Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 8 de abril de 2017

Luciana Genro: Carta à direção do Psol pelo lançamento já de um candidato à Presidência contra a burguesia e o lulismo.

Sábado, 8 de abril de 2017
Mas não é apenas contra a burguesia tradicional que o PSOL deve se armar. A burocracia corrupta que aceitou ser agente dos interesses burgueses também é inimiga das necessidades do povo.
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Por Luciana Genro
Contra Temer e contra o PSDB, o PSOL precisa afirmar que luta e se postula nas ruas, defendendo a greve geral, mas também nas urnas.

Mas não é apenas contra a burguesia tradicional que o PSOL deve se armar. A burocracia corrupta que aceitou ser agente dos interesses burgueses também é inimiga das necessidades do povo. A liderança de Lula não representa a esquerda – e isso deve ser dito em alto e bom som. Eu estava, assim como minha corrente, preocupada com o risco de o PSOL não lutar também contra essa falsa alternativa. Por isso os camaradas da Direção do MES lançaram uma carta. Como fundadores, era nossa obrigação alertar o partido sobre os riscos de não definir uma candidatura própria. Caso contrário pareceria, como já precipitadamente acusavam alguns, que o PSOL aceitaria fazer o jogo do lulismo. Mas não. O PSOL nasceu contra a traição da cúpula do PT. O fato de o governo Temer ser ilegítimo e de ser o pior governo da história da corrupta democracia brasileira não isenta a liderança de Lula desta responsabilidade. Assim, cabe ao PSOL se apresentar para a disputa em todos os terrenos e também na disputa presidencial.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

As resistências dos movimentos classistas na derrocada do lulismo

Sábado, 11 de fevereiro de 2017
Do Correio da Cidadania
www.correiocidadania.com.br

Por 
*Marco Antonio Perruso e Viviane Narvaes


A movimentada e acirrada conjuntura política nacional do ano que passou não facilita a confecção de um balanço que enfatize as determinações objetivas e subjetivas mais profundas da luta de classes brasileira. Por baixo dos discursos espalhafatosos da maioria dos atores políticos burgueses, escondem-se práticas subterrâneas reveladoras da realidade atual (1).

Talvez o mais revelador evento de 2016, que fechou com “chave de ouro” o ano, tenha sido o imbróglio entre Renan Calheiros e o STF ocorrido em dezembro. Poucas vezes um acontecimento foi tão pedagógico para os trabalhadores como este: a sustentação que Jorge Viana e o PT deram ao coronel alagoano no Senado, de modo a garantir a aprovação da PEC do Mal, expôs o quão central ainda é o papel do partido - que já foi dos trabalhadores - na podridão do sistema político opressor em que sempre vivemos. 

No plano do discurso e da performance política-institucional, o PT votou contra o teto de gastos públicos, mas na prática e nos bastidores comprometeu-se decisivamente com mais este ataque às classes populares. Assim, endossou o suposto golpe que sofreu tanto quanto jogou a favor do conservadorismo e do “fascismo” que aparentemente nos assolam. Mais uma vez, e contrariando o senso comum, PT de um lado, PSDB de outro (com o PMDB variando sua posição conforme as hegemonias temporárias), se mostraram antes complementares que opostos na dinâmica política nacional. Tal diagnóstico corresponde, se observarmos a conceituação de Caio Prado Jr. em “A Revolução Brasileira”, às movimentações reais do “capital burocrático” - que envolve maior intervenção estatal - e do “capital ortodoxo” - que presume a centralidade do mercado – no desenvolvimento capitalista, os quais se sucedem definindo períodos de nossa história. “Estatistas” e “mercadistas”, contudo, são acima de tudo expressão da política burguesa.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Depois da farsa do golpe: perspectivas da esquerda classista na crise brasileira em 2016

Quarta, 18 de maio de 2018
Mas ao contrário do que um senso comum governista tenta fazer crer, não estamos enfrentando uma ascensão conservadora contra o PT. Mas, sim, uma reação conservadora, de que fez e faz parte o PT, contra a movimentação social da juventude e dos trabalhadores, que prosseguem em suas lutas por direitos e tomam impulso ainda maior a partir das Jornadas de Junho de 2013.

A perda da base de sustentação conservadora que o lulismo sempre teve forneceu a aura de progressismo que o PT tinha perdido. Com isso, setores do PSOL passaram a flertar novamente com as bases eleitorais e sociais governistas – seja por acreditarem na leitura do avanço conservador, seja por mero cálculo político (neste caso, especialmente por parte de suas figuras públicas parlamentares). Se este segundo caso revela oportunismo eleitoreiro, o primeiro reveste-se até de maior gravidade, dos pontos de vista ideológico e estratégico. 
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Do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br
Escrito por Marco Antonio Perruso e Viviane Becker Narvaes
O desenrolar recente da atual crise se caracteriza por dois fatores: seus vários e por vezes surpreendentes capítulos, tal qual uma novela melodramática da Globo (com a esquerda a resenhá-los diuturnamente, como nas revistas que resumem e especulam sobre os próximos capítulos); e seu caráter ficcional, construindo narrativas que corroborem a comparação com o golpe de 64.

Em meio à sucessão frenética de fatos, acompanhados por boa parte da sociedade brasileira (mas não por toda ela), nem sempre uma reflexão política cuidadosa é realizável. Apesar disso, ela é necessária, sob pena de ficarmos a reboque dos fatos e, pior, das versões sobre os fatos – o que parece estar acontecendo, em parte, com a oposição de esquerda (PSOL, PSTU, PCB, MTST, entre outros), ator político que não está diretamente envolvido no processo de impeachment de Dilma.

Além disso, o que vivemos em 2016, até agora, torna inevitável o uso do velho clichê marxista: nossa história está se repetindo como farsa. O suposto golpe do impeachment de Dilma não passa de um arremedo do golpe de 64.

Quando somamos tais fatores – reflexões precipitadas, versões farsescas dos fatos, comparações históricas inadequadas, envolvimento da oposição de esquerda em conflito de que não faz parte – o resultado não é favorável aos movimentos autônomos da classe trabalhadora brasileira. Assim, parte da militância combativa da oposição de esquerda passa a atuar com os termos e a pauta do discurso – não da prática – lulista. Voltam as ideias a ficar fora do lugar. E se fortalece uma visão dualista da política e da sociedade brasileira: governistas e coxinhas aparentam, com mais força, ser inimigos encarniçados, não o que são de fato: ex-aliados em crise por conta da bancarrota do lulismo.

Lulismo e populismo

A condução coercitiva de Lula por ordem do juiz Sérgio Moro provocou significativa comoção política nas hostes governistas, e mesmo para além delas.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Como superar os males do lulismo

Segunda, 7 de março de 2016
Do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br/
Escrito por Hamilton Octavio de Souza*

As várias forças políticas que comungam os ideais da esquerda, no Brasil, precisam urgentemente reconstruir os seus instrumentos de luta na sociedade com análises, propostas e ações qualificadas para superar os danos gerais causados pelo lulismo, que é responsável não apenas pela descaracterização ideológica do Partido dos Trabalhadores, mas fundamentalmente pela rendição, domesticação e desarticulação das principais entidades e movimentos sociais populares construídos pelas classes trabalhadoras nas lutas de 1970, 1980 e 1990. Naquelas décadas nasceram a CUT, MST, MNU, CMP, Grito dos Excluídos, inúmeros movimentos de luta por moradia, centenas de organizações voltadas para a defesa dos direitos humanos, das mulheres, dos negros, da juventude e do movimento LGBT.

Com essas ferramentas, a força espetacular do povo deu as caras na Assembleia Constituinte que aprovou a Constituição de 1988; deu as caras na campanha eleitoral de Luiza Erundina, em São Paulo, em 1988; deu as caras na campanha eleitoral de Lula, em 1989; deu as caras no impeachment de Collor em 1992; deu as caras nas grandes manifestações contra as privatizações do governo FHC. Mas, gradativamente, o lulismo tratou de hegemonizar a rebeldia popular e de excluir as correntes de esquerda que atuavam dentro do PT; tratou de sufocar inúmeras lideranças combativas surgidas interna e externamente, até culminar na aliança explícita com o empresariado nas eleições de 2002, tendo como vice o industrial José Alencar.

A trajetória do lulismo é a história de uma liderança popular surgida no meio operário e na ascensão da classe trabalhadora contra o arrocho salarial da ditadura militar, na retomada do sindicalismo combativo; uma liderança impulsionada por setores da Igreja Católica e apoiada por diversos setores da esquerda, apesar da prematura vocação anticomunista e antissocialista; uma liderança transformada em mito por setores politizados e intelectualizados das classes médias e idolatrada pelas massas populares; uma liderança que chegou ao governo federal em aliança com a direita oligárquica tradicional e que, desde então, utiliza todos os tipos de malabarismos para garantir o apoio eleitoral dos mais pobres e dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, assegurar aos grandes grupos econômicos (bancos, agronegócios, empreiteiras) os maiores lucros da história do capitalismo brasileiro.

Loteamento do poder

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Até quando a esquerda vai pagar por erros do lulismo?

Quarta, 10 de fevereiro de 2016
Do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br/
Escrito por Hamilton Octavio de Souza*
É preciso ter bem claro que a fragilização do governo Dilma Rousseff e de lideranças do PT atinge duramente todo o campo da esquerda brasileira, desde os que ainda defendem políticas de alianças com o empresariado, com setores conservadores e com as velhas oligarquias regionais, até os que se encontram na luta contra a direita, contra o neoliberalismo e na oposição ao lulismo desde os anos 1990 e mais recentemente. Todos, sem exceção, estamos pagando muito caro por desvios, erros, rendições e concessões políticas e éticas dos governos petistas e das forças de esquerda que lhes deram sustentação desde a campanha eleitoral de 2002.
O preço está sendo o alijamento da esquerda da vida institucional e do debate nacional nas universidades, na mídia, nos centros de formação política e até mesmo nos movimentos sociais populares e no seio das classes trabalhadoras, inclusive no operariado. Não seremos totalmente banidos, mas estamos com enorme dificuldade de encontrar espaços receptivos e de defender propostas de transformação social sem ter de ficar na explicação defensiva do desastrado caminho adotado pelo PT, que nada tem a ver com o projeto original do partido concebido nas lutas contra a ditadura e no potencial revolucionário dos trabalhadores nos anos 1970 e 1980.