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Por refletir uma apreensão e um temor dominantes em nossos tempos, volta à ordem do dia a discussão em torno da iminência de um golpe de Estado. Questão muito viva em toda a história republicana, angustiante nos anos 50/60 de século passado, é retomada pela crônica política mais acentuadamente a partir de 2016; é o espectro que assombra grande parte dos que se dedicam a interpretar o bolsonarismo. Principalmente porque a iminência de golpe de Estado, entre nós, está sempre associada a intervenção militar e rupturas constitucionais.
É o que todos temem.
Não há modelo canônico de golpe de Estado. A literatura clássica registra as mais variegadas formas, desde o golpe de César (49 a.C.) ceifando a república romana, ao golpe de Cromwell, ferindo de morte a monarquia inglesa e implantado uma ditadura republicana. Aos que desejarem ir muito a fundo basta reler Marx, de especial seu 18 brumário, ou o O Príncipe de Maquiavel. Ou, ainda, para quem gosta de associar história e beleza, deleitar-se com Shakespeare e suas tragédias.

