De Caros Amigos
Por José Arbex Jr.
“Ouvi
aqui: ‘O Temer está muito frágil, coitadinho, não sabe governar.’ Conversa! Fui
secretário de Segurança Pública duas vezes em São Paulo e tratava com bandidos.
Sei o que fazer no governo e saberei como conduzir”, declarou o presidente
interino Michel Temer, em 24 de maio, ao cumprir os primeiros 12 dias de
governo, logo após a renúncia de Romero Jucá da pasta do Planejamento.
Dando
ênfase às suas palavras, Temer dá um murro na mesa, para mostrar que ele sabe,
mesmo, governar. Estabelece, portanto, uma equiparação, um sinal de igualdade,
uma identidade entre “governar” e “tratar com bandidos”. Nada e ninguém poderia
definir de modo mais preciso e exato o que significa a entrada de Temer no
Planalto. O bando que tomou o palácio, por ele chefiado, não tem um projeto de
País ou, sequer, um plano de governo. Não tem qualquer estratégia endereçada a
satisfazer as demandas de uma sociedade atingida por uma gravíssima crise
econômica, com todas as suas consequências, incluindo a principal, o
desemprego. Não tem nada a oferecer, a não ser mais miséria e repressão: ordem
e progresso, nas palavras do próprio Temer.
