Quarta, 18 de maio de 2018
Mas ao contrário do que um senso comum
governista tenta fazer crer, não estamos enfrentando uma ascensão conservadora
contra o PT. Mas, sim, uma reação conservadora, de que fez e faz parte o PT,
contra a movimentação social da juventude e dos trabalhadores, que prosseguem
em suas lutas por direitos e tomam impulso ainda maior a partir das Jornadas de
Junho de 2013.
A perda da base de sustentação conservadora que o lulismo sempre teve
forneceu a aura de progressismo que o PT tinha perdido. Com isso,
setores do PSOL passaram a flertar novamente com as bases eleitorais e
sociais governistas – seja por acreditarem na leitura do avanço
conservador, seja por mero cálculo político (neste caso, especialmente
por parte de suas figuras públicas parlamentares). Se este segundo caso
revela oportunismo eleitoreiro, o primeiro reveste-se até de maior
gravidade, dos pontos de vista ideológico e estratégico.
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Do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br
Escrito por Marco Antonio Perruso e Viviane Becker Narvaes
O
desenrolar recente da atual crise se caracteriza por dois fatores: seus
vários e por vezes surpreendentes capítulos, tal qual uma novela
melodramática da Globo (com a esquerda a resenhá-los diuturnamente, como
nas revistas que resumem e especulam sobre os próximos capítulos); e
seu caráter ficcional, construindo narrativas que corroborem a
comparação com o golpe de 64.
Em meio à sucessão frenética de fatos, acompanhados por boa parte da
sociedade brasileira (mas não por toda ela), nem sempre uma reflexão
política cuidadosa é realizável. Apesar disso, ela é necessária, sob
pena de ficarmos a reboque dos fatos e, pior, das versões sobre os fatos
– o que parece estar acontecendo, em parte, com a oposição de esquerda
(PSOL, PSTU, PCB, MTST, entre outros), ator político que não está
diretamente envolvido no processo de impeachment de Dilma.
Além disso, o que vivemos em 2016, até agora, torna inevitável o uso
do velho clichê marxista: nossa história está se repetindo como farsa. O
suposto golpe do impeachment de Dilma não passa de um arremedo do golpe
de 64.
Quando somamos tais fatores – reflexões precipitadas, versões
farsescas dos fatos, comparações históricas inadequadas, envolvimento da
oposição de esquerda em conflito de que não faz parte – o resultado não
é favorável aos movimentos autônomos da classe trabalhadora brasileira.
Assim, parte da militância combativa da oposição de esquerda passa a
atuar com os termos e a pauta do discurso – não da prática – lulista.
Voltam as ideias a ficar fora do lugar. E se fortalece uma visão
dualista da política e da sociedade brasileira: governistas e coxinhas
aparentam, com mais força, ser inimigos encarniçados, não o que são de
fato: ex-aliados em crise por conta da bancarrota do lulismo.
Lulismo e populismo
A condução coercitiva de Lula por ordem do juiz Sérgio Moro provocou
significativa comoção política nas hostes governistas, e mesmo para além
delas.