“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 17 de março de 2011

Recurso milionário para blog de cantora expõe precariedades da Lei Rouanet

Quinta, 17 de março de 2011
Da Radioagência NP
 A autorização do Ministério da Cultura concedida à cantora Maria Bethânia para a captação de recursos destinados à criação de um blog gerou uma série de manifestações contrárias. Amparada pela Lei Rouanet, a artista poderá buscar patrocínio de até R$ 1,3 milhão para financiar o projeto "O Mundo Precisa de Poesia", que prevê a produção de diária de um vídeo com músicas interpretadas pela artista.

A Lei Rouanet autoriza a captação recursos financeiros para a promoção de iniciativas culturais. As empresas ou pessoas físicas que patrocinam os projetos conseguem vantagem financeira com o desconto no imposto de renda. O diretor da Cooperativa Paulista de Teatro, Ney Piancentini, cobra mais transparência no processo. Ele lembra que renúncia fiscal é dinheiro público.

“O deslocamento de uma visão de mercado para uma visão de cidadania na área da cultura consiste em abrir um edital e o país inteiro concorre. As comissões julgadoras formadas pelo governo e pelas entidades representativas, pela sociedade e pela Academia vão julgar quem merece naquele momento aquele recurso e o governo tem que acompanhar se aquele recurso está sendo usado ou não.”

Ney defende a aprovação do Procultura (Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura) pelo Congresso Nacional. O projeto prevê, entre outras alterações na Lei Rouanet, a substituição da renúncia fiscal pela criação de um fundo público destinado a financiar artistas, produções e espetáculos.

“A ideia é que a abertura seja maior porque a Maria Bethânia pode conseguir captar. Agora o pessoal da cultura popular de uma região do interior do Brasil pode até conseguir autorização, mas quem vai conseguir patrocinar? É o fundo público que garante o acesso a quem não tem uma visibilidade de um artista célebre.”

O Procultura foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara no final de 2010 e aguarda votação no Plenário.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Radioagência NP: Embrapa impede pesquisadores de expor riscos do novo Código Florestal

Terça, 1 de março de 2011

Da Radioagência NP
Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foram impedidos de participar de um seminário que debateu o Código Florestal na última terça-feira (22), na Câmara dos Deputados, em Brasília. A denúncia foi feita pelo jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com a matéria, os pesquisadores apresentariam trechos de um relatório produzido por um grupo de trabalho científico, do qual a Embrapa faz parte, sobre impactos na agricultura relativos à alteração do Código. Um dia antes da atividade, porém, os cientistas teriam recebido ordens de seus dirigentes para que não falassem.

Entre as principais conclusões do trabalho dos técnicos da Embrapa, está um estudo que mostra que a ausência de insetos polinizadores provoca queda de produtividade de 40% a 100% em oito culturas. Se a vegetação nativa for reduzida no país,  os insetos também desaparecerão.

Nesta segunda-feira (28), o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Vicente Almeida, enviou uma carta ao ministro da Agricultura, Wagner Rossi, solicitando audiência para questionar o impedimento à livre manifestação científica dos pesquisadores da Embrapa, que ajudaram a elaborar o relatório.

Segundo o órgão, não houve veto, apenas uma "orientação" para que os cientistas evitassem falar "em nome da Embrapa" sobre o tema, já que oficialmente a empresa não tem ainda opinião sobre o assunto. Para Almeida, no entanto, o argumento “esconde a intenção do órgão em impedir que seus pesquisadores divulguem resultados de estudos que não corroboram a proposta defendida pela bancada ruralista”.

Ainda segundo ele, “a sociedade tem direito a informação científica isenta de interesses políticos, econômicos ou quaisquer outros que não sejam compatíveis com esse direito”.

De Brasília, da Radiagência NP, Sofia Prestes.
01/03/11