Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 25 de março de 2019

Sem direitos: A mãe de um jovem negro que não teve direito à vida

Segunda, 25 de março de 2019

Da

‘O Estado tirou o direito de ver meu filho crescer’, denuncia Bruna Silva, mãe de Marcus Vinicius, morto aos 14 anos na Maré


“Quero conhecer a democracia e a justiça”, afirma Bruna Silva. Para ela, em todos os dias dos seus 36 anos de vida, sempre foram apenas palavras. Democracia. Justiça. Direitos. Tudo de se ouvir falar. Nada de se viver.
Negra, mulher e favelada, Bruna faz parte da maioria de brasileiros a quem o acesso a algum direito básico sempre foi negado. Nascida em São João de Meriti, viveu a vida toda em uma favela, o Complexo da Maré, um dos maiores da cidade do Rio de Janeiro, na zona norte da capital fluminense. Sua mãe trabalhava de 15 em 15 dias como auxiliar de serviços gerais, a mesma função que Bruna seguiu. Como tinha de trabalhar, só pode estudar até a terceira série do ensino fundamental. Seu marido é assistente de pedreiro e pai dos seus dois filhos, um menino e uma menina. O menino, Marcus Vinícius, é agora motivo de luta.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Intervenção militar não melhorou segurança no Rio, diz estudo

Sexta, 27 de abril de 2018
“Neste momento, a intervenção não tem programa. Utilizaram 40 mil homens para apreender 140 armas. Algo está errado. Nenhuma política de  segurança pode funcionar no Rio sem inteligência."


Do
IHU — Instituto Hunitas Unisinos
Relatório aponta que, nos dois meses de ocupação militar, estado teve mais tiroteios e mais chacinas. Cerca de 40 mil homens foram postos nas ruas, mas apenas 140 armas foram aprendidas.
A reportagem é de João Soares, publicada por Deustche Welle, 26-04-2018.
intervenção federal tem amplo apoio da população, mas, nos dois meses desde seu início, falhou em conter a violência no Rio de Janeiro: houve mais tiroteios e chacinas no estado, segundo revela um relatório independente divulgado nesta quinta-feira (26/04), sob o título À deriva: sem programa, sem resultado, sem rumo.
O título do relatório produzido pelo Observatório da Intervenção sintetiza a análise das instituições que integram a iniciativa criada para monitorar a intervenção. Coordenadora do projeto, a pesquisadora Sílvia Ramos define o que os dados ilustram: “A intervenção não resolveu os problemas da segurança pública do Rio e trouxe outros novos”.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

PSOL entra com Mandado de Segurança para suspender votação da intervenção no Rio; parlamentares de outros partidos também entraram com Mandado de Segurança

Segunda, 19 de fevereiro de 2018
PSOL entra com Mandado de Segurança para suspender votação da intervenção no Rio
Crédito da foto:Vladimir Platonow/Agência Brasil
O Psol
A bancada do PSOL na Câmara protocolou nesta segunda-feira (19) um Mandado de Segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a votação do decreto de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. A sessão de votação na Câmara dos Deputados está prevista para começar às 19h.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Queremos uma intervenção social que traga a vida. Não queremos uma intervenção militar que traga a morte. Nota da Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro

Domingo, 18 de fevereiro de 2018

Queremos uma intervenção social que traga a vida. Não queremos uma intervenção militar que traga a morte.

Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro.

Nota de esclarecimento a população sobre a intervenção militar.

A Federação de Favelas do Rio é uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1963 para lutar contra as remoções do governo Lacerda e a implantação da ditadura militar no Brasil em 1964. Dessa forma, alertamos que essa nova intervenção militar não começou ontem, anteriormente tivemos as UPP’s (unidades de polícia pacificadora), as operações respaldadas sob a GLO ( Garantia da lei e da ordem) e PLC 44/2016 que passa para a justiça militar a responsabilidade de julgar as violações cometidas pelos integrantes das forças armadas em suas intervenções.

Essas mesmas forças intervencionistas estiveram recentemente em missões de paz no Haiti e favela da Maré onde podemos observar que  grande parte das ações foram marcadas por violação de direitos humanos.

Nesse processo vale salientar que os investimentos em militarização superam os investimentos em políticas sociais. A ocupação da Maré custou 1,7 milhões de reais por dia perdurando por 14 meses envolvendo 2500 militares, tanques de guerra, helicópteros, viaturas, sem apresentar resultados efetivos tanto para as comunidades quanto para o país.  Em contra partida nos últimos 6 anos só foram investidos apenas 300 milhões de reais em políticas públicas voltadas para o desenvolvimento social.

Apesar de todo esse aporte financeiro investido na intervenção militar na Maré, podemos observar que essa ação foi totalmente ineficaz, pois lá as facções criminosas ainda lutam pelo controle da região oprimindo os trabalhadores e trabalhadoras que lá vivem.

O que a favela precisa na verdade é de uma intervenção social, que inclusive contaria com a participação das forças armadas. Precisamos de escolas e creches, hospitais, projetos de geração de emprego e renda e políticas sociais voltadas principalmente para juventude. Precisamos de uma intervenção que nos traga a vida e não a morte. O exército é uma tropa treinada para matar e atuar em tempos de guerra. As favelas nunca declararam guerra a ninguém.

A favela nunca foi e nem jamais será uma área hostil. Somos compostos de homens e mulheres trabalhadoras que com muita garra e dignidade lutam pelo pão de cada dia. Somos a força de trabalho que move a cidade e o país. A ocupação de uma parcela das comunidades por marginais ocorre justamente pela ausência do Estado em políticas públicas que possam garantir o desenvolvimento de nossas favelas.

Nos últimos 54 anos a FAFERJ vem lutando por democracia nas favelas do Rio. Lá a ditadura ainda não acabou. Ainda vemos a polícia invadindo residências sem mandados, pessoas sendo presas arbitrariamente ou até mesmo casos de desaparecimento como o caso Amarildo que repercutiu mundialmente.

Para finalizar gostaríamos de reafirmar que as intervenções militares são caras, longas, e ineficazes até mesmo do ponto de vista da segurança pública. Sugerimos que essas tropas sejam movimentadas para patrulharem as fronteiras do Brasil, pois é de conhecimento notório que é de lá que chegam as armas e as drogas que alimentam o comércio varejistas de entorpecentes nas comunidades cariocas. Sugerimos também que se faça uma grande intervenção social nas favelas do Rio de Janeiro. Precisamos apenas de uma oportunidade para provar que somos a solução que o Brasil tanto precisa para se desenvolver e tornar-se um país mais justo para todos e todas.

Favela é potência! Favela é resistência!

Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro.