Landim constata o óbvio:
"Com a decisão da Fitch de retirar o selo de bom pagador (...) o Brasil fica sem o aval de duas agências de risco -a S&P já havia cortado a nota do país- e volta a ser oficialmente um investimento especulativo. Isso significa dólar mais caro, menor poder de compra da população, mais inflação e menos investimento.  
Depois de prometer uma reviravolta de 180 graus na sua política econômica, comprometendo-se com um ajuste fiscal, a presidente não aguentou a pressão. A queda de quase 4% do PIB e a ameaça de impeachment a fizeram desistir no meio do caminho.
Ela volta a seguir a mesma cartilha de aumentar os gastos do Estado, com mais investimento público e benesses sociais, para barrar a recessão. Só que, ao contrário do primeiro mandato, o Tesouro está depauperado..."
Resumo da opereta: dias piores virão.
 
Infelizmente, Dilma e Lula parecem atacados pela mesma modalidade de vesgueira: não conseguem olhar para a esquerda. A visão de ambos alcança, no máximo, o reformismo e o populismo.
 
Tanto eles quanto, previsivelmente, os tais analistas, não levam em conta a única possibilidade viável, não-revolucionária (1), de saída pela esquerda da crise econômica atual: reequilibrar as contas públicas, mas não pelo lado dos tosquiados e desfavorecidos de sempre, mas sim fazendo os exploradores darem uma grande quota de sacrifícios, já que sempre foram poupados. 

Lembrem-se:
  • o Brasil é o décimo país do mundo em número de milionários, superando nações como a Espanha e a Suíça;
  • é o segundo país do mundo quando se considera o crescimento na taxa de ricos entre 2013 e 2014, quando só ficou atrás da China;
  • o número de milionários brasileiros cresceu, no período, algo em torno de 350% (contra cerca de 20% nos EUA).
E, como notou Guilherme Boulos, do MTST:
"...os trabalhadores com renda mensal até dois salários mínimos deixam 54% dos seus gastos em impostos. Já aqueles com renda superior a trinta salários mínimos deixam para a Receita 29% dos seus gastos, quase a metade dos mais pobres. 
Esta distorção ocorre porque a maior parte da carga tributária brasileira (51,3%) incide sobre o consumo de bens e serviços. Neste quesito, os diferentes são tratadas convenientemente como iguais. Outros 25% da carga são sobre os salários. Apenas 18% sobre a renda e –pasmem– menos de 4% sobre a propriedade".
Também se deveriam apurar denúncias consistentes como a da auditora aposentada da Receita Federal Maria Lucia Fattorelli, segundo quem a dívida pública brasileira "é um mega esquema de corrupção institucionalizado". Ela afirma e comprova que "mais de 90% da divida é de juros sobre juros", o que nossa Constituição proíbe. 
Leonel Brizola cansou de pedir uma auditoria da dívida pública, em vão. Era de esperar-se que os governos do PT --principalmente o da sua discípula Dilma Rousseff-- ousassem tirar o gênio da garrafa. Amarelaram, tanto quanto no tocante ao imposto sobre grandes fortunas, cuja criação foi aprovada pelos constituintes de 1988, mas carece de regulamentação até hoje (!!!).
 
Só não consigo entender o motivo de o PT, mesmo no atual fim de feira, continuar pisando em ovos por receio de pisar nos calos dos ricaços. Sua postura tíbia e complacente tem sido respondida com uma aguda retração nos investimentos, aproximando-nos cada vez mais de uma depressão econômica. O que os grãos petistas ainda têm a perder?!
 
Também me surpreende que eles prefiram cortar gastos sociais do que fechar a torneira do desvio de recursos públicos para os fisiológicos da base aliada, bem como a farta distribuição de ministérios e altos cargos para os mais sórdidos parasitas de nossa política (os quais, em contrapartida, não lhes têm assegurado governabilidade nenhuma, muito pelo contrário...).
 
Enfim, a conciliação de classes da década passada só foi possível porque a conjuntura econômica era altamente favorável às commodities brasileiras, permitindo que Lula abarrotasse os bolsos dos grandes capitalistas e ainda sobrasse alguma graninha para repartir entre os pobres. 
Ahora, no más! O cobertor está curto e, se quiser evitar que os coitadezas marchem para a penúria, o desespero e a revolta, o PT terá de descobrir os pés dos ricos.
 
A luta de classes voltou com tudo. E a devolução do Joaquim Levy ao Bradesco oferece a Dilma uma ótima chance --provavelmente a última-- de passar a por ela nortear-se, guinando verdadeiramente à esquerda, ao invés de insistir nos erros de sua primeira gestão, que incubaram a crise atual.
 
O impeachment bate à porta. É agora ou nunca!
  1. se nem nos seus melhores dias o PT ousou organizar as massas para o confronto com o capitalismo, não será agora que o fará!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Nobel de Economia Stiglitz: política de austeridade levará a mais desemprego e desigualdade

Terça, 10 de novembro de 2015
Wellton Máximo — Repórter da Agência Brasil
São Paulo - O Prêmio Nobel de Economia de 2001 e professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Joseph Stiglitz, é o entrevistado do Espaço Público (Reprodução TV Brasil)
Prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade de Columbia, Joseph Stiglitz diz que a política de austeridade e de juros altos ameaçam o combate às desigualdades —Reprodução/TV Brasil
O combate às desigualdades no Brasil está ameaçado pela política de austeridade e de juros altos que ampliará o desemprego e sufocará a economia. A avaliação é do Prêmio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz, entrevistado desta semana do Espaço Público, da TV Brasil.
Professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Stiglitz citou o Brasil como referência na diminuição das desigualdades. Ele defendeu a continuidade dos investimentos em educação, dos programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, e da criação de empregos, mas disse que os ganhos obtidos nos últimos anos estão em risco devido aos cortes de gastos públicos praticados atualmente.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Itaú lucra quase 6 Bi no último trimestre. Enquanto isso, nós tomamaos no Itaú

Terça, 3 de novembro de 2015
Por Celso Lungaretti
Recessão é uma palavra que tira o sono e desgraça a vida dos brasileiros. Uns já padecem no desemprego e na penúria, outros tecem mil elucubrações sobre as possibilidades de serem poupados e os riscos de em breve estarem também na rua da amargura (e mesmo debaixo da ponte).
Menos, claro, os dirigentes e acionistas da Itaú Unibanco Holding, cujo lucro líquido contábil aumentou 10% no 3º trimestre deste ano, atingindo R$ 5,945 bilhões, contra os R$ 5,404 bilhões do período de julho/agosto/setembro de 2014.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Dilma e o Dilúvio

Segunda, 19 de outubro de 2015
Por Celso Lungaretti

Desta vez ficou nítida a discrepância com Lula... 
Na semana passada, o que há de mais representativo e influente no PT fritou Joaquim Levy como nunca. Ainda assim, Dilma Rousseff declarou que o manterá como ministro da Fazenda. Por quê?

Porque os interesses do partido e da presidenta são conflitantes neste momento.

Como o Juquinha que só pensava em sexo, a Dilma só pensa em evitar o impeachment. Seu ego descomunal impregna cada decisão que toma. Pactuará com o pior demônio do inferno, se for necessário. Mas não admite a perspectiva sair do Palácio do Planalto pela porta dos fundos.

Então, com a popularidade no fundo do poço e cada vez mais mal amada pela esquerda, agarra-se como uma náufraga na única boia que julga poder salvá-la: o grande capital.

Foram os endinheirados que exigiram o arrocho fiscal e Dilma teme que, expelido Levy, parte deles cerre fileiras com a oposição e a outra parte apenas assista ao espetáculo, não movendo uma palha para evitar o impedimento presidencial. Então, ela bate o pé: que fique Levy e que se dane o povo brasileiro! 

Pois a recessão não cessará de agravar-se enquanto não for retirado o bode da sala... quer dizer, do governo. Um milhão de coitadezas foram para a rua da amargura. Quantos mais terão de pagar pela irredutibilidade da Dilma?
...e escancarado o clima de guerra com Rui Falcão.

Já o Lula e o Rui Falcão, ao abrirem o jogo (e o fogo) contra Levy, priorizam a sobrevivência do PT, pois a recessão o está destruindo. Quanto mais tempo persistir a indefinição atual, maior será o estrago. 

Ser identificado pelos trabalhadores como o partido responsável pela pior penúria das últimas décadas deverá causar verdadeiros desastres eleitorais. A perda da hegemonia nas ruas foi só um trailer do que está para vir.

Então, os grãos petistas estão fazendo pressão máxima para que a Dilma desista da guinada à direita e reassuma as bandeiras históricas do partido, mesmo que isto venha a ser a gota d'água para o impeachment.

E a presidenta a eles resiste porque coloca sua autoimagem acima do País, do partido, do seu ídolo de ontem e do seu padrinho de hoje, dos ideais que longinquamente a levaram a pegar em armas, dos clássicos marxistas que leu e esqueceu, das agruras dos desempregados e do desespero dos miseráveis, acima até de Deus, caso nele acredite. 

Não é nem "depois de mim, o dilúvio!". É "se eu tiver de morrer, que venha o dilúvio e nos mate a todos de uma vez!".

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Não há mais tempo a perder: Mandato Popular dado por 54 milhões é golpeado pelo ajuste de Levy

Sexta, 9 de outubro de 2015
 “As pessoas vão defender Dilma em nome de quê? ”
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Deu no site da corrente “O Trabalho”, tendência interna do PT

Mandato Popular dado por 54 milhões é golpeado pelo ajuste de Levy

 

O cerco se fecha. A cada dia uma nova puxada de tapete do Congresso Nacional, nova escalada nos tribunais, novas denúncias para atingir o PT. Quanto mais o governo cede, mais é empurrado a ceder. Quanto mais a direção do partido não reage e se dobra à política do governo, mais sentem-se fortalecidos os que querem destruir o PT.
O episódio no funeral do companheiro José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT – uma provocação ignóbil “petista bom é petista morto” – é mais que um alerta!
Não há mais tempo a perder.
A política econômica de ajuste para atender às exigências do capital financeiro, e de ampliação do poder do PMDB no governo, só faz aprofundar a crise. Com esta política, na verdade, o que se pavimenta é o caminho, cada vez mais favorável, para os que querem tomar de assalto o governo e ir até fim nos ataques à classe trabalhadora e à pilhagem do país.
A ação do governo e a inação da direção do PT concorrem para desmoralizar e confundir os trabalhadores, os jovens, os oprimidos. À eles o que lhes é de direito: empregos, salários dignos, direitos, serviços públicos, terra para quem nela trabalha! Este é o mandato popular, dado por 54 milhões de brasileiros, que hoje são golpeados pela política de ajuste.
Dez meses de Levy no comando da economia, dez meses de sacrifícios aos trabalhadores e suas famílias. Menos emprego, menos salários, menos direitos, menos alunos matriculados nas universidades, menos programas como Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular…
Até onde vai isso? Está passando da hora de retomar com os compromissos assumidos para garantir a reeleição do PT. A presidente Dilma e a cúpula partidária têm aí a maior responsabilidade!
No último dia 3, a chamado da Frente Brasil Popular – que reúne entidades representativas da base social que reelegeu Dilma – ocorreram os atos “em defesa da democracia, de uma nova política econômica, dos direitos e do povo brasileiro sobre o Petróleo”.
Os atos ficaram aquém do esperado. Qual a razão? Os trabalhadores não desistiram de defender seus interesses e enfrentar as forças reacionárias. Mas, como verbalizou o presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, “as pessoas vão defender Dilma em nome de que? ”
Os trabalhadores ainda não desistiram de dirigir as reivindicações a Dilma. Mas, tudo tem um limite, ela tem que os ouvir!
Em direção contrária às bandeiras levantadas no dia 3, como a defesa da Petrobras, a direção da empresa anuncia novo plano de desinvestimento. Dilma empossa novos ministros, rodeada de raposas do PMDB, e segue intocado o ministro Levy, representante dos banqueiros, contra os quais os bancários iniciaram uma greve nacional em 6 de outubro. Todas as categorias em campanha salarial se chocam com as dificuldades impostas pelo ajuste e a intransigência patronal, pretextando a crise.
É nesse cenário que o 12º Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT), aprofundando o papel jogado pela central na luta contra o ajuste, pode avançar para realizar a ação unificada dos trabalhadores para por fim à atual política econômica e à ofensiva conservadora.
É nesse cenário também que o Diálogo e Ação Petista realiza reuniões em todo país. Nelas, os petistas dispostos a reagir frente à capitulação da cúpula partidária, poderão encontrar um ponto de apoio para apoiar e somar-se às lutas, como a greve dos bancários. Como agia o PT.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

"Povo sem medo": PSOL reafirma organização popular para barrar a retirada de direitos e o avanço da direita

Terça, 6 de outubro de 2015
Do site do Psol
Resolução aprovada pela Executiva Nacional enfatiza as críticas aos rumos do atual governo e também às saídas apontadas pela oposição conservadora

PSOL, em reunião nesta segunda-feira (05), em Brasília, aprovou uma resolução apontando a necessidade e a urgência de fortalecer e apoiar as mobilizações sociais contra os efeitos da crise econômica sobre a classe trabalhadora, as medidas de ajuste fiscal implementadas pelo governo da presidenta Dilma Rousseff e o avanço dos setores conservadores na política e na sociedade. O documento, que expressa as avaliações das lideranças e da militância do PSOL, enfatiza as críticas aos rumos do atual governo, que vem cedendo cada vez mais às pressões do mercado, do PMDB e demais partidos da direita, e também às saídas apontadas pela oposição conservadora. A resolução cobra, ainda, uma resposta incisiva às sucessivas denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspeito de receber propina por vazamento de informação privilegiada na venda, para a Petrobras, de um campo de petróleo no Benin, na África.
Como saída a esse cenário que penaliza a classe trabalhadora e a população mais pobre deste país, o partido defende a articulação de uma ampla agenda de esquerda e a participação na frente “Povo Sem Medo”, articulada por diversas organizações sociais e entidades sindicais. “No plano da mobilização popular, inúmeras greves têm sido deflagradas contra as medidas do ajuste fiscal de Dilma e as tentativas das elites de socializar as perdas oriundas da crise econômica. Há, portanto, melhores condições para o desenvolvimento de uma agenda à esquerda para o enfrentamento às medidas conservadoras de Dilma e dos governos estaduais, especialmente mediante as lutas que serão travadas no segundo semestre por diversas categorias com o apoio do PSOL, como ocorreu na primeira parte deste ano. Nesse contexto, cumpre um papel central a criação da frente ‘Povo sem Medo’, que conta com as mais representativas entidades e movimentos sociais brasileiros. Fortalecer esse espaço é decisivo para o processo de reorganização da esquerda brasileira”.
Confira abaixo o inteiro teor da resolução, aprovada pela Executiva Nacional do PSOL.
Fortalecer a resistência popular contra o ajuste de Dilma, a direita e Eduardo Cunha
1. A crise econômica no Brasil continua se aprofundando. Dados divulgados recentemente atestam a queda da atividade industrial, da renda das famílias e o aumento do desemprego (que já alcança 8,3%, segundo dados do IBGE). As medidas tomadas pelo governo Dilma até aqui, retirando direitos trabalhistas e previdenciários, retomando as privatizações, cortando investimentos e aumentando as medidas que beneficiam a especulação em detrimento dos investimentos produtivos – especialmente com a manutenção de elevadíssimas taxas de juros – aprofundam a crise econômica no Brasil sem tocar nos interesses do grande capital, especialmente na dívida pública.
2. Ao mesmo tempo, a crise econômica aprofunda a crise política. Em meio às ameaças de impeachment – embora frações fundamentais do grande capital ainda não tenham aderido à essa saída – e as dificuldades de dar respostas à crise, Dilma e o PT aprofundam o caráter fisiológico de sua aliança com o PMDB, ampliando seu espaço na Esplanada dos Ministérios. Para isso, além da já conhecida “dança das cadeiras” nos ministérios, Dilma funde secretarias essenciais para o desenvolvimento de políticas públicas como àquelas voltadas aos negros e negras, mulheres, juventude e população LGBT.
3. A oposição conservadora, por sua vez, segue flertando com saídas golpistas, embora não tenha conseguido força política dentro e fora do parlamento para viabilizar a tática do impeachment. A identidade em torno das medidas tomadas pelo ministro Joaquim Levy, no entanto, demonstram que a oposição conservadora não representa uma alternativa à crise econômica e política que o país atravessa. Por essa razão, embora reafirmemos nossa radical oposição ao governo Dilma Roussef, não compactuaremos com saídas golpistas como àquelas propostas por tucanos e seus aliados.
4. Em meio a essas incertezas, fecha-se o cerco sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Denúncias recentes atestam a veracidade dos depoimentos de operadores do esquema da Petrobrás, segundo os quais Eduardo Cunha foi o beneficiário de recursos desviados da estatal. A confirmação da existência de contas do presidente da Câmara dos Deputados em bancos na Suíça torna insustentável a permanência de Cunha na função de principal mandatário do parlamento brasileiro.
5. No plano da mobilização popular, inúmeras greves têm sido deflagradas contra as medidas do ajuste fiscal de Dilma e as tentativas das elites de socializar as perdas oriundas da crise econômica. Há, portanto, melhores condições para o desenvolvimento de uma agenda à esquerda para o enfrentamento às medidas conservadoras de Dilma e dos governos estaduais, especialmente mediante as lutas que serão travadas no segundo semestre por diversas categorias com o apoio do PSOL, como ocorreu na primeira parte deste ano. Nesse contexto, cumpre um papel central a criação da frente “Povo sem Medo”, que conta com as mais representativas entidades e movimentos sociais brasileiros. Fortalecer esse espaço é decisivo para o processo de reorganização da esquerda brasileira.
6. Diante deste quadro, a Executiva Nacional do PSOL reafirma as seguintes prioridades:
a) Fortalecer e apoiar todas as mobilizações sociais contra os efeitos da crise econômica sobre os trabalhadores e trabalhadoras;
b) Apoiar a construção e o fortalecimento da frente “Povo sem Medo” como espaço prioritário de toda a militância do PSOL para a organização das lutas;
c) Aprofundar, no âmbito do Congresso Nacional, a luta pelo “Fora Cunha” e em favor da punição de todos os corruptos e corruptores, incluindo os empresários vinculados ao escândalo da Petrobrás;
d) Fortalecer as lutas democráticas em favor da livre organização partidária, contra a Lei da Mordaça e em favor do fortalecimento do PSOL.
Executiva Nacional do PSOL Brasília, 5 de outubro de 2015