Sábado, 30 de março de 2013
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“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."
Há no
momento um fenômeno comum pelo menos aos quatro partidos brasileiros que
protagonizaram a política nacional em tempos recentes – o PT, o PSDB, o DEM e o
PMDB. Todos eles estão em crise, embora o PT esteja no controle do governo
federal e, assim, numa situação privilegiada.
Recentemente, abordei aqui o tema da sucessão municipal em Salvador, tendo em vista o cenário que existia na época, já com uma guerrilha em curso entre o comando estadual do PMDB e o prefeito João Henrique. Mas agora há justificativa para revisitar o tema, já que a guerrilha transformou-se em batalha campal e guerra sem quartel.
A crise entre o PMDB e o PT por causa de espaços políticos no governo Dilma Rousseff não arrefeceu. Apenas, a batalha passou a ser travada em surdina, por exigência da presidente. Mas o PMDB, embora já conformado em não ter um representante partidário no núcleo político do governo (Michel Temer integra esse núcleo, mas por ser vice-presidente da República e não por ser peemedebista), insiste em cobrar postos que minimizem as duas pesadíssimas perdas que sofreu na composição do primeiro escalão e já também em algumas áreas do segundo escalão, como ocorreu na Saúde, onde, além do cargo de ministro, perdeu a Secretaria de Atenção à Saúde e a Funasa.
Já existe alguma expectativa, no meio político, de que a forte tensão entre o PT e o PMDB por causa da composição da equipe do governo Dilma Rousseff possa vir a por em risco o acordo entre estes dois partidos para a presidência da Câmara. Não apenas como uma tentativa de retaliação do PMDB ao apetite por cargos de mando demonstrado pelo PT, enquanto este insiste em colar no seu principal aliado o rótulo de “partido fisiológico”.
Políticos
do PMDB percebem que a longa permanência da legenda como força coadjuvante na
política brasileira, durante um longo período, já está produzindo resultados preocupantes.
Entendem que está deflagrado processo semelhante ao que levou o DEM, antigo
PFL, a uma desidratação profunda e muito provavelmente mortal.
O chamado primeiro escalão do futuro governo Dilma Rousseff ainda está longe de ficar pronto, mas o problema principal parece ter sido resolvido, talvez mal resolvido – o espaço que caberá ao PMDB. O grande aliado-concorrente do PT vai ficar com menos do que sonhou e sugeriu, com o mínimo que reivindicou para valer quanto ao número de pastas e com menos do que pedia no que diz respeito à “densidade” política e orçamentária das pastas que lhe estão sendo concedidas.
É
consenso no meio político que o PMDB foi, no segundo mandato do presidente Lula
e na campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff, o aliado fundamental.
A notícia está mui discretamente rolando pelos jornais, sites e blogs há vários dias, mas foram duas notas publicadas na colina do jornalista e amigo Alex Ferraz, na Tribuna da Bahia, que me convenceram a abordar o assunto. Menos pelo conteúdo das notas, que não chega a ser notícia em primeira mão, mas pelo verdadeiro e, convenhamos, impiedoso título escolhido para ambas: “Um golpe em Temer?”.
O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia e seu pai, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, asseguram que já está sepultada a proposta de fusão ou incorporação do DEM ao PMDB, mas afirmam-se convencidos de que ela serviu para “reorganizar a tropa” da legenda. É que a partir do surgimento da proposta, seu presidente, com ajuda de César Maia e alguns outros democratas, entrou em campo em busca da unificação do DEM.
O principal deles é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Com a derrota eleitoral e possível decadência política do tucano José Serra, seu principal suporte na aliança com o PSDB e deste partido com ele, Kassab, o prefeito vê o PSDB paulista ficar mais sob a influência de Geraldo Akckmin.
A presidente eleita Dilma Rousseff assumirá o cargo em 1º de janeiro e nessa ocasião talvez já esteja enfrentando os primeiros lances de um sério, mas normal, problema político, relacionado com o Congresso Nacional.
Com a dianteira assumida nas pesquisas eleitorais pela candidata do governo e da coligação liderada pelo PT a presidente da República, o PMDB, principal aliado, tanto da base do governo quanto do PT na coligação, apressa-se a marcar a fatia do bolo que imagina comer no futuro a aparentemente provável governo de Dilma Rousseff.Quinta, 4 de agosto de 2022 Fonte: AEPET* Publicado em 04/08/2022 Escrito por Maria Lucia Fattorelli O problema do Brasil não é falta de re...