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(Millôr Fernandes)
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domingo, 19 de junho de 2022

Indígenas em risco — Intimidação, ameaças e exílio: trabalhadores da Funai enfrentam desmonte cotidiano

Domingo, 19 de junho de 2022

Servidores da Funai em ato realizado horas antes da confirmação das mortes de Bruno Pereira e Dom Philips - Cristiane Sampaio/Brasil de Fato

Servidores apontam condições de trabalho degradadas e prejuízo à proteção de povos originários; greve ocorre quinta (23)

Nara Lacerda
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 19 de Junho de 2022

A morte do indigenista brasileiro Bruno Pereira, assassinado no Vale do Javari (AM) junto com o jornalista britânico Dom Philips, escancarou para a sociedade o debate sobre as condições de trabalho na Funai e o cotidiano de medo e assédio vivido pelos trabalhadores e trabalhadoras da fundação todos os dias. Inclusive, na noite de sábado os servidores da Fundação anunciaram greve para quinta-feira (23), uma forma de protestar contra as mortes de Bruno e Dom. De acordo com nota da INA (Indigenistas Associados), outra demanda será a saída imediata de Marcelo Augusto Xavier da Silva, atual presidente do órgão.

Pereira era servidor licenciado do órgão. Ele decidiu se afastar após ter sido exonerado da Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados, em 2019. Na ocasião, o indigenista concedeu entrevista ao Brasil de Fato e alertou sobre o clima de silenciamento e constrangimento contra servidores e servidoras. De lá para cá, relatos semelhantes se tornaram comuns.

"Não há diálogo com os servidores. A sensação que tenho é que há um ranço muito grande em relação a tudo que a Funai já foi e o trabalho que realizava. Eu sinto que há um ranço, rancor, são medidas vingativas. Isso está minando o trabalho indigenista", afirmou Bruno Pereira em 2019.

Ele morreu enquanto trabalhava ao lado de indígenas contra atividades ilegais no Vale do Javari. O assassinato levou ex-colegas a um luto trágico. "O desaparecimento do Bruno afeta e muito a nossa vida trabalhista, porque ele era uma figura exemplar. Provoca na gente revolta e medo de a gente não conseguir exercer o nosso trabalho, ainda mais em um contexto de exceção como este", afirmou um servidor da Funai, sob a condição de anonimato, horas antes da confirmação do morte do indigenista.