Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

GDF não chegou a tanto quanto os Correios, mas contrata sem licitação. Cinismo ou esperteza? Ou os dois?

Sexta, 30 de dezembro de 2016
Alguns anos atrás diretores dos Correios chegaram a ser condenados pelo TCU —Tribunal de Contas da União— por terem contratado, sem a licitação obrigatória, a confecção de medalhas de ouro em comemoração aos 300 ANOS da empresa. As medalhas foram distribuídas a algumas personalidades ‘bem-queridas’ do governo que, na época, era o plantonista da Presidência da República.

Os diretores e os Correios alegaram ao TCU que não foi possível realizar uma licitação para que se pudesse selecionar uma proposta vantajosa, isto por questões de urgência, o que afastou o processo de concorrência, o que seria necessário, uma vez que o valor foi absurdamente alto.

Na época, foi pura esperteza e cinismo dos responsáveis pelas medalhas sem concorrência. Isso chegou a ser assinalado pelo Tribunal. Ora, registrou aquela corte de contas, que a empresa teve 300 ANOS para se programar para as solenidades e festejos dos TRÊS SÉCULOS de existência.

E o que tem a ver essa historinha lembrada acima e o caso do GDF? Uma diferença de alguns séculos e mais um monte de anos, é verdade

Mas mesmo assim, lá (no caso dos Correios) como cá na situação do governo de Brasília, cinismo há. Ou tudo aparenta que há. Esperteza? Também.

O GDF publicou no Diário Oficial do DF de ontem (29/12) —deste nefasto ano que termina— um contrato “emergencial” com dispensa de concorrência para serviços de vigilância em instalações do Executivo. Terá, se não for anulado (pois o TCDF está de olho), a vigência de seis meses e custará ao contribuinte a bagatela de R$32 milhões, mais 728 mil reais e ainda mais 758 reais e mais alguns quebradinhos. Essa grana toda será paga à empresa Multiserv Segurança e Vigilância Patrimonial.

Amanhã (31/12), último dia do ano, vencerá um contrato com a mesma empresa.

O governo Rollemberg está ultrapassando agora os 730 dias de reinado, dois anos. Como o chefe do Executivo, quando ainda em campanha afirmava dia sim e outro também que o GDF vivia um caos, e tudo seria resolvido por um novo tipo de gestão, temos que acreditar que ele não tinha o direito de desconhecer, depois de tanto tempo à frente do governo, aspectos como esse da vigilância. Como também, por exemplo, frise-se aqui, os contratos temporários de médicos que venceriam ainda nos dois primeiros anos de sua gestão (ou congestão?).

De repente, não mais do que de repente, parece que o governo do DF descobriu que o contrato de vigilância iria expirar no dia 31. E por isso, correu atrás do prejuízo, pois do lucro, ou superávit, certamente não foi. E aí...tchan tchan tchan! Realizou um processo prejudicial ao contribuinte. Para tentar justificar o injustificável (lembre do caso dos Correios, acima citado) o GDF alega que se baseou na lei 8.666/1993, a Leia das Licitações, no ponto que autoriza a dispensa de concorrência pública em caso de urgência de atendimento de situações emergenciais ou calamitosas.

Vejamos o que diz o dispositivo da lei que o GDF, no contrato publicado no DODF de ontem, alegou como razão para a dispensa de licitação.


Lei nº 8.666 de 21 de Junho de 1993
Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências.
Art. 24. É dispensável a licitação:
....................
....................
....................
IV - nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a prorrogação dos respectivos contratos;


Concluindo, diante de tudo acima colocado: Cinismo! Esperteza!

Ou não?

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O vigilante vigiado

Quarta, 7 de agosto de 2013
Do Blog do Mino
O Conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), Renato Rainha, acolheu denúncia contra a autoridade parlamentar, deputado distrital, Chico Vigilante. A denúncia partiu da União de Proprietários de Trailers Quiosques e similares do Distrito Federal (UNITRAILERS). “Os documentos indicam a utilização de verba indenizatória da Câmara Distrital para custear despesas que não se amoldam aos interesses públicos e afronta o princípio da moralidade e da impessoalidade”, diz o parecer do conselheiro relator.

A Câmara Distrital deve abrir um processo para punir o parlamentar e colocar Vigilante lado a lado com outros que tramitam na casa. O ex-procurador da Câmara Distrital, Sidraque Anacleto, foi demitido após emitir parecer favorável a cassação de quatro deputados, retratando a situação de descaso da base aliada ao governador Agnelo Queiroz.
 
O sempre vigilante desta vez está sendo vigiado pelo Tribunal de Contas e se dependesse do Conselheiro Renato Rainha, a autoridade parlamentar estaria com o pescoço na forca.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Essa briga vai longe

Sexta, 24 de fevereiro de 2012
Aos 26 minutos de hoje (24/2) a revista eletrônica Quid Novi postou “Os segredos do Guardião”. O deputado distrital Chico Vigilante (PT) não gostou e revidou com uma nota pública, informando que pediu providências ao secretário de Segurança do DF para apurar “a violação criminosa” do seu celular e também do aparelho do coronel Leão, chefe da Casa Militar de Agnelo.

Em sua nota, Vigilante afirmou: “sempre ouvi falar de um bando criminoso que atua na clandestinidade no Distrito Federal para atacar pessoas públicas e acabarem com suas honras.”

Mino Pedrosa, do Quid Novi, por sua vez, deu o troco. Postou às 17h20 o editorial “Em resposta a Clandestinidade”, desancando o deputado Vigilante.

Abaixo você pode ler a resposta de Mino Pedrosa e também a nota do distrital Vigilante. Uma coisa é certa, essa briga vai longe.
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Mino Pedrosa

EDITORIAL: EM RESPOSTA A CLANDESTINIDADE
24/02/201217:50
  

Em resposta a nota divulgada pela autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante em que o jornalista Mino Pedrosa é acusado de violar sigilo telefônico dos números 9983-8776 e o 9944 3199, ambos com o DDD 61, e participar de grupos criminosos  a Revista Eletrônica Quidnovi  publica o Editorial:

Com relação ao sigilo telefônico supostamente violado,  o jornalista Mino Pedrosa faz a autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante lembrar dos momentos em que fez parte do grupo de oposição às mazelas do governo Joaquim Roriz, onde ele, a autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante,  era responsável pela coleta de documentos , fiscal e bancário, estes sim sigilosos  e violados, usando a maquina sindical do Partido dos Trabalhadores (PT).  Ali foram praticados vários crimes de quebra de sigilo pela  autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante .

Naquela época, o jornalista Mino Pedrosa tinha, como sempre, o compromisso de publicar as notícias. Quanto aos documentos eram fornecidos pela fonte, hoje a autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante.

No entanto, o que foi publicado na Revista Eletrônica Quidnovi nesta quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012, trata se de informações precisas de possíveis crimes praticados por este parlamentar que agora mostra sua face tentando pregar o autoritarismo e a força policial dos quais foi vitima por muitos anos. Foram varias as noites em que Mercadante, Sigmaringa Seixas, Bisol e essa autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante compartilharam nas apurações, aplicadas com seriedade e profissionalismo pelo jornalista Mino Pedrosa. É de se estranhar o comportamento atual da autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante.

Recentemente a Revista Eletrônica Quidnovi publicou matéria sobre o comportamento covarde da autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante ao espancar uma mulher. É deputado, deve ser difícil de atirador virar presa abatida. Um ditado antigo diz: “Diga-me com quem andas, que te direi quem és.”

É preciso dignidade para reconhecer o tamanho exato de cada um no papel que exerce. O ônus da prova cabe a quem acusa. Ao procurar o secretario de Segurança Pública do Distrito Federal Sandro Avelar e pedir investigação e punição para os responsáveis pela informação publicada na Revista Quidnovi é preciso que seja colocado à disposição o sigilo telefônico. Se isso for possível, será constatada mais uma inverdade proferida pela  autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante que garantiu falar com o coronel Leão várias vezes ao dia. A informação que chegou a Revista Quidnovi é  que em 30 dias a autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante falou apenas  duas vezes e exatamente  na data de 08/11/2011, para tratar do caso Daniel Tavares, ex- funcionário do Laboratório União Química,  que acusou o governador Agnelo Queiroz de ter recebido propina quando estava à frente da Anvisa.

A informação publicada pela Revista Quidnovi foi  o diálogo entre a autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante e coronel Leão no dia 08/11/2011. Para facilitar as investigações, a autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante pode entregar o seu sigilo telefônico e o do coronel Leão para juntar aos documentos que estão no inquérito da Polícia Federal e encerrar toda esta questão. PT saudações.

Leia abaixo a nota oficial da autoridade parlamentar deputado distrital Chico Vigilante:

"Venho a público informar que acabo de falar com o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, sobre um fato que considero gravíssimo, a violação criminosa do meu telefone e do coronel Leão, chefe da Casa Militar do DF, publicado no site QuidNovi do jornalista Mino Pedrosa.

Eu exigi da Secretaria uma tomada de medida imediata para investigar quem está pro trás de tamanho descalabro, que não tem outra denominação apropriada que não seja ato criminoso. Já encaminhei ofício para tornar oficial a solicitação de abertura de inquérito para apurar os atos criminosos.

Eu falo com o coronel Leão diversas vezes por dia bem como com o chefe de gabinete do governador do DF, Cláudio Monteiro, com o próprio governador Agnelo Queiroz. Está clara a tentativa de forjar uma situação que não existe quando trazerem a público apenas uma das conversas entre as milhares que tive com o coronel com o claro intento de me envolver em uma situação de denuncismo barato.

Brasília não pode ficar refém de criminosos que violam como querem e a hora que convém o telefone de autoridades, de pessoas públicas para usarem em denúncias falsas, fantasiosas. Eu sempre ouvi falar de um bando criminoso que atua na clandestinidade no Distrito Federal para atacar pessoas públicas e acabarem com suas honras.

Brasília não pode ficar refém de um grupo de arapongas. A notícia publicada no tal site prova a existência de um grupo criminoso agindo no apagar das luzes do crime e da má fé e precisa ser investigado, desfeito e punido na forma da lei.

Deputado Chico Vigilante (PT)"

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A mídia avestruz. Ou toupeira

Quarta, 12 de maio de 2010
Incompreensível o que acontece com a nossa mídia, em especial com os jornais. Tem hora que ela, a mídia, arregala os olhos, enxerga bem, explora o assunto corrupção, denuncia falcatruas, desenvolve um bom trabalho de investigação jornalística. Cumpre com a sua missão. Em outros momentos, contudo, tem a visão de uma toupeira ou a esperteza de uma raposa ou, ainda, segue o ditado popular que diz que macaco velho não mete a mão em cumbuca.

É o que parece acontecer no momento com dois assuntos importantes.

1-Um desses assuntos é a gravíssima denúncia feita esta semana por um site jornalístico de que o governo teria violado o sigilo fiscal de alguns generais que têm opinião —certa ou errada, não vem ao caso— contra posições do governo federal. Goste ou não das posições e opiniões desses servidores públicos, um governo não deve, não pode, sem a autorização da Justiça, bisbilhotar o sigilo fiscal deles. Nem deles e nem de qualquer cidadão.

Quanto ao sigilo fiscal que teria sido quebrado por ordem do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, o jornalista Cláudio Humberto, em seu site, vem, solitariamente, abordando o assunto nos último três dias, incluindo esta quarta-feira.

Houve desmentidos do governo de que os sigilos tenham sido violados. O jornalista, por seu lado, apresenta documentos que comprovariam o pedido feito pelo GSI da Presidência da República, bem como documentos da Receita Federal evidenciando o cumprimento da ordem emanada do Palácio.

E a grande imprensa, a grande mídia? Calada. Isso apesar da repercussão que as denúncias tiveram no Congresso Nacional. O que está em jogo no momento não é o sigilo fiscal de quatro ou cinco pessoas, mas sim a ordem jurídica do país, isto se os fatos relatados por Cláudio Humberto forem verdadeiros, o que, aparentemente são. Se os documentos reproduzidos no site forem cópias autênticas, não haveria dúvidas quanto à quebra ilegal do sigilo fiscal.

2-O segundo assunto que não foi tratado nem mesmo pela imprensa do DF, pelo menos até agora, é a nova denúncia do jornalista Edson Sombra, amigo e testemunha de Durval Barbosa. Durval foi quem denunciou a corrupção alvo da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, e que, até o momento, resultou numa prisão temporária de Arruda.

Sombra publicou ontem à tarde (11/5) em seu blog um longo texto. Na postagem algumas figuras da política de Brasília são despidas, colocadas nuas, reveladas. Isso, claro, de acordo com o texto do jornalista.

Critica a postura de Chico Vigilante, ex-distrital, ex-deputado federal, ex-presidente do PT-DF, atual dirigente do partido. Faz carga também contra Agnelo Queiroz, ex-PC do B e que deverá ser o candidato a governador pelo Partido dos Trabalhadores. Sombra escreveu em seu blog: “Não posso esquecer e estarei pronto a revelar os conteúdos das conversas e tratativas com o senhor Agnelo sobre a campanha deste ano que, embora não envolvam dinheiro, revelam que para chegar ao poder, eles fazem acordo até com o diabo, desde que o diabo seja vice.”

O diabo, além de vestir Prada, parece que pelas bandas de Brasília veste outras roupas.

Em determinado trecho de sua postagem no blog ele foi arrasador contra Chico Vigilante que, segundo Durval Barbosa, teria saído uma vez chorando da casa de Sombra. Veja o que escreveu o jornalista:

“Concordo com Chico Vigilante quando ele afirma à imprensa que seria impossível ele ter saído da minha casa chorando, uma vez que corrupção não o comove.”

Outras denúncias contra atuais distritais do PT, e também contra ex-parlamentares, constam no texto de Sombra.

Acredita o Gama Livre que a grande imprensa deveria, com a estrutura que possui, se debruçar sobre as denúncias de Edson Sombra. Explorá-las, investigá-las, confirmá-las ou desmenti-las.

O jornalista Sombra esclarece em seu blog que encaminharia às “autoridades competentes” a íntegra do relato feito no texto.

Precisamos ter a certeza se a mídia está dando uma de avestruz, de toupeira ou de macaco velho. Seja qualquer uma das respostas, seria coisa imperdoável, prejudicial à democracia brasileira.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Edson Sombra: O avestruz e Durval

Terça, 11 de maio de 2010
Deu hoje no Blog do Sombra
O avestruz e Durval
Há aproximadamente 15 anos, conheci o então deputado federal Chico Vigilante (PT). Não apenas ele, mas também políticos como Agnelo Queiroz e militantes petistas como Laércio Alencar. Naquele período, eu havia colaborado com o Ministério Público do DF, mais diretamente com a promotora Alessandra Queiroga, com denúncias que estavam sob meu poder e que deflagraram operações que originaram, posteriormente, a CPI da Grilagem de Terras da CLDF. Recebi o apoio da imprensa, principalmente dos jornalistas Antônio Vital, Fábio Panunzzio e Iain Semple, do Correio Braziliense, e os dois últimos da Band, respectivamente.
Após o término da CPI, fui convidado a trabalhar na Câmara Legislativa com o deputado distrital João de Deus. Foi um momento que, naturalmente, me aproximei dos parlamentares que faziam oposição ao ex-governador Joaquim Roriz, um dos alvos das investigações. O então petista Cristovam Buarque havia assumido o governo do Distrito Federal. A proximidade e o respeito que passei a ter por Vigilante impulsionavam longas conversas, sempre que nos encontrávamos, acerca do meio político, principalmente do DF. Certa vez, ao falar de um dos parlamentares da base de Roriz e da oposição de Cristovam Buarque, Chico Vigilante afirmou: “O PMDB é um partido de bandidos”. No mesmo momento, alertei: “Não se iluda, deputado Chico Vigilante. O PT é um partido igual a qualquer outro. E pelo que sei você é um dos poucos petistas honestos que conheço. Um dia você vai reconhecer isso”.
Fiz essa declaração ao Chico por causa de dois fatos que haviam acontecido comigo. Após a aproximação com o PT, recebi de uma parlamentar da época a missão de ir à Secretaria de Administração do governo Cristovam. O objetivo era que eu conversasse diretamente com o então secretário da pasta e recebesse, pessoalmente, uma incumbência. Ao chegar lá, fui informado que o GDF tinha faturas atrasadas a acertar com empresas prestadoras de serviço e que poderia dar agilidade à liberação dos pagamentos para os empresários que pagassem porcentagem, em dinheiro, referente ao valor total da fatura.
Fiquei impressionado com a naturalidade com que o secretário tratou do assunto e resolvi visitar a empresa por ele indicada para verificar como funcionava o esquema. Ao conversar com o representante da referida empresa, confirmei o que suspeitava: as prestadoras de serviço tinham de pagar até 10% sobre o valor das faturas para que o governo pagasse a dívida atrasada. Isso em pleno governo do PT.
Na época, não cheguei a comentar com Vigilante. Só vim fazê-lo bem depois. Apenas comuniquei e alertei ao deputado João de Deus o que estava acontecendo. Nunca mais voltei ao gabinete do tal secretário, tampouco do empresário que prestava (e ainda presta) serviços ao governo e muito menos falei novamente com a referida parlamentar sobre este assunto. Ao ler este relato, a hoje ex-parlamentar deve lembrar muito bem do ocorrido. Foi a prova que tive que os esquemas de corrupção não são exclusividades de partidos, mas sim de grupos que estão dentro deles. E vale mencionar: não foi a única experiência desse tipo com integrantes do Partido dos Trabalhadores.
Logo após esse episódio, fui procurado novamente pela mesma parlamentar petista, que manifestou interesse em regularizar a situação da Academia de Tênis, tradicional clube da cidade que foi acusado de ter invadido áreas públicas. A idéia da deputada era a seguinte: ela apresentaria o projeto para legalizar a área e eu, como assessor do deputado João de Deus, convenceria o parlamentar a assumir a relatoria da matéria. Em troca, receberíamos uma quantia de R$ 100 mil, dividida igualmente entre nós dois. Por motivos óbvios, a investida da parlamentar não vingou. Tempos depois o tal projeto foi, de fato, apresentado na Câmara Legislativa, mas com um detalhe: o relator foi o então deputado distrital Adão Xavier, que mais tarde trocou o nome para Carlos Xavier. E a autoria do projeto foi da referida parlamentar à época.
Por não concordar com algumas práticas de integrantes do governo Cristovam, dentre elas as que eu acabo de relatar, e por fazer parte da equipe de João de Deus - deputado da base do governo PT -, preferi pedir minha exoneração da função de Diretor Legislativo da Casa a perder a amizade com o parlamentar que naquele período de grandes dificuldades que passei em função das minhas denúncias, foi o único que me ajudou com um emprego. Passei, então, a trabalhar exclusivamente na iniciativa privada. Mas não deixei de atuar nos bastidores da política local.
Tanto que, logo após a cassação do ex-senador Luiz Estevão, denunciei na Câmara Legislativa a venda de uma ata da reunião do Partido dos Trabalhadores por um irmão de um candidato a distrital do PT, hoje ainda deputado pelo mesmo partido, pela quantia de R$ 20 mil. A venda dessa ata de governistas para a oposição da época tinha dois objetivos específicos: prejudicar o projeto de reeleição de Cristovam Buarque e, com o dinheiro arrecadado, turbinar a campanha do irmão do tal negociador, que conseguiu à época ser eleito para a Câmara Legislativa. Vale esclarecer que esses negociadores faziam parte de um grupo contrário ao governo Cristovam, embora fossem do Partido dos Trabalhadores.
Cristovam Buarque realmente perdeu a reeleição em 1998. Roriz retornou ao Buriti e a minha amizade com Chico Vigilante, Agnelo e Laércio Alencar aumentou. O auge desse crescimento foi em 2006, quando Arlete Sampaio, do PT, disputava o Buriti com a então governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB) e José Roberto Arruda (ex-DEM), que venceu a eleição. Foi por meio de Chico Vigilante, por exemplo, que o conteúdo da conversa telefônica entre o doutor Eri Varela e o ex-governador e então candidato ao Senado, Joaquim Roriz, foi colocado no programa político do Partido dos Trabalhadores. No diálogo, Roriz foi enfático ao mencionar que Arruda, Paulo Octávio e Leonardo Prudente montaram uma “quadrilha para assaltar o Estado”. Visava-se com isso fazer com que a campanha chegasse ao segundo turno, o que consequentemente levaria todos a se unirem contra Arruda.
Esse não foi um fato isolado na minha relação com o Chico, nem com o PT. Lembro que coloquei à disposição do partido um depoimento feito ao Ministério Público pelo senhor Alberto, ex-funcionário do escritório político de Arruda, localizado na 502 Sul, para entrar no programa de Tv da campanha do PT ao Buriti. Neste depoimento, o senhor Alberto, que já havia feito a denúncia do esquema da Codeplan ao MP, contava como se fazia o caixa dois na 502 Sul para a campanha do então candidato Arruda. O programa não foi ao ar, segundo o próprio Chico, porque a candidata Arlete Sampaio teria afirmado que se tivesse que ganhar a eleição daquela forma, ela preferia não vencer. O tempo provou que ela estava errada. Tanto que hoje está aí o resultado das investigações de parte dos fatos que estavam contidos naquele depoimento: a Caixa de Pandora.
Ainda em 2006, tive - para minha surpresa -, no edifício Liberty Mall, um encontro com um parlamentar do PT que, junto com integrantes do PMDB e do PSDB, visava cooptar a então também candidata ao governo do DF, Maria de Fátima Passos (PSDC). O objetivo era pagar uma quantia em dinheiro à candidata para que ela utilizasse o tempo de televisão para atacar José Roberto Arruda. Só que o grupo do então democrata foi mais eficiente e acabou desarticulando a operação, pagando, segundo me foi relatado, R$ 200 mil para que Fátima Passos não atacasse Arruda durante a campanha, dinheiro este oriundo dos cofres da Codeplan. Isso tudo que estou relatando faz parte de uma história até então não contada. Muitos, talvez, tentem negar. Mas é a pura verdade.
Nos últimos quatro anos, a minha amizade que já havia com o hoje pré-candidato ao governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), cresceu consideravelmente. Não posso deixar de lembrar da época que ele era do PCdoB, e como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, acompanhou a mim e ao então deputado distrital João de Deus para, juntos, defendermos policiais e bombeiros militares que sofriam injustiças e arbitrariedades por parte dos superiores das corporações onde estavam lotados.
Não posso esquecer e estarei pronto a revelar os conteúdos das conversas e tratativas com o senhor Agnelo sobre a campanha deste ano que, embora não envolvam dinheiro, revelam que para chegar ao poder, eles fazem acordo até com o diabo, desde que o diabo seja vice. Isso ocorreu na época que o deputado federal Geraldo Magela queria se cacifar para ser lançado pré-candidato do PT ao governo do Distrito Federal.
Me mantive calado até este exato momento. Mas eu e Agnelo sabemos quais os motivos que o levaram a assistir os vídeos na sala do ex-secretário de Relações Institucionais e pivô da crise do GDF, Durval Barbosa, meu amigo pessoal. Agnelo não deve ter esquecido de nosso encontro na Torteria di Lorenza no Sudoeste, a mesma que foi palco do flagrante da prisão do ex-conselheiro do Metrô, Antonio Bento, que tentava me subornar.
Na presença de um colega de partido, o deputado Chico Leite, de mim e de uma jornalista, Agnelo tentou negar que teria visto os vídeos. É o mesmo Agnelo que, em outra conversa, admitiu receber apoio no passado para sua campanha ao Senado de um importante nome do governo Arruda. É o mesmo Agnelo, inclusive, que ao sair da sala de Durval Barbosa, à porta do elevador do 10º andar, levou consigo dois CDs com áudios que tratam da comercialização de lotes no Pró-DF, programa do GDF de incentivo ao desenvolvimento econômico, e que nada fez a respeito. Dias depois, o próprio Agnelo me devolveu todo o material.
Diversas vezes, por freqüentar a minha casa, falei ao Chico Vigilante para que o PT revisse sua posição e trocasse o nome do seu pré-candidato para as eleições de 2010. Mostrei para ele que já em meados do ano passado havia rumores da citação do ex-ministro dos Esportes na batizada à época Operação Kung-Fu. Só assim, com a mudança do nome de Agnelo para o de uma candidata como Arlete Sampaio, o PT conseguiria derrotar Joaquim Domingos Roriz. Esse mesmo Agnelo é o que no ano passado demonstrava nos bastidores a intenção de ter encontros com o senhor Joaquim Roriz, chegando até a pensar em propor ao mesmo que sua filha, Jaqueline Roriz (PMN), fosse escolhida vice na chapa do PT. Isso porque, naquela época, Arruda seria imbatível na reeleição. Cheguei a tratar sobre esse encontro com pessoas ligadas ao ex-governador Roriz e só não ocorreu porque houve vazamento e foi matéria do Correio Braziliense.
Por diversas vezes, nos últimos dias, eu e Chico Vigilante conversamos – e ele sabe bem disso – sobre algumas pessoas que, filiadas ao PT, hoje ostentam sinais exteriores de riqueza. Parlamentares petistas se encontravam às escondidas com o ex-governador José Roberto Arruda. Autoridades do PT, que embora criticassem a gestão do ex-democrata – tinham cargos indicados no governo. Por diversas vezes, Chico Vigilante dizia: “Você e Durval têm que revelar tudo. Temos que limpar o Distrito Federal dos bandidos que se valem da política para enriquecimento próprio”.
Me entristece muito ter que fazer este relato, tornando público o que a população do Distrito Federal desconhecia até então. Deixo de falar aqui dos episódios ocorridos da quinta-feira ao sábado que culminaram com a eleição indireta do novo governador Rogério Rosso (PMDB), uma vez que o PT não quis fazer o então candidato petista Antonio Ibanez o governador do Distrito Federal. Não fez porque não quis. Se quisesse, teria o feito. E o Chico sabe bem disso.
O PT cobra ética dos demais partidos, mas não se pronunciou até hoje sobre o nome do ex-deputado Chico Floresta (PT) ter aparecido numa lista do Arruda como suposto beneficiário do esquema de corrupção. O PT não cobrou explicações ao senhor Cabo Patrício por ter apresentado um projeto de lei que beneficiava empresas do ex-presidente da Câmara Legislativa e ex-deputado Leonardo Prudente (sem partido). O PT que não cobrou do senhor Benício Tavares (PMDB) os nomes dos 14 deputados que ele revelou na gravação realizada no gabinete de Durval Barbosa e que, segundo o próprio Benício, teriam se beneficiado do dinheiro dos empresários de transporte para aprovarem a famosa Lei do Passe Livre para pessoas com deficiência.
Ao saber na quinta-feira passada que iria me manifestar hoje com relação às declarações dadas por ele e pelo PT aos jornais, às Tvs e aos blogs, quando Durval Barbosa disse que há pecadores no PT, Chico Vigilante me ligou e eu afirmei a ele: “Chico, eu não minto”.  Eu não tenho o hábito de mentir. Quem escolheu a profissão de jornalismo, que lida com informações o tempo todo, passa longe das mentiras. Afirmei isso sobre os fatos relatados por Durval Barbosa à Érika Kokay (PT) que haviam ocorrido em minha casa, e com a ciência dele, como ex-presidente regional do PT, de saber tudo o que foi relatado até agora. E Chico respondeu: “Eu nunca desmenti um jornalista”.
Concordo com Chico Vigilante quando ele afirma à imprensa que seria impossível ele ter saído da minha casa chorando, uma vez que corrupção não o comove. Corrupção nunca comoveu ninguém. O que comove, caro Chico Vigilante, é a decepção que nos causa quando vemos que “companheiros” se igualam àqueles que tanto criticamos, e dela, da corrupção, fazem uso direta ou indiretamente, seja com dinheiro, com cargos no governo, com propina ou simplesmente com um projeto para beneficiar um adversário político. E isso, não podemos negar, nos fez chorar e sentir nojo de estarmos passando por momentos tão difíceis que nós e toda a população do DF testemunhamos.
Quero frisar que não poderia deixar ser taxado de mentiroso em troca de uma imagem já falida do Partido dos Trabalhadores. Além disso, não poderia abandonar uma pessoa que teve a coragem de se incriminar, de se separar dos seus próprios filhos, de se expor e revelar o maior escândalo de corrupção já descoberto no Brasil, que é Durval Barbosa. Não poderia fazer isso em troca de uma amizade com um político, mesmo sendo essa amizade verdadeira e até mesmo mais antiga.
Por esses fatos que expus acima, e com todos os detalhes que estarei pronto para esclarecer nos fóruns cabíveis, estou encaminhando a íntegra deste relato às autoridades competentes. Acredito que a verdade tem um preço. E a amizade também tem. Mas entre a amizade e a verdade, escolho a verdade. E nem que para isso eu seja retirado do hall de amigos de Chico Vigilante. Não tenho opção. Se esse é o preço da verdade, pagarei por ela. Seja política ou juridicamente.
Edson Sombra
Blog do Sombra