“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador Bolsa Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bolsa Família. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Le Monde Diplomatique – A política que tirou o Brasil do Mapa da Fome – e por que o Nordeste é a prova do seu acerto

Quarta, 26 de agosto de 2026

Le Monde Diplomatique — A política que tirou o Brasil do Mapa da Fome — e por que o Nordeste é a prova do seu acerto



Foto: Lyon Sntos/MDS

10 de agosto de 2026

O erro mais comum de quem critica o Bolsa Família é tratá-lo como um simples repasse de dinheiro

Jô Cavalcanti, Tiago Paraiba e Michel Chaves

Poucas políticas públicas brasileiras foram tão estudadas, tão testadas por pesquisadores de diferentes áreas e tão eficazes quanto o Programa Bolsa Família (PBF). Criado em 2004, ele se tornou o maior programa condicionado de transferência de renda do mundo e, ao longo de quase duas décadas, ajudou a tirar o Brasil do Mapa da Fome da ONU, reduziu a pobreza e a extrema pobreza no país em 15% e 25%, respectivamente, entre 2004 e 2019, e diminuiu a insegurança alimentar grave nas residências brasileiras. Ainda assim, poucas políticas carregam tanto preconceito e desinformação. É hora de separar o que os dados mostram do que a opinião pública, muitas vezes por ignorância ou má-fé, insiste em repetir.

Muito mais do que dinheiro: uma rede de proteção social

O erro mais comum de quem critica o Bolsa Família é tratá-lo como um simples repasse de dinheiro. Na prática, o programa nasceu como a porta de entrada para uma estrutura muito maior: o Cadastro Único, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e uma rede de acompanhamento em saúde e educação. Foi essa articulação — e não apenas o valor do benefício — que produziu resultados tão amplos: entre 2006 e 2015, a mortalidade infantil de crianças de zero a cinco anos caiu 16% no país, e pesquisas do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia, mostraram uma redução de 17% na mortalidade de crianças de um a quatro anos entre as famílias beneficiárias, com impacto ainda maior entre crianças nascidas prematuras, filhos de mães pretas e moradores dos municípios mais pobres. O Bolsa Família demonstrou, pela primeira vez de forma tão clara, que a redução da pobreza também produz saúde.

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

600 mil pessoas dependem do Bolsa família no DF

Quinta, 24 de outubro de 2024

Programa federal está desembolsando desde o dia 18 de outubro as parcelas do mês que totalizam R$ 60,820 milhões e garante um valor médio familiar de R$ 686,21 aos contemplados. O valor médio brasiliense é um pouco superior ao da média nacional, R$ 678,46 e isso se deve ao perfil das famílias beneficiadas.

Por Chico Sant’Anna

Na Capital da República, maior renda per capita do Brasil, mais de 600 mil pessoas dependem do bolsa família para sobreviverem. Ao todo, o programa federal beneficia 177 mil famílias no Distrito Federal. Isso revela que, praticamente, um entre cada cinco brasilienses não tem o sustento mínimo necessário para sobreviver. O Distrito Federal é a 22ª Unidade da Federação onde mais famílias são atendidas. São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro lideram a relação de população atendida (confira a tabela abaixo). Os dados são da presidência da República.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

MPF identifica mais de 870 mil beneficiários suspeitos de receber irregularmente o Bolsa Família

Sexta, 11 de novembro de 2016
Do MPF
Pagamentos a perfis suspeitos podem chegar a mais de R$ 3,3 bilhões em três anos
MPF identifica mais de 870 mil beneficiários suspeitos de receber irregularmente o Bolsa Família
Arte: Secom/PGR
O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendações a 4.703 prefeituras para que realizem visitas domiciliares a mais de 870 mil beneficiários do programa Bolsa Família suspeitos de não cumprir os requisitos econômicos estabelecidos pelo governo federal para recebimento do benefício. Segundo o Raio-X Bolsa Família, projeto de iniciativa do MPF, de 2013 a maio de 2016, os pagamentos a perfis suspeitos de irregularidades totalizam mais de R$ 3,3 bilhões. O Raio-X Bolsa Família é uma ação nacional coordenada pelas Câmaras Criminal e de Combate à Corrupção do MPF.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O pai e a mãe dos bancos

Terça, 18 de agosto de 2015
Foto de parte de reportagem do Correio Braziliense desta terça (18/8). Dê um clique sobre a imagem para ampliá-la e ver de quem nossos presidente são mães. Do pobres, não. Dos banqueiros.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Pagamento ao 'Bolsa Banqueiro' de Dilma em 2014 foi 37 vezes maior que o do Bolsa Família

Quinta, 12 de fevereiro de 2015
O Bolsa Família consumiu durante o ano de 2015 o valor de R$26,6 bilhões. Já os banqueiros, uns 'pobretões', levaram 977, 9 bilhões de reais.

E ainda tem gente que acha que temos uma mãe dos pobres, e não uma mãe dos bancos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Bolsa Família, o Bolsa Empresário e o Bolsa Banqueiro

Terça, 16 de dezembro de 2014
Por Aldemario Araujo Castro, mestre em Direito, procurador da Fazenda Nacional, professor da Universidade Católica de Brasília, conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (pela OAB/DF)


                                   
 
                                                            O “Bolsa Família”, considerado o maior programa de transferência de renda com condicionalidades em operação no mundo, ganhou enorme destaque nas eleições presidenciais de 2014. O programa foi alvo de discussão em praticamente todos os aspectos relevantes. Entre outros, foram abordados os seguintes temas, invariavelmente de forma apaixonada ou incisiva: a) quantidade de beneficiários; b) volume de recursos empregados; c) evolução ou crescimento dos beneficiários; d) distribuição geográfica dos beneficiários; e) condicionalidades envolvidas e f) relação entre o programa e os resultados eleitorais.

                                   Segundo o Governo Federal, “o Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o país. O Bolsa Família integra o Plano Brasil Sem Miséria, que tem como foco de atuação os milhões de brasileiros com renda familiar per capita inferior a R$ 77 mensais e está baseado na garantia de renda, inclusão produtiva e no acesso aos serviços públicos./O Bolsa Família possui três eixos principais: a transferência de renda promove o alívio imediato da pobreza; as condicionalidades reforçam o acesso a direitos sociais básicos nas áreas de educação, saúde e assistência social; e as ações e programas complementares objetivam o desenvolvimento das famílias, de modo que os beneficiários consigam superar a situação de vulnerabilidade./Todos os meses, o governo federal deposita uma quantia para as famílias que fazem parte do programa. O saque é feito com cartão magnético, emitido preferencialmente em nome da mulher. O valor repassado depende do tamanho da família, da idade dos seus membros e da sua renda. Há benefícios específicos para famílias com crianças, jovens até 17 anos, gestantes e mães que amamentam./A gestão do programa instituído pela Lei n. 10.836/2004 e regulamentado pelo Decreto n. 5.209/2004, é descentralizada e compartilhada entre a União, estados, Distrito Federal e municípios. Os entes federados trabalham em conjunto para aperfeiçoar, ampliar e fiscalizar a execução” (1).

                                   Praticamente passaram “intocados” no debate eleitoral três outras relevantes fontes de bilionários gastos públicos. Esses dispêndios são caracterizados, inúmeras vezes, como “Bolsa Empresário” e “Bolsa Banqueiro”.

                                  O “Bolsa Empresário” foi construído no âmbito do BNDES. Confira: “Os empréstimos do Tesouro aos bancos públicos, especialmente BNDES, pularam de R$ 14 bilhões para R$ 438 bilhões. Como o Tesouro se endivida a uma taxa muito maior do que vai receber, o subsídio escondido nessa operação já é de R$ 24 bilhões por ano. Esse é o tamanho do “bolsa empresário”, que é equivalente à Bolsa Família. E o BNDES está neste momento pedindo mais empréstimos ao Tesouro” (2). Não custa lembrar a presença “inocente” de grandes beneficiários de empréstimos do BNDES como destacados financiadores de campanhas eleitorais em todos os níveis, notadamente para o cargo de Presidente da República (3).
Fonte: Fenajufe
Continue lendo clicando no link abaixo

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Bolsa Família, o Bolsa Empresário e o Bolsa Banqueiro

Domingo, 14 de dezembro de 2014
Em 2013, gastamos em torno de R$24,5 bilhões com o Bolsa Família; R$24 bilhões com o Bolsa Empresário; R$55 bilhões com o Bolsa Banqueiro — Reserva; e R$712 bilhões com o Bolsa Banqueiro — Serviço da Dívida.


A seguir trechos do excelente artigo 'O Bolsa Família, o Bolsa Empresário e o Bolsa Banqueiro', texto por Aldemário Araujo Castro*
 O “Bolsa Família”, considerado o maior programa de transferência de renda com condicionalidades em operação no mundo, ganhou enorme destaque nas eleições presidenciais de 2014. O programa foi alvo de discussão em praticamente todos os aspectos relevantes. Entre outros, foram abordados os seguintes temas, invariavelmente de forma apaixonada ou incisiva: a) quantidade de beneficiários; b) volume de recursos empregados; c) evolução ou crescimento dos beneficiários; d) distribuição geográfica dos beneficiários; e) condicionalidades envolvidas e f) relação entre o programa e os resultados eleitorais.

Qual a razão para tanto “barulho” em torno do “Bolsa Família”? Acredito que consciente, ou inconscientemente, as classes médias tradicionais reconhecem que são os principais financiadores, pelo caminho da tributação, dos escândalos de corrupção e dos vários mecanismos de transferência de renda para os segmentos mais necessitados (“Bolsa Família”, programas habitacionais, aposentadoria rural, etc). A "conta" deveria ser paga pelas abonadas elites socioeconômicas. Entretanto, esses segmentos privilegiados da sociedade sabem defender seus interesses e o aumento das suas rendas e de suas “bolsas” (de sua "fatia no bolo"). Sobra, literalmente sobra, para as classes médias tradicionais e para o conjunto dos assalariados/consumidores.

Qual, por outro lado, a razão para a ocultação midiática (quase total) das outras “bolsas”? Creio que a grande mídia, com nível de concentração econômica praticamente sem paralelo no mundo, deliberadamente esconde as “bolsas” dos ricos e explora de forma vil a “bolsa” dos pobres. Assim, a iníqua estrutura de mídia em vigor no Brasil contribui, como é sua “missão”, para sustentar uma das sociedades mais desiguais e excludentes do planeta.

Portanto, para além do modelo socioeconômico vigente no Brasil e no mundo, de produção coletiva e apropriação privada de riquezas, com níveis maiores ou menores de selvageria, convivemos com a “captura” de “espaços” públicos e governamentais para garantir os interesses mais mesquinhos de determinados setores dominantes e privilegiados pela via de mecanismos institucionais em várias áreas (economia, tributação, finanças públicas, prestação de serviços públicos, ocupação do espaço urbano, etc) (8). As três últimas “bolsas” aludidas (“empresário” e “banqueiro”, em suas duas modalidades) estão claramente inseridas nesse perverso contexto.

Somente a educação política em larga escala e a mobilização crescente da juventude, dos trabalhadores e das classes populares e médias consequentes poderão construir um ambiente propício ao desmonte dessas aberrações institucionais. A concretização de uma sociedade livre, justa e solidária, preconizada até no texto da Constituição de 1988 (9), não cairá do céu e nem será uma concessão simples e fácil das elites socioeconômicas. Transformações profundas de nossa perversa realidade social serão resultados de muito esforço e muita luta. Nessa caminhada, será preciso arregaçar as mangas e “apurar” os neurônios.
...
*Aldemário Araujo Castro é Mestre em Direito, Procurador da Fazenda Nacional, Professor da Universidade Católica de Brasília e Conselheiro Federal da Ordem dos Advogados do Brasil 

sábado, 13 de setembro de 2014

Entidades defendem fiscalização que apontou distorções nos dados oficiais do Bolsa Família

Sábado, 13 de setembro de 2014
Do Contas Abertas
Dyelle Menezes
Em nota, a Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (ANTC) e a Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP) defendem auditoria do Tribunal de Contas da União que indicou distorções nos dados oficiais do Bolsa Família. O relatório da Corte foi duramente criticado pelo governo federal.

sábado, 17 de maio de 2014

Pobreza da aritmética

Sábado, 17 de maio de 2014
Senador Cristovam Buarque
O Brasil passou a acreditar que 22 milhões de brasileiros teriam saído da pobreza extrema. Este discurso se baseava na ideia de que estas famílias passaram a receber complemento de renda suficiente para ultrapassar a linha de R$ 70 por pessoa por mês. Esta visão aritmética não resiste a uma análise social que efetivamente cuide da pobreza.
Nada indica que uma família sem adequada provisão de escola, saúde, cultura, segurança, moradia, água e esgoto saia da pobreza apenas porque pode comprar aproximadamente oito pães por pessoa a cada dia.

Leia a íntegra do artigo do senador Cristovam Buarque no Blog do Noblat

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fórum afirma que Bolsa Família não reduz o trabalho infantil

Quarta, 10 de outubro de 2012
Do TST
(Mário Correia, Augusto Fontenele e Carmem Feijó / RA – Fotos: Felipe Sampaio)
A coordenadora do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, Isa Maria de Oliveira, afirmou durante o painel "Desafios da erradicação das piores formas de trabalho infantil no Brasil" que o programa de transferência de renda do Governo Federal, o Bolsa Família, "não tem impacto" na redução do trabalho infantil. O Fórum defende uma "correção de percurso", pois, da forma como o programa funciona, não tem sido útil para identificar e retirar as crianças do trabalho.

"O Bolsa Família tem contribuído decididamente para reduzir a pobreza e promovido a educação, com a maior permanência na escola, mas tem ocultado o trabalho infantil", explicou a coordenadora. "Há uma acomodação porque as famílias estão inseridas no programa de transferência de renda por uma situação de pobreza e a criança vai para a escola e continua no trabalho".

Para ela, o enfrentamento do trabalho infantil deve ter como prioridade a educação. "O Bolsa Família é importante, deve ser mantido, mas, no que se refere ao trabalho infantil, já esgotou as suas possibilidades".

Desafios da erradicação do trabalho infantil no Brasil

Com 20 anos de experiência na erradicação do trabalho infantil no Brasil, a auditora-fiscal do trabalho em Natal, Marinalva Dantas, expôs um dantesco cenário da submissão precoce à atividade laboral: como as crianças vivem, sofrem, adoecem, se mutilam e morrem no trabalho. Para a auditora, não basta apenas retirá-las do trabalho, porque elas migram para atividades cada vez mais ocultas.
Os desafios para reverter esse quadro são imensos, a começar pelos discursos equivocados da sociedade que louvam o trabalho infantil como forma preventiva de marginalização. A auditora ressalta que ainda hoje esse discurso é repetido pela família, empregadores, conselheiros tutelares, promotores, procuradores, auditores fiscais do trabalho, jornalistas, juízes e as próprias crianças.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Para começar a Quaresma

Quarta, 9 de março de 2011
 Por Ivan de Carvalho
         Estava eu emergindo à força das exigências carnavalescas, para mim já bem pesadas, com o objetivo de procurar um assunto que pudesse reiniciar a rotina de um repórter de política. Mas para ser lido numa quarta-feira de Cinzas, dia em que os leitores foliões – e são eles uma alta percentagem do total – dividem suas atenções entre a ressaca, as saudades da festa e até, em casos que creio sejam bem mais raros, o arrependimento pelos excessos que podem prejudicar o corpo ou a alma.

            Buscava, assim, assuntos leves, que não acrescentassem severidade ao já severo por natureza início da Quaresma. Li em algum lugar, por exemplo, que a linha 4 do metrô carioca – que, em função das Olimpíadas de 2016, ligará Ipanema, bairro da zona Sul do Rio à Barra, na zona Norte, complicou: a altura dos trens, já comprados, impedirá que passem pelos três túneis do trajeto. O Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, que critica o projeto e seu alto custo, estuda o problema. Não é um “assunto leve”, pelo peso que terá no bolso dos contribuintes, mas é uma curtição.

            Senti uma forte impressão de déjà vu. Já pudemos curtir algo semelhante aqui em Salvador. Lembrei da impressionante capacidade de observação do ex-governador baiano Octávio Mangabeira. Ele garantia: “Pense um absurdo qualquer. Na Bahia tem precedente”. Pois é, ele morreu faz tempo, sua constatação continua atual. Talvez seja imortal.

            Outra pessoa de quem me lembrei, não tão importante quanto Octávio Mangabeira, mas que em compensação ainda não morreu, pelo contrário, está vivíssima, foi o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccareza, do PT paulista. Se aquela história de Rei Momo estivesse ainda dando ibope, o Vaccareza certamente poderia reivindicar, com absoluto êxito, o título e o trono.

Afinal, ele sugeriu que estará bem empregado o dinheiro da Bolsa Família se o chefe da família beneficiária pegar a grana que sai do bolso de quase todos os brasileiros para ajudar os mais pobres entre eles (e são tantos, esses mais pobres do que os numerosíssimos pobres) se for empregado na compra de cachaça. Sustenta o líder do governo que isso ajudaria a economia brasileira, mas, como notou o blog Gama Livre, o potencial do conselho era bem mais o de resultar numa “bebedeira geral neste carnaval”.

Talvez, ao contrário do que na semana passada acreditei haver demonstrado neste espaço, o mal não seja tanto a cachaça, apesar dos seus “efeitos colaterais” pessoais, sociais e econômicos. Afinal, Jesus ensinou que “o mal não é o que entra pela boca do homem, mas o que sai da boca do homem”. Se Ele quisesse individualizar a crítica – o que não era do seu estilo nem da sua natureza – poderia ter dito “da boca do Vaccareza”.

É verdade que o Vaccareza ainda não estava disponível, mas Jesus sabia de coisas futuras, sabia que ele nasceria um dia, seria eleito deputado no Brasil e se tornaria líder do governo Dilma Rousseff, quando daria ao povo “abaixo da linha da pobreza” conselhos sobre como gastar o dinheiro do Bolsa Família comprando cachaça e “ajudar a economia”.
- - - - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado na Tribuna da Bahia desta quarta-feira de cinzas.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Do carnaval e das bebidas


Sexta, 4 de março de 2011
 Por Ivan de Carvalho
 Então governador, Antonio Carlos Magalhães editou decreto instituindo cinco dias de carnaval oficial na Bahia, estabelecendo o maior dos feriadões do país, de sexta a terça-feira. Hoje é o primeiro dia. E como durante o carnaval muito pouca gente se interessa por política, o melhor é evitar o assunto.

    Interessa-se por este assunto apenas um razoável número de políticos. Alguns deles, poucos, supondo que os cargos que exercem, do tipo governador, prefeito, entre outros menos vistosos, praticamente lhes impõe comparecer a camarotes oficiais e até a outros, de famosos. Aí se divertem, alguns, outros não, bebem alguns, outros (raros) não, e cumprem o inalienável dever de acenar para a multidão alucinada pelo som dos trios elétricos.

    A outra categoria dos políticos que comparecem aos camarotes não vai lá para ser vista pelos foliões. Poucos os reconhecem, para sorte e sossego deles, e a maioria nem os conhece, mas para gerar comentários, pequenas notícias na mídia e afrescalhadas especulações do tipo “fulano ficou um tempão no camarote do governador”, ou “cicrano estava de braços e abraços com o prefeito” ou “ele está bombando, o ministro beltrano ficou mais de três horas no camarote dele”. Bem, deixa prá lá. Isso já está virando comentário sobre política e não é a intenção.

    A intenção é falar sobre bebidas, assunto de interesse evidente no primeiro dia do nosso carnaval oficial por decreto. Não tem muito a ver com carnaval o Bolsa Família, mas a cachaça tem, segundo revelação do líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccareza, do PT paulista. A propósito do reajuste do valor do Bolsa Família, disse na terça-feira que o reajuste é positivo mesmo se o dinheiro for usado para comprar cachaça, pois isto será uma forma de “ajudar a economia”.

    Que borracho! Não sei se mais o ministro ou o beneficiário do Bolsa Família que gastar o benefício no malefício da cachaça. Dá ressaca, enjôo, náuseas, bafo de onça, dor de cabeça, úlcera gástrica, cirrose, pancreatite, problemas cardíacos, mata neurônios, multiplica por 30 o risco de câncer na boca e garganta se o borracho for também fumante, além de outros males que, se tentasse citar todos, não caberiam neste espaço. E com isso acarreta altos custos à economia, com ausências ao trabalho e desembolsos do SUS e da Previdência Social.

    Assim, o dinheiro do Bolsa Família, se gasto em cachaça, não “ajuda a economia”. Pode ajudar os plantadores de cana-de-açucar, os donos de alambiques, os comerciantes de bebidas alcoólicas, mas prejudicará a economia em seu conjunto e os que tentarem ajudá-la da maneira ensinada por Vaccareza. Eu até sugiro à presidente Dilma Rousseff que troque imediatamente de líder do governo na Câmara. Dizer besteira não é a única maneira de bajular.

    Quanto ao pessoal que prefere cerveja ou os inocentes refrigerantes, uma pesquisa feita por especialistas americanos e britânicos com 2.500 pessoas e publicada na revista Hypertension afirma que beber mais de 335 ml por dia de bebidas com gás (cerveja e refrigerantes são gaseificados) ou sucos de fruta contendo açúcar é o suficiente para desequilibrar a pressão arterial. As razões ainda são incertas, mas os pesquisadores acreditam que o excesso de açúcar no sangue prejudica o tônus dos vasos sanguíneos e desequilibra os níveis de sal no organismo. A hipertensão é o principal dos fatores de risco para acidentes cardio-vasculares e para acidentes vasculares cerebrais.

    Portanto, e ainda que só por cinco dias (ou seis, ou sete), cuidado com o copo.
- - - - - - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Andou bebendo o quê?

Quarta, 2 de março de 2011
E não é que o Cândido Vaccareza (PT-SP), líder do governo Dilma na Câmara dos Deputados, declarou ser uma boa o dinheiro do Bolsa Família ser gasto em cachaça? Considerou um fato desse “positivo”, e que “ajudaria a economia”. Não é bem o que mostram as pesquisas sobre os malefícios da bebida sobre a força de trabalho, e também nos custos do Estado com saúde.

Parece até que não é o beneficiado com o Bolsa Família que anda bebendo.

Veja a seguir um exemplo, segundo Vacarezza, de dinamização da economia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A culpa é sempre do sistema

Quinta, 6 de janeiro de 2011
Deu na Agência Estado
Antes das eleições, CEF erra e paga Bolsa Família maior

A quantia de R$ 11,153 milhões foi transferida indevidamente para a conta de 82.595 famílias beneficiárias do Bolsa Família, segundo informações da Caixa Econômica Federal (CEF). O repasse ocorreu nos meses de setembro e outubro de 2010 e foi provocado por um erro do sistema do banco. Agora, a Caixa afirma que vai cobrar dos beneficiários os valores repassados a mais, com descontos que começarão a ser feitos a partir de março.

Segundo o superintendente nacional de programas sociais da Caixa, Roberto Barreto, o problema foi identificado no fim de outubro e corrigido em novembro. Ele frisou que não há relação entre a falha do sistema e o período eleitoral. "Foi uma fatalidade, um erro. A Caixa vai buscar o ressarcimento para que a União e a sociedade não sejam prejudicadas", disse.
Leia mais.