“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A espada

Segunda, 1 de fevereiro de 2010
Tudo pode acontecer nas eleições para o governo de Brasília. Uma candidatura posta, e forte, muito forte, pode desaparecer como em um passe de mágica. Tudo virar água, ou pior, virar outra coisa, como a que diz a música de Rita Lee. É que paira sobre a cabeça dessa candidatura a espada afiada de Durval Barbosa. Ele teria gravações de uma hora e meia de conversas com o político. Gravações que, segundo alguns, podem explodir na mídia num futuro não tão distante, vez que o processo das eleições para governador começa para valer logo, logo.

PAC-Woman ameaça Serra

Segunda, 1 de fevereiro de 2010  
Por Ivan de Carvalho
Uma pesquisa Vox Populi encomendada pela Rede Bandeirantes e divulgada no fim da semana passada indica um crescimento, agora rápido, da candidata governista a presidente da República, a petista Dilma Rousseff. O candidato tucano José Serra se manteve na dianteira, mas caindo de 39 para 34 por cento das intenções de voto em relação à pesquisa anterior do mesmo instituto. Já a PAC-Woman (Lula talvez preferisse PAC-Mother, mas eu não tenho nada com as preferências dele em vários campos) está com 27 por cento, nove pontos percentuais a mais que na pesquisa anterior do Vox Populi, quando obteve 18 por cento.

Desde a pesquisa anterior, divulgada em dezembro, Dilma cresceu nove pontos e Serra perdeu cinco. O resultado é dramático para o tucano, que muito provavelmente por conta dessa tendência da conjuntura – da qual terá recebido sinais nas últimas semanas – está saindo de sua estratégia de retranca, formalmente concentrada em governar São Paulo, para mostrar-se mais ao eleitorado como aspirante à Presidência. Pois Dilma não tem feito outra coisa, levada a tiracolo pelo presidente Lula, que está arrastando-a a qualquer evento oficial que se apresente, por mais desimportante que seja. Só está faltando mesmo o governo promover é batizado de boneca para aumentar as oportunidades de comícios apelidados de atos públicos oficiais.

O governador José Serra é o principal candidato da oposição. (Mas vale ressalvar que não é o único, pois ainda temos, pelo menos, Marina Silva, do PV e algum candidato do Psol, ainda não escolhido, não podendo descartar-se totalmente Ciro Gomes, mas aí, no caso, a questão é saber se será mesmo candidato pelo PSB, e se será oposição ou apenas concorrente que entra no jogo em linha auxiliar do governo, uma espécie de “quinta-coluna”).

Embora a margem de erro seja de três pontos percentuais para mais ou para menos, a pesquisa indica linhas convergentes em relação a Serra e Dilma, o que recomenda ao primeiro pôr imediatamente a careca (já que barbas não tem) de molho. Aliás – e sem nenhum preconceito ou pretensões a previsão – alguém tem notícia de um candidato careca que haja sido eleito presidente da República?

Mesmo levando-se em conta que o Instituto Vox Populi não é o único a atuar na área eleitoral – dezenas de instituições e empresas atuam, destacando-se o Datafolha (geralmente considerado o mais confiável) e o Ibope – essa pesquisa é uma sinalização importante. Claro que, no momento, o governo (e, implicitamente, sua candidata) está falando sozinho, seja por intermédio da farta propaganda oficial, das seguidas viagens e numerosos atos públicos governamentais com óbvios objetivos eleitorais, e da poderosa máquina do Executivo federal. Não será assim durante a campanha eleitoral formal, pois a legislação impõe ao governo freios mais difíceis de desrespeitar que os válidos para a atual fase, bem como dá aos candidatos da oposição (também) a oportunidade de se comunicarem com o eleitorado pela propaganda gratuita nos meios eletrônicos de comunicação.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta segunda.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano

sábado, 23 de janeiro de 2010

Psol fará debates entre seus pré-candidatos à Presidência da República

Sábado, 23 de janeiro de 2010
O Psol divulgou o calendário para debates entre os seus pré-candidatos à Presidência da República. Até o momento se apresentaram como pretendentes a disputar as eleições presidenciais de 2010: Babá, Martiniano Cavalcante Neto e Plínio de Arruda Sampaio. O debate em Brasília ocorrerá no dia 27 de fevereiro.

Veja o cronograma dos encontros:
1) Rio de Janeiro – 08 de fevereiro
2) Salvador – 22 de fevereiro
3) Belém – 25 de fevereiro
4) Brasília – 27 de fevereiro
5) Belo Horizonte – 01 de março
6) Recife – 04 de março
7) Fortaleza – 05 de março
8) Macapá – 06 de março
9) São Paulo – 12 de março
10) Porto Alegre – 13 de março

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O bicho está pegando

Terça, 15 de dezembro de 2009
Por Ivan de Carvalho

Há uma certa bagunça no PMDB. Isto não é nenhuma novidade e vem dos tempos de seu predecessor, o antigo MDB, que teve “partido” acrescentado ao seu nome por decreto imperial de um dos generais-presidentes da República da segunda fase autoritária republicana.
O general presidente de plantão – não vou cansar a memória para lembrar qual era – e sua base militar não estavam contentes com as simpatias que o MDB andava conseguindo, ao contrário da Arena, base congressual e eleitoral do governo, que apesar das tendências governista e adesista da maioria dos políticos tupiniquins, tupinambás e tamoios (salvam-se apenas os tapuias, eu acho) murchava no coração do povo.
Resolveram então aplicar a solução tradicional – tirar o sofá da sala, perdão, mudar os nomes dos dois partidos existentes, limitação bipartidária também imposta por anterior decreto imperial, não de um general, não senhor, mais respeito, de um marechal, Humberto de Alencar Castelo Branco, nome imponente o suficiente para compensar a ausência de pescoço. E cheio de cultura e amor pela cultura, no sentido próprio do termo, sem erro, que não sou dado a ironias para misturar cultura com curtura. “Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”, como depois ensinou o então bravo dirigente do PT, José Genoíno.
Eu já sabia que (pelo menos na aparência, sem descer às profundezas da matéria e dos espaços) uma rosa é uma rosa, mas a descoberta do ex-presidente petista sobre a natureza das coisas me deixou maravilhado e estupefacto. Ou estupefato, pois temos governantes que se esmeram em aperfeiçoar por decretos ou acordos internacionais a ortografia que o povo vai criando através da história para seu próprio uso, não para os governantes. É verdade que a linguagem alternativa criada por Lula, não a do acordo ortográfico, é inigualável. Mas por que fui eu, meu Deus, me meter com idioma em um artigo político? Acabei ficando mais perdido do que cego – perdão, Ivan, pessoa com necessidades especiais (?!) – em tiroteio.
Respeitando a natureza das coisas, volto à política. Não adiantou tirar o sofá da sala. A Arena mudou seu nome para PDS, mas o MDB foi esperto o suficiente para acrescentar somente um P de partido antes de sua sigla. E Ulysses Guimarães, aquele da Ilíada e da Odisséia brasileiras, pronunciava de forma característica – P...MDB. O P ficava assim como o cocô do cavalo do bandido.
Mas o que importava dizer, se é que importava mesmo, porque, a essa altura deste artigo, já não importa mais, é que no PMDB o bicho está pegando. Normal, sempre pega, mas o partido pega sempre muito mais. Três correntes, a governista, a contrária à coligação com a oposição e a que propõe a “candidatura própria” do governador do Paraná, Roberto Requião. Que desde ontem passou a servir de muleta para a corrente que quer evitar a coligação do partido com o PT para apoiar a candidata do Palácio do Planalto a presidente, ex-mestra e ex-doutora Dilma Rousseff. Nenhuma surpresa – o P.... MDB, ex-MDB, sempre foi assim.

Este artigo foi publicado originalmenten na Tribuna da Bahia desta terça-feira.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano

sábado, 24 de outubro de 2009

A chapa dos sonhos

Sábado, 24 de outubro de 2009
Por Ivan de Carvalho
Perto de completar três dos quatro anos de seu segundo mandato como governador de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral e a terceira maior economia do país, o tucano Aécio Neves tem muita vontade de ser candidato a presidente para suceder a Lula. E está trabalhando duro para isto.
    O início desta semana registrou uma ação sua e outra que o beneficia. A dele foi defender, inclusive junto ao seu concorrente a candidato a presidente da República dentro do PSDB, o governador paulista José Serra, uma decisão sobre quem será o candidato tucano até janeiro.
Isto daria a Aécio Neves mais tempo, e ele precisa muito disso, para trabalhar junto ao eleitorado em geral e a diversos segmentos da sociedade a sua candidatura, pois seus índices de popularidade ainda são muito modestos. Aécio precisa desesperadamente de exposição e ela viria, não com a tese que chegou a lançar, de realização das prévias, mas com uma decisão que o faça o candidato da oposição.
A iniciativa do governador mineiro de cobrar para janeiro a decisão sobre o candidato do PSDB e seus aliados a presidente também é um esforço para embaraçar a estratégia do governador paulista José Serra, que trabalha para retardar a decisão, que se for tomada em março ainda lhe parecerá precoce, mesmo que já admita isto.
Uma outra iniciativa, não de Aécio, mas em seu favor, também acaba de ocorrer. O mineiro considerou “enorme estímulo” a manifestação majoritária de preferência por seu nome das bancadas do Democratas na Câmara dos Deputados e no Senado e interpretou o fato como “uma demonstração clara de que não há decisão tomada e há espaço para nós criarmos um projeto que eu chamaria de mais convergente”.
Quem não tem cão caça com gato. A iniciativa de Aécio de tentar abreviar a escolha do candidato e a manifestação de parte dos congressistas do DEM em seu favor mal conseguem responder a uma pesquisa eleitoral encomendada pelo PSDB, na qual Serra – como em todas as outras, com a alta exposição que já teve e continua tendo nacionalmente em sua vida pública – aparece muito bem na foto. E excepcionalmente em cenário no qual Aécio é proposto como candidato a vice na “chapa dos sonhos”, que une como ponto de partido o PSDB, os dois maiores colégios eleitorais do país e as primeira e terceira economias, além de ter a aprovação do DEM, que renuncia alegremente, em nome do aumento das chances de vitória, ao “direito” de indicar o candidato a vice, com as devidas compensações, naturalmente.
Um experiente e bem informado político, muito bem colocado para analisar este processo, reconhece que Aécio quer ser o candidato da oposição a presidente, mas admite que a escolha acabará recaindo sobre Serra. E que Aécio não escolherá alternativas como a de candidato a senador, mas cederá às pressões de Minas Gerais –  e, por que não, do PSDB? – para integrar a chapa de Serra como candidato a vice. Tudo muito bem conversado, claro, que mineiro não é bobo. Muito menos quando é neto de Tancredo Neves.

Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia de hoje.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.