Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Entregando os dedos para salvar os anéis

Segunda, 23 de fevereiro de 2015

"passarinho que se debruça, o voo já está pronto"

(Guimarães Rosa,"Grande Sertão, Veredas")

Do Correio da Cidadania


Escrito por Leo Lince

Começou mal, muito mal, o segundo mandato Dilma Rousseff. Uma embocadura que prenuncia catástrofes. Resolveu praticar logo no início do governo exatamente o contrário do que predicou na campanha eleitoral. Comparar as primeiras medidas com o discurso da campanha é um exercício que desemboca na mais brutal reversão de expectativa. Daquelas que provocam desgaste igualmente brutal e acelerado. Uma espécie de canto do cisne no dom de iludir. É doloroso, mas inevitável, constatar: a vaca tossiu e pode ir pro brejo.

O desconforto e a apreensão dos prejudicados e a voracidade armada e eufórica dos beneficiários não deixam margem para dúvidas sobre o sentido geral das medidas anunciadas. A escolha do Ministro da Fazenda, entre todos o mais ortodoxo e fiscalista, define os rumos do novo governo. O mundo da alta finança, que já abocanhava quase metade daquela "torta" do nosso orçamento comida pelos juros da dívida, agora vai tomar conta da torta inteira. Os economistas de banco estão com a carta branca, a faca e o queijo, o Tesouro e a tesoura nas mãos. Com isso, abriu-se a temporada dos cortes definidos no protocolo do modelo liberal-periférico.