Segunda, 23
de fevereiro de 2015
"passarinho que se debruça, o
voo já está pronto"
(Guimarães Rosa,"Grande
Sertão, Veredas")
Do Correio da Cidadania
Escrito por Leo Lince
Começou mal, muito mal, o segundo mandato Dilma Rousseff.
Uma embocadura que prenuncia catástrofes. Resolveu praticar logo no início do
governo exatamente o contrário do que predicou na campanha eleitoral. Comparar
as primeiras medidas com o discurso da campanha é um exercício que desemboca na
mais brutal reversão de expectativa. Daquelas que provocam desgaste igualmente
brutal e acelerado. Uma espécie de canto do cisne no dom de iludir. É doloroso,
mas inevitável, constatar: a vaca tossiu e pode ir pro brejo.
O desconforto e a apreensão dos prejudicados e a voracidade
armada e eufórica dos beneficiários não deixam margem para dúvidas sobre o
sentido geral das medidas anunciadas. A escolha do Ministro da Fazenda, entre
todos o mais ortodoxo e fiscalista, define os rumos do novo governo. O mundo da
alta finança, que já abocanhava quase metade daquela "torta" do nosso
orçamento comida pelos juros da dívida, agora vai tomar conta da torta inteira.
Os economistas de banco estão com a carta branca, a faca e o queijo, o Tesouro
e a tesoura nas mãos. Com isso, abriu-se a temporada dos cortes definidos no
protocolo do modelo liberal-periférico.