Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 26 de junho de 2025

Dose de reforço de vacina contra meningite terá proteção maior

Quinta, 26 de juho de 2025

Bebês de 12 meses agora serão imunizados contra quatro sorotipos

© Tomaz Silva/Agência Brasil
Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 26/06/2025 — Rio de Janeiro

A partir de 1º de julho, os bebês de 12 meses receberão a vacina meningocócica ACWY como dose de reforço para a meningocócica C. Isso significa que, além do meningococo C, eles ficarão protegidos contra outros três sorotipos da bactéria (A, W e Y), o que previnirá casos de meningite bacteriana e infecção generalizada no sangue, a "No Brasil, o sorogrupo que mais preocupa, além do C, é o W. A gente observou aumentos de incidência importantes, principalmente nos estados do Sul do país, recentemente. Então, essa mudança representa uma ampliação da proteção contra sorogrupos que são um risco, principalmente para as crianças", explica a diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo.

O Sistema Único de Saúde ja oferece o imunizante ACWY nas unidades básicas de saúde, mas atualmente a vacina é aplicada dos 11 aos 14 anos. Já os bebês recebem três doses da vacina meningocócica C: duas doses aos 3 e aos 6 meses de idade, e o reforço, aos 12 meses. Apenas a dose de reforço será modificada.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Campanha de vacinação contra a gripe começa no dia 7 de abril

Sexta, 21 de março de 2025

Meta é imunizar 90% dos grupos prioritários

© Arquivo/Gilberto Marques/Governo do Estado de São Paulo

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 21/03/2025
Brasília

A campanha nacional de vacinação contra a influenza este ano começa no dia 7 de abril. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta sexta-feira (21), data em que as doses começam a ser distribuídas aos estados.

A meta é imunizar 90% dos chamados grupos prioritários, que incluem crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos, gestantes, puérperas, pessoas com doenças crônicas, pessoas com deficiência, profissionais de saúde e professores, dentre outros.

Ao receber a primeira remessa de doses destinada ao Distrito Federal, Padilha destacou que o imunizante protege contra um total de três vírus do tipo influenza e garante uma redução do risco de casos graves e óbitos provocados pela doença.

terça-feira, 16 de julho de 2024

Médicos comemoram avanço da vacinação infantil no Brasil

Terça, 16 de julho de 2024

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Movimento Nacional pela Vacinação é o responsável, diz ministra

Publicado em 15/07/2024 - Por Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

Especialistas em vacinação e no cuidado de crianças e adolescentes apontam que avanços recentes na cobertura vacinal são resultado de ações do governo, sociedades médicas e de pais e responsáveis. E garantem que o maior grau de imunização tem o efeito imediato de salvar vidas e evitar doenças graves.

Pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgada nesta segunda-feira (15), revelou que diminuiu o número de crianças não vacinadas no Brasil. Os números tiram o Brasil da lista dos 20 países com mais crianças não imunizadas.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, atribuiu a melhoria brasileira na vacinação ao Movimento Nacional pela Vacinação, lançado pelo governo em fevereiro de 2023, primeiro ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao comentar o resultado do estudo global, Nísia disse que 2023 marcou uma inflexão no comportamento da cobertura vacinal do país.

“Desde 2016, o Brasil enfrentava quedas crescentes nas coberturas vacinais de vários imunizantes do calendário infantil. Depois de conquistas tão importantes como a erradicação da varíola e a eliminação da circulação do vírus de poliomielite, o Programa Nacional de Imunizações encontrou forte risco”, assinalou.

“Mas conseguimos reverter esse cenário”, comemorou a ministra. “O movimento pela vacinação venceu com a volta da ciência e da confiança da população brasileira nas vacinas do SUS [Sistema Único de Saúde]”, afirmou.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Brasil deixa lista dos 20 países com mais crianças não vacinadas

Segunda, 15 de julho de 2024
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Em 2021, país ocupava a sétima posição

Publicado em 15/07/2024 - Por Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

O ano de 2023 marcou um avanço do Brasil na imunização infantil e fez o país deixar o ranking das 20 nações com mais crianças não vacinadas. A constatação faz parte de um estudo global divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A pesquisa revela que o número de crianças que não receberam nenhuma dose da DTP1 caiu de 710 mil em 2021 para 103 mil em 2023. Em relação à DTP3, a queda entre os mesmos anos foi de 846 mil para 257 mil. A DTP é conhecida como a vacina pentavalente, que protege contra a difteria, o tétano e a coqueluche.

Com a redução na quantidade de crianças não vacinadas, o Brasil, que em 2021 era o sétimo no grupo dos países com mais crianças não imunizadas, deixou a lista negativa. O Brasil apresentou avanços constantes em 14 dos 16 imunizantes pesquisados.

A chefe de Saúde do Unicef no Brasil, Luciana Phebo, destacou que o comportamento da imunização infantil no país é uma retomada após anos de queda na cobertura de vacinação. Ela ressalta a importância de o país seguir em busca de avanços, inclusive levando a vacinação para fora de unidades de saúde, exclusivamente.

sábado, 4 de novembro de 2023

Retomada —Brasil tenta recuperar cobertura vacinal; toda população pode atualizar imunizações

Sábado, 4 de novembro de 2023
Meta é recuperar o protagonismo do Brasil na vacinação - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ministério da Saúde lançou iniciativa para combater a desinformação e o negacionismo

Rádio Brasil de Fato
Julina Passos e Nara Lacerda —03 de novembro de 2023

Não existe overdose de vacina.
Se não há registro, você toma uma dose a mais

Como parte da estratégia nacional para retomar os níveis de vacinação da população brasileira, o governo federal vem colocando em prática uma série de iniciativas. A mais recente é o programa Saúde com Ciência, que além de chamar atenção para a manutenção da vacinação atualizada também pretende combater a desinformação e as fake news.

Pesquisas indicam que a confiança da população brasileira na ciência e nas vacinas sofreu com a propagação de notícias mentirosas e com o negacionismo durante a pandemia da covid-19. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz, publicado no fim do ano passado, revelou que a maior parte das pessoas (68,9%) ainda tem bons níveis de confiabilidade na ciência, mas as campanhas de desinformação trouxeram impactos.

Em relação às vacinas, a percepção também foi abalada pelas fake news. Mais de 86% das pessoas que participaram da pesquisa consideram a imunização importante para proteger a saúde pública. Por outro lado, quase 20% responderam que não acham as vacinas necessárias e 46% afirmam que os imunizantes produzem efeitos colaterais que são um risco.


O crescimento do negacionismo vem afetando os níveis de vacinação no país. Dados do Observatório da Atenção Primária à Saúde da organização Umane mostram que, em 2021, o Brasil teve a menor cobertura vacinal em duas décadas. A média nacional ficou em 52,1%. Até 2015, esse índice nunca tinha ficado abaixo de 70%.

Eu tenho que me vacinar?

O calendário vacinal previsto no Brasil tem fases de imunização específicas para crianças, adultos e idosos. A Sociedade Brasileira de Imunizações divulga a lista completa de recomendações de vacina da infância à terceira idade. Com atualizações constantes, o material está disponível no site da organização.

As ações do Ministério da Saúde pretendem recuperar a imagem brasileira de referência mundial em todos os níveis e garantir atualização dos cartões de vacina, independentemente da faixa etária. Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), afirma que a iniciativa é importante e lembra que o calendário adulto, por exemplo, é comumente deixado de lado.


Ela cita os reforços para tétano e as vacinas contra hepatite B. Nesse segundo caso, o Brasil só começou a oferecer a imunização no calendário infantil a partir da década de 1980, portanto, há adultos e idosos que nunca tomaram as doses e precisam buscar a atualização.

A terceira idade, mais vulnerável a doenças respiratórias, precisa ter atenção às doses da vacina pneumocócica, à proteção contra a gripe e à imunização contra covid-19.

"Em relação ao calendário de vacinação de adultos e idosos, de um modo geral, todas as vacinas que estão disponíveis são esquecidas, negligenciadas e é difícil obter coberturas vacinais altas. Então precisamos falar de todas elas. Basicamente é atualizar aquelas que não existiam nas suas épocas de infância ou mesmo adolescência, tomar as que precisam de reforço e as vacinas de campanha, como gripe e covid-19."

A especialista lembra que a tríplice viral e a hepatite B não têm reforços, portanto, quem chega à vida adulta com o calendário em dia para essas imunizações, não precisa tomar as doses novamente, a não ser que ocorram campanhas específicas. Vale lembrar que pacientes com comorbidades que tragam vulnerabilidade para hepatite podem ter recomendação de reforço, mas são casos específicos e que devem contar com orientação médica.


Flávia Bravo ressalta que quem não tem certeza se tomou as doses do calendário adulto, pode ser vacinar novamente. "Perda de cartão ou esquecimento das doses tomadas não são desculpa para não procurar o posto de saúde ou a sala de vacinação para ser vacinado. Se não houver nenhum registro é praxe encarar como esquema não aplicado, eu tenho que ter o registro das doses aplicadas a fim de estabelecer esquema de vacinação. Se eu não tenho este documento, eu vou fazer todas as vacinas recomendadas para a minha faixa etária e esquemas completos."

Ela explica ainda que tomar a mesma vacina mais de uma vez não traz riscos à saúde. "Eu costumo dizer que não existe overdose de vacina. Se não há registro, você toma uma dose a mais. Pode gerar, na pior das hipóteses, um risco maior de eventos adversos, mas nada de evento adverso grave. Pode até funcionar como reforço e melhorar a proteção."


Em parceria com a Secretária de Comunicação Social da Presidência da República, o trabalho de combate a desinformação do Ministério da Saúde envolve também os ministérios da Justiça e da Ciência, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU). A ideia é atuar na identificação e compreensão do fenômeno, mas também responder aos efeitos negativos das redes de desinformação com ações práticas.

Uma delas é a criação de um ambiente online onde serão divulgados alertas e análises sobre as fake news identificadas. As informações serão repassadas por meio do portal Saúde com Ciência, nas redes sociais do Governo Federal e em aplicativos de mensagens. Por meio de um formulário também será possível informar as autoridades sobre informações mentirosas que circulam sobre o tema.

Edição: Thalita Pires

domingo, 10 de setembro de 2023

Sarampo, meningite, pólio: vacinas evitam sequelas para a vida toda. Quem passou pelas doenças faz alerta aos pais: vacinem seus filhos

Domingo, 10 de setembro de 2023
© Paulo Pinto/ Agência Brasil/Arquivo

Publicado em 10/09/2023 - Por Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro


Em 1960, Helena Teodoro Michelon tinha 1 ano e 2 meses de idade quando deu entrada no Hospital das Clínicas de São Paulo, com a perna direita paralisada. Até então, a febre alta tinha sido tratada com dipirona por um farmacêutico, mas o temido sintoma alertou a avó e a mãe de que o motivo poderia ser mais grave. As duas viraram a noite para conseguir uma vaga de internação.

“Só naquela noite, junto comigo, internaram 49 crianças com pólio. E lá fiquei dois meses, em um isolamento só com crianças com pólio. Fiquei no pulmão de aço. Assim começou minha luta de sequelada da pólio”, conta Helena, que hoje tem 64 anos. “Falo para as mães novas que não deixem de vacinar seus filhos. Me olhem, olhem com olhos fixos, porque eu sou prova viva da sequela da pólio. A sequela da pólio é o que eu sou hoje. Então, prestem atenção. A sequela da pólio é para o resto da vida, não tem cura. É uma deficiência permanente”.
Helena teve pólio na infância e vive com sequelas da doença, por Arquivo pessoal/Divulgação

A prevenção da paralisia infantil era uma esperança urgente, mas ainda distante no ano em que Helena foi internada. Albert Sabin havia descoberto a vacina oral contra a poliomielite (VOP) três anos antes, e a vacinação contra a doença no Brasil começaria apenas em 1961, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Plano Nacional de Controle da Poliomielite, primeira tentativa organizada nacionalmente de controlar a doença no país, viria apenas 10 anos depois, em 1971.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

O que falta para a vacinação dar certo

Segunda, 7 de agosto de 2023

Foto: Alexandre Macieira/Prefeitura do Rio

Mesmo no caminho certo, ministério não consegue dar tração ao Movimento Nacional de Imunização. É hora de diversificar estratégias por territórios, levar a vacina às residências, incluir as escolas e informar a população para combater fake news

OUTRASAÚDE                                                                                 SUS


Publicado originalmente no site OutraSaúde 07/08/2023

Carla Domingues em entrevista a Gabriel Brito

Primeira iniciativa do ministério da Saúde, a retomada do Programa Nacional de Imunização segue em seu esforço de retomar as altas taxas de cobertura vacinal que um dia o Brasil já sustentou. Mas, como mostra o ritmo de imunização, a tarefa está mais difícil do que antes. Há dois motivos principais, explicou a epidemiologista Carla Domingues, ex-coordenadora do PNI, em entrevista do final de 2022 ao Outra Saúde. Um deles é o negacionismo, que ganhou tração no governo Bolsonaro, em especial após a pandemia. Outro, também importante, é o fato de que a atual geração de pais é a primeira completamente vacinada – e que, por isso mesmo, desconhece o significado de doenças como varíola, difteria ou rubéola. A percepção do risco é muito menos clara.

“A situação do Brasil é muito preocupante, porque em algumas vacinas estamos com índice até mais baixo do que em 2022“, alertou ela, em nova entrevista. “Temos de buscar um pacto nacional, com envolvimento de governadores, prefeitos e principalmente o presidente da República. Penso que a ação do ministério da Saúde, ao buscar parcerias no setor privado, ainda é muito tímida. Nesse ritmo, não vamos recuperar as taxas de cobertura vacinal tão cedo”, avalia.

Em sua visão, o ministério da Saúde, apesar de agir na direção correta, ainda é tímido na execução de estratégias de esclarecimento sobre a importância e promoção das vacinações em si. A epidemiologista acredita ser hora de apertar o passo na diversificação de estratégias de vacinação, que não podem apenas repetir antigas campanhas, uma vez que a dinâmica da sociedade mudou.

“Para cada localidade temos de pensar numa estratégia”, ensina. “No município de 2 mil, 3 mil habitantes não tem sentido falar em posto de vacinação funcionando no horário noturno, no final de semana. Possivelmente, ir à casa das pessoas é mais fácil. Já uma cidade como São Paulo, precisa de posto funcionando de noite e postos volantes, que vão no metrô, em um shopping. Portanto, temos de identificar, de acordo com a realidade local, como funcionam os postos de vacinação, como vive a população, quais as dificuldades dessa população em ser vacinada e criar estratégias locais para buscar a elevação da cobertura vacinal”, diz Domingues, que inclui as escolas como parte essencial da estratégia.

De toda forma, não basta só a ação do governo. De acordo com a entrevistada, a ministra Nísia Trindade está correta em convocar a sociedade para um esforço coletivo. Foi com engajamento de diversas instituições e representações da sociedade civil que o Brasil conseguiu elevar sua cobertura vacinal e erradicar doenças, como a poliomielite, que agora ameaçam retornar.

E, diante dos estragos do movimento antivacina, é necessário dar educação científica as pessoas e combater a “hesitação vacinal”, como tem sido chamada por especialistas. Explicar os efeitos históricos positivos da vacinação e também os efeitos de um sistema de saúde sobrecarregado por doenças que poderiam ser evitadas. Pois tomar uma vacina de covid, por exemplo, e evitar uma internação também significa agilizar uma consulta para um tratamento de câncer ou liberar um quarto de UTI para quadros de enfermidades imprevisíveis.

“A vacina, junto com a água potável e os antibióticos, mudou completamente a expectativa de vida da população brasileira. Na década de 1950, tínhamos uma mortalidade em torno de 50 anos. Hoje, nós estamos perto de 80 anos. A vacina tem um papel fundamental nisso. A gente tinha uma mortalidade infantil várias vezes maior que a atual, que está em 12 para cada mil nascidos vivos. Com certeza as vacinas tiveram um papel preponderante no aumento da expectativa de vida da população brasileira e na diminuição da mortalidade infantil. Precisamos comunicar a população”, exemplificou.

Quanto ao movimento negacionista, Carla Domingues concorda com Nísia a respeito de sua responsabilização pelas sequelas geradas por sua desinformação. Isto é, o Brasil precisa criminalizar aqueles que promoveram uma onda de desinformação causadora de muitas mortes.

“É muito sério deixar uma população com insegurança para se vacinar. Criar ou disseminar fake news merece responsabilização. Qualquer pessoa que dissemina e principalmente cria fake news tem de ser responsabilizada, é muito sério. Mais ainda quando se trata de profissionais de saúde. Essas pessoas têm de ser responsabilizadas”.

Leia a entrevista completa com Carla Domingues

Como tem observado o Programa Nacional de Imunizações em 2023 e a abordagem do novo governo?

Felizmente, vemos um esforço de priorização da vacinação. O programa agora tem um diretor que está tentando resgatar as coberturas vacinais, mas ainda é um trabalho incipiente. Nós precisamos ter uma postura mais firme para resgatar as coberturas. A situação do Brasil é muito preocupante, porque em algumas vacinas estamos com índice até mais baixo do que 2022. Temos de buscar um pacto nacional, com envolvimento de governadores, prefeitos e principalmente o presidente da República. Penso que a ação do ministério da Saúde, ao buscar parcerias no setor privado, ainda é muito tímida. Nesse ritmo, não vamos recuperar as taxas de cobertura vacinal tão cedo.

Como o ministério poderia melhorar sua estratégia de promoção da vacinação?

Em primeiro lugar, precisamos voltar a ter campanhas publicitárias esclarecendo porque existe um programa de vacinação, qual a importância das vacinas e, principalmente, qual o risco de não termos altas coberturas vacinais, em especial nas crianças, que nascem sem nenhuma proteção de qualquer doença. Crianças são o grupo mais vulnerável, com riscos de elevação inclusive da mortalidade infantil no Brasil a partir do possível o retorno de doenças como pólio, difteria, coqueluche, aumento da meningite, rotavírus…

Precisamos mostrar à população porque devemos vacinar as nossas crianças e principalmente completar o esquema vacinal. Não adianta começar o esquema e não terminar. Cada vacina tem um esquema, algumas de duas, três doses, outras tem reforços feitos ao longo da vida, especialmente até os quatro anos de idade. Precisamos de todas as crianças com sua caderneta de vacinação completa.

Temos, hoje, uma geração de pais que não conhece certas doenças justamente porque foi imunizada na infância. Assim, essas doenças deixaram de acontecer no país e começamos a achar que vacina não é importante, já que as doenças não aparecem mais. No entanto, devemos mostrar aos pais e mães que se deixarmos nossas crianças sem vacinas não só a mortalidade infantil pode aumentar como as doenças podem causar sequelas irreversíveis, como cegueira, surdez, problemas de desenvolvimento neurológico, paralisia infantil, coisas que afetam o desenvolvimento das crianças ao longo da vida. Há uma enorme quantidade de doenças se a gente não vacinar nossas crianças.

A comunicação é estratégica e não estamos vendo essa mobilização em torno de falar da importância da vacina, tentar trazer esses pais para os postos de vacinação. Outra questão importante é que há uma dificuldade muito grande de muitos pais que querem levar os seus filhos para vacinar, mas não conseguem comparecer aos postos de saúde porque eles funcionam em horário muito limitado. Nós temos uma geração de pais que estão desempregados ou no mercado informal. Assim, se só tiver o posto de vacinação funcionando de 8 às 11:30 horas e das 14 às 16 horas, esses pais não conseguirão ir ao posto de vacinação.

Temos de criar condições de facilitar a vacinação, seja com postos volantes que facilitem a ida da vacina a essa criança, a esse pai, seja através de horários estendidos, com alguns postos funcionando no horário noturno, no final de semana. Vimos como isso funcionou na campanha de covid. Com horário limitado para vacinação, não vamos recuperar as coberturas vacinais. E hoje temos um Programa de Saúde da Família, muitos municípios têm 100% de cobertura. Ele precisa ser envolvido, ajudar a buscar essas cadernetas de vacinação, identificar quais são as crianças que estão com a caderneta incompleta e criar condições para que sejam vacinadas.

Por fim, devemos envolver a escola. Precisamos que toda criança que frequente a escola esteja com a sua caderneta de vacinação. Podemos ter duas estratégias, seja criando condições para que os profissionais de saúde avaliem a caderneta de vacinação, possam identificar e facilitar o comparecimento da criança ao posto de vacinação ou fazer com que a vacinação chegue ao ambiente escolar. Para cada localidade temos de pensar numa estratégia. No município de 2 mil, 3 mil habitantes não tem sentido falar em posto de vacinação funcionando no horário noturno, no final de semana. Possivelmente, ir à casa das pessoas é mais fácil. Já uma cidade como São Paulo, precisa de posto funcionando de noite e postos volantes, que vão no metrô, em um shopping. Portanto, temos de identificar, de acordo com a realidade local, como funcionam os postos de vacinação, como vive a população, quais as dificuldades dessa população em ser vacinada e criar estratégias locais para buscar a elevação da cobertura vacinal.

O que pensa da afirmação da ministra da Saúde, Nísia Trindade, ao mencionar que a retomada de taxas vacinais desejáveis são também uma responsabilidade da sociedade, que deve fazer um movimento nesse sentido? O que isso revela do contexto brasileiro?