Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Mobilidade: Caminhar em Brasília? Só se for com fé, eu vou

Quinta, 26 de setembro de 2019
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

Na Estação Rodoviária de Brasília os buracos avançam sobre o passeio público. Foto de Uirá Lourenço

No estudo foram avaliadas as condições das calçadas, da sinalização para os pedestres, o conforto e a segurança para quem caminha. Definitivamente, o pedestre parece ter sido esquecido. As condições para circulação de pedestres e cadeirantes nas calçadas, ruas e faixas de travessia na Capital da República são degradantes. Brasília recebeu a nota 6,25. Pelos critérios do estudo, o mínimo aceitável seria 8. Ou seja, Brasília foi reprovada 

Por Chico Sant’Anna

Caetano Veloso, em suas canção “Alegria, Alegria”, recomendava caminhar contra o vento. Já Geraldo Vandré, nos versos de sua icônica “Caminhando e Cantando”, também recomendava caminhar, cantar e seguir a canção. Já Gilberto Gil, apelou ao Além e recomendou “Andar com Fé”. Mas se, como diz o poeta, a fé não costuma falhar, na Brasília das avenidas largas, cada vez mais, caminhar, talvez mesmo, tenha que apelar às bençãos dos céus. Prevalece a leitura de que ela foi projetada para um ser humano dotado de cabeça tronco e rodas. Definitivamente, o pedestre parece ter sido esquecido. As condições para circulação de pedestres e cadeirantes nas calçadas, ruas e faixas de travessia na Capital da República são degradantes. Quem diz isso é o estudo Campanha Calçadas do Brasil 2019, realizado pela Mobilize Brasil, e que atribuiu à cidade nota 6,25. Pelos critérios do estudo, o mínimo aceitável seria 8. Ou seja, Brasília foi reprovada no quesito acessibilidade. E olhe que o levantamento só focou o Plano Piloto, pois se tivesse se expandido paras cidades satélites a situação seria bem pior.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Por uma Mobilidade Urbana padrão europeu no DF

Quinta, 27 de setembro de 2018
Do Blog Brasília, por Chico Sant’Anna

A implantação de duas linhas de VLT, duas linhas de trens regionais e a expansão de uma linha do BRT em Brasília sairia por aproximadamente R$ 6,88 bilhões, 34% a menos em relação aos R$ 10,4 bilhões gastos na construção dos 16 quilômetros da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016.

Por Chico Sant’Anna
Em tempos eleitorais, volta à baila o debate sobre mobilidade urbana, transporte público. Mas passa governo sai governo e as coisas, literalmente não andam. E o que é pior: desde o governo Arruda, em 2009, a má gestão administrativa dos governantes que estiveram no Buriti fez a cidade perder cerca de R$1,2 bilhão que seriam empregados na ampliação do metrô e da implantação do VLT. Na verdade, esses dois serviços, segundo as previsões iniciais, já deveriam estar em pleno funcionamento nos dias de hoje.

O Distrito Federal poderia ter hoje outro padrão de qualidade de vida, caso os projetos de mobilidade urbana tivessem sido implantados. Certamente, o título da terceira cidade da América do Sul mais engarrafada não teria sido entregue à Brasília. As pessoas ficariam menos tempo presas ao trânsito, ou enlatadas em desconfortáveis ônibus.

Um estudo acadêmico realizado pelo arquiteto e urbanista Matheus Augusto de Oliveira e Carvalho, sobre uma hipotética situação em que Brasília sediaria as Olimpíadas de 2032, demonstra no capitulo sobre mobilidade urbana, como a Capital Federal poderia ter um padrão Europeu de transporte Público.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Nessa quinta (27/9), candidatos ao Buriti debatem mobilidade, bora lá?

Terça, 25 de setembro de 2018
Rodas da Paz

Será que com algum desses candidatos Brasília vai andar melhor?


Evento ocorre nesta quinta feira, no espaço Brasília Criativa. Entrada gratuita.
 
Data: 27/09/2018, 19h

Local: BSB Criativa - Venância 2000, 1º piso

Veja aqui análise sobre os programas de governo de cada candidatura sobre mobilidade, feita pelo Movimento Nossa Brasília.

Em pauta: Trevo de Triagem Norte, reajustes na tarifa dos transporte coletivo, limites de velocidade, acessibilidade.

Com frota de 1,7 milhões de veículos motorizados e um transporte coletivo conhecido pela má avaliação popular, Brasília enfrenta os desafios de reduzir a dependência do automóvel, reduzir a poluição, tirar a população dos congestionamentos e aumentar a adesão aos meios de transporte sustentáveis. Para saber o que pretendem fazer a partir do Governo para evitar a saturação das vias, movimentos e especialistas ligados a questão do transporte no DF promovem debate nesta quinta com os candidatos ao Buriti. Há confirmação de presença de 7 postulantes ao Buriti.



sábado, 25 de agosto de 2018

Mesmo planejada, Brasília convive com congestionamentos no trânsito

Sábado, 25 de agosto de 2018

Mais de 40% dos deslocamentos são feitos de carros

Por Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil 

Cidade planejada, reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade e símbolo da arquitetura modernista no país, Brasília tornou-se polo atrativo de uma região que cresceu de forma desordenada ao longo dos últimos 58 anos. Com um traçado urbano baseado nos deslocamentos em largos eixos rodoviários livres de semáforos, a capital federal já vive, como demonstram os números, congestionamentos de tráfego que impõem dificuldades para os moradores e desafios aos governantes.

Dados do Observatório Territorial, da Secretaria de Gestão do Território e Habitação, apontam que 41,4% dos deslocamentos para o trabalho são feitos de carro, contra 38% de ônibus e 10% a pé. O metrô, uma opção em uma cidade plana como é a capital federal, responde por apenas 2,6% das viagens de ida e volta para o trabalho.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Herança maldita: Ruas e calçadas esperam novo governo para reparos

Segunda, 6 de agosto de 2018
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna
Por onde o brasiliense passa, a pé ou de carro, as vias e passeios públicos estão esburacados, ondulados, perigosos para o trânsito e para os pedestres.
Como neste flagrante da Rodoviária, vias e calçadas guardam armadilhas para os brasiliense. Foto de Uirá lourenço
Por Chico Sant’Anna 
A campanha eleitoral oficial ainda nem teve seu calendário aberto e já tem candidato ao GDF assustado com a herança maldita que vai receber. Não é só a área da Saúde Educação e Segurança que assustam.
Mobilidade Urbana é outro fantasma que assombram os buritizáveis. Além da ineficiência do sistema atual baseada, quase que exclusivamente em ônibus e carro particular – o metrô está longe de responder por uma parcela majoritária dos deslocamentos – há a questão das vias públicas cada vez mais esburacadas com o intenso trânsito de veículos.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Pré candidato ao Senado, Chico Sant’Anna fala sobre a qualidade de vida no DF

Segunda, 23 de abril de 2018
Do Site 61 Brasília

Por Catarina Barroso
61 Brasília entrevistou o jornalista Chico Sant’Anna, que já disputou eleições em 2010 e 2014 e, atualmente, é pré candidato do Psol para o Senado Federal. Chico Sant’Anna avalia as necessidades da população do DF e fala das áreas onde deseja atuar para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

61 Brasília (61): Como jornalista qual sua avaliação do atual cenário político do DF?
Chico Sant’Anna (CS): A realidade social candanga é grave. Chegamos ao nível recorde de 300 mil desempregados e um exército de pessoas que no subemprego vivem de bico. Os equipamentos públicos desabam em qualidade e quantidade de serviços como desabou o viaduto do Eixão.
Nossa realidade não é muito diferente da nacional. Temos um governo que finda seu mandato com elevada rejeição popular e um cenário eleitoral que, na maioria dos casos, é mais do mesmo. Muitos dos candidatos, que ai estão, estiveram no cenário político nos últimos 15, 20 anos e nada resolveram. Mudaram apenas de times ou de camisas, mas continuaram a fazer gols contra. 
Brasília pede novos nomes, novas propostas e principalmente, pessoas que não tragam em seus currículos inquéritos policiais, processos e condenações.

61: Suas proposições são voltadas para qual área de atuação? Por que investir nessas áreas?

CS: Inicialmente, temos que dar um novo foco ao papel dos Senadores. Em nossas visitas, é comum ouvir do cidadão que os parlamentares federais depois de eleitos esquecem-se de Brasília. Ficam de costas para a realidade local. Atravessamos uma crise sem precedentes na área da saúde, da educação, da segurança, do desemprego. O sistema de transporte público é ineficaz e, diante de tudo isso, não vemos a bancada federal tomar iniciativas resolutivas. No máximo ficam de picuinhas uns com os outros. O Senador do DF não pode esquecer que ele representa Brasília e que tem o papel de fiscalizar a ação do Executivo.
Temos compromissos com a preservação de Brasília, sua qualidade de vida – no sentido mais amplo da palavra, o que significa dignidade de vida. Direito à educação e saúde de qualidade, moradia e bem viver. Nossos olhares se voltam também à mobilidade urbana – passou da hora de Brasília ter um sistema eficaz de transporte sobre trilhos, que envolva a expansão do metrô, a implantação do VLT e a transformação da antiga linha da rede ferroviária, em um trem regional que atenda as cidades localizadas ao sul do Distrito Federal, bem como aquelas que se encontram em Goiás no eixo até Luziânia. O racionamento d’água que ora passamos é um alerta de que a preservação do meio ambiente e o crescimento sustentável não podem ser omitidos. Tudo isso, sem esquecer a cultura, enfim, à qualidade de vida dos brasilienses.

61: Como acha que os recursos federais/estaduais poderiam ser investidos de forma a melhorar a vida da população brasiliense?
CS: Este é um grande debate. Brasília recebe uma enormidade de recursos federais, além do orçamento local montado a partir da receita dos impostos (IPTU, IPVA, ICMs, dentre outros), que todos sabem, são bem pesados.
Hoje há uma prevalência de investimentos em obras – o que agrada muito às empreiteiras – e uma redução de investimentos em recursos humanos. Veja na Saúde, no passado, o projeto Saúde em Casa assegurou uma cobertura médica a 70% da população do DF sem ter que investir em nenhum novo prédio. Mas, na época, foram contratados cerca de 4 mil profissionais – médicos, dentistas, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de Saúde – que davam conta do recado. Veio o governo Roriz, em 1999, demitiu todo mundo e quem ficou sem assistência até hoje foi a população.

Temos que dar mais transparência a esses gastos e chamar a população para ajudar a definir as prioridades.
O que o brasiliense quer? Uma linha de BRT ou de metrô? Ampliar as áreas edificáveis ou preservar mais o meio-ambiente? Construir o Mané Garrincha, de quase R$ 2 bilhões, ou criar uma Universidade Pública do DF? Essas e outras são opções que a população deveria opinar. Precisamos adotar mecanismos de democracia direta, como ocorre em várias outras nações, ou mesmo em estados de nações como os Estados Unidos.
O mecanismo do Orçamento Participativo deve voltar a funcionar para que o brasiliense decida as prioridades de gastos desde pequenas obras, até grandes obras estruturantes, como é o caso de uma nova linha do metrô ou uma nova rodovia.

61: A cultura de Brasília está se deteriorando, tem algum projeto em mente para alavancar a cultura do DF?
CS: A Cultura do Distrito Federal está abandonada desde o governo Agnelo e pouco mudou no atual. Os principais espaços culturais estão fechados, esperando reformas que nunca se concluem. O ícone desta decadência é o Teatro Nacional. Mas o abandono da Cultura não está apenas nos prédios e monumentos.
Falta uma política cultural para a cidade. A Cultura, associada ao Turismo, pode ser uma alavanca de desenvolvimento econômico sustentável para o Distrito Federal. Temos aqui expressões artísticas da mais alta qualidade em todos os campos da cultura. Mas falta uma política que viabilize a materialização dessa expressão cultural. Aqui, como vimos no recente aniversário de Brasília, prefere-se gastar recursos com artistas de fora do que investir na prata da casa.

Nosso Polo de Cinema é uma ficção. Praticamente não viabiliza a produção de nenhum filme. Ao contrário de cidades como Paulínia, em São Paulo, ou Vancouver, no Canadá, que se transformaram em poderosos polos produtores de cinema e tv, aqui falta uma política que incentive a realização de produções.
O Banco Central, por exemplo, guarda um dos maiores acervos de pinturas deste país. A coleção de Portinari lá existente é cobiçada pelos maiores museus do mundo. Por que não se criar em Brasília um Museu para que este acervo do Banco Central seja acessível a todos, atraindo inclusive mais turistas.
Para que mais turistas fiquem em Brasília e passem mais dias na cidade, é preciso criar atrativos de qualidade. Em capitais como Paris e Washington, desprovidas de praias, a Cultura é o elemento de atração e de permanência dos turistas.
Além disso, temos que criar as leis federais necessárias para diminuir o monopólio de São Paulo em receber a maior parcela de voos internacionais. Se for o caso, determinar regras que façam as companhias aéreas descentralizarem as chegadas e partidas de voos, beneficiando não só Brasília, mais também outros portões internacionais de entrada. Assim, será mais fácil e barato para que estrangeiros venham conhecer nossa cidade e deixem aqui seus dólares e euros gerando emprego e renda ao brasiliense.

61: Ainda sobre a mobilidade da capital, quais soluções acha que poderiam melhorar a locomoção dos moradores?
CS: Como dito antes, acreditamos que o modelo sobre ônibus chegou ao seu limite. Somos três milhões de brasilienses e, quase, dois milhões moram nas cidades de Goiás e aqui vem estudar e trabalhar diariamente. Transportar esta população em ônibus onde cabem 150 pessoas é antes de tudo desumano.

É claro que não podemos abandonar as obras rodoviárias feitas pelos governos passados (EPIA, EPTG e, agora, a Saída Norte). Uma vez concluídos esses corredores de mobilidade, temos que focar no transporte sobre trilhos. O rodoviarismo não dá as respostas que Brasília precisa. Em 1996, foi elaborado um plano que previa 3 grandes linhas de metrô. A existente, ainda inacabada – pois seu início seria no fim da Asa Norte, próximo à ponte do Bragueto e término na Expansão de Samambaia e no Setor O da Ceilândia -; a Linha 2, ligando o Gama à Rodoferroviária, via EPIA; e a Linha 3, atravessando transversalmente a maior concentração populacional do DF, que vai da Ceilândia ao Gama, passando por Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas e Riacho Fundo 2. Este projeto precisa ser retomado.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

(In)mobilidade urbana: Brasília, a capital dos engarrafamentos

Sexta, 2 de fevereiro de 2018
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

A ampliação da EPIA Sul, para introdução do BRT, em 2014, já se mostra insuficiente para o fluxo de carros. BRT não conseguiu atrair os motoristas que trafegam em veículos particulares. Foto de Chico Sant’Anna.

MEm 2017, o brasiliense gastou, em média, 20% a mais do seu tempo retido em engarrafamentos. O trânsito de Brasília reteve os motoristas por 97 horas no ano além do necessário. É como se o brasiliense tivesse ficado quatro dias preso dentro de seu veículo.
Por Chico Sant’Anna
Concebida com grandes ruas e avenidas, Brasília – quem diria? -, entupiu suas artérias aos 58 anos de idade e hoje é a décima cidade sul-americana mais engarrafada, segundo a empresa de gestão de GPS TomTom, que monitora o fluxo de trânsito no mundo inteiro. Por meio da pesquisa TomTom Traffic Index, ela mede engarrafamentos em 390 cidades de 48 países. Ela mensura o que  chama de “tempo extra de viagem”. As campeãs de engarrafamento na América do Sul são, pela ordem, Rio de Janeiro, Santiago, no Chile; e Buenos Aires, na Argentina.
A pesquisa afere apenas o tempo em transporte individual. Outros modais não são contabilizados. No caso de Brasília, não são levados em conta os engarrafamentos do Entorno. Isto pode tornar a espera ainda maior. Cinco outras cidades brasileiras estão na lista mais crítica: Salvador, Recife, Fortaleza, São Paulo e Belo Horizonte. Porto Alegre, Brasília e Curitiba – pela ordem -, abrem a relação de cidades que estão com o sinal amarelo aceso.

Leia a íntegra em:
https://chicosantanna.wordpress.com/2018/02/02/inmobilidade-urbana-brasilia-a-capital-dos-engarrafamentos/ 

sábado, 27 de janeiro de 2018

Mobilidade: A difícil tarefa de andar de ônibus em Brasília

Sábado, 27 de janeiro de 2018
Uma viagem (de ônibus) a Santa Maria

Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna











Texto e fotos por Raíssa Abreu*
Assim que soube que haveria um debate sobre transporte público no DF em Santa Maria, promovido pelo portal Congresso em Foco, imaginei que parte da discussão seria sobre como os participantes haviam chegado lá… Nos meus 13 anos de Brasília, nunca havia ido a Santa Maria. No caminho, resolvi que registraria a experiência. Esse é o meu caderno de viagem.
Sábado, 20 de janeiro de 2018
11h05 – Saí do Paranoá, onde moro, no ônibus 764.2, em direção à Rodoviária do Plano Piloto. Ônibus tranquilo, até deu pra sentar, coisa que, durante a semana, não acontece quase nunca.
11h30 – Na Rodoviária do Plano, os fiscais me confirmaram que existia um BRT que ia direto para Santa Maria. Fui até a plataforma dos BRTs e vi que só poderia embarcar com o cartão Brasília + Cidadã, aquele do bilhete único, o verdinho. O meu estava sem crédito…

Aliás, uma das maiores reclamações dos moradores de Santa Maria, como fiquei sabendo logo em seguida, é a dificuldade para recarregar o cartão cidadão fora do Plano Piloto. Inclusive, aumentar o número de postos de venda de créditos foi uma das sugestões encaminhadas ao GDF.